Era
Tudo era felicidade mesmo com a chuva caindo e molhando a roupa que esta no corpo .
Não entendo porque um brim brim tirou a felicidade que esta em mim...
Quando a chuva vai embora o que era felicidade se transforma em sauda
O que o vento não levou
Restou más lembranças,
de um passado que não era meu.
E toda vez que eu me deito,
lembro-me dos olhos teu!
E por mais que dói em mim,
ainda desejo o seu bem...
Nada disso teria mesmo acontecido
Se eu não tivesse ido além.
O vento não levou as lágrimas...
que um dia me traumatizaram.
E mesmo a perturbação,
das outras que hoje restaram.
Essa noite será diferente... Não mais terei você ao meu lado... Ontem você era meu presente... Hoje você é o meu passado...
SONETO ANTES DE TU
Antes de amar, amor, era amador
Não tinha nome, rua ou endereço
Nada importava ou queria apreço
Expresso era o suspiro de amor
Eu sonhava sonhos pelo avesso
Nas fases da lua um devaneador
Em silêncio cochichava a tal dor
Num desprazer plácido, impresso
Tudo era um vazio, morto, clamor
Caído em um horizonte espesso
Onde escorria olhar tão sofredor
Antes de tu, não existia começo
Até que vieste com o teu amor
E pude no soneto ter ele impresso...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Janeiro, 21 de 2017
Cerrado goiano
"... Ele era gelo
Nas labaredas de suas emoções.
Quanto mais o gélido adentrava em su'alma
O fogo atiçava suas línguas ardentes
Lambendo e aquecendo seu coração
Apaixonado."
Quem era ela?
Lá estava eu, sentado no ponto esperando minha condução, e um pouco mais à frente, tinha mais um ponto, e antes eu não tinha reparado que havia uma menina tão linda no meio de tantas pessoas. Sem que ela percebe-se, a cada dois minutos eu olhava para ela. Ela estava com fones de ouvido e viajando no mundo da lua ou no mundo dela. Embora eu não sabia como chegar perto dela e dizer sobre sua beleza e conhecê-la, eu fiquei na minha, até que minha condução chegou e eu fiz um sinal para que o ônibus parasse, e pode não ser real, mas ela subiu no mesmo ônibus que eu e eu deixei que ela passasse na minha frente. Dentro do ônibus, ela já não estava mais de fone, e a cada um segundo ela me olhava e eu, timído como sou, fiquei desviando os olhares até que ela fixou e me chamou para que eu sentasse ao lado dela. Quando ela abriu a boca e começou a falar, eu me perdi no tom suave, nos olhos verdes e no sorriso dela, que além de ir canto a canto, era perfeito. Nos conhecemos e eu troquei telefone com ela, e ela desceu antes de mim. Mas isso tudo era uma visão. Quem era ela?
No princípio era o verbo, e o verbo era verba, e a verba não estava no meu bolso. Surgia o Pretérito Imperfeito.
A FLOR MURCHA
Existia uma bela flor. A sua aparência era algo de dar inveja a qualquer outra riqueza da natureza, pois morava num lugar chamado “jardim das flores”, e no meio de tanta beleza ela ainda se destacava, pois tinha uma exuberância esplêndida. A sua essência exalava por todo o jardim, os galhos com espinhos que a sustentava eram sua proteção, e mais abaixo daqueles galhos, havia um ser que a amparava e fazia dela a mais bela, esse ente, não era visto por ninguém, mas só ela, aquela flor sabia da sua existência e a regava, porque entendia que se não a regasse, deixaria de ser bela e não encantaria mais a ninguém.
No jardim só existia uma regra, que não poderia ser quebrada, pois apesar de bela e exuberante aquela flor, ninguém poderia tocá-la nem muito menos sentir, teriam apenas que passar pelo jardim e apreciar a sua beleza ao longe, e assim com poucos minutos ficando naquele ambiente poderiam senti-la, mesmo sem tocá-la.
Porém, certo dia, alguém resolveu ir até aquela flor e pegá-la, pois não se conteve só em apenas vê-la distante, não só tocou como a arrancou de seu habitat. Durante algum tempo ela ainda era bela, mas algo lhe faltava e foi ficando triste, era o local onde vivia que a mantinha ali intacta sua beleza. Os dias foram se passando e a flor com o tempo foi murchando, começou a perder o seu brilho, a sua exuberância, a sua essência, pois não era mais a mesma sem a sua companhia de seu caule, sem o seu lar, sem o aconchego que era seu canto naquele jardim. Ela não tinha mais os galhos que a seguravam e a principal de todas , o lugar escondido que a protegia por entre as entranhas da sua respiração, a sua falta provocou a ponto de murchar definitivo e secou completamente, pois a falta que a RAIZ lhe fazia, deixou de lhe dar a vida. E assim tornou - se uma FLOR MURCHA.
Tudo que eu queria era me despedir agora, tudo que eu queria era prever o amanhã, tudo que eu queria... Bom, era não estar aqui
Eram tantas decisões, que por vez, uma só era a certa. Era tão improvável, incerta, mas que no fundo, perfeita, a correta. No começo dúvida, no meio era só mais pensamento, no fim, o pensamento sobre a dúvida era tolice. Então viajou-se em tua mente, deixou se levar ao vento com o coração em paz, sabendo que se uns não fez, outros "faz". Sabendo que se partisse, chegava alguém e que esse alguém, não é só mais um, é aquele que vem pra mudar, pra ficar, pra viver e pra junto sonhar. Esse alguém era a pessoa que ela sempre olhava no espelho e não tinha visão, era a loucura que cura tudo que um dia quebrou em seu coração.
Hoje sonhei com você
O sonho era lindo
Estávamos felizes como nunca
E quando acordei eu percebi
Que eu nunca te superei
E ainda te amo perdidamente
