Era
Eu sempre esperava alguma coisa nova de mim, eu era um frisson de espera: algo estava sempre vindo de mim ou de fora de mim.
É que eu sou endêmica.
Não aguento muito tempo um sentimento porque passo a ter angústia e meu pensamento fica ocupado com o sentimento e eu me desvencilho dele de qualquer jeito para ganhar de novo a minha liberdade de espírito. Sou livre para sentir. Quero ser livre para raciocinar. Aspiro a uma fusão de corpo e alma.
Não consigo compreender para os outros. Só na desordem de meus sentimentos é que compreendo para mim mesma e é tão incompreensível o que eu sinto que me calo e medito sobre o nada.
Compromisso
Era um dia comum, eu estava em casa sentada na mesa da sala, escrevendo.
Igual hoje.
Igual todo dia.
E aí aconteceu.
Algo entrou aqui.
Senti um vento... vento não, sopro.
Senti um sopro, como quem respira por perto.
Não era medo o que eu senti, mas sabe-se lá o que era.
Passou um vulto do meu lado.
Pisquei e sentou à minha frente.
Muito parecida comigo, mas completamente diferente.
Me olhou por inteira, por de dentro da minha alma, como se me rasgasse.
Eu?
Eu nem reagi.
Estava hip-no-ti-za-da.
Por fora, imóvel.
Por dentro, uma bateria de escola de samba saindo do recuo.
Ficamos nos ouvindo em silêncio como quem pinta uma cena na cabeça.
Para não esquecer, sabe?
E eu não esqueci: os olhos brilhantes, o cheiro de horizonte e a voz de silêncio, de quem se cala porque sabe de algo.
Toda minha atenção estava naquela figura.
Tentando eternizar na memória a sensação daquela presença.
Ela, muito decidida, estendeu a mão pra mim.
Eu aceitei, claro.
Quando minha mão encostou na dela senti um frio.
Não dela, de mim!
Minha espinha veio congelando lá de baixo até chegar na cabeça.
Como se eu tivesse bebido um milk-shake muito rápido, sabe?
Parecia que tudo na minha vida tinha me preparado para aquele exato momento.
Eu, de mãos (geladas) dadas com uma estranha (conhecida),
sentada na mesa da sala da minha própria casa,
sentindo o coração derreter feito vitamina C na água.
Ela, segurando a minha mão que segurava a mão dela, me puxou pra dançar.
Ali mesmo na sala, em frente ao sofá, em plena tarde de quarta-feira.
E como duas pessoas que não têm mais nada de importante pra fazer,
mas não podem perder nenhum minuto sequer,
dançamos na sala ao som de uma música própria.
(Como se tivéssemos uma).
Eu gosto de imaginar que era algo como 'Travessia' do Milton com 'Beija eu' da Marisa.
Tão linda ela.
Os cabelos como fogo, olhos de enverdecer sertões e um sorriso,
que só quem já chorou suas águas consegue sustentar.
E giramos.
Giramos como quem já se entendeu livre para poder girar.
E no meio do giro que ela girava, me abraçou.
Assim, de surpresa.
Ainda girando.
Eu chorei.
Eu não queria, mas as lágrimas simplesmente escorriam.
Até o mundo parou seu giro para nos olhar.
Como quem torceu a vida toda por este abraço:
eu e ela.
Um abraço apertado, mas só o suficiente.
Abraçou não como quem se despedia,
mas como quem ama recebe o ser amado depois de longa ausência.
Foi aí que ela sussurrou no meu ouvido:
— Vai!
Desnorteada, respondi:
— Pra onde?
Ela sorriu com olhos gentis e disse com voz firme:
— Não importa pra onde. Vai sem saber. Vai com medo. Eu vou contigo!
Então, fizemos um compromisso.
Ela iria pra onde eu fosse, bastava eu ir.
Eu só não poderia parar outra vez.
— Vai, volta, vai de novo. Se não souber o caminho, dança, gira, passeia, só não fica parada.
Ali eu entendi.
Ela só existe no verbo.
Aparece no passo iniciado mas some antes que ele finalize.
É preciso iniciar outro para ela voltar.
Mas é na caminhada que ela se muda e mora de vez.
Jurei de pé junto (mas ainda em movimento) que seguiria em frente porque ela estaria comigo.
E como garantia desse acordo entre nós, agora assinamos um só nome.
Eu e ela.
Alice e Coragem.
Juntas.
Numa só alma.
Alma presente chamada poesia.
Com a palavra,
Alice Coragem.
O tempo pode tanto fortalecer quanto enfraquecer vínculos. Assim, o que não era nada demais pode passar a ser importante e o que era importante pode passar a não ser nada demais. Por isso, seja qual for o desfecho, ele será apenas consequência do nosso comportamento durante o tempo.
Já me disseram "Ele(a) era a pessoa certa, mas no momento errado" eu disse: "Se fosse a pessoa certa, não haveria momento errado"
O dia todo, aonde quer que eu fosse, eu só conseguia pensa no que era pra gente ter sido. E no que é pra gente ser.
Eterno Ricardo
Desde da sua adolescência
era um rapaz determinado,
Verdade que era tímido
mas era sempre focado,
o seu dom de artista
era um excelente tecladista
que o fez ser renomado.
Ele aproveitou a juventude
com seriedade e alegria,
fez da música o suporte
pra transbordar sua simpatia,
ele se apresentava com prazer
no palco deixava transparecer
o dom da sua energia.
O tempo foi passando
e o destino preparava,
um momento muito difícil
que ninguém esperava
um rapaz cheio de crença
Perdeu a vida pra uma doença
que pouco a pouco lhe calava.
Foram dias conturbados
difícil de acreditar,
que a estrela do eterno Ricardo
foi brilhar em outro lugar,
ele foi mais deixou de herança
uma linda e doce criança
pra seu reinado aqui continuar.
A saudade é grande e eterna
que você deixou entre nós,
mas você não partiu
assim diz uma maravilhosa voz,
que quem está perto de Deus
não está longe de nós.
Sonhar acordado
Ele era de sonhar acordado. Imaginar o futuro sempre foi seu forte. Ele já se imaginou em tantos lugares, fazendo tantas coisas diferentes — se os sonhos fossem realidade ele teria que se dividir em 10 para viver todas essas realidades. Tudo o encantava e o fazia se imaginar ali, sendo aquele desenhando ou sentado naquele escritório ou até conversando com pessoas, tentando entendê-las. Fato é que ele sempre foi bom em muitas coisas, em criar, praticar e em escutar, mas a duvida, a indecisão ou o medo ainda o paralisa em meio de tantos "sonhos", o fazendo estagnar-se e pensar, e agora? Ele quer simplesmente poder viver suas melhores fantasias, ter pelo menos um minuto — mesmo que em forma de romantização, daquilo que ele sempre sonhou acordado, para sentir aquele sentimento inexplicável de, eu estou vivendo um sonho.
Não era dia de encontro, nem de encantos, mas, de repente, ali estava você.
Quando entrei no ambiente, seu olhar me percorreu por completo.
Eu já sabia quem você era.
Te conhecia de nome, de rosto, dessas coincidências da vida.
Só não fazia ideia
de que um dia você me veria assim,
com esse tipo de olhar,
com esse tipo de interesse.
Você pediu ao garçom uma bebida para mim.
Um jeito antigo de se aproximar,
uma gentileza rara hoje em dia, que nunca havia recebido, pelo menos, não desse jeito.
Um completo cavalheiro.
Logo depois, e de forma natural, você pediu meu número.
Como quem sabe exatamente o que quer
e não tem medo de ir atrás.
E eu disse meu número, ansiosa para ver onde aquilo iria dar.
Foi uma noite inesperada,
daquelas que a gente não planeja,
mas que ficam na memória.
Depois daquela noite, confesso, não esperava ver suas notificações chegando ao meu celular ao longo do dia.
Aqui estamos nós.
Mas, como nada é perfeito, e nessa história não seria diferente,
existe um passado meu que se esbarra em você.
Um passado que, querendo ou não, faz parte do cenário.
Como seria, por exemplo, se um dia eu me reunisse com a sua família?
Todos estariam confortáveis?
Ou memórias antigas ocupariam um lugar à mesa?
Não tenho todas as respostas,
e talvez nem precise ter.
Não sei se isso vai longe,
nem se deve.
Mas foi diferente. Foi marcante.
Foi, acima de tudo, inesperado.
E como eu amo o inesperado.
Sigo sem pressa, sigo sem saber,
mas aberta para me surpreender.
era só um amor.
mas me fez esquecer
onde deixei minha dignidade.
não era fome.
mas parei de comer.
não era febre.
mas tremi quando ele disse que não sabia o que sentia.
eu, que sempre fui boa de ir embora,
fiquei.
como quem erra de propósito
só pra ver até onde aguenta.
abri mão do sono,
da lógica,
da escova de dente,
do aviso que dizia “não ultrapasse”.
troquei o arroz com feijão
por silêncios indigestos.
troquei o básico
por tudo que me fazia doer
mas que me fazia sentir.
e eu, no fundo, prefiro o que machuca
ao que não faz nada.
ninguém me avisou que
o amor que a gente aceita
diz mais sobre o nosso vazio
do que sobre o outro.
ele nunca prometeu.
mas também nunca foi embora.
e essa presença que não assume.
foi o que mais me corroeu.
me deixei amar como quem se deixa atropelar devagar:
primeiro a perna,
depois a vergonha,
por fim, a parte que ainda dizia
“isso não é amor”.
não é que eu não soubesse.
é que eu já tinha aceitado morrer bonita
na beira da estrada.
Juliana Umbelino
não era sobre força.
era sobre a consciência de não precisar se reduzir.
ela tinha o hábito de entrar em silêncio
e sair com um mundo novo no olhar.
sabia a hora de responder,
sabia melhor ainda quando não valia.
não discutia com quem ainda usava o tom de voz
pra tentar ganhar presença.
não se distraía mais com elogios.
aprendeu que o brilho que vale
não vem do aplauso,
vem do que sobra
depois que todos se vão.
tinha o corpo marcado por pausas,
não por feridas.
seus afetos moravam na nuca,
nos pulsos,
em partes onde o coração só encosta
se for com cuidado.
ela não queria mais ser compreendida.
queria ser sentida,
e isso já era difícil o bastante.
não fazia da dureza uma armadura.
fazia da lucidez um abrigo.
sabia a hora de fechar os olhos,
sabia ainda mais a hora de partir
sem fazer barulho.
não dava mais explicação
sobre a própria leveza.
foi chamada de fria por quem confundia serenidade com indiferença.
e de intensa por quem só reconhecia presença quando era barulho.
mas ela era maré funda.
não se notava na superfície.
não cabia em primeiros olhares,
em conversas rápidas,
em mãos que não sabiam parar.
carregava a própria história com precisão de quem já se ouviu.
não se envergonhava do que chorou.
mas também não usava a dor como decoração.
tinha atravessado demais
pra querer ser mártir.
sabia o que podia perder
e mesmo assim escolhia.
porque sabia o que não podia mais perder:
ela mesma.
não era sobre se bastar.
era sobre não aceitar mais a amputação como preço de amor.
sobre não achar bonito o que diminui.
sobre não negociar com o mínimo.
alguns diziam que ela era difícil.
ela sorria.
não corrigia ninguém.
tinha aprendido a diferença entre ser difícil
e ser indomável.
em algum momento da vida,
ela cansou de se ajustar.
e começou a crescer para cima.
e para dentro.
e para todos os lados
onde o mundo não cabia.
quando ela passava,
alguns a olhavam como enigma,
outros como excesso,
mas quem sabia ver...
sabia:
ali andava uma mulher que não precisava ser explicada.
só respeitada.
Juliana Umbelino
Era uma vez, uma menina inocente,
que adorava ler e assistir romances.
Mas ela cresceu e deixou de acreditar nas fantasias pois,
nunca havia sentido as borboletas no estômago...
Muito mais tarde, já conformada, foi surpreendida.
Conheceu aquele que a fez sentir...
As borboletas no estômago
O coração descompassado
Arrepios da cabeça aos pés...
As mãos macias, o abraço quentinho
Cheirinho de amor, de paixão e parceria.
Mas, diferente das histórias de romance,
Não ficaram juntos felizes pra sempre.
Mas, a menina inocente, ainda
espera por ele, e vai esperar por toda a vida.
Com você meu coração não fingia
Meu corpo não conseguia disfarçar
Meu pensamento era só você
Você, minha vida, até algum dia, talvez.
O Ataúde da Humanidade: Elegia aos Tempos do Fim
Vivemos a era da devastação.
O tempo sombrio da decomposição moral,
Do apodrecimento do caráter,
Da aniquilação do humanismo.
Matam-se inocentes com frieza,
Exterminam-se animais com crueldade,
Incendeiam-se florestas com ganância.
O planeta clama, e a humanidade não escuta.
Num cenário de sombras e cinismo,
Só restam a sensibilidade e a coragem
Daqueles que ousam insurgir
Contra os desmandos do poder vil,
Contra o fuzilamento do povo
Pelas mãos podres da corrupção,
Orquestrada por políticos desonrados
Que sangram a nação com sorrisos cínicos.
Somente Deus — o Eterno Juiz —
Pode resgatar o povo brasileiro
Desta destruição em massa,
Deste meteoro moral que colidiu
Com a alma da humanidade.
Já não há pudor:
Tudo se tornou permissível, torpe,
Rastejando nos escombros da maldade.
Agora, só nos resta esperar
O dia do infinito da existência,
Onde os homens serão julgados
Pelo tribunal da eternidade,
Sepultados no ataúde da escuridão,
Perseguidos pelos fantasmas
Que eles mesmos criaram.
A sociedade morreu há tempos.
O que vemos hoje são apenas as cinzas da podridão,
Espalhadas pelo vento da indiferença,
Retornando das profundezas do descaso
Para assombrar os vivos,
Difundindo o terror,
Erguendo altares à selvageria.
Mas ainda há uma esperança:
Na resistência de poucos,
Na chama que não se apaga
Nos corações que não se rendem.
E nessa fagulha, talvez,
O renascer da luz.
Jesus o Cristo era desapegado de bens materiais, por isso vivia alegre, contente e pleno, não tinha dor de cabeça sendo rico, com família e tendo uma vida desgastante e com estresse.
Só queria mesmo era te dizer e mostrar como pode ser bonito o olhar do mundo sobre você. E que
você é bonito "Double-face" quando você quer ser. Daqueles que a gente quer só ficar
ouvindo e vendo sorrir pra sorrir também.
Entardecer
O Pôr do Sol era lindo
Nuvens desenhavam de forma bela o céu
Ceu a mudar de cor
Navegava na mudança do tempo
Levando sensações únicas.
Na infância, um olhar do pai era lei;
seu silêncio, um mar de instrução.
Sem palavras, o entendimento recai;
em cada gesto, uma lição.
Seus olhos, bússola de meu ser;
Na simplicidade, aprendi a crescer.
Livro: O Respiro da Inspiração
