Era
Na era cristão Jesus mandou oferecer a outra face, atualmente nem precisa, a violência generalizou-se, banalizou-se de tal forma que a outra face foi esquecida.
Cada parte de mim me avisava que era você e a partir de agora não haveria mais ninguém. Você, que creio eu, esteve em todas minhas vidas, e continuara nelas por toda eternidade.
eu tenho saudades dos velhos tempo. Quando tudo era nada, amor era só uma história mal contada, os sábios viviam na esperança de serem lembrados, enquanto eu esperava por um minuto de paz, guerras se aprofundaram na minha visão, mesmo assim naquele pedaço de mundo, fiquei sem saber o que fazer e sem o que esquecer. Esquecer, só saber seu eu. Só tentar não se perder e ali sempre viver.
Então eu banquei o sincero e te disse que o que me sufocava era essa demora, esse seu medo de iniciar o que já havia começado.
Havia um pouco da gente em cada canto. Havia a gente. Era tanto, que eu não sabia distinguir você de mim.
Daí depois veio com aquele papo que eu apareci na hora errada, que eu era especial demais, que não queria me fazer sofrer. Mal sabia que eu já havia me entregado tanto, e que, a essa altura, não tinha mais volta.
E era quando estavam juntos que todos desconfiavam que aquilo era mais do que amizade. Todo mundo via uma química explícita e absurda naqueles dois. No toque, nos gostos, no abraço, no olhar. Os dois sabiam que era amor, mas cansaram fácil de tentar entender o motivo de não dar certo. Teve uma vez que, juntinhos e a sós, um deles fechou os olhos, para depois abri-los devagarzinho, na esperança que houvesse um beijo doce. Mas não tinha acontecido nada. Parecia que nunca iria acontecer. Alguém precisava urgentemente tomar atitude.
Quando era jovem, de manhã alegrava-me, de noite chorava; hoje sou mais velho, começo duvidoso meu dia, mas sagrado e sereno é o seu fim.
"Não, não era amor, era mais uma atração. Não, também não era amizade, muito menos desejo. Era algo intitulável. Algo sem nome. Provavelmente, sem vida. Não deixei de acreditar um só nanosegundo que aquilo poderia ser. Eu poderia ter desistido, poderia ter sido levada a loucura, mas não o fiz. Simplesmente deixei rolar. Aquele sentimento sem nome, cujo somente eu sentia, cujo somente eu entendia. Tentei várias vezes acalmar minha mente turbinada de sonhos com ele (lê-se aqui o nome da pessoa amada), mas enfim desisti. Resolvi traçar outro significado para viver, outro significado para esse sentimento, que de um nanosegundo para o outro se tornou apenas ódio. Ódio. Rancor. Injúria. Tristeza. E um misto de qualquer coisa. Finalmente sentia-me leve, livre e solta de qualquer sentimento sem nome."
Quero a cantiga da infância onde a roda era gigante e se brincava de mãos dadas. A corrida era de pega, juntos todos se escondiam e os olhos se vendavam por pura fantasia.
PARTIDA
te amar era tudo que eu sabia
era tudo, tudo que eu queria
você era a bela
a doce primavera
o eixo da esfera
que movimentava minha sensatez.
Era o perianto
da alva o manto
e te amei de vez.
Te amar era o meu primeiro objetivo
te amar era o primeiro plano
e alvejado fui
saí, telegrafei
ao dizer que sim
disse te amarei
ardia em mim uma brasa
embora não tendo asa
eu então voei.
Te amar era ter um tesouro
um cantil em um deserto
te amar era estar ausente
contudo estar sempre perto
te amar era um presente
era um provar de um beijo
transcendentemente.
Então o tempo voou
ensinamos e aprendemos
e a idade nos ganhou
e por fim envelhecemos
tivemos dores e risos
e até outro paraíso
nós então nos amaremos.
Lembro-me bem de como era agradável receber o carinho daquela chuva de inverno num lugar distante daqui,onde o essencial era muito e o desagradável quase não existia.
Lugar esse onde a chuva só refrescava a face de quem a beijava.recordo-me também,de pintar sua face e te olhar com olhos de ternura por tudo de bom que aquela chuva representava pra mim e que hoje não a vejo como antes,pois ela estiou violentamente sem deixar rastros de seus pingos que me fazia tão feliz...
Não era o amor, era a falta dele. Não era a presença, era a ausência. E me perguntavam o motivo de tantos sorrisos, e eu os deixava pensar o que quisessem, quando na verdade o que eu tinha era um excesso de orgulho. E eu tentava me convencer de que ele nem era tão bom assim, e que logo logo passaria. Eu o amava, mas só de vez em quando. E eu gritava pra Deus e o mundo ouvir sobre como eu estava bem e feliz sem ele, quando na verdade, era dele que eu precisava. É orgulho. Ele volta, ele volta.
Hora eu queria uma vida normal, outrora notei que com minha anormalidade, o possível era tudo aquilo que para os outros era impossível. E então gostei, fiquei.
