Eu Amo meus Inimigos
Escrevo meus lamentos no papel,
Finjo que é poesia,
Ou algo parecido.
Vou mastigando meus sentimentos a contragosto,
Reprimindo as dores que apertam o peito
Por amar e não ser amado.
Tá aí o motivo de eu não gostar de matemática:
A soma do amor,
Em certas ocasiões, é injusta
E nunca resulta no que desejamos.
Escrevi teu nome
No poema,
Na pele, na alma
E no coração.
Desenhei você nos meus sonhos
E te busquei na imensidão do amor.
O sorriso mais lindo,
O abraço mais caloroso,
Guardo para a eternidade.
Um belo dia avistei o horizonte e vi a vida passar diante dos meus olhos.
Percebi o quanto a vida passa tão rápido que nem sempre conseguimos acompanhar o tempo.
Choro
Choro pela vergonha que passo.
Com minhas mãos sobre meu olho,
pisco e sinto meus cílios a tocar-las.
Sentir algo ameniza o desgosto.
Conscientizo a existência da carne e do osso.
E no fim não respiro, eu sufoco.
Mesmo sentindo, eu duvido.
Mesmo chorando, eu questiono.
Percebo que a pele é a prisão.
Que prende o coração de querer,
de poder ser o alguém que deseja ser.
Minha pequena,
tão leve em meus braços,
ao mesmo tempo gigante em um abraço.
Como pode um coração
todinho preenchido
no simples laço de um abraço.
21/07/26
Você pacificou o que era meu
E hoje é seu
Você é meu oceano, futuro dos meus planos
Em parte tu me interas
És minha de outras eras
Verão na primavera
Sacia meu prazer
Melhor que te querer é ter você.
Minha carne veste a essência dos meus ancestrais.
Minha cor é armadura forjada na travessia dos tempos: alvo da violência, mas também instrumento de enfrentamento.
Carrego na pele a memória de quem nunca se rendeu.
Porque preta não é ausência de cor; preta é presença, é nobreza, é raiz, é resistência.
Eli Odara Theodoro
RASTAFARI
O Promotor soltou o verbo; grave, sua voz soou aos meus ouvidos ao som de todos os idiomas e todos os dialetos, como uma declaração a humanidade, sobre quem era o mais espúrios dos seres sobre a face da terra: eu. O juiz que me lembrava um camarão, pela cor da sua pele e pelo seu bigode aparado e sua toga irrepreensível, apenas assentia. Imaginei atrás daquele birô, uma guilhotina com lâmina tão afiada, que certamente faria minha cabeça saltitar como uma bola de basquete nas mão de Magic... ou talvez fosse uma corda preparada num cadafalso; e eu morreria dando língua, deboche à burguesia e seus valores fajutos... quiçá uma fogueira queimasse todas as minhas máculas. Talvez. O promotor continuaria horas a fio com os ‘’elogios’’a ponto de eu imaginar acentuando-se os meus pés-de-galinha, aliás, toda a minha face estaria traçada por aquela angústia, não fosse a providencial e majestosa presença da princesa, que adentrara o tribunal.
Seus impetuosos seios pareciam uma oferenda. Até então, eu não sabia qual era o meu crime, até reparar em toda a sensualidade da boca da princesa. Eu fora sempre alguém torpe assim, ou era a presença da princesa que me tornava um cafajeste? Seus quadris também não me passaram despercebidos; centenas de adjetivos fervilhavam na minha cabeça, todos lidos e entendidos pela majestade a ponto de fazê-la enrubescer. O promotor também parecia conseguir essa proeza, pois no seu lero-lero, palavras como torpe e sadismo, passaram a serem ouvidas com freqüência.
A sentença parecia implacável, irremediável, mas depois de conhecer toda aquela graça, morrer seria um grande azar; restava-me a esperança da defesa; era um negro, cabelos tipo rastafári, estatura mediana numa França burguesa, loira e de olhos claros, onde já havia perecido dentre outros, Joana D’arc a guerreira; contudo se a defesa tivesse metade do “queixo” da promotoria, eu seria absolvido.
O martelo do meritíssimo soara trazendo-me a realidade, quando eu quase sentira o sabor sexy da burguesinha; a palavra foi dada à defesa: Serafim, parecia escárnio, mas não, era a graça do nosso herói, que mais parecia um representante do reggae da memorável Jamaica do Bob Marley. Ou seria um macumbeiro da periferia soteropolitana, ou dos confins maranhense... em que ele se basearia, além do baseado?
O negro começou com um linguajar de fazer inveja a qualquer jurista, deixando todos boquiabertos inclusive o jurista Cid Carvalho emtão famoso pela sua inigualável oratória, mas depois introduziu uma enxurrada de gírias, fazendo aparecer nos lábios da princesinha o mais belo dos sorrisos e nos seus olhos um ar de cumplicidade. O rastafári estava conquistando aquele reinado, e, provavelmente eu seria absolvido para testemunhar a majestade viciada e sodomizada, não, preferível a guilhotina!
Senti o corpo todo estremecer, depois percebi a leiteira ainda pingando nas mãos de Isabel. Eu estava todo molhado entre lençóis e travesseiros deitado na cama, tudo não passara de um pesadelo, e, provavelmente, indignada com alguma reação minha durante o sonho, Isabel tomou essa atitude de me acordar assim. Um negão rastafári abotoava o vestido de Isabel, no que pude perceber, era uma fantasia de princesa. Era desfile da escola de samba e o enredo era o império.
Será que o meu sonho tornar-se-ia realidade? Isso me assustaria, se eu não percebesse que esse rastafári era um fiel representante de uma comunidade gay...
ABSTRAÇÕES
Os meus olhos sustentam a lua
A rosa controla o beija flor
E os insetos fazem seu trabalho
As colunas que sustentam
a terra teu seus imãs
A terra fecunda germina a hortelã,
E a rebeldia dos anjos
Cria a harmonia entre o bem e o mal...
Daí surge a paixão
Que tinge de rubro mercúrio,
E o amor que tinge de opala a lua
A saudade que preenche os oceanos
e o que somos além de Abstrações???
Liturgia da Esperança.
Não foram meus demônios que me condenaram.
Eles apenas cumpriam o ofício para o qual nasceram.
Também não foi a escuridão.
Ela sempre teve a honestidade de dizer que jamais seria luz.
Minha ruína sempre teve outro nome.
Esperança.
Essa criatura indecente, que aprende a respirar mesmo depois de ser afogada.
Eu a matei incontáveis vezes.
Enterrei-a sob o peso de despedidas, de silêncios, de portas fechadas e de horizontes que nunca chegaram.
Ainda assim, ela regressava.
Não caminhando.
Florescendo.
Como uma erva daninha que faz do cadáver a sua primavera.
Que ironia.
Os homens temem o ódio.
Eu temo a esperança.
O ódio encerra batalhas.
A esperança exige que se lute outra vez.
Ela é o carrasco que veste roupas de salvação.
É a mão que acaricia enquanto conduz à mesma fogueira.
E eu, tolo sacerdote de um deus que jamais respondeu, continuo oferecendo o próprio peito como altar.
Porque basta um único raio de luz, um único sorriso, um único "talvez"...
...e todo o cemitério que construí dentro de mim começa a acreditar que ainda existe primavera.
Maldita seja.
Maldita seja essa força invisível que insiste em devolver vida àquilo que eu implorei para morrer.
Se ao menos eu pudesse esquecer como se acredita...
Talvez encontrasse paz.
Mas acreditar é uma maldição que não escolhe os otimistas.
Escolhe justamente aqueles que já perderam tudo.
Porque sabe que ninguém sofre tanto quanto aquele que conhece o gosto do abismo e, mesmo assim, ergue os olhos na direção do horizonte.
Não esperando um milagre.
Esperando apenas que, desta vez, o horizonte tenha piedade.
E é exatamente nesse instante...
quando o coração, contra toda lógica, decide acreditar outra vez...
que a esperança sorri.
Não porque veio salvar-me.
Mas porque encontrou mais um motivo para manter-me vivo o suficiente para sofrer novamente
Quem sou?
Quem sou quando não sou meus bens materiais?
Quem sou quando não sou minha profissão?
Quem sou quando não sou minhas opiniões?
Quem sou quando não estou sendo observado?
Quem sou quando não estou feliz?
Quem sou quando não tenho as respostas?
Quem sou quando não correspondo às expectativas alheias?
Quem sou quando não tenho dinheiro?
Quem sou quando não estou nas redes sociais?
Quem sou quando não estou julgando os outros?
Quem sou sou quando não tenho propósito?
Quem sou quando não tenho uma agenda de atividades?
Quem sou quando não estou na moda?
A admiração que sempre tive pelos meus professores me deu alegria, dobrou a motivação e facilitou o meu aprendizado.
Convicções que Guiam os Meus Passos
Continuo conduzindo minha nau com firmeza, guiado pelas minhas convicções.
O mar, muitas vezes, está revolto pelas opiniões que cruzam o meu caminho. Ainda assim, com vontade, discernimento e uma boa dose de sabedoria, sei que chegarei a águas mais tranquilas.
Partir, mudar, pensar diferente, rever conceitos, seguir novos rumos, escolher outras trilhas, enxergar o mundo por uma nova perspectiva, vivenciar o desconhecido e descobrir novos pontos de vista fazem parte da caminhada de quem deseja crescer.
Muitas pessoas chamam isso de egoísmo ou de ingratidão. Eu penso diferente. Foi quando comecei a caminhar sozinho e a conversar mais comigo mesmo que passei a me conhecer melhor. Aprendi a reconhecer meus erros, a corrigi-los e a deixar de valorizar aquilo que pouco, ou nada, acrescenta à minha vida.
As convicções são raízes profundas. São certezas construídas pela experiência, pela reflexão e pela fé, muito além de opiniões passageiras.
São elas que impulsionam nossas atitudes diárias e orientam os caminhos que escolhemos seguir. Também influenciam as pessoas com quem decidimos caminhar, pois ninguém percorre uma longa estrada sem escolher bem suas companhias.
Ao mesmo tempo, convicções verdadeiras não nos tornam inflexíveis. Precisamos fortalecer a mente e o coração para permanecermos abertos ao aprendizado, reconhecendo que nossas convicções não representam a única verdade existente.
Pessoas verdadeiramente confiantes não se incomodam com opiniões diferentes das suas. Elas sabem ouvir, refletir e, quando necessário, aprender, sem abrir mão daquilo que consideram essencial.
A vida nos coloca à prova todos os dias. Cada desafio é uma oportunidade de confirmar, fortalecer ou amadurecer nossas convicções.
No fim das contas, caminhar não é apenas avançar quilômetros. É permitir que cada passo fortaleça a fé, aperfeiçoe o caráter e nos aproxime da pessoa que Deus espera que sejamos.
Peregrino Nino Carneiro
Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim
Olhos de Girassol
Dizem que meus olhos se arregalam, que minha mente sempre se preocupa,
Mas poucos veem o sol que guarda, a luz que em silêncio se descobre.
Meus olhos são girassóis que buscam a luz, que seguem o dia. Não há medo, há cuidado profundo, há coração atento, há poesia.
E se eu me volto para o mundo, épara sentir, para cuidar, para ver.
Não é fraqueza, não é inquietude, é vida que floresce, ésol que queima barreiras e revela minha verdade.
Olhos arregalados, coração atento: vejo o mundo em cores que ninguém mais percebe.
O que passou, ensinou.
O que perdi, me despertou.
Minhas mãos hoje estão limpas, meus olhos hoje estão atentos.
Eu não busco a perfeição, busco a evolução.
Quando a oportunidade bater, meu sim será absoluto: foco no que importa, força no que faço e a coragem de quem aprendeu com a perda.
Patty Couceiro
GUIADA POR DEUS, PROTEGIDA PELA LUZ, ABENÇOADA POR YEMANJÁ E ÍSIS.
EU SOU LUZ. EU SOU FORÇA. EU SOU PROPÓSITO.
Ah, os teus olhos...
Têm um brilho que nenhuma estrela consegue copiar, e quando encontram os meus, parecem fazer o tempo desacelerar.
Ah, o teu cabelo...
Tão bonito ao vento, como se cada fio soubesse exatamente o lugar onde deve estar. E eu poderia passar horas te admirando sem me cansar.
Você é linda minha amada
— Patrick Wallace
O meu mundo sem forma
Cada dia
meus desejos crescem
como raízes que racham a própria pedra
onde eu tento me firmar.
Ver o belo
e não poder tocá-lo
é aceitar, em silêncio,
uma ferida que ninguém pediu.
Não persigo o futuro.
Todo sonho que antecipo
parece roubar
o gosto do agora.
Então eu me abro.
Deixo o fluxo me atravessar
como o mar atravessa a areia
sem pedir licença.
Quero apenas isto:
ver.
Ser o olho que não prende,
o instante que não exige,
o homem que observa
e não se perde.
