Dizem

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Dizem que ela perdeu demais.
A beleza da juventude, o tempo que não volta, o emprego, os planos.

Mas ninguém viu o dia em que ela decidiu não desistir de si.

Ela entendeu que recomeçar não é voltar pro zero.
Recomeçar é usar os pedaços que sobraram e construir algo novo.
É pegar a sabedoria que a dor ensinou e transformar em coroa.

Ela não tem mais 20 anos.
Tem algo melhor: tem história.
Não tem mais o mesmo emprego.
Tem as mãos que ainda sabem trabalhar.
Não tem mais o mesmo tempo.
Tem o agora. E o agora basta.

Devagar ela vai.
Planta de novo.
Sorri de novo.
Acredita de novo.

Porque quem já perdeu tudo...
descobre que ainda tem o mais importante:
a si mesma.

E com isso, ela pode começar quantas vezes forem preciso.

As pessoas dizem que todos os caminhos levam a Deus. Jesus disse: Eu Sou o CAMINHO!

Sombra e luz


Dizem que todos nascem com a semente da sombra, um traço silencioso escondido no fundo da alma.
Mas eu me pergunto por que regá-la, se também carregamos luz?
Caminho entre rostos e gestos,
vendo bondade e crueldade dividirem o mesmo peito.
Há mãos que acolhem
há mãos que ferem
e ambas pertencem à mesma humanidade.
Às vezes me pergunto se realmente pertenço a este lugar.
Talvez eu seja apenas um anjo cansado
não expulsa,
mas enviada.
Não vim salvar nem julgar…
apenas observar
Observar os excessos, a frieza disfarçada de força,
os absurdos humanos, a dor atrás do orgulho, a pressa em ferir, o medo,
a escolha constante entre construir ou destruir.
Se todos carregam a sombra,
também carregam a luz.
E talvez minha existência seja só isso:
lembrar, em silêncio,
que nem toda sombra precisa virar escuridão

O Retrato das Aparências
​Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, mas raramente nos dizem que as palavras que ela oculta são as mais importantes. Vivemos em uma era de vitrines, onde o brilho do cenário é projetado para cegar o observador, impedindo-o de enxergar as sombras nos cantos da sala.
​Muitas vezes, o que chamamos de "família perfeita" é, na verdade, um monumento erguido sobre alicerces de renúncia e silêncio. O sucesso, quando medido apenas por números e status social, pode se tornar uma prisão dourada, onde o sorriso é uma farda obrigatória e a felicidade real é sacrificada no altar da conveniência.
​Olhamos para o outro e desejamos sua moldura, esquecendo que não conhecemos o peso da tela. O dinheiro compra o fotógrafo, o cenário e o traje, mas é incapaz de comprar o brilho genuíno nos olhos de quem não quer estar ali. No fim, a vida real não acontece na fotografia que enviamos aos outros, mas nos suspiros que damos quando a câmera finalmente se desliga.

E dizem que amar machuca
Na eterna luta de tentar viver
Fazendo o possível e o impossível
Sem temer a dor que o amor
Nos faz sentir aqui

Não se preocupe com o que vão dizer, eles dizem tudo. Até sem saber

Dizem que ser pobre está na moda, e favela é chique! Mas como não sou apegado à modismos, preferia ser rico e morar numa ilha!

Quando dizem que fulano não merece minha amizade, eu concordo! Ninguém merece! Mas de alguma forma temos que ser punidos!

O sofrimento é o termômetro da nossa existência. Desconfio de pessoas que dizem não sofrer, são amorfas. Sem sofrimento não há vida

Tudo chega ao fim.
Dizem que o amor é eterno
mas você se foi.

Propagandas governamentais sempre nos dizem para onde devemos olhar e também para onde não podemos olhar.

Aos que dizem sentir nascer o amor através da beleza e perfeição da pessoa amada, estão enganando e sendo enganados, pois o verdadeiro amor só nasce quando aprendemos a lidar e conviver com as imperfeições desta pessoa.

Dizem que a vida nem sempre faz sentido… mas nada parece mais fora do lugar do que você não estar comigo.

Seus olhos dizem tudo que eu preciso ouvir

As pessoas sempre dizem para você ser humilde, humilde, humilde. Quando foi a última vez que alguém lhe disse para ser incrível, grande ou demais?

Olhos de Girassol


Dizem que meus olhos se arregalam, que minha mente sempre se preocupa,
Mas poucos veem o sol que guarda, a luz que em silêncio se descobre.
Meus olhos são girassóis que buscam a luz, que seguem o dia. Não há medo, há cuidado profundo, há coração atento, há poesia.
E se eu me volto para o mundo, épara sentir, para cuidar, para ver.
Não é fraqueza, não é inquietude, é vida que floresce, ésol que queima barreiras e revela minha verdade.
Olhos arregalados, coração atento: vejo o mundo em cores que ninguém mais percebe.

“Velhos ultrapassados, é o que dizem; na verdade, são meninos vencidos pelo tempo.”

Quimera Cinza

Dizem que o mundo nasceu em sete cores.

O meu esqueceu uma.

Não a mais bonita. Não a mais rara. Apenas aquela que fazia todas as outras parecerem vivas.

Desde então, tudo aqui existe em tons de cinza. O céu não ameaça chuva, ameaça permanência. As árvores não morrem; apenas desaprendem a crescer. As pessoas sorriem como quem assina um recibo.

Passei anos acreditando que algum caminhão estava atrasado.

Um simples lápis de cor.

Deveria chegar em qualquer manhã, descarregado por alguém distraído, e bastaria um risco torto sobre o papel da realidade para que tudo finalmente lembrasse que era primavera em algum lugar.

Mas os dias passavam.

E toda entrega vinha sem o pacote que importava.

Comecei a desconfiar que o atraso não era da estrada.

Era do próprio universo.

Então continuei andando.

Porque também me disseram outra coisa: existia um caracol. Um único. Em algum lugar impossível de encontrar. E quem tocasse sua concha deixaria de carregar o próprio peso. Não morreria do corpo primeiro. Morreria da espera. Como uma vela que finalmente entende que foi feita para apagar.

Passei a procurar o caracol.

Em cidades cheias demais para perceber o silêncio.

Em pessoas que juravam possuir mapas.

Em espelhos.

Principalmente nos espelhos.

Às vezes eu achava que estava perto. Via um brilho úmido no concreto, diminuía o passo, prendia a respiração…

Era apenas chuva.

Outras vezes confundia rastros com destino.

O curioso sobre perseguir uma quimera é que ela nunca precisa correr.

Você faz todo o trabalho por ela.

Enquanto isso, a tinta cinza continuava secando sobre tudo.

Descobri que o cérebro inventa cores quando passa tempo suficiente olhando para a ausência delas. Chama isso de esperança. Um defeito elegante da percepção. A mesma ilusão que faz marinheiros enxergarem terra antes da costa existir.

Talvez seja por isso que eu ainda acordava.

Não porque acreditasse.

Mas porque a imaginação sempre chega alguns segundos antes do desespero.

No fim, encontrei um velho caderno.

Folheei página por página procurando aquele lápis perdido.

Não havia espaço vazio onde ele deveria estar.

Nem marcas de que alguém o tivesse roubado.

Apenas uma observação escrita numa caligrafia que parecia ser minha, embora eu não lembrasse de tê-la feito:

“Você não está esperando uma entrega atrasada.

Está esperando uma lembrança de algo que nunca foi fabricado.”

Foi quando entendi.

O lápis não estava preso em alguma estrada.

Não havia caminhão.

Não havia fábrica.

Não havia catálogo.

Assim como o caracol.

Passei a vida procurando uma saída desenhada por alguém que jamais existiu.

E talvez seja essa a crueldade mais sofisticada do mundo:

não é que algumas pessoas morram sem encontrar o caracol.

É que certas almas sobrevivem para sempre porque perseguem uma criatura que o universo nunca teve a intenção de criar.

A cidade continuou cinza.

Eu também.

Mas agora já não olho para o horizonte esperando uma entrega.

Apenas caminho.

Como quem finalmente percebeu que algumas ausências não são atrasos.

São a arquitetura inteira do lugar.

silver lining

Dizem que existe uma estrada no interior da Inglaterra onde os postes de iluminação foram instalados próximos demais uns dos outros. À noite, quando um carro atravessa aquele trecho em alta velocidade, as sombras passam pelo para-brisa como os quadros de um filme antigo. Luz. Escuro. Luz. Escuro. Rápido o suficiente para enganar os olhos, lento o bastante para deixar a imaginação terminar o que não viu.

Foi ali que um velho frentista começou a notar um carro preto passando todas as madrugadas exatamente no mesmo horário.

Nunca abastecia.

Nunca diminuía a velocidade.

Nunca parava.

Apenas cruzava a estrada, desaparecia na curva e voltava quarenta minutos depois, percorrendo o caminho inverso como se procurasse alguma coisa que insistia em escapar.

Na décima segunda noite, a curiosidade venceu.

Quando o carro finalmente encostou, o motorista desceu sem desligar o motor. Não parecia cansado. Parecia perseguido. Os olhos não olhavam para o posto, nem para o velho, nem para a estrada. Permaneciam presos ao retrovisor, como quem espera que alguém apareça a qualquer instante.

O frentista perguntou se havia algum problema.

O homem demorou para responder.

Depois sorriu de um jeito estranho.

“Você já passou tanto tempo procurando uma pessoa que começou a esquecer o rosto dela?”

O velho riu, acreditando que fosse uma piada.

Mas o motorista continuou.

“No começo você procura porque sente falta. Depois procura porque precisa de respostas. Depois porque acredita que ainda existe alguma coisa esperando para ser resolvida. E, quando percebe, já não está procurando a pessoa. Está tentando encontrar a versão de si mesmo que existia quando ela ainda ocupava aquele lugar.”

O posto ficou silencioso.

Só o som do motor preenchia o espaço entre os dois.

O frentista olhou para a estrada vazia e perguntou por que ele simplesmente não desistia.

O homem encarou o asfalto iluminado pelos faróis.

“Porque a dúvida é muito mais resistente do que a ausência.”

Naquela noite, depois que o carro desapareceu outra vez, o velho não conseguiu esquecer aquelas palavras.

Dias depois, passou a reparar melhor nas pessoas que apareciam para abastecer.

Havia casais que conversavam sem escutar um ao outro.

Gente que desbloqueava o celular a cada poucos segundos, esperando uma mensagem específica entre centenas de notificações inúteis.

Pessoas que juravam ter seguido em frente, mas ainda sabiam de cor o caminho até a casa de alguém que não viam havia anos.

Foi então que compreendeu uma coisa curiosa.

O amor raramente termina quando a presença acaba.

Ele termina quando a possibilidade morre.

Enquanto existir uma única fresta por onde a imaginação consiga escapar, a mente fará dela uma porta.

Porque ela odeia finais.

Prefere inventar universos inteiros sustentados por uma única pergunta sem resposta.

“Será que…”

É impressionante a força dessas duas palavras.

Elas transformam desconhecidos em fantasmas.

Silêncios em promessas.

Coincidências em destino.

Fazem alguém dirigir centenas de quilômetros por uma estrada onde sabe que não encontrará ninguém, apenas porque uma parte da consciência se recusa a aceitar que algumas histórias não acabam com uma explicação, mas com um eco.

Anos depois, fecharam o posto.

Construíram uma rodovia mais moderna alguns quilômetros adiante, e a velha estrada foi lentamente esquecida. A vegetação tomou conta do acostamento, os postes enferrujaram e o asfalto começou a rachar como uma fotografia antiga.

Ainda assim, em certas madrugadas, moradores da região juram ouvir um motor atravessando a escuridão.

Não dizem que veem o carro.

Dizem apenas que escutam.

Como se algumas buscas sobrevivessem ao próprio viajante.

Talvez porque existam perguntas que nunca quiseram uma resposta.

Elas apenas precisavam de alguém disposto a continuar dirigindo.

E talvez seja esse o truque mais cruel da mente humana: convencer alguém de que está perseguindo outra pessoa, quando, na verdade, passou a vida inteira correndo atrás da única coisa que jamais conseguiu possuir completamente.

A certeza.

marcha nupcial

Dizem que o desejo nasce nos olhos.

Mentira.

Os olhos apenas denunciam aquilo que já ocupou todos os outros cômodos.

O desejo nasce naquele lugar onde nenhuma palavra consegue chegar. Um espaço pequeno, escuro, antigo. Como uma peça esquecida de uma máquina que continua funcionando, mas produz um barulho insuportável porque sabe exatamente o que está faltando.

Passei a vida acreditando que esse vazio era só mais uma característica minha. Como a cor dos olhos, a forma das mãos ou o hábito de olhar para o chão enquanto penso.

Até você.

E foi cruel perceber que o vazio nunca foi vazio.

Era espaço.

Espaço esperando exatamente o formato que você tinha.

Desde então, tudo o que existe em mim quer deixar de ser apenas meu.

Quero ser a caneca que esfria o café antes que ele queime sua boca. Quero ser a lâmpada acesa quando você chegar tarde e jurar que não precisava de ninguém te esperando. Quero ser a chave esquecida no bolso da sua calça, porque isso significaria que existe um lugar para onde você sempre volta. (ac referência)

Quero ser o casaco pendurado atrás da porta nas noites em que o inverno resolve exagerar. Quero ser o banco do passageiro nas viagens longas, onde o silêncio nunca pesa porque sua presença faz todo o trabalho que as palavras não conseguem fazer.

Quero ser as pequenas coisas.

Porque as grandes sempre acabam.

As pequenas sobrevivem.

Quero ser o livro que você nunca termina porque gosta demais da sensação de ainda haver páginas pela frente. Quero ser o vinil riscado que insiste em tocar a mesma parte, e justamente por isso se torna insubstituível. Quero ser o relógio da parede que você já nem escuta, mas cuja ausência faria a casa inteira parecer errada.

Se for preciso, faço do meu peito uma gaveta para guardar seus medos.

Faço das minhas costas um telhado para os dias em que o mundo resolver desabar.

Faço da minha voz um lugar onde você possa descansar quando a sua cansar de existir.

Posso ser qualquer coisa.

Qualquer coisa que diminua o peso que você carrega sem contar para ninguém.

Só não me peça para ser alguém que aprende a viver sem desejar.

Porque eu tentei.

Passei anos colecionando versões de mim que fingiam não precisar de ninguém. Construí uma casa inteira usando independência como tijolo e orgulho como cimento.

Era bonita.

Mas ecoava.

Toda casa vazia parece maior do que realmente é.

Então você apareceu e fez a pior das gentilezas.

Mostrou que o que eu chamava de liberdade talvez fosse apenas uma solidão bem decorada.

Agora tudo parece incompleto.

As manhãs têm uma cadeira sobrando.

As músicas terminam cedo demais.

As ruas parecem longas demais.

Até o céu, de vez em quando, dá a impressão de estar faltando uma cor.

Não porque você levou alguma coisa embora.

Mas porque revelou a peça que eu nunca soube nomear.

E agora não consigo mais fingir que ela nunca existiu.

É ridículo.

Porque o mundo continua funcionando.

Os semáforos abrem.

Os mercados lotam.

As pessoas riem de piadas que esquecem cinco minutos depois.

Tudo segue.

Só eu continuo parado diante dessa ausência que tem exatamente o seu formato.

E, se algum dia me perguntarem qual foi a maior prova de amor que já ofereci, não direi que escreveria poemas, cruzaria oceanos ou enfrentaria o fim do mundo.

Direi algo muito mais simples.

Gostaria de ser tudo aquilo que toca seus dias sem que você precise perceber.

O hábito.

O conforto.

O objeto que você procura automaticamente no escuro.

A música que começa antes mesmo de você decidir ouvi-la.

Porque amar alguém talvez seja isso.

É desejar desaparecer como indivíduo para existir como presença.

Ser tão parte da vida de alguém que a própria ausência pareça um erro da realidade.

E, se um dia eu tiver a sorte de ouvir você dizer “sim” diante de um altar, espero que, enquanto todos esperam uma marcha solene, toque aquela velha canção sobre querer ser tudo para alguém.

Não porque ela fale de amor melhor do que qualquer outra.

Mas porque ela diz, com uma sinceridade quase desesperada, aquilo que passei a vida inteira tentando explicar sem conseguir:

eu nunca quis possuir você.

Eu só queria existir de um jeito que o seu mundo nunca mais precisasse aprender a viver sem.

Somente eu entendo, como um código criado por mim mesmo, impossibilitado de proferir a senha, condenado ao próprio acaso.