Era
Era um amor que prometia ser o melhor de todos. Que suportaria tudo e passaria por todas as provas de fogo. Que viria a ser sempre um sentimento verdadeiro e continuo. Que era pra ser, mas foi apenas... Mais um amor feito de palavras, que o vento leva e o tempo apaga.
Hoje acordei e durante quase duas horas, fiquei olhando para o teto branco do meu quarto, e não era um olhar de admiração, não era. Era um olhar para o nada ou para tudo. Faltava-me força para levantar. As dores eram horríveis. Não sentia firmeza nas pernas, meu coração batia descompassado e num ritmo tal qual a bateria da Mocidade Independente. Meus olhos ardiam. Calafrios sequenciais. Sentia minha boca seca e meu corpo queimando em brasas. Resolvi consultar um médico, e lá fui eu sentar em frente ao computador, porque, afinal de contas, quem tem Google, não precisa de um médico real, ou precisa? Então, sentada com meu “médico”, disparei as pesquisas na página de busca, coloquei todos os sintomas, e ele, o Google, ou meu doutor, em segundos me deu inúmeras possibilidades: Chikungunya, dengue, zika, malária, pneumonia e tantas outras. Acreditei ser meu fim. Voltei para a cama e achei que chamar um padre para a extrema-unção seria o melhor a fazer, não custa nada estar preparada, mas, não o fiz. Por alguns instantes parei para pensar na vida, na minha vida, vida essa que não me deixa viver. Que me faz refém da rotina que eu mesma criei. Rotina essa que me consome dia após dia; falta de tempo ou de uma organização que não me deixe tempo hábil para fazer coisas prazerosas das quais preciso tanto: dançar, ir ao parque, cinema, teatro, rever amigos. Coisas que, por conta da correria, acabo deixando para depois, só que esse depois nunca se torna agora. Após essa breve análise, descobri que não tinha doença nenhuma para aquela imensa fadiga, desânimo, dores da alma. Realmente não era nenhuma patologia. Eu não estava doente: o que eu tinha era vida. Ou não tinha! Esse é o meu mal: não viver, só sobreviver. Esse é o mal desse século, temos tempo para tudo, menos para VIVER
E se caso o amor largar minhas mãos, simplesmente não era amor... O que eu espero do amor... Simplesmente ser amada...
Um amigo me disse uma vez que o sorriso era a chave para conquistar as pessoas. Passei anos pensando nisso e nunca funcionou comigo. Comecei pensando como era fácil pra alguns. Bem, funcionando ou não, eu tinha um amigo que desejava que funcionasse pra mim.
Um amigo me disse uma vez que a sinceridade poderia doer, mas sempre seria a melhor escolha a se fazer. Eu sou humano, passei anos errando e continuo a errar. Comecei pensando como ele fazia a verdade soar tão leve. Bem, mesmo não sendo mágico, eu tinha um amigo que se preocupava em me ensinar.
Um amigo me disse uma vez, que eu ainda não tinha crescido o suficiente para entender. Mas ele tem a mesma idade que eu. Comecei me olhando no espelho... No começo eu chorei. Mas então eu sorri. E logo eu fui sincero comigo mesmo. Então, eu cresci. Minha "sorte pessoal" é ver que não estou sozinho.
Eu não sabia quem era minha mãe. A verdadeira. Mas logo saberia. Nem imaginei que isso mudaria tanta coisa.
Nosso mundo atual é marcado pela velocidade e pela instantaneidade. Vivemos em uma era em que as decisões são tomadas rapidamente, muitas vezes movidas pela emoção do momento, sem considerar as consequências a longo prazo. O texto bíblico de Hebreus 12:16-17 nos alerta sobre os perigos de agir impulsivamente, trocando algo duradouro pelo prazer momentâneo.
A história de Esaú serve como um exemplo poderoso de como podemos ser destruídos por nossos próprios atos impensados. Ele trocou seus direitos de filho mais velho por um simples prato de comida, sem considerar o valor real dessa posição privilegiada. Movido pela fome e pelo desejo imediato de satisfazer suas necessidades, ele agiu sem ponderar sobre as consequências futuras.
Em nossa geração atual, vemos manifestações desse mesmo comportamento. Estamos constantemente expostos a escolhas que podem nos levar a perder o respeito pelas coisas sagradas, pela moralidade e pelos princípios éticos que deveriam nos guiar. Muitas vezes, somos tentados a renunciar nossos valores em troca de gratificações instantâneas, sem pensar nas implicações a longo prazo.
A tecnologia e a conectividade nos proporcionam acesso imediato a uma infinidade de prazeres e distrações. Vivemos em uma sociedade do consumo desenfreado, onde a busca por satisfação imediata muitas vezes nos leva a agir de forma irresponsável. Trocamos relacionamentos verdadeiros por conexões superficiais nas redes sociais, preferimos a comodidade de alimentos processados à saúde proporcionada por uma alimentação equilibrada, e valorizamos mais o entretenimento instantâneo do que o conhecimento adquirido por meio da leitura e do estudo.
Essas escolhas impensadas podem nos levar a um vazio existencial, à perda de nossa identidade e ao arrependimento tardio. Assim como Esaú, que depois procurou desesperadamente mudar o que havia feito, descobrimos que algumas decisões não podem ser desfeitas, não importa o quanto desejemos. O texto bíblico nos mostra que, mesmo com lágrimas e arrependimento, Esaú não pôde recuperar o que havia perdido.
Portanto, é essencial que, como geração atual, aprendamos com essa mensagem. Precisamos desenvolver a capacidade de refletir sobre nossas ações antes de agir impulsivamente. Devemos valorizar o duradouro em vez do efêmero, cultivar relacionamentos significativos e investir em nosso crescimento pessoal e espiritual.
Nossa geração tem o desafio de equilibrar a busca por prazer imediato com a compreensão das consequências de nossas escolhas. Devemos olhar além do momento presente e considerar como nossas ações afetarão nosso futuro e o mundo ao nosso redor. Somente assim poderemos evitar sermos destruídos por nossos próprios atos impensados e viver uma vida plena e significativa.
Que possamos aprender com os erros do passado e buscar uma abordagem mais consciente em nossas decisões. Que tenhamos a sabedoria de valorizar o que é realmente importante, mesmo que exija sacrifício e renúncia imediata. Que possamos preservar o respeito pelas coisas sagradas, sejam elas valores morais, princípios éticos ou nossa própria essência espiritual.
Nossa geração precisa reconhecer que a satisfação instantânea nem sempre traz felicidade duradoura. Devemos buscar um equilíbrio entre o imediatismo e a consideração das consequências a longo prazo. Isso requer autocontrole, discernimento e a disposição de tomar decisões baseadas em princípios sólidos.
A reflexão sobre o texto bíblico de Hebreus nos leva a questionar nossas escolhas e nos desafia a tomar decisões mais conscientes. Somos seres racionais e emocionais, e é importante equilibrar essas duas facetas. Devemos aprender a lidar com nossas emoções, mas sem permitir que elas dominem nossas decisões de forma impulsiva.
No mundo em constante mudança em que vivemos, é fundamental buscar um equilíbrio entre a gratificação imediata e o cuidado com o futuro. Devemos avaliar as consequências de nossas ações antes de agir, refletir sobre nossos valores e considerar o impacto que nossas decisões terão em nossa própria vida e na sociedade como um todo.
Que possamos cultivar a sabedoria de reconhecer o valor das coisas duradouras, como relacionamentos verdadeiros, caráter sólido e a busca por propósitos mais elevados. Que nossa geração seja caracterizada pelo autocontrole, pela responsabilidade e pela capacidade de tomar decisões conscientes, levando em consideração não apenas o momento presente, mas também o impacto que terão no futuro.
Aprendendo com os erros do passado e vivendo com sabedoria no presente, podemos construir um futuro mais promissor, em que as escolhas impulsivas e irresponsáveis sejam substituídas pela prudência e pelo respeito pelas coisas sagradas. Somos os agentes de mudança e temos a responsabilidade de moldar o mundo que queremos habitar.
As consequências de uma escolha errada podem ser profundamente impactantes em nossas vidas, levando-nos a experiências de depressão, sofrimento e arrependimento. Tomar decisões é uma parte essencial da vida, e cada escolha traz consigo um conjunto de possibilidades e consequências. Infelizmente, nem sempre conseguimos prever todas as ramificações de nossas ações, e é nesses momentos que podemos nos encontrar em situações difíceis.
Uma escolha errada pode afetar diversos aspectos da nossa vida, desde relacionamentos pessoais e profissionais até a nossa saúde física e mental. Por exemplo, uma decisão impulsiva de trair a confiança de um ente querido pode resultar em mágoa, rompimento de laços afetivos e um sentimento profundo de arrependimento. Da mesma forma, uma escolha equivocada em uma carreira pode levar a um emprego insatisfatório, frustração e a sensação de estagnação.
Em nossa atualidade, podemos observar várias situações em que escolhas erradas têm consequências negativas. O uso excessivo de tecnologia e mídias sociais é um exemplo evidente. A decisão de passar horas intermináveis navegando na internet pode levar ao isolamento social, falta de produtividade e a um sentimento generalizado de desconexão com a realidade. Além disso, a disseminação de informações falsas e o compartilhamento irresponsável de conteúdo podem resultar em danos à reputação e perda de confiança.
Outro exemplo é a negligência em cuidar da saúde física e mental. Escolher ignorar os sinais de estresse, não buscar ajuda profissional adequada ou não adotar hábitos saudáveis pode levar a problemas de saúde graves, como doenças crônicas, esgotamento emocional e um estado constante de desânimo. Essas escolhas têm o potencial de afetar negativamente todas as áreas de nossas vidas, incluindo relacionamentos, carreira e bem-estar geral.
O arrependimento, que muitas vezes acompanha as escolhas erradas, pode ser avassalador. A sensação de ter perdido oportunidades valiosas ou causado danos irreparáveis a nós mesmos ou aos outros pode gerar uma profunda tristeza e angústia. Sentimento de culpa, vergonha e remorso podem se instalar, criando um ciclo de pensamentos negativos e baixa autoestima.
Em última análise, as escolhas erradas fazem parte da condição humana e todos nós estamos propensos a cometê-las em algum momento. É fundamental cultivar a autocompaixão e o perdão, tanto em relação a nós mesmos quanto em relação aos outros.
A busca da justiça não é simples e a complexidade dos valores destacadas por Edgar Morin , já era apresentada pelos antigos em formas geométricas.
Almirantes Rotineiros
No tempo em que festejavam
Os dias de meus anos
Eu era feliz e ninguém estava morto
Sou hoje um corpo frio
Sou mal amado pela escolha que fiz
Apenas por comodismo e conveniência
Sou tudo que me acostumei
Triste, melancólico, morto na besta vida que me propus ter
Vida sem amor,
Na bobeira que me agarrei por medo
O que eu sou hoje é tempo
Como eu te compreendo como pessoa
Como te amo sendo pessoa
Não, não morremos enquanto memória
Não fui eu que fiz anos, foste tu.
Fácil e bom para escutar
Lindo, difícil de entender
O saber tem seu lugar
Sabedoria é quase tudo
Era Geológica Atual
Segundo a arqueologia, no Brasil vivemos no período Bosolítico. Precisamente, na era do povo lascado.
Ele não era ateu: ele era antideus.
O talvez de Deus estar só dormindo, talvez Deus esteja só dormindo!
Prático Cotidiano e Nítido
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto
É com saudades de mim
E o que podia fazer de mim, não o fiz
Nessa vida em que sou meu sono
Não sou meu dono
Lá Nem Longe
Era uma vez
Lá nem longe
Num tempo
Em que
As tardes tinham cheiro
De ontem
Bem
Que havia
Já não mais
Um quintal
Onde o mundo
Cabia
Num pé de goiaba
E a vida
Era medida
Pelo ritmo
Da rádio
Noite adentro
Vozes baixas
Contavam
O que o dia
Não ouviu
Agora
Só sobra
O vento
Que toca
À porta vazia
E um relógio
Que teima
Em marcar
Horas exatas
Que não existem mais
Era uma vez
Lá nem longe
O que restou
Como saudade
De coisa
Que nem chegou
A acontecer
E no álbum sem fim do vento
Um retrato de mim
Sem ninguém
E no canto esquecido da estante
Um abraço que nunca se desfez
E no relógio parado da cozinha
Os ponteiros
Ainda marcam tua hora
Nas asas da dor me acolhi
Busquei o calor da desesperança
Não pude nem olhar para trás
Era tudo escuro, vazio, sem forma
Refiz-me onde prometi nunca chegar
Caminho sem volta era o que me aguardava
Hoje eu colho e como os frutos da minha fraqueza
E nem passado nem futuro me agradam mais
Dor, apenas dor...
“Era melhor investir na desigualdade, a gastar num espaço sideral sem humanidade.” Osman Matos (de seu livro, "Poesia em Gestação").
Tudo o queria, era apenas ouvir a tua voz
Tudo o que queria
era perguntar como foi o teu dia
Tudo o que queria era saber se estás bem.
Pergunto por ti
porque te amo
penso em ti porque te desejo
quero estar contigo porque sinto saudades
preciso olhar para ti
porque me completas
chama-me louco não me importo
teu amor é meu único conforto
como um rio que nunca pára
escorrem as minhas lágrimas
dói não te ter por perto
minha vida sem ti é um deserto
estou sempre á tua espera
como um louco apaixonado,
a vida torna-se áspera
tudo o queria era estar a teu lado...
Salgada era a água que escorria pelo meu corpo e doce era o gosto da sua boca, assim descobrimos a fórmula perfeita do soro que nos hidratou, tratando de encurtar o caminho que talvez demorássemos muito tempo pra seguir. Como saber? De uma hora pra outra o errado virou certo, o oculto se tornou notório, as omissões foram confissões e no intervalo de uma hora iniciamos a história que já tinha quase uma vida de duração.
Um abraço que não era mais esperado, um conforto que não buscava mais satisfação, um olhar disperso e vago que já foi sinônimo de comoção.
Um cheiro ainda atraente, mas expulso das narinas que não querem um perfume nostálgico trazido em sinal de adoração. Tiro as mãos do meu rosto e seguro o volante para prosseguir. Esqueço você nessas horas, apago sua imagem dos meus sonhos para que você possa dormir!
Penso que pensei ter encontrado a eternidade. Descobri a fórmula permanente da certeza. Era muito simples saber que uma tarde, se misturada ao sol da manhã traria a força de um dia. O sol misturado ao mar traria o peso do para sempre e sempre.
