Escrever uma carta a uma Criança
Roda pião
Olhinhos extasiados,
ele observa o pião
gira-girar acelerado.
Colorido,
o brinquedo se enrola no corpo listrado
e roda como bailarina
a esvoaçar o tule do vestido.
Aos poucos, se cansa,
arrefece,
perde a força,
cessa a dança.
No desencanto dos olhos da criança,
a ciranda do pião
reflete a própria vida:
ao girar em volta de si mesmo,
retorna sempre ao ponto de partida.
Percepção
Em uma sala há várias peças de montar sobrepostas, ao lado de inúmeras outras espalhadas. Três pessoas observam...
O que a criança vê? Brinquedo, diversão.
O que a mãe vê? A evolução do filho, o qual finalmente conseguiu organizar os blocos.
O que a responsável pela arrumação vê? Bagunça, mais trabalho.
Tudo é uma questão de percepção. Quando você olhar para uma cena, seja prudente antes de interpretá-la.
Como é importante ser exemplo para as crianças, em diversos setores da vida, levando em consideração o desenvolvimento da responsabilidade, da empatia, do respeito, da verdade, do olhar atento e cuidadoso.
Isso refletirá e reverberará em sua conduta não somente na infância, mas ao longo da vida adulta...o que afeta diretamente sua forma de Ser no mundo.
Olhem com cuidado para as crianças! Mas antes, olhem com cuidado para si mesmos enquanto responsáveis por elas... A educação que você dá não determina a subjetividade desse outro ser, mas impacta fortemente em sua construção que se faz a partir dessa base.
É certo que pais, mães e cuidadores não nascem sabendo ser, eles tornam-se. E esse torna-se requer reflexão constante do seu modo de agir.
Se tatuo a minha infância na pele
toda e completa extensão
do meu corpo não é suficiente
ele tem ligação direta na
linha da pipa colorida
que permeia o céu das
lembranças inalcançáveis
a infância dura
uma vida inteira no adulto
que busca voltar atrás
do que passou e ainda fica
o pular incessante
da esfera em consciência de saber
que mais vale uma infância bem vivida
do que uma vida adulta inteira
sem saber o que significa ser criança.
DOR E AFETO
Me vem ligeiramente na mente,
uma nostálgica lembrança.
Tempo em que os pés viviam empoeirados.
Poucas atribuições, muita ciranda.
Avistava as andanças pela fresta do
portão .
As mesmas pessoas rotineiramente por ali passavam, enquanto eu, ansiosamente lhe esperava descer da condução.
Infância que dói, sentimento que constrói.
O semblante é nítido da pureza,
e com tantas pedras no caminho,
esqueceu-se da dor e voltou a brincar de vida.
Saudades de mim
Quando ria sem fim
A alegria fazia morada
E viver, era uma bênção aproveitada.
Saudade da minha inocência
De Minh 'alma plena
Sem nenhum resquício de maldade ou do
pecado que me envenena.
Saudade da minha criança
Das boas lembranças
Das feridas rápidas curadas
E da contentação com o que tinha em casa.
Saudade do meu coração
Quando era inteiro
Sem cicatrizes ou medos.
POEMINHA DAS VOGAIS
A,E,I,O,U
Que lindas são as vogais
E além de lindas, importantes
Nos textos gramaticais
Formando belas palavras
Sendo elas as iniciais.
Primeiro a letra A
Ave, agulha e algodão
Ela também se apresenta
Na água e no avião.
Vejam só que coisa linda
Eu falo da letra E
Com ela escrevo escola
Onde aprendo a escrever.
Ioiô, igreja e ilha
Iogurte e injeção
Como é bela a letra I
Importante na lição.
Onça, orelha e olho
Onda , objeto e ovo
Aí vem a letra O
Cumprimentando o povo.
Já quase lá no final
Um salve a letra U
Urso, uva e urna
Unha, universo e urubu.
Vogais que são importantes
No nosso lindo alfabeto
Sem ela o Português
Não estaria completo
Não teriam os brasileiros
O seu belo dialeto.
Thiago Rosa Cézar
Começamos a envelhecer e a complicar as coisas, e é aí que vida passa num estalar de dedos
Pois você..
Se prende em uma rotina que te esgota
Em um emprego que não te faz prosperar
Em um relacionamento onde não se tem nem um pingo de respeito..
O tempo não para
E Por fim, vai se ver deitado numa cama
E nem se quer visitou os lugares e países, que tanto salvou no celular
Manter vivo o olhar de criança é simplesmente mágico
Parar
Respirar
Poder contemplar o mundo a sua volta
A simplicidade
E se aventurar..
Quer lugar na “janelinha”? Pague!
Na era das redes sociais, tudo vira tribunal público. O caso da passageira Jennifer Castro, que se recusou a ceder seu lugar à janela para uma criança em um voo, é o mais recente exemplo de como a civilização às vezes tropeça em sua própria etiqueta.
De um lado, uma mãe indignada, filmando a cena e postando sua revolta. Do outro, Jennifer, acusada de egoísmo por se apegar ao que comprou com antecedência e planejamento. Entre as duas, uma criança que ainda está aprendendo a lidar com uma palavra aparentemente simples, mas cada vez mais ausente em sua formação: “não”.
Crianças não nascem sabendo que o mundo não gira ao redor delas. Isso é ensinado. Mas, quando se cria a ideia de que tudo pode ser conquistado por insistência, lágrimas ou exposição pública, o que será delas no futuro? Que tipo de adulto nasce de uma infância onde a frustração é tratada como ofensa?
No avião, o assento de Jennifer representava mais do que conforto; era um símbolo do esforço de alguém que escolheu, pagou, e estava, no direito absoluto, de ocupá-lo. Sua recusa não deveria ser enxergada como um gesto mesquinho, mas como um lembrete de que limites existem — e precisam ser respeitados.
A questão vai além do assento à janela. Está na cultura crescente de evitar dizer “não” para poupar os sentimentos das crianças. Um “não” dito hoje poupa adultos decepados pela realidade amanhã. E que realidade dura será esta, quando descobrirem que nem tudo se resolve com um pedido educado (ou uma gravação postada no Instagram).
Jennifer não deveria ser condenada por defender o que era seu. Afinal, como ensinamos às crianças o valor do esforço e da responsabilidade, se a lição implícita é que o choro ou a viralização sempre vencem? Quer um lugar na janelinha? Pague, planeje, mereça.
Assim, no futuro, essas crianças talvez entendam que o mundo é muito mais do que um assento de avião. É um lugar onde limites, direitos e responsabilidades coexistem. Respeitá-los não nos faz piores; pelo contrário, nos torna mais humanos.
✍🏼Sibéle Cristina Garcia
Cael Arcanus e o Sonho de um Voo Roubado
Na infância, aos cinco ou seis, recordo bem,
Travessura marcada em minha história.
Meu irmão, na beira, inocente, além,
Brincava de herói, tão cheio de glória.
Fralda no pescoço, um manto a brilhar,
Sentado na borda, tão cheio de fé.
Na mente de criança, ele iria voar,
Mas o gesto cruel desceu por meu pé.
Empurrei-o, e ao chão ele tombou,
Entulho e porcelana o receberam.
Na coxa, o corte fundo se cravou,
Trinta pontos, e lágrimas se verteram.
Por meses vi sua ferida sangrar,
E o peso da culpa jamais foi calar.
Havia ainda aquela menina que gostava de brincar com estrelas.Tanto cirandou que uma caiu.Jovenzinha, triste, pálida, lânguida.Olhou-a: mas era espelho!E o que viu foram lágrimas sem medo, que lhe assustaram na grandiosa janela do quarto.
Fez um pedido à estrela tenra, inocente, e jogou-a aos céus.Ah! pregou-se lá, e logo foi valsear com as outras, não desabou.Então a bacante entendeu: até que podia cair, derreter, mas bastaria um sonho para lançá-la de volta ao infinito que era seu lar.
Chegou com o sol da manhã
Nos olhos um brilho, promessa de flor
Pequena rainha do amor
Na casa vazia, fez festa e cor
Primeiro sorriso encantou
O tempo parou só pra ver seu olhar
E a gente aprendeu devagar
O que é ternura sem precisar falar
E no balanço do tempo,
Ela trouxe a canção
A doçura dos ventos
E um novo coração
Carolina chegou pro samba da vida
Com passos pequenos, com alma querida
É a alegria dos pais e dos avós
Um mundo inteiro cantando por nós
Carolina chegou, flor de mel e de luz
E cada gesto dela é o amor que conduz
Carolina, doce estrela a brilhar
Veio ao mundo pra nos encantar
Tão leve no colo da mãe
No riso do pai, já tem melodia
É verso bordado de dia
Nos olhos da vó, pura poesia
Com cheiro de sonho e jasmim
Ela dança entre a calma e o luar
É canto que veio pra ficar
O nome dela o tempo vai eternizar
E no compasso do peito
Bate firme a razão
Carolina é o enredo
Do mais lindo refrão
Carolina chegou pro samba da vida
Com passos pequenos, com alma querida
É a alegria dos pais e dos avós
Um mundo inteiro cantando por nós
Carolina chegou, flor de mel e de luz
E cada gesto dela é o amor que conduz
Carolina, doce açucar a brilhar
Veio ao mundo pra nos encantar Mesmo a distância és açucarada a nos encantar.
Carrega no nome a História familiar açucarada para amar...
"homem não chora"...
Uma das frases mais criticadas e incompreendidas na sociedade atual, mas que eu acredito que deveria sim ser dita não só aos meninos, mas às meninas também, com apenas uma leve adaptação para:
"Adulto não chora".
Toda criança quer ser tratada como adulta, mas, quando adulta, ficar chorando não vai resolver os problemas, apenas fechar a cara e enfrentar a realidade é que pode trazer a solução.
Tal frase era dita aos meninos porque por muito tempo o homem foi o símbolo de provedor e protetor da família, aquele que detinha a obrigação de não se deixar abater diante de problemas, sair e trazer o sustento pra dentro de casa, pagar as contas e defender mulher e filhos de perigos externos, por isso eram ensinados desde cedo a não se perderem em meio as dores da vida e manterem a cabeça erguida
Hoje temos diversos tipos de estruturas familiares, o homem já não é exatamente o centro em todas as bases de estruturas familiares, logo devemos ensinar aos futuros adultos que a vida adulta não é só liberdade, é também esforço, cobranças, responsabilidades e sacrifícios, só um pouco dela é realmente liberdade, felicidade e gozo.
Adulto não chora.
Que bom seria se tivéssemos esse olhar alagado que beleza das crianças.
Essa disposição para cortejar a alegria e esquecer a tristeza.
Que bom seria se exercitassemos o perdão com a mesma pressa que a criança têm para brincar no quintal depois de um dia de chuva.
Que bom seria, se carregassemos na boca a leveza do sorriso das criança e não o peso da vida sobre os ombros.
Que bom seria, se assim como as crianças, tivéssemos esse coração bonito de girassol, voltado sempre pra luz.
Que bom seria se como as crianças só conseguíssemos enxergar nas pessoas alma ao invés de corpos, cor da pele, religião e posição social.
Que bom seria se como as crianças pudéssemos andar entre a maldade sem nos deixar contaminar por ela.
Que bom seria se pudéssemos crescer sem perder a alegria e a pureza das crianças.
O EFEITO DE SER MULHER
O lindo, se fez Mulher
E nesse corpo,
Deus quisera completar:
Ser ela fonte para a vida
Podendo filhos procriar.
Então,
No corpo dela se fazia
O que ao homem não podia.
Luz Divina possui a mulher,
podendo vidas gerar.
Maior ainda,
está em quem vai de encontro a pequeninos,
de crianças que, não pôde ter.
E, com amor para dar,
procura nelas a sua vida completar,
e a delas também.
Vejo o céu bem carregado,
e a flor observa também ,
uma chuvinha seria um agrado,
mas será que ela vem ?
Tarde quente, primaveril,
no vale o vento assobia
um melancólico assobio
de um vento que até arrepia
Lembro passagem do tempo
de uma gostosa e feliz meninice,
onde brigava com esse vento
que pelo campo fazia traquinices
Apesar da briga, éramos amigos,
onde eu ia, ele logo ia também,
uivando e às vezes mais comedido,
não fazia nenhum mal a ninguém
Era um vento que sabia cantar
as composições de seu Criador
e comigo chegou a melodiar
as canções que eu fazia ao amor
Vamos manter guarda na porta da mente e sentir as histórias lindas que pulsam em nossos corações.
Elas me movem , me abraçam e me inspiram desde criança.
Quando focamos na vitória,
e sentimos deslizar pelo corpo o perfume do pódium,
garantimos (ao menos) a satisfação da tentativa, e a oportunidade de aprendizado.
A felicidade não é uma linha de chegada, ela é o que construímos a cada passo na mágica do presente . Pode ser tranquila ou avassaladora, pode transbordar, pode curar, pode viver em looping ,.
Ela só não pode ser suprimida pela mente inquieta, acelerada e super lotada.
E assim, nas oscilações constantes pelo caminho, vamos construindo um lugar de equilíbrio e paz, um templo sagrado e perfumado, dentro de nossos coraçoes.
Com amor,
Pri Augustta
Eu não me lembro bem, quantos anos tinha, como tudo começou
Talvez tenha sido quando neguei o pão a quem dele precisou
Ou ao ignorar o carinho dado por quem tanto me amou
Quem sabe ao esquecer de cuidar de quem tanto me cuidou
Ou mesmo ao deixar de lado, quem do meu lado ficou
Não, eu não me lembro bem, mas algo dentro de mim se perdeu, naufragou
Quando a criança que existe em mim, pela primeira vez, chorou.
O que ouviu os meus versos disse-me:
-“Que tem isso de novo?”
Sim, talvez tenham razão...
Talvez em cada coisa uma coisa oculta more dentro do coração...
Divina esperança...
Eterno devaneio...
Sonho de criança...
Que vive no peito...
Luz que as trevas rompe...
Quando vejo o meu amado...
Permita o desabafo aqui, a sós contigo...
Deus quando abre ao poeta as portas...
Encontra toda a beleza da vida...
Num simples florescer...
A inocência é um dom de Deus...
Um dom só concedido
àqueles que mais amam...
Amar não é só prazer...
Amar também é sofrer...
Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo...
Sandro Paschoal Nogueira
Era uma garota
Sapeca
Meio ruiva, meio sardenta
Riso fácil,
Cheia de esperança
Gauchinha braba
Olhar de onça
Que varou o tempo
Entre espinheiros
E llições rudes
Tempos de chuva
E mar sem bonança.
Até que um dia
Chegou ao porto
Do final da vida
Com tristeza
Viu-se tão fria
E se perguntou
Onde ficou minha criança?
Então ouviu uma voz
Num cantinho do peito
Entre risadinhas
Dizendo baixinho
Meio sufocada
Estou bem aqui!
Então ela riu
E soltou a criança
E o cais já não era
Fria insegurança
Pois na vida que segue
Na Terra e no Céu
Há de haver muitos risos
Há de nunca morrer
A tal da esperança!
Lori Damm, 25/05/2023
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