Encontro entre Amigos
Entre a Culpa e o Perdão
Caí…
O peso que sinto é insuportável.
A sombra que plantei sem perceber
voltou — fria e silenciosa —
como quem cobra o preço do erro.
Matei meus sonhos,
feri quem me amava,
e me perdi de mim.
A culpa virou meu pesadelo,
um eco no escuro da alma,
e me abraçou… como a morte.
Gritei…
mas só o silêncio respondia.
Chorei até o choro secar…
e ainda assim, doía.
Achei que Deus não me ouviria mais,
que o céu havia fechado pra mim.
Mas foi no chão…
entre a culpa e a morte…
que eu escolhi recomeçar.
Quando todos disseram “não”,
O Pai disse “vem.”
Ele não me cobrou explicações,
não perguntou o que fiz, nem onde estive.
Apenas me olhou —
e o olhar d’Ele…
me trouxe de volta à vida.
A verdade não se anuncia: sussurra entre as fissuras do cotidiano, onde olhos apressados jamais ousam olhar. E quem tenta agarrá-la, seguro de si, descobre que tudo o que se prende escapa, deixando apenas o eco do que nunca pôde ser dito.
O infinito não está nas estrelas que contemplamos, mas no intervalo entre o olhar e o que é olhado; ali, nesse espaço invisível, mora o mistério que une carne e espírito, como se cada respiração fosse um fio sutil ligando o efêmero ao eterno.
Entre o desejo e a realização existe uma ponte frágil chamada esforço, que muitos veem mas poucos se atrevem a atravessar completamente.
Entre a verdade e a ilusão ergue-se uma muralha paradoxal: do lado da ilusão em direção à verdade, ela é densa, áspera, quase intransponível; do lado da verdade em direção à ilusão, é tão sutil e frágil quanto uma bolha de sabão. A consciência que desperta descobre que não é difícil mentir — difícil é sustentar o real sem muletas. Por isso tantos permanecem onde o muro pesa: atravessar exige perder confortos, atravessar exige coragem.
Lealdade não é permanência cega nem fidelidade ao erro; é coerência silenciosa entre palavra, gesto e ausência. Revela-se quando o interesse não vigia, quando não há plateia nem recompensa. O desleal abandona ao primeiro custo; o leal permanece até onde a dignidade permite — e nunca além de si.
Entre os pilares que sustentam a dignidade estão o silêncio e a discrição. Na alegria, silêncio — pois é quando menos se espera que o excesso se volta contra quem o exibe. Na dificuldade ou na ruína, discrição — porque nem todos permanecem diante do que não brilha. Saber calar e saber resguardar-se é preservar o que há de mais íntimo quando o mundo oscila entre o aplauso e o abandono.
Amar foi cronometrado, comprimido entre tarefas, como se coubesse no intervalo entre compromissos. Tornou-se item de agenda, gesto apressado, presença fragmentada. Mas o amor não obedece ao relógio: exige duração, atenção inteira, disponibilidade que não se mede. Quando se tenta encaixá-lo no tempo útil, ele se esvazia — permanece o ato, perde-se o encontro.
Que a vida sempre nos encontre de mãos dadas. Que a conexão entre nossos corações seja mais forte que qualquer distância, que a superação fortaleça nossos laços e que jamais percamos a coragem de seguir juntos, na mesma direção, rumo aos sonhos que escolhemos construir.
A conexão entre duas pessoas não se mede pela ausência de dificuldades, mas pela coragem de permanecer de mãos dadas quando a vida exige superação. É assim que o amor se torna caminho, direção e eternidade.
As relações se constroem entre equilíbrio e desequilíbrio. Fases mudam sem aviso. Quando teu lado na balança é leve, tudo parece bem. Mas, se o outro sente enfatiza o peso maior, o desequilíbrio deixa de ser movimento e se torna desestímulo.
Nem tudo que dói é o fim. Às vezes, é a travessia necessária entre quem fomos e quem estamos nos tornando.
"Silêncio que arde"
Guardo teu nome no espaço
entre um suspiro e outro,
onde a voz não alcança
e o gesto fala mais alto.
Meu peito te reconhece
antes mesmo que eu pense,
mas o mundo exige calma,
exige que eu me esconda.
Então te ofereço o que posso:
um toque breve,
um olhar demorado,
um cuidado que finjo ser acaso.
É assim que te amo —
sem palavra alguma,
mas com tudo que treme
no silêncio das minhas atitudes.
E ainda que eu não diga,
meu coração te chama.
Tu não ouve, talvez,
mas eu sigo cantando baixo.
O maior genocídio da história resulta da guerra entre o natural e o artificial, e o assassino é furtivo e chama-se internet. Perdendo tempo, perdemos vida!
Acho que a grande diferença entre mim e bons escritores é que, apesar de tudo, eles escrevem.
Eu faço muita cerimônia.
vi meu caminho desaparecer
em uma floresta emaranhada, entre muros de arbustos densos e na terra sangrando
meus pés estavam cravados, criaram raízes
e por um momento pude ouvir
as folhas ensinando sua canção
e quis me erguer alto
florescer com elas
conheci as gotas de chuva
que se acumulavam em mim, caíam sob mim
e o vento, frio e desesperado,
me congelou, pesou sobre mim
e por um momento pude tocar
o fim da dor cinzenta
e quis me erguer alto
ver a luz
dizem que o céu é azul acima de nós
cheio de luzes
talvez um dia eu também consiga ver
ver...
e caí à terra, em silêncio
fechei os olhos, selei meu coração
e senti como eu estava me despedaçando
por todas as minhas dores, por toda a minha solidão
e por um momento pude fugir
como uma pena na asa de um pássaro
e fui capaz de me erguer alto
ver a luz
"Entre flechas lançadas ao acaso, Cupido acerta quando menos espera; e a paixão, que parecia confusão, encontra o coração certo e dá certo"
“Enquanto a mente dança entre distrações, o coração descansa das próprias tempestades — porque às vezes, são os pequenos desvios que nos salvam do peso de pensar demais.”
