Em meio a Fumaça
"Os pactos do hipócrita são feitos de fumaça. Como nascem da conveniência e não da verdade, desmoronam ao primeiro sopro da realidade."
Desistir de você nunca foi um plano meu, mas ver o nosso 'nós' virar fumaça nas suas mãos foi a despedida mais dolorosa que já vivi.
O carinho limpo assusta quem só sabe respirar a fumaça da humilhação; por isso, você corre de volta para o incêndio que te consome todos os dias.
Arquitetura da Alma
Não sigo trilhas feitas de fumaça,
nem busco o eco de aplausos vazios;
minha jornada tem o peso da graça,
da fé que molda os meus próprios caminhos.
Cada degrau foi ganho com suor,
no plantio firme de quem sabe o que faz;
minha colheita tem um brilho maior,
pois traz na essência o silêncio que traz.
Minhas raízes se fincam no afeto,
no riso claro que aquece o meu lar;
ser fortaleza é proteger este teto
e ter a mão sempre pronta a ajudar.
Quem vive de cópias não lê os bastidores,
não entende a força de quem se construiu;
sigo blindada, colhendo as minhas flores,
na melodia mais linda que a alma sentiu.
Ascendo um cigarro e, a memória da noite passada parece se reproduzir na fumaça.
O cheiro dela... Se desfaz na lembrança de sua pele fresca junto ao aroma suave de alfazema que sinto nos lençóis.
A cada trago, lembro-me de seus beijos com sabor frutal do batom vermelho rubi. Parece que sinto a maciez dos teus lábios na minha pele.
Cinzeiro, cinzas e pontas de cigarro. Lembranças da cama desfeita, dos nossos corpos largados e exaustos de tanto fazer amor só por amar...
Meus pensamentos inquietantes são labirintos de fumaça, torres que se erguem em noites sem fim. Nunca dormem, nem se calam, e a tormenta que me acompanha é um vigia de cristal, refletindo em seus prismas cada medo que ouso sentir, cada memória que se recusa a morrer.
Crescer foi levando cada um pra um lugar
Sem avisar que um dia tudo ia mudar
Uns viraram fumaça no vento da cidade
Outros ficaram presos na própria realidade
ISSO NÃO TEM PREÇO NÃO
Lembro da casa de taipa,
do terreiro e do fogão;
da fumaça da lenha acesa,
do café no bule, então.
Era pouco na despensa,
mas sobrava coração.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
O cuscuz com manteiguinha,
a tapioca no fogão,
o leite ainda morninho,
tirado da vaca à mão;
quem provou esses sabores
guarda eterna gratidão.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Banho de chuva na rua,
mergulho limpo no ribeirão;
cada gota era brinquedo,
cada riso uma canção.
A natureza era mestra
da mais bela educação.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Pipa riscando o infinito,
bola de meia no chão,
pião rodando na areia,
bila na palma da mão.
A infância era rainha
sem conhecer ambição.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
A bênção aos mais antigos
era gesto de afeição;
o respeito era riqueza,
não pesava obrigação.
Hoje ainda vale ouro
quem cultiva essa lição.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
O vizinho era da casa,
compadre era um irmão;
bastava um aperto de mão
para selar obrigação.
A palavra tinha força
mais que firma em cartório, então.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
As férias na casa do tio,
rede armada no alpendre, então;
manga madura no pé,
açude cheio no verão.
Cada lembrança dessas
vive firme no coração.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Hoje mudou muita coisa,
veio a modernização;
tem progresso e tecnologia,
facilitando a missão.
Mas o abraço continua
sendo a melhor conexão.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Ainda existe quem conserve
a fé na oração,
o café servido à visita,
o sorriso e a gratidão.
Enquanto houver gente assim,
há esperança na nação.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Não condeno o tempo novo,
nem rejeito a inovação;
só não deixo que o dinheiro
compre minha tradição.
Há riquezas que o mercado
nunca vende em promoção.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Quem mede tudo em moedas
desconhece a verdadeira razão;
há tesouros invisíveis
guardados no coração.
São lembranças, fé e amizade,
a mais valiosa coleção.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
Se um dia eu partir da vida
com pequena condição,
levarei a maior fortuna:
amor, paz e gratidão.
Pois quem viveu essas riquezas
jamais conheceu pobreza, não.
Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.
E se eu passar pelo fogo, não temerei
Na Tua fumaça de Glória eu entrarei
Longe do Santo dos Santos não sei mais viver
Quem já pisou no Santo dos Santos
Em outro lugar não sabe viver
E onde estiver, clamar pela Glória
A Glória de Deus
Cuidado pra não piorar a sua situação. O que você pensa ser a solução, é na verdade, a fumaça do seu próprio incêndio.
E muito pouco ou quase nada adianta me esconder na noite, nos risos, na fumaça do cigarro, até mesmo, dentro de um copo; Quando tudo isso ressoa, ainda mais o Eco do meu choro.
Ainda forçamos, entre tampouco verde, o fogo e a fumaça. Damos, às efêmeras coisas, tanto valor que acabamos por desvalorizar nossa raça. Insistimos, entre tanta dor e sofrimento, nas vinganças sem importância. Descobrimos, através da humilhação, o prazer que o poder nos traz. Transformamos milhões de vidas neutras e tranquilas em terríveis altos e baixos de economia. Matamos, como prova de superioridade, à cada vez que as coisas não saem como planejamos. Trabalhamos com a mente alheia, manipulamos para obter resultados que nos favorecem. Criamos, torturamos e machucamos almas todos os dias e sem fazer por merecer ainda esperamos que nosso dia seguinte seja melhor.
Enquanto escrevo queimo os sentimentos no papel e ao subir da fumaça se percebe, às vezes sim, às vezes não, o descer duma lágrima.
Por onde andei
De que cor é essa nuvem de fumaça
que cobre minha sanidade?
por onde estive todos esses dias?
um gemido colorido de alucinações
viagem de príncipes e reis,
por onde andei?
Eu posso sentir o gosto do grito,
a cor vermelha dos sentidos,
os sons amarelos pálidos
dos suspiros envolvidos,
a cicuta que eu procurei,
por onde andei?
Pesadelos de doçura
tentam invadir minha lucidez,
entre gritos e bloqueios
preciso lutar
combatendo essa embriaguez,
por onde andei?
O amargo gosto da tentação
aprisiona o ébrio
perdido e cálido
projeto de coração,
perfurando os poucos
e derradeiros traços de razão.
Por onde andei?
esse caminho torto
de uma floresta que não leva a lugar algum,
onde a fumaça entorpece
o mais saudável e resistente
de todos os sentidos.
Onde cheguei?
O Mithril vulnerável
quase se parte sentimental
e flácido ao chão,
peso da alucinação,
por onde andei?
Me leve de volta!
Jack D!
Me tire daqui!
essas correntes
coloridas fosforescentes
não combinam com minhas botas!
Pegue meus amigos,
livre-se desses gemidos,
me leve de volta!
não preciso desse pulsar escarlate,
depressa! Me dê de volta
as minhas botas de combate...
... o velho guerreiro levanta da toca,
não existe um cinzel chamado derrota,
não será, nunca serei,
por onde andei?
Em dias amargos sinto falta de fumar.
Sinto falta de ter um cigarro entre os dedos, da fumaça, dos meus brônquios entrarem em agonia e daquela felicidade instantânea que passa por mim à cada tragada que dou.
