Ele
O amor é algo inexplicável
Não devia ter esse nome
Não se nomina o inominável
Quando ele é lindo como a dança
inocente igual a criança
e mais forte e mais envolvente
que a própria fome
Ninguém o entende
Por mais que o estude
Ninguém o aprende
Quem tenta, se ilude
Ninguém o inventa
Ele simplesmente existe
E quem o conheçe
dele jamais se cansa
Porém está tão distante
Que o voo do condor
Não o alcança
O amor é algo indizível
Como um dia disse o Poeta
Ele te leva do Alfa ao Ômega
Sem ao menos passar pelo Beta
Irreversível
Como a vida que brota
Em qualquer embrião
Insubstituível
Ninguém o copia
Ninguém o arquiteta
Ninguém nem ao menos o mente
A gente apenas o sente
E quando o perde
A gente simplesmente
Senta e chora
Perder um amor
É uma dor que não passa
e nem melhora
E quando a gente o sente
Tudo piora
E não troca essa dor
Por coisa alguma
Ele é amor
É uma dor que te faz rir
E que você se acostuma a sentir.
Numa hora você achava
que ainda havia tempo
não percebia que ele passava
o tempo corria
correu dia-a-dia
as decisões que hoje adia
haverão de cobrar-te um dia
perdendo tempo sem conta
não vê que a vida desmonta
nenhum dia na vida volta
o tempo passa, você se revolta
e reclama que a hora não chega
perde a hora, perde tempo, perde a chance
chega no lugar antes da hora
e reclama que o tempo demora
ainda há tempo...
não tenho mais tempo
acho que não vai dar tempo
tempo amigo, me dê mais tempo
e o tempo passou
que é que faço agora
agora que o tempo acabou?
Ele quis brincar com a vida
Ele quis jogar com o tempo
E, tentando enganar o mundo
Lançou seus dados redondos
Sem sorte, que tarde trágica
contou com as cartas
e mágica
Deparou-se, de repente
Com a morte
Frente a frente
Mas o que a morte não sabia
Era que o tolo não sentia
Nenhum medo ao contemplar
Sua imagem, tão sombria
Na tarde daquele dia
Confundia uma inútil coragem
com vaga sabedoria
Ele quis brincar com a morte
Ele quis jogar com a sorte
Quis impressionar o Mundo
E chutou sua bola quadrada
Tolo esporte, que tarde trágica!
O destino, sem espírito esportivo
Não perdeu a chance
Já que alguém lhe deu motivo
Tirando do bolso a ampulheta
constatou que seu tempo cessara
E a tarde, no campo da vida
Recolheu-lhe
A alma atrevida
O trêm partiu
e mesmo sabendo
que o caminho
já esta traçado
você nunca esteve lá
Ele voltou vazio
Voce embarcou
e agora sente frio
o mesmo frio
do qual fugia
vai guardando a paisagem
na retina
Colinas, campos,
chuva fina
dias de Sol
e tempestades
Ontem era muito cedo
hoje é tarde
Se a viagem
apenas te sujasse
estaria tudo bem
Mas o tempo
a tudo encarde
Não há retina que guarde
tantas paragens
pode até parecer muito
mas é uma só viagem
é uma estrada só
onde você embarca,
viaja, deseja, teme, treme, geme,
espera, desespera, dança e se cansa
só.
Deus não deu-me um coração
Doou-me um novelo de lã
Talvez amanhã
Ele Mude
Me ajude a entender o sentido
de ter perdido o remo desse barco
que segue e navega sem rumo
Eu tento, mas não me acostumo
Nem mesmo a força destas águas
Podem manter no Prumo
O fio de lã orienta-me o Norte
Mesmo assim, não há porquê
Como um rio
A vida me leva, ao sabor da Sorte
Qual Teseu sem labirinto
Por não ter um coração
Não entendo a razão
Desta aflição que me vem
E este medo exauriente
Existente em meu novelo
Que pulsa sem ninguém
Qual fosse uma pedra de gelo
Gelo quente
Em água corrente
Coisa que existe
Sem razão
Novelo de gelo
Que segue
Prossegue
e me impele
A fingir que ainda sou gente
Todo dia
de Manhã
Ele saiu de casa
Antes mesmo que o Sol nascesse
E nesse afã de conhecer a vida
Queria vivê-la toda e à toda
Depressa, antes que acabasse o dia
Mas ao poucos foi descobrindo
Que o mais lindo, em toda ela
É adquirir o poder
de enxergar beleza
Em coisas que a maioria
despreza e não acha bela
Aprendeu a importância
de esquivar-se
Dos olhos que o espreitavam das janelas
Que a mentira e a verdade
Às vezes vêm de mão dadas
Teve sempre o cuidado
De não passar por sob escadas
Aprendeu o valor
Que pode ter um tostão
E a falta absoluta de teor
Que pode haver em Um Milhão
O mal e o bem
São questões pura e simplesmente
Variáveis;
Depende sempre
de onde a gente está quando olha
Aprendeu que não há como explicar
Um dia, a chuva vêm e molha
Por absoluta falta de escolha
Todo Mundo acaba compreendendo
Aquilo que todos olhavam
E ninguém estava vendo.
O tempo mostra, ensina...
Ele agrega, transforma,
Adiciona, subtrai e multiplica.
O tempo tem inúmeras utilidades,
Leva os anseios e pode trazer saudade.
O tempo não para, mas às vezes é lento,
haverá momentos, que ele se mostrará veloz.
O tempo nos faz vencedores e outras vezes algoz (carrasco).
O tempo não volta...
Às vezes passa tão rápido que nem se nota.
O mesmo tempo que traz, é mesmo tempo que tudo leva,
É maré, correnteza, valioso como flor na primavera.
O tempo mostra o que cada um é capaz, e tem a oferecer
Confie no tempo e deixe seus planos com ele amadurecer.
O tempo é exato e justo, todos tem a mesma porção,
Aproveite cada pedacinho mas com moderação.
O tempo não mente, não engana, por isso o tempo é tão precioso,
Aproveite porque nem sempre o tempo é generoso.
O tempo é um livro, o aproveite estude-o para aprimorar os seus talentos
É dando tempo ao tempo que lhe terá a visibilidade e o seu reconhecimento,
Não espere resultados do passado porque viver é simplesmente viver,
Esse é o único regulamento...
"Quando um fruto cai da árvore que o gerou e apodrece no solo,
ele se transforma em fertilizante,
nutrindo as raízes da própria árvore que o criou.
Mas ele deixa também suas sementes,
que podem se tornar novas árvores,
dando origem a centenas de novos frutos.
Assim, o ciclo se renova,
provando que até o que parece fim
é apenas o começo de algo maior.
Essa é a essência da ressignificação."
Eu tenho um pé de acerola no quintal. Todo dia ele amanhece carregado, eu vou lá e colho o máximo que posso. Amanhã vai estar cheio de novo. No dia que eu me cansar e parar de colher, ele vai parar de amanhecer carregado. As coisas são desse jeito.
Eu conheço um mendigo chamado João. Sempre que o vejo eu converso com ele. Se eu lhe oferecer alguma coisa, ele aceita. Se eu não oferecer, ele não pede nada. Ele é mendigo há muitos anos e me contou que no início usava a voz pra mendigar as coisas na rua. Um dia ele percebeu que as pessoas não estão tão preocupadas umas com as outras como dizem estar. Então ele se cansou de acreditar e parou de mendigar. Continua mendigo, mas só pra si mesmo, pois compreendeu, após a passagem de anos, que a vida o esqueceu no dia que ele se esqueceu da vida. As coisas são da maneira que são.
Edson Ricardo Paiva.
Eu peço ao dia de hoje
Que ele esteja vivo
E seja livre como o pássaro
Que fugiu quando eu abri a porta
E que se a vida pudesse
Ser ao menos boa
e deliberadamente linda
Qual canto do grilo
Cantando pra Lua
Antes que finde a madrugada
E que a Lua empalideça
Grilada dos pés à cabeça
Carente daquela beleza
Que mata a gente de saudade
Mas que à luz da verdade
O morrer por saudade
Nâo seja morte que vem à toa
E quando a chuva cair
Ela jamais impeça
Que a gente peça ao dia
A presença
do pássaro que voa
Nem das flores
Que a chuva planta
Na beira das estradas
Que se percorre
durante o correr da vida
E se a vida puder ser assim
Não peço ao dia mais nada.
Edson Ricardo Paiva.
Sobre o Sol que nos encobre
Hoje eu queria saber
Que será que ele sabia
Estarmos nós aqui
Ou será que ele só alumia
Sem sequer imaginar
Sobre a poesia que nos inspira
A luz derramada
Por sobre os nossos dias
Os caminhos da vida
E os desalinhos das trilhas
E, que apesar de tanta luz
Não sabia de nada
Somos nós, tão pequenos
Que apenas nos cabe viver
Sem nunca...jamais conhecer
O tamanho do alcance das suas vistas
É tão estranho
Ver o Sol lá no Céu, todo dia
E não saber
Que será
Que ele brilhava tanto
A buscar companhia
E no entanto
Solidão era só o que sentia.
Edson Ricardo Paiva.
Um dia eu percebi
Que o momento mais bonito
De toda uma existência
Ele fica guardado
Pra sempre na gente
Se era frio ou se era Sol
Não fica
Isso é indiferente
Se os bolsos vazios
Pra alma sincera tanto faz
Tem espera
Que dura uma eternidade
Mas a dúvida
Não supera o tempo de uma vida
E meu coração
Pela primeira vez
Saia a andar pelas ruas
À procura do frio
E de frio ele se preencheu
Numa noite da infância
E de retalhos de papel
Era o balão mais bonito
E mais alto no céu
Isso posto, eu digo
Sobre todos os contrários
Avessos
Sobre o conselho que mais valeu
No silêncio sombrio
A palavra ecoa
Entre um reflexo no espelho
E o melhor poema
Você não viu e nem leu
No final
A mais singela oração
Não foi a única que Deus ouviu
Mas a essa eu senti
Que depressa Deus agradeceu.
Edson Ricardo Paiva.
"Alexandre de Moraes pensa que é o Imperador Júlio César; a minha esperança é que ele vá ao senado."
Edson Ricardo Paiva.
Quando você pede
Um pouco d'água ao universo
E ele te responde numa tempestade
Sinta satisfação por esse momento
Saiba, que por pouco que te caiba
Ele pede em troca ao menos tua sede
Não basta ter coragem de querer
É preciso encarar teu medo
Teu receio de ser ouvido
Se teu meio é deserto
Creia, que se um milagre te escapa entre os dedos
Amanhã pode ocorrer
Que a tua realidade
Sejam lágrimas que evaporam
Ao silêncio se responde com silêncio, às vezes
Mas nem sempre há quietude
Pois a dor mais triste que há na vida
É que a diferença entre o sonho e a realidade
Não existe...mas ao mesmo tempo há de ser enorme
Acontece assim, conforme a tua crença
Porquanto, se não tem coragem ou sede
Quando olhar pra primeira estrela da noite
Quando olhar pro céu da madrugada
Nada queira, nem pede nada.
Edson Ricardo Paiva.
Quando ele voltar, depois da chuva
Abra aquele litro de bebida
Apele pro teu resto de bom senso
Lá fora o mundo é grande e o frio, imenso
Quando ele voltar, depois da vida
Abra teu sorriso, porventura houver guardado
Aquele desgastado, penso nunca, jamais visto
Sequer por teu olhar sem amplitude
Guarde teu orgulho costumeiro
Esse, que acompanha a tua sombra o dia inteiro
Descobre teu olhar de todo argueiro
Se acaso sentir medo
Feche as mãos, esconda os dedos
Quando, então, se revelar detrás do espelho
Donde há de voltar, depois de tanto tempo
Um resto de lembrança, um traço de esperança
Um espaço que estava vazio
Outro pedaço de passado
Cacos de vida lado a lado no presente
Ilusão de tempo dilatado, embora inexistente
Bem diante dos teus olhos, logo após o estio.
No mesmíssimo lugar que se encontrava
Antes da chuva.
Edson Ricardo Paiva.
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