Desejo Morte

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Sinto alguns medos
Não por mim
dei de frente com a morte
Algumas vezes
E, feliz ou infelizmente
Até agora ela optou
por me deixar aqui
Eu sinto medo
de segredos
Guardados nos corações humanos
Alguns deles
Legítimos antros de falsidade
Escondendo planos que
Se ocultos não fossem
Revelariam
Toda sorte
da sua ausência de humanidade
Não tenho o menor medo
da Justiça de Deus
Não tenho medo de leões
Nem de crises
Nem de trabalho
Não tenho medo de não ser feliz
O que me assusta de verdade
São certos atalhos
Que o mal sempre nos revela
E que a maioria ignora
Mas aos olhos de gente ruim
Lugares assim
São verdadeiros oásis
onde vão
beber e abrir as asas
Quando asas lhes dão
Acredite
Existe neste mundo
Muitas pessoas assim
E seus voos
Apesar de efêmeros
e tão baixos quanto o seu caráter
Muitas vezes
Causam estragos imensos
Antes
Que a sua maldade os consuma
Meu medo daquilo que é mal
é que muita gente se compraz
Outros acham bom
E querem fazer igual
Eu sinto medo porque
Isso acaba se tornando banal
E todo mundo se acostuma
Pois
A gente sempre encontra
gente assim.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Pra cada dia uma noite
Uma morte a cada vida
E pra cada norte um rumo
Vários ventos sem direção
Em cada mar, muitos naufrágios
A saudade que se vê tão só
A pá de terra sobre o tempo
O erro que me acerta
A resposta certa eu nunca soube
A tarde que não me cabe
Antes que o Céu
Desabe por sobre essas nuvens
Há pra cada chuva, um Céu
Mas não sei dizer
de quantos Céus há sobre nós
Sob meus pés
Estrada e pó
Simplesmente mais nada
Pra cada vida
Uma morte apenas
Viver de espera
Termina
Na serena morte
De sorte que ela vence no final
Pra cada um
Há outro igual
Só não se sabe onde.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Não tenho medo da morte
Nunca tive
Meu medo era viver
Esta vida
Na qual não se vive
Nunca tive medo de tempestade
Tenho medo deste Sol que arde
Não Existe apenas a chuva
O problema é a palavra
Que me vem e tanto machuca
São lembranças
Piores que a morte
Que fizeram estes cortes
Sem cura
Não tenho medo do escuro
Meu receio é a claridade
Ela invade a vida
E me impede de esconder
Ou de esquecer
A dor
de ver tanta vida
assim
Perdida

Inserida por edsonricardopaiva

Eu vi a luz que se apagou
Eu vi a morte flutuar no espaço
Algo ali surpreendeu
E fez com que de repente
Eu pensasse não ser eu
Eu vi o homem que galgava
Cada degrau daquela escada
A caminhar pro cadafalso
E cada passo dado em falso
Era uma aproximação verdadeira
Do seu derradeiro laço
Eu ouvia todos os hinos
Louvando e glorificando
A condenação simples e pura
de todos os juízes
Traídos, em suas sentenças
Atrelados e atados
Às duras barras, onde amarraram
Lado a lado
No lodo dos tribunais
Com sua justiça de barro
Eu vi a cara da fome
e suas irmãs, felizes
Eu vi sete celeiros cheios
Para alimentar sete juízes
Eu vi caírem
Todos os governos deste Mundo
Num lapso de tempo
Que não durou
Mais que um segundo

Inserida por edsonricardopaiva

A Morte é uma viagem sem volta
A vida também
A diferença entre as duas
É que ninguém cuida da sua Morte

Inserida por edsonricardopaiva

O vento, a fome o medo
a pouca sorte
e a visita periódica
da morte
Não me importa
O importante
é corrigir a vida torta
As notícias que nos chegam de manhã
dizem que o Mundo amanheceu pior
Pior seria se não tivesse amanhecido
eu não veria
a flor pintada em teu vestido
Já não posso mais correr como eu corria
mas ainda passo caminhar no fim do dia
Perdoe minha falta de atitude
Eu não sabia
das vicissitudes da vida
eu não sou nada
Sem você por esta estrada

Inserida por edsonricardopaiva

De quem será que foi a ideia
de inventar a morte
dividindo assim a vida em dois
Será que pensou antes no "antes"
Para que o suspense, chamado existência
lhe desse a grata satisfação
de fazer a gente aguardar tanto tempo
Pra saber o que existe depois
Será que vai causar decepção?
Então
Quem foi que inventou a vida
E jogou tanta gente no Mundo
Sem ao menos dar preparo
Quem criou o desamparo
o desespero
a espera
o inverno e a primavera
eu já sei
que quem inventou a distância
queria vender saudade
mas achei muita maldade
alguém ter criado a infância
e outro ter feito dela
uma coisa assim, tão curta
a criança inocente e absorta
não percebe que o tempo lhe foge
não vê que perde tanta coisa
enquanto brinca de querer crescer
sem saber que a discrepância
entre o ser e o querer
é uma linha muito tênue
e que ela a embaraça, ingênua
perdendo assim o lado bom
da parte que vale à pena
viver assim, sem perceber
é muita falta de sorte
Quem será que inventou a Morte?

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Vocês que ficam desejando a morte do outro... que coisa feia!

Já pensaram em desejar sarna?

Inserida por tatyanenicklas

A cabeça é um cofre que só a morte destrói por completo.

Inserida por EneioPereira

A morte, a voz mais sábia, quando ela aparece faz calar a boca de todos os críticos.

Inserida por EneioPereira

⁠Não há porque ter medo da morte, ela já se faz presente em nossas vidas. Estamos constantemente morrendo e nascendo de novo numa mesma vida.
Basta olhar para trás e reconhecer que nunca mais seremos os mesmos.
Viver é seguir avante, desfrutando de cada momento presente, porque tudo isso que vemos, pensamos, sentimos e tocamos agora, o tempo também irá levar.
Morremos todos os dias um pouco e nascemos de novo com novas perspectivas a cada amanhecer.

Inserida por marachan

"A morte não é algo para se temer. É a vida numa outra dimensão."

Inserida por JohnnyDeCarli

Início do Fim

A morte
não é um golpe final,
nem o apagar abrupto
de uma chama que ardeu em vão.
Ela começa
no primeiro sopro de vida,
como um murmúrio ancestral
gravado na espinha dorsal do tempo,
uma promessa silenciosa
de que tudo que nasce
traz em si
o prenúncio de partir.

Somos nós
quem tenta adiá-la
ou apressar sua chegada,
como se a permanência
fosse um direito herdado,
como se o fôlego
fosse posse
de quem o exala,
esquecendo que o ar
é só um empréstimo
da eternidade.

Entre o nascer
e o desfolhar da última pétala,
somos intérpretes falhos
de um roteiro
traçado pelas mãos do acaso,
dançando na corda bamba
do existir,
prolongando cada passo
como se a terra
não estivesse sempre
a um deslize
de nos tragar.

A morte
não é antítese da vida,
mas sua sombra inseparável,
um vulto paciente
que nos acompanha
até o instante
em que já não há mais corpo
para projetá-la,
quando o vazio,
enfim,
reivindica o espaço
que sempre lhe pertenceu,
e nós,
como poeira,
nos dissolvemos
no ventre do universo.

Inserida por DanielAvancini

⁠Todos os seres vivos já nasceram condenados à morte, e essa condenação não existe Tribunal que revoga.

Inserida por Valdecir

⁠Não tenho medo da morte mas, simpatia por ela, não tenho nenhuma.

Inserida por Valdecir

⁠É próprio das pessoas normais considerar a morte como algo que surge do exterior e não como uma fatalidade inerente ao ser. Uma das maiores ilusões consiste em esquecer que a vida é cativa da morte.

Emil Cioran
Nos Cumes do Desespero. São Paulo: Hedra, 2012.
Inserida por IntoTheVoid

A morte bondosamente me acolheu e me mostrou que a vida pode ir mas além.

Inserida por leilaboas

O mofo da morte tem ranço diferente.

Inserida por leilaboas

O cheiro da morte não mata.

Inserida por leilaboas

Quando o sono da morte chegar, a quem confie em mim na despedida.

Leila Boás

Inserida por leilaboas