Enterro
Em seu mais belo jardim que enterro meu cadáver
para que nasças novamente.. e aprecie a minha carne...
Calma
Mergulhei numa calma esquálida,
muda,
inodora,
insossa,
pálida...
No enterro dos sentidos,
vi espectros de sonhos perdidos,
pilhados,
massacrados,
arruinados,
esquecidos...
Com o féretro das emoções, cerrou-se o dom.
Morreu o ruim e morreu o bom.
À escuridão perdeu-se o tom.
E o silêncio trouxe o som,
o gemido,
o grito,
o apito
ultrassônico
da criança
reprimida.
CADÁVER 3 (B.A.S)
Não há caminhão de mudança
em enterro, nem gaveta em caixão.
Mas o que você dá com generosidade
é como uma semente bendita que multiplica
e pode alimentar muitos outros...
Conheci um homem muito rico
Que no dia do seu enterro
Vestia um terno fino
Seu esquife de madeira trabalhada
E de flores pela beirada
Conheci um homem muito pobre
Que no dia do seu enterro
Uns trapos lhe cobriam
Seu caixão estava mais para um caixote
E nas beiradas muita gente
Chorando sua morte
Depois de alguns dias
Não se via diferença
Da terra que os cobria
Diferença talvez
Só além do que meus olhos viam
Caixão ou caixote
Pro verme não se conta
Nem a sorte
minhas raízes
são tão profundas
que enterro-me
em seu peito
sangra
dilacera
rasga
todo amor
desfeito
pega de jeito
ninguém
é perfeito
o ar rarefeito
sufoca
aperta
os defeitos
mesmo assim
eu aceito
sem preconceito
o motivo
da dor
me causou um efeito
o laço é estreito
vira nó na garganta
por tudo malfeito
que um dia foi
tudo é suspeito
até o amor
dar um jeito
de nascer de novo
no peito
feito esperança
e por questão
de respeito
sair satisfeito
com a doce lembrança!!!
No dia do meu Enterro -
No dia do meu enterro
quero que os sinos se calem
minha vida é um erro
não quero que a dobrem.
No dia do meu enterro
quero silêncio na rua
na verdade que encerro
minh'Alma irá nua.
No dia do meu enterro
não quero luto nem pranto,
quero a morte, primeiro,
só depois algum canto.
No dia do meu enterro
irá meu corpo a passar
e nesse instante certeiro
minh'Alma a voar.
Não deveriam existir caixões tão pequenos para sentimentos tão vastos. E no entanto, enterro um amor por dia, esperando que, em algum deles, eu também me enterre junto.
Tem dias em que tudo me cansa. Então, eu deixo de existir e, em silêncio, me enterro dentro de mim.
"Haverá mais pessoas no seu enterro do que no seu aniversário,porque as pessoas preferem te ver morto do que te ver feliz"
No dia 29 do mesmo mês a 3 anos atrás eu estava engolindo o choro este horário antes do seu enterro, de lá até aqui vejo o quanto tudo mudou para melhor mas se torna insignificante sem você por perto.
Dinheiro algum compra a felicidade que se vai quando alguém que amamos parte e isso que é foda, se isso fosse possível me tornaria o homem mais rico do mundo para poder te ter aqui mais uma vez.
Infelizmente não é assim que a vida funciona, espero que o céu que a senhora acreditava realmente exista, assim você estar em um lugar muito melhor mas infelizmente este não vai ser meu destino final... Fui um prisioneiro da esperança até meu último suspiro que me fazia acreditar em algo melhor, mas hoje já não acredito que ainda vamos nos reencontrar em um lugar feito por um deus que muitos acreditam.
.... A primeira vez que ele achou que Lua queria comê-lo foi em seu próprio enterro. Não no seu enterro definitivo. É que, no meio do choro da viúva, em pleno velório, ele – o defunto – acordou de mais um dos seus ataques catalépticos. Adiou a morte, portanto. Não é preciso dizer que foi um Deus nos acuda! O morto voltava ao mundo dos vivos! Depois um doutor de gaveta declarou, para a rádio local, que um ataque cataléptico não era coisa assim tão rara. Podia ser novidade lá – pr’aquela “gentinha de interior”... – De qualquer maneira, o “Seu Dino” ficou conhecido no lugarejo. Não é sempre que se tem notícia de um ataque daqueles, cata-o-quê, mesmo? Enfim! Não é todo dia que um vizinho nosso, da mesma cidadezinha no interior, morre e depois volta à vida
[trecho inicial do conto 'Chiclete de Lua', publicado pela revista Desenredos, Ano III, nº10, 2011]
http://desenredos.com.br/10prs_dassuncao_295.html
Eu prometo! Vou pensar seriamente em ir ao enterro de todos aqueles que eu pensava serem amigos, e que não foram ao meu.
Amigos
Meu enterro, estranho...
está cheio de amigos, parentes, pessoas que nem conheci em vida. As pessoas comentam o quão triste é alguém ainda jovem partir. Choro pra todo lado, aos montes. Alguns dizem lamentar por não poderem se despedir. Como a morte é rasteira, não é...?! Andamos juntos, bebemos e comemos juntos. Íamos à casa uns dos outros, fartura... Na igreja, falávamos a mesma língua, o amor de uns para os outros, e Deus? Era nosso elo... éramos filhos Dele e nos amávamos. Lembro-me de que trabalhamos longos anos juntos, carregamos os mesmos fardos e batíamos nos ombros uns dos outros, parceiros eternos, empatia! Em algumas festas que fizemos juntos, a alegria era contagiante. Também...bebíamos do mesmo cálice e a bebida dáva-nos um ar de imortalidade, e, detalhe, estávamos rodeados de gente alegre e satisfeitas por serem amigas...mas, como tudo na vida, a gente passa. Agora estou aqui deitado, sem vida, sem sinal de alegria, sem nada. Todavia tenho aqui amigos, que durante a vida andaram comigo em vários momentos, nunca largaram minha mão. Não me sinto só, agora. Apenas sinto falta, aqui, daqueles que, estando eu triste, com pouca grana e com a cabeça atribulada, não estiveram comigo e eu sentia essa ausência. Quando estive doente, nem souberam; minhas ligações e recadinhos nas redes, mal liam; o tempo era curto, o trabalho é pesado, dá pra entender. Alguns nem lembravam mais de mim, acontece. Espera! Opa, vejo alguns deles aqui também, se lembraram, que legal! Melhor estar no enterro, né?! Alguns podem comentar que não vieram, não pegaria bem. "Que amigo é esse?!", diriam.
Obrigado, queridos, por não me abandonarem nesse momento tão importante para mim. Não me sinto mais só!
