Eu Amo meus Inimigos
Por um período pensei em morar na cidade escondida de Atlântida para que os meus gritos fossem submersos e as minhas lágrimas se perdessem no oceano,
Mas, fiquei temeroso de abrir a caixa de pandora lá embaixo, assim todos os segredos e mistérios desse lugar seriam descobertos apenas por um orgulho pessoal e intransponível.
POESIA
Inabalável
Prenderam meu corpo mais não sepultaram meu espírito.
Cercaram meus passos mais não corromperam meus sonhos.
Foram rápidos em apontar os meus erros, só não imaginaram que eu estava certo.
Tentaram me transformar em ruínas.
Enganaram-se, porque os meus sonhos e o meu espírito são mais fortes do que essas grades que me cercam.
Sofro mais é a dor que me faz crescer.
Quando parece que essas grades querem me sufocar, fecho os olhos e viajo descobrindo o mundo e todo o seu interior que é só meu e de mais ninguém.
Está preso significa não deslumbrar o futuro é achar que tudo ao redor acabou, representa pensar que tudo está escuro, significa desejar todos os dias que o sol não apareça amanhã.
Enganam-se, porque nós estaremos sempre livres, eu e o meu espírito, enquanto acreditarmos que os meus sonhos, a minha esperança e a minha Fé são maiores que tudo isso.
*
"Quando vou orar ao meu Criador,
peço com fervor,
para colocar nos meus pensamentos, palavras e ações,
um filtro para impedir-me de causar injustiças e dizeres
que venham a prejudicar outros, ou até mesmo trazer vexames pra minha vida."
***
Ecos de Outra Era
Não foi um encontro. Foi um resgate.
Quando os teus olhos tocaram os meus, a minha pele não descobriu o teu calor—ela apenas lembrou.
Há no teu toque uma febre antiga,
um incêndio suave que a razão não explica,
como se as nossas almas já tivessem queimado juntas
em noites esquecidas pelo tempo.
Gostar de ti não é aprendizado, é memória.
A curva do teu pescoço é um mapa que as minhas mãos
já decoraram em séculos passados;
a tua respiração contra a minha pele
é o sopro daquela mesma tempestade que nos uniu outrora.
Obrigado pela oportunidade de te viver de novo.
Por me permitires reabrir o livro que o destino deixou rasurado,
por deixares que o meu corpo reconheça o teu
com a urgência de quem esperou eras para voltar a casa.
Os relógios há muito esqueceram como cantar.
Agora apenas moem a ferrugem dentro dos meus ossos,
enquanto cada amanhecer chega como uma dívida antiga
e cada entardecer dobra mais um ano sobre a minha pele.
A solidão não é um quarto.
É um ferreiro paciente,
forjando o silêncio em correntes,
ensinando o coração a envelhecer antes do corpo.
Acordo apenas para adiar o amanhã.
Toda promessa é riscada antes mesmo de respirar;
tornei-me um colecionador cuidadoso
de manhãs inacabadas.
Minha alma permanece pendurada sob o tempo
como um lampião abandonado,
cuja luz não se apaga de uma vez,
mas descasca lentamente,
como o ferro que aprende a aceitar a ferrugem.
As estações já não batem à minha janela.
Passam como estranhas
que um dia souberam o meu nome
e escolheram a misericórdia do esquecimento.
Se ainda existe esperança,
ela aprendeu a sussurrar de outro século.
Não consigo ouvi-la acima da lenta corrosão
das horas alimentando-se do meu peito.
E assim permaneço —
nem vivendo, nem morrendo,
apenas assistindo ao tempo oxidar, pacientemente,
os últimos cantos luminosos de uma alma solitária,
enquanto todas as noites
cancelo o amanhã com delicadeza,
como se o futuro fosse uma carta
que jamais tivesse sido escrita para mim
No exílio de meus pensamentos e ideais subversivos, sob a visão dos Maus, crio o silêncio antes de nomear o abismo.
Reno Fioraso
Fugindo ao encontro
Demétrio Sena - Magé
Publicar meus textos e minhas fotografias em rede social não tende a ser um hábito que escraviza. Venho, publico e saio. Mais tarde, quando já me ocupei dos outros hábitos além do trabalho, quando é dia de trabalho (ler, fazer cruzadas, beijar, etc), costumo dar mais uma olhada para prestigiar boas postagens e responder aos comentários do que postei, porque acho educado responder, corresponder e ser grato pelo carinho de quem me prestigia.
Para mim, tudo é muito simples, em redes sociais. Há pessoas idiotas, notícias ruins, fake news e "bestagens"? Que assim seja. Mas em nossas vivências presenciais, no mundo físico e na vida inteira é exatamente assim: deparamo-nos o tempo todo com idiotas, mentirosos, tragédias e bobeiras. Nem por isso tomamos a decisão de nos afastamos da vida. Ou darmos um tempo do mundo, nos escondermos da inevitável sociedade que nos cerca nas ruas, no emprego, na igreja, no terreiro e até nas rodas culturais; por que não?
Como ficaremos, ao constatarmos que nossas fugas, para onde quer que seja, nos lançarão nas mesmas futilidades, idiotices, marmotas e tragédias em outros ambientes? Sim, porque on-line ou presencialmente, lá está o ser humano. Lá estamos nós mesmos, de quem muitas pessoas também querem fugir, mas lhes falta criatividade para saberem como, sem abrirem mão de seus espaços.
O nosso direito de ir, vir e ficar, fazer escolhas e decidir o que nos apraz está em todos os espaços. Por exemplo, no poder de restringirmos alguém, por bloqueio, nas redes sociais, além de só visualizarmos o que desejamos. Da mesma forma, de nos desvencilharmos com calma, imposição ou ajuda policial, nos eventos e ambientes públicos. De usarmos o controle remoto para escolhermos o que desejamos ver, na televisão. E para lermos os livros de nossa escolha, sem desistirmos de todos porque uns não prestam.
Tantas fugas de tudo e todos, por causa de "alguéns" e "algos", podem nos isolar em nossas próprias masmorras. Ou em lugares bem piores, para onde nos levam os surtos emocionais e psíquicos. Precisamos saber quem somos e ter consciência de que: seres humanos lidam com seres humanos. E podemos até trocar de seres humanos, quando alguns apresentam defeito de caráter.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
O pecado gerou os meus erros e me cegou;
A lei veio ao mundo e os meus pecados a mim revelou;
Mas só a graça me fez livre deles quando me alcançou
Patuá, amuletos
para uns proteção
para outros superstição
ilusão
carrego os meus
não creio em bruxas
mas...
Amor de Luar
Você é como a lua 🌕 aos meus olhos,
brilhando em uma noite silenciosa,
onde qualquer outra fonte de luz torna-se totalmente dispensável.
Caminhar sob sua claridade traz segurança e uma paz inenarrável.
Já me senti abraçado pelo seu olhar.
Já quis abraçar-te, sentir tua pele e ouvir tua respiração.
Gosto de te olhar, de te admirar e de recitar poemas para você.
Gosto de dormir sabendo que você existe e acordar para, mesmo com a luz do sol clareando o dia, contemplar resquícios teus sobre o azul infindável.
Enquanto você brilhar, eu vou te admirar, sonhando em te tocar e em conhecer-te como conheço a palma da minha mão.
Mas sei que, com essa distância, ainda que às vezes pareça que, com mais um ou dois passos, irei tocá-la, admirar você é a única coisa que me compete.
Ainda assim, sinto-me feliz.
E estas palavras são apenas para te agradecer.
Obrigado por existir.
O Desfile dos Meus Eus
Sou o intervalo entre o que quero e o que sou,
o lugar onde meus eus se encontram
sem se reconhecer.
Cada um traz no rosto aquilo que o outro deixou,
e nenhum sabe ao certo
quem veio primeiro a ser.
Passa por mim um que se julga corajoso,
logo atrás,
vem o que chora na penumbra.
Um inventa certezas com ar cuidadoso,
enquanto o outro desfaz
tudo aquilo que inventa.
Eu os observo,
ou eles me observam?
Já não sei
quem conduz esta procissão.
Talvez sejam meus os passos que me movem,
talvez eu seja apenas
mais uma na multidão.
Quantos sou eu
neste instante exato?
Quem pensa
aquilo que agora escrevo?
Sou o autor,
o personagem
ou o ato?
Sou o que sinto
ou aquilo que concebo?
Há em mim quem sonhe
sem nunca ter vivido,
quem viva
sem jamais saber que sonha.
Quem escreva
para encontrar o próprio sentido
e quem se perca
justamente quando o encontra.
Canso-me de assistir
à minha própria passagem,
espectadora de uma comédia
sem enredo.
Procuro um rosto inteiro
atrás da personagem,
mas só encontro
estilhaços, máscaras e medo.
Nunca ser somente um,
talvez seja esse o dilema:
ser o que parte,
o que fica
e o que quebra.
Carregar dentro do peito
mais de um
e ainda perguntar:
qual deles sou eu, afinal?
Se me procuro no espelho,
não vejo nada.
Nenhuma certeza
permanece ali.
Vejo apenas
a multidão que me habita calada,
e, no meio dela,
alguém
que escreve por mim.
Carina Gameiro
Sou viciada na minha própria vibe.
Me reconheço através dos meus propósitos.
Quero buscar o impossível, vejo Deus em tudo!
Agradeço por tudo
No meu mundo, tudo é bênção e tudo tem propósito.
E também sei abandonar o que não me serve.
Minha intuição está sempre em alerta .
Sigo ✅
A linha de chegada
O coração ofegante a cada passo.
A estrada cada vez mais pequena aos meus olhos, foscos.
Tanto para frente quanto para trás.
Não importa a direção que se olha
Quando tem que se medir a distância.
Um centímetro do meu nariz.
Ouço o canto do pássaro e imagino um lindo chafariz.
Estou correndo contra o tempo
Nem contra, nem a favor.
Usando as ferramentas que tenho
Eu apenas vou.
Ainda não cheguei.
Estou aqui agora.
E logo estarei lá.
Outrola.....
Meu Deus;
Me dê sabedoria para suportar e persistência para continuar a cumprir meus compromissos mesmo não entendendo o porquê de tanta provação. Eu aceito teu caminho e não me perderei do teu mandamento.
QUE ☜-`♡´-
Seja feita a tua vontade e não a minha.
☼
ꨄ︎⚔✟
O excesso dos meus versos
✎𓂃
Prenda-me por escrever em excesso!
Se renegas o que faço e me negas o que te peço
Prenda-me!
Me dê uma lupa 🔎, um caderno e um lápis.
Não preciso de mais nada para o que faço
Prenda-me na solidão do prefácio
Me dê um canto qualquer e continuo inspirada
Prenda-me por escrever em excesso.
E mesmo assim terminarei os meus versos
Prenda-me.
Mas liberta-me das suas ciladas.ᝰ.ᐟ๋࣭ ⭑
Fechei portas nos meus sentimentos; Fechei portas nas minhas ilusões; Fechei portas nas minhas expectativas; Fechei portas dos meus sofrimentos.
Abri janelas do amor próprio.
Abri janelas para a paz.
Abri janelas para o perdão.
Abri janelas para o esquecimento. Se quiser entrar terá que construir sua própria porta em mim.
Ontem invadiram meus canteiros,
Espezinharam minhas flores,
Partiram todos os vasos
Do meu jardim
Rasgaram minhas vestes
Ultrajaram meu nome,
Alagaram de sangue
Os meus olhos.
Apedrejaram meu rosto
Ainda de menina
Onde resplandeciam quimeras
Numa rua com nome de poeta
Defronte a tanta gente…
E gritaram urros de vitória,
Zombaram,
Rebolando álcool, chapinhando
No sangue da imbecilidade,
Ocos estes crânios de gente.
Hoje bem tentam devastar
No absurdo da existência
As sementes que guardei
Daquele anoitecer
Parido de Primavera.
Mas eles não sonham,
Nunca o fizeram
Eles não podem pensar,
Foi-lhes vedada a lucidez.
Agora tenho tulipas, cravos,
Roseirais, girassóis
E até ervas do campo a crescer
Num coração que continua a bombear
O mesmo sangue outrora profanado
Numa rua com nome de poeta.
Célia Moura, in "Terra de Lavra"
