Deus Usa a Solidao para Ensinar a Convivencia
VIRGÍNIA
Um dia a solidão inventou a lua e as estrelas, e a melancolia de contemplá-las; caminhava a beira do açude para descobrir o avesso do firmamento que certamente estaria no reflexo de seu espelho. Descobriu que o lago são lágrimas choradas pelos que se desiludiram com o amor e a vida, ou as lágrimas que ainda não choramos. Quando não pensava em nada viginha colocava os planetas nas margens do açude; terça casava com alfredo em marte; quinta casava com lucas en jupiter, quarta casava em venus, domingo se divorciava e voltava a terra, e, na terra era solitária. Há muito tempo o gaiola trouxera as suas mais belas recordações nas águas do rio; Iara era o fruto dessas recordações, mas um dia o gaiola se foi; a lua e as estrelas mergulharam no espelho do açude, e a noite cinzenta só mostrava o vulto de um espírito que não mais percebia os crisântemos e açucenas que floresciam às margens do lago. Virgínia buscou a lua e as estrelas no fundo do lago e descobriu o mistério e o silêncio de águas profundas...
Antes de todos os olhares,
A ventania da solidão varria o superfluo,
O espirito purgava seus pecados,
Minhas roupas rotas me vestiam
A essencia com pérolas e brilhantes...
Antes de todos os sorrisos,
A alegria germinava um campo fértil
Minh’alma solo fecundo e profícuo
Antes de todos os abraços um turbilhão
De emoções me dizimava
O não saber-me pronto a colheita,
Mas ainda paupérrímo já saber-me rico
A dor que dói hoje em mim
amanhã me fará voar
e esta solidão que dói assim
amanhã será motivo pra cantar...
Basta dizer
Que a solidão não me apavora,
Já me acostumei
Com os problemas de agora
E outros que antes já vivenciei...
Ah, posso até dizer
Que não sou infeliz
Que já sei caminhar
Com os meus próprios pés...
Que já penso em partir
E um dia quem sabe
Imaginar que tudo acabou...
Basta dizer que já consigo ver
E admirar as luzes fugazes
De um alvorecer,
Sem pensar na frieza
De dias monótonos
De alguém solitário e triste
Assim como eu...
. Quando a saudade perguntar por mim
Diga que a solidão que já me esqueceu
Solidão sempre pergunta por saudade
Saudade pra mim já morreu
Quando os olhos lacrimejam
a solidão já se perdeu nos pântanos
e a alma já foi devorada pela alcateia...
O PÂNTANO
Quando os olhos lacrimejam
A solidão já se perdeu nos pântanos
E a alma já foi devorada pela alcateia...
Então a neblina cai fria,
Perolada por um ou outro
Raio furtivo de luar
Que escapam por entre as nuvens,
As manhãs são raríssimas,
Uma ou outra lembrança
De um passado longínquo,
A essência humana é esse pântano;
Uma criança frágil caminhando
Num terreno íngreme e pedregoso
Sob olhares famintos de lobos...
Esses grãos brilhantes,
diamantes vãos
a enfeitar a noite
a ilusão...
a adornar a solidão
a salpicar o teu poema
com fagulhas
você que delira a contemplar estrelas
vagalumes de outra dimensão...
O que me faz pensar
que a solidão até faz bem
é perceber que as coisas mais profundas
afloram nos momentos solitários...
Mais que ser só e ser sozinho
Ser solitário e ter a solidão
Somente a solidão
E a noite longa
A alongar tudo que é não ter nada
Mais do que isso
É não ter nem um motivo
Pra ter motivo
Pra mudar tal situação
Ah eu nem tenho um olhar
Que olhasse,
Um olhar que falasse
Que ruidasse um ruído
Que ruísse a parede
E descortinasse um horizonte
Por mais horizontal que fosse a solidão...
Se eu tivesse a solidão
Se ao menos eu tivesse a solidão
A solidão é que me tem...
Todas as feridas precisam de tempo,
A solidão precisa apenas de uma lua
Algumas estrelas e uma varanda
Os poetas precisam de ilusões,
Algumas mentiras, promessas e solidão;
Acho que perdi tudo isso
Eu só preciso de tempo, de algum tempo ainda,
Uma longa caminhada no campo
Onde qualquer sorriso se perca
Nos sons de curiós e pintassilgos
Preciso do encanto de novos ocasos
E auroras promissoras
Ter a tristeza como medida de sensibilidade
Para ter a noção exata do que é,
E o que define um olhar...
fria é a solidão,
de olhar abstrato
e mãos vazias
alfarrábios de sonetos inertes
bustos perdidos
em bronze e concreto
SÓLIDA SOLIDÃO
A minha solidão é a multidão
De olhos, bocas, risos,
Falam, proclamam, sentenciam sisos
A minha solidão abandonada
No olhar do mendigo,
Nas suas vestes rasgadas,
Sua pele suja e rugas sugadas;
Estratégia pra viver e pra morrer
Na sólida solidão do seu não ser;
Ninguém o vê, ninguém o olha,
Que ser esquisito!
Se tudo é lindo e o mundo é tão bonito
E sua miséria se perde
Em um ou outro olhar terno
E essa solidão se acabará no rigor
Sem compaixão de algum inverno
E nessa dor se perpetuará minha solidão
REFLUXO
tinha a solidão da lua no olhar,
o azul do que não discernia a clarear
o dia e o que não entendia
tinha o perfil suave de uma ave
a planar sozinha e soberana,
era a beleza simples, absoluta e singular
esquece os meus desejos,
os versos, o universo dessas emoções,
a vida é muito mais que uma cachoeira
o fluxo e o refluxo de um rio...
a vida continua depois do fim do mundo
depois dessa represa a vida continua
continua pra quem percebe
que esteve bem perto
do que é perto de felicidade
ficou essa ilusão que nem é ilusão
mas é o suficiente pra romper a névoa
que embaça o pensamento,
sigo firme nessa incerteza
que sustenta o insustentável:
é só desejo que eu vejo, é só desejo...
vem o alvorecer mas a solidão da lua
continua na luz do olhar
- Relacionados
- Frases de Deus: versículos da Bíblia que inspiram fé
- Frases de casal abençoado que celebram um amor protegido por Deus 🙏❤️
- Tudo é possível com fé em Deus: frases para não perder a motivação
- Deus, me dê forças para suportar: frases que fortalecem a alma
- Bom dia, que o Espírito Santo te ilumine: mensagens para fortalecer a fé
- Deus
- Gratidão a Deus por tudo: frases para agradecer com o coração
