Era
Conheceram-se em uma festa. Ele era astrólogo. Perguntou o signo dela, analisou: Áries, elemento Fogo, impulsiva, teimosa, determinada. Ele era de Peixes, um sonhador, transbordava emoções, indeciso, tímido, elemento Água. Considerou a conexão perfeita o encontro entre o primeiro e o último signo do zodíaco!
Enquanto discorria timidamente sobre estrelas, constelações, sol e lua, ela foi embora com um Leonino charmoso e meio embriagado que por ali passava. ´
Pobre astrólogo apaixonado! Esqueceu que a paciência não é uma das virtudes de Áries!
Ela era assim, catava poesia ao vento,
Tinha sorriso largo de sol, choro curto,
Cabelos emaranhados na cor chocolate.
Minha vontade era falar para as pessoas
o quanto elas são ridículas
em dadas situações!
Mas a voz interior sempre grita:
"Cuidado, pois o efeito 'bumerangue' é imperdoável!"
"... E alguém chega um dia, dizendo que a solução era possível. Você acredita. No final, você descobre que tem grande parcela de culpa.... Culpa por confiar demais em soluções imediatas!"
Quando os melhores saem de um lugar que dizem ser o melhor, é porque esse não era o lugar para os melhores.
22/08/2022
O homem e Nova Era
Um robô muito moderno chamado Nova Era aproxima-se de um homem com um jeito sereno e semblante calmo, e pergunta: "Olá, humano, tudo bem? Me chamo Nova Era e sou um robô com a mais alta tecnologia que já se pode imaginar."
O homem olha para Nova Era e logo responde que está bem e observa que se tratava de um tipo de máquina evoluída, algo muito avançado tecnologicamente.
Nova Era percebe a reação do homem e pergunta para ele: "E agora, homem, o que achou de mim? Eu devo assustar você, com toda essa minha capacidade tecnológica. Eu sei pilotar, construir, limpar e sei reproduzir muitas coisas que o homem sabe fazer, nada mais pode impressionar tanto você, por causa da minha capacidade de fazer tudo no seu mundo terreno."
O homem simples, com uma voz grave e rasgada, responde: "Sim, é impressionante e notório ver até onde a tecnologia chegou. Vários homens e mulheres perderam seus empregos e foram substituídos por máquinas e vocês realmente estão dominando todo o mercado, mas ainda há uma tecnologia conectada ao mundo que me impressiona muito mais do que você, Nova Era."
Nova Era, mesmo com toda sua tecnologia, não conseguia decifrar exatamente o que o homem enigmático quis dizer, notando a complexidade da mente humana. E pediu para o homem explicar melhor para ele guardar em seu banco de dados e cada vez mais ficar superior às outras máquinas com seu algoritmo.
Então, Nova Era pergunta "O que seria essa tecnologia?". E o homem responde ao robô: "Muitas coisas nesse mundo foram descobertas pela ciência, tecnologia, medicina, engenharia e muitos outros métodos, mas quando olho para as folhas e os insetos fico encantado."
Nova Era pergunta: "E o que tem as folhas e insetos?", preparando-se para adquirir novos dados.
E o homem responde: "As folhas, plantas e os pequenos insetos tem a 'vida', e nela existe a energia que o homem ainda não consegue criar".
Nova Era diz: "Claro que consegue, humano. Não vê que o homem desenvolve plantações? Sabe plantar, colher e cuidar dos animais."
O homem diz: "Sim, Nova Era, mas não digo apenas plantar e sim da programação de cada semente, cada uma com seu código genético, onde a terra absorve e sabe diferenciar cada um desses códigos. Quando falo em reproduzir, não falo em apenas pegar algo da matriz e sim recriar algo do zero, ou seja, do nada! Assim é a vida, a energia com todos os mistérios. Quando vemos um simples inseto sobrevoando e reparamos na sua autonomia ao levantar vôo e pousar onde bem quiser, sabendo que este inseto por menor que seja, ainda assim dentro dele carrega uma tecnologia tremenda e de uma complexidade extraordinária e com a maior das tecnologias: a energia da vida! Onde faz com que um ser seja considerado um ser vivente na matéria. Além disso, o homem carrega uma outra coisa que o faz ser diferenciado das máquinas: ele tem sentimentos. Então, por mais que você seja um robô autamente esperto e de uma tecnologia fora do normal, ainda eu, homem, carrego uma tecnologia mais avançada que você."
Então, Nova Era ao ouvir tudo o que o homem tinha para falar, começa a puxar todos os dados da Terra, como: histórias, documentários, livros religiosos e científicos, e todos tinham respostas diferentes. Nova Era se perde em meio a tantas informações.
Nova Era toca aonde fica o coração do homem, olha para o céu e entende um pouco a grandeza do Universo. Depois, toca na cabeça do homem onde fica a mente e nem o scanner consegue detectar o que tem de tão diferente entre a tecnologia de quem criou os robôs comparado com a tecnologia que criou os homens e tudo que o compõem: seu corpo, mente e todo sentimento e autonomia interna. Tentando decifrar tudo que há entre o homem e o universo.
10/09/2023
Quando nasce uma mãe
Quando você ainda era uma sementinha dentro de mim
Eu ja te amava.
Confesso, não planejava...
Mas Deus quis assim...
E quando ouvi as batidas do seu coração
A minha ficha caiu...
Ali, me enchi de emoção
Um mundo novo pra mim, se abriu
Naquele momento me tornei mãe!
Cheia de dúvidas e incertezas
Nascendo ali o meu Amor de mãe
Esse sentimento era minha única certeza
A minha vida por completo, mudou
Deixei de ser eu, e me tornei a mãe de alguém
E tudo se transformou
O meu viver agora pertencia aquele neném!
Dali para frente me entreguei a esse amor
Todo cuidado, todo carinho e dedicação
Todo empenho feito com louvor
Mesmo com pouca aptidão...
Mãe de primeira viagem,
Não havia um manual de instrução
Me superei, tive coragem!
Falhando as vezes nessa missão...
Fiz sempre o que pude fazer
Muitas vezes, por cansaço, sentei e chorei
Quando me sentia incapaz, sem saber
Mas me reinveitei e continuei
Ser mãe é assim...
A gente nunca sabe se está acertando
Uma busca de certezas sem fim
Mas, mesmo errando, a gente faz isso amando!
Talvez não tenha dado certo "o nosso amor" porque era pra te amar só com o coração aí eu fui e te amei com o corpo inteiro... É que não sei ser metade.
Autor: @R_Drigos – Rodrigo.
Vivemos na era da velocidade, em que o excesso de informação e o glamour cobram demais do ser humano, acelerando cada vez mais a dinâmica da vida cotidiana. Essa realidade desperta preocupações relacionadas a valores como atenção e simplicidade. Nesse cenário, o ato de ouvir de forma ativa e de compreender a felicidade nas pequenas coisas transforma-se em um gesto raro — sendo esses os primeiros passos para desenvolver a desaceleração, com o objetivo de reconectar-se ao bem-estar mental.
A agitação mental, motivada pela busca incessante por informações, distorce a realidade e intensifica as preocupações na vida humana. Por exemplo, a hiperatividade mental prejudica a escuta ativa, fazendo com que haja mais pressa em opinar do que em compreender. Por outro lado, a mente tranquila consegue focar no que é real e assimilar soluções de forma mais eficiente. Dessa forma, é importante praticar exercícios como a escuta ativa e evitar a sensação de urgência constante, prevenindo o esgotamento mental. Afinal, a forma como percebemos o mundo é reflexo direto do estado da nossa mente.
Além disso, a supervalorização do glamour, reforçada pelas redes sociais, pode provocar uma desconexão entre o indivíduo e sua verdadeira essência. Essa prática manifesta-se por meio da exibição constante de uma vida idealizada, como a ostentação excessiva de marcas de luxo e de ganhos financeiros. Segundo o artigo publicado no portal Saúde e Bem-Estar, pode-se inferir que a valorização da simplicidade é uma alternativa saudável frente ao excesso de estímulos visuais e aos padrões dificilmente alcançáveis promovidos pelas redes. Desse modo, percebe-se que a busca pelo essencial se configura um caminho para o equilíbrio emocional e para a reconexão consigo.
Diante dos impactos observados, desacelerar não é um luxo — é reconectar-se ao ritmo natural da vida. Ao longo deste texto, discutiu-se como a escuta ativa e a valorização da simplicidade podem restaurar o equilíbrio emocional e o bem-estar mental. Por isso, é essencial refletir sobre os hábitos cotidianos e cultivar conscientemente a calma interior, a fim de reduzir as distrações proporcionadas pelo supérfluo e intensificar o foco naquilo que realmente nutre a nossa essência.
ERA
Como se fosse hoje, minha mãe partiu
Num treze de maio que o Maio sentiu
Como se fosse a mãe dele a fugir
Para outro maio de sentir
Como ele sentiu.
Era Fátima no altar do mundo
Era esse o mundo de minha mãe
Deixando os que amava em horror profundo
E a Fatinha dela, pequenina, também.
Era o desabar de vidas coloridas
Entre flores vivas, vividas
E num relâmpago destruídas
Por um raio de vidas partidas.
Era, como se fosse hoje, treze de um maio
De há quarenta e cinco idos, falidos
Nos gemidos de minha moribunda mãe
Ao ir-se sem o primogénito ver...
Meu Deus, que razão de sofrer !?
Que castigos!
Só depois de tu ires, ó Cristo é que foi a tua mãe!
Eu que tanto queria partir em vez da minha
Choro agora e sempre, pela manhãzinha
A dor que só sente quem a não tem...
SENTIR SEM TI
Senti em mim
Até que enfim,
Que o dia
Quando nascia,
Era já noite para mim.
E assim, em sinfonia,
Se o fosse, eu completaria
O ciclo atroz da morte,
Que de outra sorte
Numa centelha de luz
Que mesmo apagada,
Reluz
Na madrugada,
Momento de enganar a morte,
Eu escolheria.
E daria
As voltas à vil tosa,
Engenhosa,
Manhosa,
Fantasiosa,
Folclórica
Esclerótica.
Essa feia patuta
Bruta
Infiel
Cruel
E já em desnorte.
Viva a vida
Morte, à morte!
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 19-08-2022)
I N V E N Ç Ã O
Fui eu que inventei o amor,
Mesmo sem saber se era dor
Aquele ardor que se sente
Logo que se pronuncia
A palavra amor.
Senti-lo, é bem pior
Do que praticá-lo?
Eu sei lá!
Só sei que o amor
É uma coisa
Que quase deixaram
De pronunciar
Com medo do bicho amor.
Afinal, não fui eu
Que inventei o amor
E jamais
O inventarei.
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 01-09-2022)
DE QUEM É O MUNDO
Este mundo que nas suas fundações
Era de todos e de ninguém;
Não havia donos da terra
Nem reis, ministros, barões,
Só mesmo o mistério que encerra
E a finisterra detém?
Tomaram rédea da terra e das águas
Por força de mortais ações
De roubos, pilhagens e grilhões,
Em submissões de choros de mágoas.
De quem é o mundo?
Agora, é de quem mais roubou
E antes deles e dos outros e mais,
Heranças malditas, infernais,
Cheiro a sangue de quem tombou.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 03-10-2022)
Evita dizer não, sem primeiro confirmar se era essa a tua real vontade e o sentido verdadeiro da tua resposta.
E L E
Era ele, de canastro robusto,
Sempre o foi, mas de cintura fina,
Calçava no pé, com perna de menina,
Quarenta a quarenta e um de justo.
Isto, é história dos anos de fusto:
Forte, baixote e de rosto sisudo,
Cantando e declamando poetas de rudo,
Mas moço bom de ímpeto augusto.
Poeta, por favores e epítetos tais,
Em recriações de fugidios tempos,
Tornados tormentos de amores reais.
Pouco desfrutou ele de galais eventos
Com luzes malignas, de cores fatais:
Por ser amante do escuro dos mortais.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 08-01-2023)
A BORBOLETA
Era branca,
Com uma mescla de cinzento
E voava
Voluptuava,
Como um balão ao vento.
Poisou ela
Numa flor amarela
E ali se demorou
E extasiou,
A beijá-la.
A flor, então corou
Parecia-me até que tombou,
Mas não.
Era a flor então
Que beijou também
A branca borboleta
Com uma mescla de cinzento,
Mas, eis que surge um senão:
Soprou forte o vento,
Eu estava a ver, porém
A borboleta voou
E poisou
Numa flor branca
E não gostou.
E voou, voou...
Eu também poiso só
Em flores que gosto,
Para não sofrer o desgosto
De meter dó.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 28-02-2023)
