Epígrafes de Direito Tributário
A máquina pode herdar os dados do passado; o Direito deve proteger a humanidade de herdar suas injustiças.
A tecnologia aproximou os corpos, mas o Direito ainda procura uma linguagem para proteger as distâncias da alma.
O Direito protege a pessoa contra a violência dos outros; no mundo digital, terá também de protegê-la contra a violência da própria ausência.
O algoritmo conhece nossos hábitos; o Direito ainda precisa aprender a reconhecer nossas fragilidades.
O Direito do futuro não protegerá apenas aquilo que fazemos na rede, mas também aquilo que a rede aprende sobre nós quando não fazemos nada.
O direito à intimidade será cada vez menos o direito de esconder segredos e cada vez mais o direito de conservar partes de si que nenhuma máquina deveria conhecer.
O Direito protege a dignidade porque nenhuma pessoa deveria precisar provar seu valor para merecer proteção.
O direito à desconexão não é o direito de desaparecer; é o direito de continuar sendo alguém quando deixamos de aparecer.
O algoritmo pode reconhecer padrões em milhões de pessoas; somente o Direito pode insistir que nenhuma delas seja reduzida ao padrão que a descreve.
Na era da hiperconexão, proteger a intimidade é proteger o direito de não ser permanentemente observado pela própria sociedade.
O Direito não deve perguntar apenas quem controla os dados, mas quem controla a narrativa que os dados constroem sobre uma pessoa.
O Direito será chamado a proteger não apenas nossos dados, mas o direito de não sermos definidos por eles.
O Direito do futuro terá de defender uma verdade antiga: nenhuma tecnologia será suficientemente humana se não souber respeitar a solidão humana.
A primeira vítima de um Direito subordinado ao poder não é a liberdade: é a confiança na própria ideia de justiça.
