Enquanto
Há pessoas que não nos matam quando partem; apenas nos deixam esquecidos no tempo. Enquanto esperamos um retorno que nunca virá, vamos enferrujando em silêncio, como um velho portão que ainda acredita ouvir os passos de quem já escolheu outro caminho.
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Na quarentena, a gente percebe que enquanto algumas flores necessitam ser regadas todos os dias, senão murcham, outras flores não precisam ser irrigadas e dão flores o ano inteiro.
A língua é como um rio que se renova, enquanto a gramática normativa é como a água do igapó, que envelhece, não gera vida nova a não ser que venham as inundações.
"Enquanto o futebol valer mais que os filhos, a família adoece e a política do pão e circo se eterniza."
"Enquanto lutamos para vestir a infância com as sapatilhas do balé e as chuteiras do futebol, a negligência insiste em empurrá-la para o balcão do vício. Salvar o futuro de duas crianças tem sido uma batalha diária contra o ambiente que as destrói."
oceano muito pacifico
Na cidade existia um mergulhador conhecido por um hábito incomum. Enquanto todos desciam ao oceano em busca de destroços, joias perdidas ou animais raros, ele voltava dizendo sempre a mesma coisa.
“Lá embaixo é silencioso demais para existir mentira.”
Ninguém entendia.
Os pescadores riam, os turistas fotografavam suas roupas encharcadas e os cientistas atribuíam aquilo aos muitos anos respirando ar comprimido. Diziam que a pressão confundia o cérebro. Que profundidade demais acabava alterando a percepção. Era uma explicação confortável, porque explicações confortáveis impedem que alguém precise mudar a maneira como enxerga o mundo.
Certa manhã, ele aceitou levar um rapaz que insistia em descobrir o motivo daquela frase.
Os dois mergulharam.
Quanto mais o sol desaparecia acima deles, mais o oceano parecia apagar qualquer vestígio da superfície. As cores deixavam de existir, os sons desapareciam, os objetos perdiam seus contornos e, pela primeira vez, o rapaz percebeu uma sensação estranha: ninguém ali embaixo precisava fingir ser coisa alguma.
Os peixes não pareciam felizes.
Também não pareciam tristes.
Eles simplesmente atravessavam a água.
As correntes não escolhiam direção por convicção. As baleias não cantavam porque alguém as escutaria. Nem os corais cresciam tentando provar que eram bonitos.
Tudo apenas acontecia.
Quando voltaram à superfície, o rapaz permaneceu em silêncio durante horas.
Foi então que o mergulhador sorriu pela primeira vez.
“Agora olha para eles.”
Na praia, centenas de pessoas caminhavam de um lado para o outro. Algumas escondiam lágrimas atrás de óculos escuros. Outras sorriam para fotografias que seriam esquecidas na semana seguinte. Casais prometiam eternidade enquanto pensavam em outras vidas. Crianças fingiam ser adultas. Adultos fingiam saber o que estavam fazendo. Todos carregavam uma versão cuidadosamente construída de si mesmos, como atores que esqueceram onde termina o personagem e começa o rosto.
O rapaz perguntou por que aquilo parecia tão diferente do fundo do mar.
O mergulhador respondeu que a superfície era o único lugar onde a realidade precisava competir com a imaginação.
“Lá embaixo, ninguém inventa significado. Aqui em cima, inventam tantos que acabam esquecendo de viver.”
Naquela noite, o rapaz não conseguiu dormir.
Olhava para o teto do quarto enquanto escutava a própria mente produzir pensamentos sem parar. Ela comentava o passado, ensaiava diálogos que jamais aconteceriam, antecipava tragédias improváveis, reinterpretava lembranças até transformá-las em outra coisa. Era como assistir a um homem desesperado tentando narrar um filme que nunca parava de mudar de roteiro.
Pela primeira vez surgiu uma suspeita quase ofensiva.
E se aquela voz não fosse ele?
E se tivesse passado a vida inteira acreditando em um narrador que nunca presenciou os fatos, apenas os interpretou?
Dias depois voltou sozinho ao mar.
Mergulhou até onde a luz deixava de alcançar.
Lá embaixo não havia opiniões.
Não havia culpa.
Não havia arrependimento.
O oceano não fazia perguntas porque não precisava de respostas.
E, cercado por um silêncio tão antigo que parecia existir antes da própria linguagem, ele compreendeu algo que o acompanharia pelo resto da vida.
A mente nunca foi uma janela para a realidade.
Ela é uma máquina de fabricar versões.
Algumas belas.
Outras insuportáveis.
Quase todas falsas.
Talvez seja por isso que tanta gente viva com a sensação de estar perdida. Não porque o caminho desapareceu, mas porque aprendeu a procurar a saída dentro do único lugar incapaz de oferecê-la.
Enquanto isso, o mar continua exatamente onde sempre esteve.
Profundo.
Indiferente.
Sem nenhuma necessidade de explicar a própria existência.
Como se soubesse, desde o princípio, que as únicas criaturas realmente perdidas nunca foram as que afundaram.
Foram as que passaram a vida inteira tentando encontrar a própria mente, sem perceber que ela era justamente o lugar de onde precisavam sair.
Aquele dia ele morreu afogado, mas na verdade nem precisou sair do próprio quarto.
Enquanto eu sonhava!
Se for um sonho,
deixem-me sonhar.
Não me acordem,
não me despertem.
Deixem-me acreditar
que, enfim,
encontrei o paraíso
onde minha alma aprendeu a descansar.
Há um lugar
onde o tempo esqueceu de passar,
onde o silêncio tem cheiro de mar
e a paz não faz perguntas,
apenas convida a ficar.
Nesse horizonte,
cabelos da cor do sol
tocam a luz sem pedir licença,
como se o próprio amanhecer
tivesse encontrado um rosto
para nascer.
E há um sorriso...
tão discreto
que o mundo quase não percebe,
mas quem aprende a olhar
o guarda para sempre.
Sonhei com o paraíso.
E havia alguém.
Não sei se era destino,
miragem,
lembrança de um futuro
ou um desejo
que se cansou de viver apenas em silêncio.
Só sei
que desde esse sonho
a realidade parece pequena demais
para conter o que senti.
Tenho medo de despertar.
Medo de abrir os olhos
e perder o caminho
que me leva até você.
Medo de que a manhã,
tão certa de si,
leve embora
aquilo que a noite
me confiou em segredo.
Então,
por favor,
não me despertem.
Há sonhos
que não imploram para se tornar realidade.
Basta que existam,
porque existem presenças
que o coração reconhece
antes mesmo de lhes dar um nome.
E, se for preciso viver entre o sono e o amanhecer,
que seja.
Pois, ainda que o mundo me acorde,
uma parte de mim
continuará sonhando...
na esperança silenciosa
de voltar ao lugar
onde o mar aprende o seu nome,
o sol encontra os seus cabelos
e minha alma,
pela primeira vez,
descansa.
Enquanto uns vivem para trabalhar, outros trabalham para viver! É preciso moderação e equidade de condições!
Máximo respeito aos estranhos que sempre interagem com a gente - enquanto os de perto vivem uma competição imaginária.
Enquanto miro no outro,
na reciprocidade alienada da identificação,
o real me atravessa — sem palavra, sem imagem, sem espelho,
escapando pelas frestas do sentido.
De nada valerá a justiça dos homens enquanto existir inconscientes para defender infratores, e de nada valerá nem uma escritura divina enquanto houver homens para absolver pecadores.
Seguiremos valorizando as coisas enquanto tivermos o maior valor de todos: a vida. E quando ela acabar,
ficam apenas as coisas."
"Moedas de mentiras compram multidões num piscar de olhos, enquanto a verdade morre de solidão em um minuto de silêncio."
"Incrível como um segundo de ilusão rende mil curtidas, enquanto um minuto de lucidez rende apenas o vácuo."
"É fascinante ver a verdade murchar em um minuto de solidão, enquanto o circo da farsa incendeia a internet em cinco segundos. Dá vontade de rir, se não desse vontade de chorar."
