Era
Sigo no silêncio pra não me entreter
Vai que um dia eu gosto e começo a ver
Além do que era pra ser
Eu sei que eu posso e às vezes recebo
Alguns outros chamegos
Mas é pela gente que eu prezo
No interesse por uma outra qualquer
Minha boca era só dele
Até eu perceber
Que tinha mais gente nessa dupla
Ele queria uma disputa
Mas essa não vai ser minha conduta
Mandei ele correr
Mais uma vez deixávamos a sociedade de lado, para seguir aquela deusa. A estrada era simplesmente tudo. Ela nos tornava livres.
TRÊS LAGOAS
Era eu menino e moravam caudalosos rios à minha frente
Tão longos, intermitentes, profusos, infindos e soltos
Em cujas margens verdes de silêncio ouvíamos absortos
O passar das horas nos longos trens sobre os nossos brios
Era eu crescido em meio às desertas largas ruas de areias
Que de uma calçada à outra mal se ouviam os clamores do futuro
Incompreendíamos os porquês de tanta luz e a tatearmos no escuro
À procura dos sonhos que regessem as nossas jovens veias
Agora longe, atrás do tempo que escoara por aqueles trilhos
Ancorei meu barco num falso porto refestelado de saudades
Onde tudo é pedra, pressa, asfalto, agito, instância sem volta
Ainda existem rios porem não mais com as mesmas aguas
Permanecem as ruas mas estas ignoram toscas verdades
De que envelhecem os olhos mas as valsas ainda sonham-te
Geriatria I
Era fim de tarde e caminhar pelo jardim das cerejeiras era quase que um ritual entre mim e meu pai. Desta vez tive que vir sozinho. O sol abrasador em suas cores mutáveis parecia deleitar- se sobre minha pele. O ar fresco por entre narinas adentravam meu corpo e pulmões inflavam de amor a vida como jamais havia amado, e de tanto amar escorria por entre meus olhos as doces lembranças das brincadeiras de outrora quando ainda era criança no colo amado, fraterno, paterno. Mas agora meus passos são outros, o tempo é outro, até mesmo as flores de cerejeira são outras, porém as árvores, as raízes e sua terra são as mesmas daqueles dias, guardando memórias, segredos e medos que só nós dois sabíamos e compartilhavamos quase como rituais sagrados de orações interminantes. Era tempo de água, de temperaturas temperadas, de corpo molhado nas chuvas que caiam ao final da tarde. Hoje tudo é tão seco, casca, fóssil de metal que me sustenta com toda dor de ainda estar vivo com minhas lembranças líquidas se desfazendo entre meus dedos de poeira e terra. Terra seca.
" Era uma vez, quando o desejo ainda era capaz de levar a alguma coisa;"
Mas o mundo com sua imensas distrações não faz com que a morte e o nascimento para o "eu" venha surgir de fato;
Esta transformação nos leva ao abismo profundo dentro de nós mesmos, caímos em um poço profundo e escuro, quanto mais nos debatemos ao tentarmos sair, ainda mais somos engolidos por suas águas escuras e frias...
Mas o sapo que esta nas águas apenas quer sua promessa, então com a boca lhe devolvera suas distrações.
Na tentativa de sair desta agoniante angustia, o ego aqui representando o sapo lhe roubará o que tens de mais precioso junto a fonte.
A fonte está no fundo das águas, quem sujou a água da fonte?
Por que não entramos por livre, espontânea vontade nas águas, geralmente somos lançados devido a circunstâncias externas?
De fato, quando paramos de nos debater, tudo se acalma...
Apreciar... talvez seja a forma de chegar a fonte neste evoluir que diariamente nos deparamos em nosso interior...
Ela era rígida.
Ele era leve.
Ela era séria e lia.
Ele ria e curtia.
Ela o avistou e ele nem notou .
Ela se encantou, ele só cumprimentou.
Ela foi, Ele ficou .
Quando o Céu se encontra com a terra.
O amor desencontrou.
Um vazio predominante no coração, foi causado por um amor de verão, um amor q era pra ser temporário, mas virou permanentemente, um amor q dói, mas ninguém mais sente, esse amor doentio q prevalece em um simples sorrisinho ou uma lágrima carente, q te consome diariamente, para todo o sempre
Ela amava pessoas que a permitiam
ser quem era, sarcástica e engraçada.
Estava cansada de rodas sem assunto,
de café amargo e da poluição mental.
Dizia que desamor
era doença de gente mesquinha.
Era livre de corpo e alma.
E que alma!
Sensível a cada gesto, e era de muitos.
Ela tinha medo das coisas tóxicas,
pessoas ou sentimentos.
Morria de amor pela vida,
e era feliz em gratidão.
Digo com sinceridade
Quando abraçava era feliz de verdade
E hoje em meio a pandemia chega da agonia
De tocar com os cotovelos e jogar o abraço para escanteio.
Se nosso amor era sobre fantasias, eu era pobre. Agora, com você, sou uma rainha, desfrutando riquezas de um carnaval perpétuo.
Um dia me falaram que meu pior inimigo era o tempo...
...Respondi a essa pessoa que ela estava errada!!!!
Seu pior inimigo é sua consciência!!! Ela não falha e não te da tempo de se redimir, então ela sorriu e disse, "veremos."
Hoje lágrimas de arrependimento rolam em seu rosto.
7 naos de casamento, 3 filhos e uma família destruida, por uma atitude estúpida e momentânea.
Um doce de vó.
Minha vó morava perto do campo de futebol. Era comum, depois de brincarmos no campo que ficava no local onde é o colégio hoje, passar na casa dela. Uma vez, eu e mais um amigo, achamos uma bola de capotão furada e com o couro bem desgastado. Demoramos um tempão para arrumá-la e poder brincar. Fomos, então, até a casa da minha vó, onde existia um quintal bastante grande. Marcamos o gol com nossas camisetas e começamos a "chute em gol". Bate três e depois troca o batedor. Na troca de jogador, minha vó apareceu no nosso campinho com uma faca nas mãos, pegou a bola e furou umas dez vezes a coitadinha., sem antes dar uns cloques na minha cabeça com seus dedos duros. . Acabou com a festa. Passados uns dias eu encontrei a bola que ela havia"matado". Estava jogada debaixo do assoalho da casa dela. Ressuscitei aquele pedaço de couro..Chamei meu amigo, de "bater falta", fizemos um enxerto, agora com areia,e a colocávamos num ponto estratégico da rua, onde existia mais alguns meninos e fingíamos que estávamos jogando. Logo aparecia alguém querendo mostrar suas habilidades em "faltas" e chutava a bola. Aquilo era tudo que queríamos, nós e os outros meninos que já conheciam aquela brincadeira. Um dia, um menino bem maior do que nós, depois de quase torcer o pé, deus uns tapas nos menores, incluindo ali, eu e meu amigo batedor de faltas, pior, ainda levou nossa bola de areia embora. /i
O comprador de ovos.
Eu tive um amigo, quando criança, que vendia ovos. Ele era mais velho que eu. Ele percorria os sítios da redondeias com ser carrinho de madeira (um caixote) e ia comprando a "produção" q depois ele vendia na cidade. Uma vez ele me convidou para ir com ele, eu e mais um amigo em comum. Saímos cedo. No caminho ele foi explicando o processo que ele usava. Bem mais complicado do que o de frutas, que era bastante simples que consistia em colher um cento de mexerica, botar no carrinho, pagar e voltar para a cidade e já começar as vendas. Ah, e a gente podia comer à vontade nos pés, diferente de ovos que você não podia comer. O dono, (sitio dos Geraldo) uma pessoa que tinha o coração maior do que ele, nunca contava o que a gente colhia. Uma vez eu troquei uma espingarda de pressão por uma cabrita com ele, mas isso é outra história; Mas então.. o mercado de ovos funcionava assim: havia a compra com entrega imediata e com entrega futura. Era aquele sistema que mexia com nossas cabeças, , --"quando acontecer, vocês vão entender" na prática fica mais fácil, disse ele-". E lá fomos nós acompanhando ele, torcendo para acontecer uma compra futura. Acho que no terceiro vendedor aconteceu. O nosso amigo comprou uma dúzia e levou somente seis ovos. Num outro ele pagou seis ovos e levou uma dúzia. Foi então que entendemos aquele mercado. Meio complicado, diga-se de passagem. Ele adiantava o dinheiro quando as galinhas, por algum motivo, desconhecido por nós, não liberavam a produção, mas o vendedor precisava do dinheiro, então ele completava numa próxima negociação. Com aquele sistema ele prendia o vendedor, que não vendia para outro comprador .
Depois daquela aula, na volta ele veio nos contando sobre um rio que existia por alí e que, infelizmente, iríamos ter que atravessá-lo, e pior, a ponte era muito estreita e tinha sido construída sobre a parte mais funda do rio. Vez ou outra ele dizia: --"Escuta só, o barulhos do rio,tá lá bufando! igual a um bicho."- era com tanta criatividade, que passamos, também, a escutar o "bufo" do rio. Quanto mais perto, mais aumentava nossa curiosidade. Quando chegamos, era só risadas, Crianças riem de tudo. Era um riozinho, (rio balaio, para quem é da região) que tem menos de dois metros largura, mas naquele dia era como se tivesse cem.
Lembre-se nós não perdemos o que não era para ser nosso... Por tanto, deixa ir da sua vida o que não deve estar...
Se você está forçando coisas ou pessoas estarem em sua vida, é hora de deixar ir!
Se vc olha para o passado e vê o quanto idiota era e ingênuo, é um sinal que vc percebeu que melhorou, não lamente com oq aconteceu no passado mas sim agradeça o quanto aprendeu e mudou
Como eu gostava de quando você encostava a cabeça no meu ombro, a sensação de felicidade era inquebrável.
