Eu Amo meus Inimigos
Meus silêncios não são ausência de som, são gritos que aprenderam a se comportar para não assustar os que ainda acreditam na leveza da vida. Por dentro, sou um estrondo de vidros quebrados, por fora, apenas a poeira que se assenta após a queda.
Meus pensamentos são como pássaros de chumbo que tentam voar em direção ao sol, mas acabam sempre caindo no quintal da melancolia, com as asas feridas pela gravidade. Eu os recolho um a um, cuido de suas penas e espero o dia em que o peso se transformará em fôlego.
Às vezes, meus passos ecoam no vazio da minha alma, como se cada movimento fosse um sussurro de quem insiste em existir mesmo quando tudo grita o oposto.
Não me peça para ser inteiro todos os dias, pois aprendi a amar os meus fragmentos como quem cuida de cacos de vidro que ainda brilham sob o sol, a perfeição é uma mentira bonita, mas a minha imperfeição é a única verdade que me mantém humano e minimamente vivo.
Carrego cicatrizes que ninguém vê.
Mas são elas que moldam meus passos, minhas escolhas, meus medos e minhas pausas. Elas me acompanham como sombras discretas. E, mesmo invisíveis, determinam muito do que eu sou.
Minha infância foi difícil. A fada do dente arrancava meus dentes sem anestesia e ainda roubava meu dinheiro.
Tenho cuidado bem dos meus canteiros,
por isso nas idas e vindas,
uns passam,
e levam umas mudas de mim.
O Tucano-de-bico-preto
parou, olhou no fundo
dos meus olhos e contou
para mim um segredo
para do amor eu não ter
nesta vida nenhum medo.
Conheço as violeteiras
das duas Américas,
Diante dos meus olhos
uma desabrochou,
Você me espera
em teus braços
como quem anseia
a Primavera,
Percebo que tens
desenhado esquemas
para viver grudado
em meus beijos,
Em nós fazem
festas os desejos.
De longe percebo os teus
olhos desejosos pelos meus,
Sensivelmente imagino
o teu rosto grudado no meu,
Os teus pêlos bem cuidados
acariciando com apego
sensualmente o pescoço,
O teu charme todo fogoso,
sublime e poderosos,
Os teus dedos luxuriosos
tocando o meu corpo
entre injúrias provocadoras
de êxtases e súplicas
como se colhe ternuras
e amoras-silvestres
sem se importar com alturas.
Parece sem nenhum sentido
que algo está porvir sem
explicação, solar e intenso,
com os ventos anunciando
escolhas, capturas e malícias,
Porém, com total pertencimento
celebração e do amor romântico
como do jeito que reza o juramento.
A senha serpenteando faz arrepio
entre os meus montes ao alcance
das afáveis mãos e do altíssimo
lance e da tua intrépida escalada,
Para que no espaço de um assobio
venha com os apelos sedentos,
rumo para desinibir os trejeitos
por intenção desavergonhada.
O prazer é comando compartilhado
entrego-te o cetro, o corpo e o poder,
Sou tu'alma nenhum pouco recatada,
terra ocupada e paraíso consagrado;
o encaixe eleito feito para o amado.
Onde a liberdade é a régua por regra,
em tempo de colheita de umbus,
com a maior consagração e entrega:
o amor em nós sempre se celebra.
