Dizem
Nella città II - Meu véu
Todos dizem ter a verdade, como se fosse um objeto que se guarda no bolso, ou algo a ser fatiado, repartido em porções individuais: este pedaço é meu, aquele é seu. Mas a verdade... a verdade não se deixa possuir. Ela apenas é. Está lá, livre e inteira, mesmo quando ninguém a vê.
Eu a sinto, às vezes, num instante que passa, incapturável pela compreensão. Ela não se deixa ressignificar. Não cabe em palavras, não se curva à vontade alheia. É. Como a luz que atravessa uma janela, mesmo quando o vidro está empoeirado. O que vejo... é sempre manchado pelo que sou.
Mas o erro, o erro é pensar que a verdade é minha só porque a vi. Não é. Ela não é minha, não é tua, não é de ninguém. É só dela. Minha é a percepção. E percebo com mãos trêmulas, com olhos que mentem, com o silêncio do que ainda não entendi.
A vida não é sobre esperar a tempestade passar, nem sobre aprender a dançar na chuva como dizem os pôsteres motivacionais; é sobre entender que você é a própria chuva, o trovão e o arco-íris, e que nada disso faz sentido sem o solo firme da sua aceitação.
“O tempo do tempo não está no tempo”
Dizem que o tempo está passando mais depressa. Não está.
Um minuto continua tendo sessenta segundos. Uma hora continua tendo sessenta minutos. Um dia continua tendo vinte e quatro horas. O relógio nunca acelerou. Quem acelerou fomos nós.
Talvez o maior engano da humanidade seja culpar o tempo pela velocidade da vida. O tempo não corre. Nós é que deixamos de caminhar. A pressa distorceu nossa percepção, e passamos a chamar de “falta de tempo” aquilo que, muitas vezes, é excesso de distrações, prioridades mal escolhidas e uma existência fragmentada.
Existe um paradoxo que poucos percebem: quando desejamos que um momento nunca termine, ele parece voar; quando ansiamos pelo fim de um sofrimento, cada minuto parece uma eternidade. O que muda? Certamente não é o tempo. É a consciência que habita esse tempo.
O relógio mede duração. A consciência mede profundidade.
Por isso, algumas horas atravessam a vida sem deixar vestígios, enquanto alguns segundos permanecem vivos por décadas. Há encontros que duram minutos e transformam uma existência inteira. Há anos inteiros que passam sem deixar uma única lembrança digna de permanecer.
O tempo jamais nos enganou. Nós é que passamos a viver tão distraídos que confundimos velocidade com vazio. Não é o tempo que está escapando de nós; somos nós que estamos escapando do presente.
Talvez a frase mais repetida da nossa geração — “o tempo está voando” — seja, na verdade, a confissão mais sincera de uma humanidade que já não sabe habitar o próprio instante.
O tempo não passa mais depressa. A vida é que passa mais superficialmente.
E talvez a maior tragédia não seja descobrir que a vida passou rápido, mas perceber, tarde demais, que fomos nós que passamos rápido demais por ela.
Carlos Eduardo Balcarse
12/07/2026
“A Morte do Amor”
Dizem que o casamento deve durar
até que a morte os separe.
Mas ninguém nos preparou
para a morte que acontece antes do funeral.
A morte do amor.
Há sepultamentos que nunca encontram um cemitério.
Porque existem corpos que morrem.
E existem sentimentos
condenados a permanecer vivos debaixo da própria lápide.
O amor raramente morre de uma vez.
Ele agoniza.
Morre em pequenas hemorragias invisíveis.
Sangra no silêncio das palavras
que deixaram de ser ditas.
Na ausência do abraço
que já não encontra morada.
Na indiferença que lentamente substitui o encantamento.
Descobri que o oposto do amor
não é o ódio.
O ódio ainda olha.
Ainda reage.
Ainda se importa.
O verdadeiro coveiro do amor
chama-se indiferença.
Mas há uma morte ainda mais cruel.
O dia em que o respeito. Abandona a casa.
Porque quando o respeito parte, o amor perde o endereço.
Onde o respeito morre,
o amor apenas sobrevive por aparelhos.
E aquilo que continua sendo chamado de casamento
muitas vezes já é apenas
a convivência de duas solidões
dividindo o mesmo teto.
Sem respeito, o carinho torna-se obrigação.
O toque transforma-se em protocolo.
O diálogo converte-se em disputa.
E os olhos, que antes eram janelas, passam a ser muros.
Poucos percebem que a violência começa muito antes do grito.
Ela nasce quando deixamos de enxergar a humanidade do outro.
Quando a compaixão é substituída pela razão.
Quando vencer uma discussão
se torna mais importante
do que preservar um coração.
É nesse instante que a alma começa a ser aprisionada.
Porque não existe prisão maior
do que permanecer onde o amor já partiu, mas a esperança insiste em vestir suas roupas.
A alma deixa de viver.
Passa apenas a sobreviver.
Respira.
Mas já não floresce.
Sorri.
Mas já não habita o próprio sorriso.
Existe.
Mas já não encontra sentido
na própria existência.
E então compreendi que a pior solidão não é dormir sozinho.
É deitar ao lado de alguém
que deixou de nos encontrar.
Há mãos que se tocam sem jamais se alcançarem.
Há beijos que nunca chegam à alma.
Há alianças que unem os dedos, mas jamais os destinos.
Talvez seja por isso que tantas pessoas permaneçam presas
não por amor, mas pelo medo.
Medo do julgamento.
Medo da culpa.
Medo da mudança.
Esquecem-se de que o amor nunca aprisionou ninguém.
Quem aprisiona é a ausência dele.
O amor verdadeiro sempre foi liberdade.
Nunca cárcere.
Nunca sentença.
Nunca sobrevivência.
No fim, descobri que a promessa não era permanecer
ao lado de alguém até que a morte os separasse.
Era impedir, todos os dias, que o amor morresse antes da vida.
Porque, quando o amor morre,
não são apenas duas pessoas
que deixam de se amar.
Morre a delicadeza.
Morre a empatia.
Morre a compaixão.
Morre o respeito.
E quando o respeito morre,
a alma continua respirando…
mas deixa, lentamente, de viver.
Carlos EDUARDO Balcarse
“Os anos dizem há quanto tempo existimos. Não necessariamente revelam há quanto tempo começamos a compreender a existência.”
As pessoas falam muito sobre como é ruim fofocar e sempre dizem a mesma frase: "Cada um que cuide da sua vida". Pois pra mim, não existe problema em fazer fofoca, o que me incomoda e me deixa realmente com nojo e repúdio é a Falsidade!
Por que veja bem, vc fofocar de pessoas aleatórias, pessoas que vc não tem amizade, apenas conhecidos, nada mais é que passar o tempo conversando bobagem. O problema é quando vc elogia a pessoa, se faz de amiga(o), muitas vezes sabe dos problemas dessa pessoa e se faz de compreensiva(o) e por trás você detona, faz piada, coloca apelidos, joga na roda todas as características, critica do dedo do pé ao fio de cabelo. Isso sim que eu acho desprezível. Conheço VÁRIAS pessoas assim, por isso não falo da minha vida para ninguém, quem quiser que diga que eu sou "estranha, chata, complicada". É melhor do que fazer parte de tanta falsidade e detalhe antes eu achava que era só mulher que era assim, hoje prestando atenção vejo que homens e mulheres são falsos, porém cada um com suas particularidades.
Não pergunte, observe. As atitudes das pessoas dizem tudo o que as palavras não são capazes de falar sobre elas.
"O Reino do Silêncio Povoado
Dizem que o silêncio é o som da solidão, mas na minha casa, ele é apenas o palco onde a vida acontece sem pedir licença. Viver sozinho não é um retiro; é uma curadoria. Aqui, o relógio não dita ordens, e a geografia da sala é um mapa de afetos que não exigem explicações.
Pela manhã, a primeira saudação não vem em palavras, mas no peso morno de um gato que decidiu que meu peito é o melhor lugar do mundo. Logo, o som das patas dos cães no assoalho cria uma percussão alegre, um ritmo que me lembra que, embora eu seja o único humano, nunca estou desacompanhado. Eles não julgam meus pijamas, nem questionam o fato de eu tomar café olhando para a luz que atravessa o vitral que pendurei na janela.
As paredes não são apenas concreto; são janelas para outros mundos. Há uma pinacoteca particular crescendo nos cantos, uma tela a óleo comprada em um sebo, uma fotografia de rua, um esboço que eu mesmo ousei riscar num domingo de chuva. Entre elas, as estantes transbordam. Meus livros são amigos que não interrompem; ficam ali, pacientes, oferecendo o lombo colorido para que eu escolha qual voz quero ouvir naquela noite.
À noite, o ritual se completa com o brilho azulado da tela. Ver um filme sozinho é um ato de entrega total. Posso chorar sem pudor, pausar para analisar a fotografia de uma cena ou simplesmente deixar que a trilha sonora preencha os espaços vazios entre as prateleiras.
Viver assim não é falta de gente, é excesso de si. É descobrir que a liberdade tem o cheiro de papel antigo e o calor de um focinho gelado encostado no tornozelo. No meu pequeno reino, a arte me explica, os bichos me amparam e a solidão, essa velha incompreendida, é apenas o nome que os outros dão para a minha paz."
(Mário Luíz)
(Cap. III: Eis o que dizem de Floral)
O príncipe percebeu que reinava num reino sem almas. Lembrou-se de que, num bosque, residia uma bruxa, a qual diziam ser muito poderosa e, por isso, era temida. Chamavam-na de Floral. Apesar de ninguém nunca tê-la visto, boatos diziam que ela era tão medonha que até o Bicho-Papão era mais bonito. Porém, vocês sabem como são os boatos: eles carregam a fama de serem quase sempre mentirosos.
Dizem que o amor é cego. É nada! Cego mesmo é a paixão, que deixa a gente sem chão, faz doer, descontrola e ainda domina tudo quanto é sentido. Perto disso, o amor sabe o que faz.
Dizem a esperança é a última que morre, devido esta se esvair apenas depois que o possível indicar ser o contrário. Interessante é saber que esse possível, almejado esperançosamente, têm sentido de realização depositado mais nos outros que em nós mesmos. Por em prática o que depende de si mesmo, já é motivo de orgulho próprio na realização de objetivos.
A idade avança e apesar do tempo auspicioso, dizem que estamos ficando chatos e intolerantes. Com a idade as obrigações nos tocam de formas diferentes e a lucidez frente à ignorância e a falta de respeito nos é mais presente, assim, mais maduros, chateamos com os 'verdinhos' que acham que o conhecimento é melhor que o discernimento, ou o novo sempre se sobrepõe ao antigo. Basta o tempo, construir boas histórias e adquirir um bom discernimento para não passarmos disso, velhos e rabugentos.
+Q Psicologia
Quando dizem que todos precisam de psicólogos, sendo necessário melhorar as condições de trabalho, financeira e a empatia social, é o mesmo que deixar de criminalizar um estelionatário, um ladrão, um xenofóbico, um estuprador, um assassino ou quaisquer malfeitores pela falta de sorte na vida.
"Eu não trabalho com o MMN por causa do que as pessoas dizem, mas por causa do que eu pretendo conquistar para a minha vida e para a vida da minha família. A opinião alheia não paga os meus boletos, nem realiza os meus sonhos."
"Dizem que meus sonhos são grandes demais para o meu tamanho, mas se esquecem de que o tamanho de um homem é medido pela força da sua fé."
"Dizem 'seja independente' para não ter que estender a mão, mas se incomodam quando você realmente vence sem a ajuda deles."
"Muitos dizem que a vida é passageira só para justificar o erro, mas fechar os olhos para a verdade não apaga as consequências eternas."
"Dizem que uma vez rei, rei sempre será
Mas quem deixa o reino consegue voltar?
Hoje eu tenho escolhas, contas pra pagar
E sonhos que a vida ensinou a adiar"
— Marcos Elias Antunes
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