Escrever
Gramatiquês...
Na sofreguidão de escrever...
Tropecei no português...
Ó que dor profunda...
Tropiquei num verbo do futuro
E engoli um artigo sem querer
Foi mal aê...
Mas isso não deixará de acontecer...
Karin Raphaella Silveira.
O Ato De Escrever
É um equivoco julgar pela palavra escrita o que foi, ou não, verdadeiramente dito... nem tudo que é escrito foi necessariamente sentido, experimentado... muitas palavras são farsas... um trabalho bem elaborado, mas que não representa uma biografia autoral... e nem explica o que o autor deveras sente... ele não é exatamente o que escreve... porém existe a intenção e esta não é ingênua nem para quem escreve e nem para quem a lê.
Por vezes, é importante escrever o que se sente, não adianta descrever, não se consegue. As palavras estão inertes.
Três coisas que
quero fazer contigo:
escrever no teu nu corpo,
ouvir os gritos dos teus poros,
e silenciá-los com a minha boca.
Quando escrevo não sei o que estou a escrever, mas quando escrevo sobre ti, o Amor diz-me que é poesia.
Talvez o Amor seja um poema que nenhum poeta consegue escrever. Talvez o poeta seja o Amor que faz falta à
poesia.
Como não posso ver-te: vou amarrotar a distância.
Como não posso beijar-te: vou escrever os teus lábios.
Como não posso anoitecer contigo: vou sonhar-te até ser dia.
Como não posso existir sem ti: vou ser eternamente existência neste cósmico amor.
Eu aguardo ansioso pelo dia em que minha solidão finalmente cessará. Escrever é o que me resta enquanto o futuro, esse abismo incerto, se desenha à minha frente. Mas curiosamente, não sinto mais medo. Com um misto de cansaço e esperança, decido contar com aqueles que permanecem ao meu lado, ainda que poucos, ainda que feridos. Vou compartilhar suas dores e seus sonhos, viverei cada momento marcado por cicatrizes e, apesar de tudo, amarei, mesmo sob o peso da incerteza.
Sempre levei uma vida solitária, mas ao compartilhar a minha existência com você, ela ganhou um significado que nunca imaginei. Eu vejo você, vejo suas lágrimas espelhadas nas minhas, e percebo como a solidão nos envolve às vezes, mais densa do que jamais recordei.
Mas por que, então, esse vazio ainda me devora por dentro? Talvez seja o preço de saber que viver e amar também significa enfrentar, de peito aberto, os fantasmas que insistem em sussurrar.
Você já deve saber, que escrever essas coisas bonitas para agradar outrem não faz da sua conduta um mar onde as pessoas querem entrar, onde piratas querem explorar, onde o reflexo do sol tem aquele brilho impressionante como o eclipse lunar! Porque fora dos versos conhecemos as nossas travessuras, conhecemos as nossas condutas, conhecemos o pau torto que não faz esforço algum para que tome um rumo louvável, não importa o quão bonitas sejam as palavras, quando quem as profere carece de um boa conduta, tira o brilho que existe sobre elas.
Já não me importo com os ais.
Tenho a lua banhando o cais,
inspirando - me a escrever você.
Importo - me em ser poesia.
Que chegue ao teu coração
feito sorriso que acalma,
canção que teus sonhos embala.
Importo - me em ser poesia.
Que sejamos amor, harmonia.
Que eu floresça ao teu lado
não importa a cor do dia.
Que sejamos poesia que faz
o olhar brilhar feito estrela - guia.
O cansaço de hoje é tanto, que para escrever, os erros parecem ser lúcidos para quem mal consegue observar uma vírgula no espaço expoente.
“Dizem que tenho um dom de escrever coisas belas, mas são apenas rascunhos de um pobre sonhador, que procura amenizar as marcas de suas cicatrizes, ao expressar, por escrito, a visão de um mero poeta, nas estrofes de sua alma.”
