Eu Amo meus Inimigos
A solução para o mundo tá em mim mesmo, mudando meu próprio mundo, meu mundo interno, meus comportamentos, meus valores, minhas atitudes, minhas ações, meus sentimentos, meus pensamentos. Quando eu mudo, o mundo muda pra mim, porque o que vejo fora reflete o que carrego dentro.
Se cada um mudasse a si mesmo, cuidasse de suas escolhas, seus gestos, suas palavras, sem tentar impor mudança ao outro ou ao todo, o mundo mudaria. O mundo é feito de cada um, e o que cada um faz de si vira parte do todo.
O medo me impede de resolver meus sentimentos negativos, por quê? Porque o medo é composto por pensamentos negativos. A solução para esses medos está em eu entender por que eles existem. E como posso entender esses medos? Questionando-os, sem receio. Perguntando: "Por que tenho medo disso? Por que isso me incomoda?" Seja conversando com alguém, pesquisando na internet, ou dialogando comigo mesmo, o importante é aprender, buscar conhecimento e me aprofundar até chegar ao ponto de compreender que, na verdade, não tenho medo algum. O que eu temia era entender o que realmente sentia. E essa compreensão é a paz que vem com a clareza de finalmente entender o que eu precisava entender.
Tal qual as folhas secas que dançam ao capricho dos ventos do norte, meus pensamentos errantes se deixam levar por um ser que jamais repousa em morada fixa.
As noites são oficinas pensantes e meus pensamentos são rabiscos que gritam, torturados e sem sentido, como se um cego fosse condenado a tropeçar eternamente sobre os cacos da própria existência.
Meus professores não tinham nomes gentis, foram a tristeza, o sofrimento e a incerteza. Nunca fui um bom aluno, por isso ainda tento decifrar suas lições.
Meus pensamentos inquietantes são labirintos de fumaça, torres que se erguem em noites sem fim. Nunca dormem, nem se calam, e a tormenta que me acompanha é um vigia de cristal, refletindo em seus prismas cada medo que ouso sentir, cada memória que se recusa a morrer.
Já fui menor que meus erros, sou maior que minhas correções, a autoexigência agora vem com compreensão, o balanço me mantém em pé.
O respeito próprio nasceu do enfrentamento, não é soberba, é limite sadio, mantenho nele meus passos.
Meus limites foram redesenhados pela prática, hoje sei até onde posso rasgar sem perder a trama, a ousadia ganhou contorno seguro.
Meu passado foi um pedregal que feriu meus pés a cada passo. O terreno era árduo, coberto de espinhos e tropeços, e por vezes pensei em desistir. Mas hoje entendo, cada pedra teve um propósito. As dores que antes me faziam parar, agora me ensinam o valor do caminho. Nem todo sofrimento foi castigo, alguns foram lições disfarçadas de quedas, preparando-me para o chão firme que piso hoje.
Deixe que a fragrância da sua chegada suplante o incenso dos meus ritos; seu nome sussurrado é o único aroma que purifica o templo da minha alma.
É como se fosse um escombro sobre meus ombros sinto pesado, porque as ruínas do nosso passado nos pesam mais que o presente.
Meus olhos conquistadores estão sem cores e acinzentados, perdendo o brilho quando a alma se cansa de lutar por beleza.
Falo com a minha sombra como se fosse confissão. Ela não responde com palavras, mas conhece meus segredos. Permanece quando todos os outros vão, como testemunha muda. Às vezes a abraço e sinto que as coisas podem voltar a ser. Outras, a empurro e desejo que se torne apenas um traço.
Já caminhei sem direção, mas nunca sem esperança, ela me guiou quando meus olhos estavam cegos, e quando abri os olhos percebi, eu estava no caminho certo o tempo todo.
Reinventar-se não é apagar o que foi, é reutilizar com arte. Tomo meus escombros e deles faço abrigo novo. Nem todo passado vira cinza, alguns viram tijolo. Com esses tijolos construo portas que antes não havia. E ao atravessá-las, descubro paisagens que desconhecia.
Meus medos não me paralisam mais, aprendi a carregá-los comigo, são sombras que me acompanham, mas não me definem, sou muito maior que eles.
A fé me salva de mim mesmo, dos meus excessos, dos meus impulsos, das minhas sombras, ela é minha luz interna.
