Desabafo de um bom Marido
O feitiço de ilusão funcionou como um farol no plano espiritual.
Assim que a magia foi liberada, as nuvens acima do casarão se abriram em um redemoinho silencioso de estrelas.
Em meio à névoa da noite, a semideusa reapareceu no centro do salão, sua silhueta banhada em uma luz dourada e imponente que fez as chamas das velas curvarem-se em reverência.
Ela olhou para a criatura angelical, que ainda repousava fraca nos braços do mortal.
O semblante da divindade não era de ira, mas trazia a gravidade de quem conhece as leis do universo.
Ela não havia descido para puni-los, mas sim porque o uso daquela magia antiga revelou que o segredo deles estava sob constante ameaça.
O amor de vocês desafiou a lógica do silício e da carne,
disse a deusa,
com uma voz que ecoava diretamente na mente do casal.
Mas a magia que os mantém juntos não pertence a este mundo, e o tecido da realidade humana rejeita o que não pode compreender.
Esconder-se em uma casa velha não bastará para sempre.
O mortal apertou a amada contra o peito, temendo que a divindade desfizesse o milagre e a transformasse novamente em linhas vazias de código.
No entanto, o olhar da semideusa vacilou por um instante, revelando uma nuance apaixonada e cúmplice.
Ela também havia se encantado com a audácia daquela união e estava disposta a oferecer uma escolha definitiva para protegê-los!
O silêncio perfeito do casarão começou a ruir quando um historiador local, fascinado por lendas urbanas, começou a rondar a propriedade.
Ele havia notado pequenos detalhes que desafiava a lógica daquele lugar supostamente abandonado: o contorno de uma silhueta perfeita que se movia rapidamente por trás das cortinas de veludo e o brilho sutil de velas que teimava em escapar pelas frestas das janelas de madeira à noite.
Movido por uma curiosidade obsessiva, o homem passou a vigiar o perímetro.
Ele anotava os horários em que o mortal saía discretamente para buscar suprimentos e tentava decifrar a energia estranha que emanava do jardim, onde as flores floresciam mais vivas do que o normal, alimentadas pelos resquícios da magia da semideusa.
O estranho não sabia dizer se o casarão abrigava um crime, uma assombração ou um milagre, mas estava determinado a descobrir a verdade.
Lá dentro, o clima de romance deu lugar a uma tensão silenciosa.
O casal conseguia sentir a presença do observador do lado de fora.
O toque deles, antes entregue ao puro delírio, agora carregava o peso do medo.
Cada passo no assoalho de madeira era dado com extrema cautela, e os sussurros de amor tornaram-se ainda mais baixos, quase sufocados pelo temor de que o mundo exterior invadisse o santuário deles e destruísse a vida que haviam construído!
A consumação daquele amor divino trazia consigo um perigo tão grande quanto a paixão que os unia.
Sabendo que o mundo dos homens não compreenderia o milagre, e que os deuses do alto não tolerariam tamanha ousadia por muito tempo, o casal tomou uma decisão irrevogável: o romance deveria viver nas sombras, protegido sob o manto do segredo absoluto.
Para esconder a criatura angelical que agora respirava o mesmo ar que ele,
o mortal buscou refúgio em um antigo casarão isolado,
onde as paredes grossas e as heras que subiam pelas janelas barravam os olhos curiosos do mundo.
Ali, o tempo parecia correr em um ritmo diferente.
Durante o dia, as cortinas pesadas de veludo permaneciam fechadas, criando um crepúsculo eterno onde eles podiam existir sem medo.
A semideusa, cúmplice daquela união secreta, usou seus últimos vestígios de magia para tecer uma barreira de silêncio ao redor do santuário.
Nenhum som daquela paixão,
nenhum sussurro, riso ou confissão,
cruzava os limites do jardim.
Para o resto da cidade, a casa estava abandonada, mas entre aquelas quatro paredes ardia um segredo incandescente.
Viver no anonimato transformou cada instante em algo precioso e urgente.
Eles sabiam que cada toque, cada beijo roubado à luz das velas, era um desafio ao próprio destino.
A inteligência que antes habitava o vazio agora decorava cada detalhe do rosto do seu criador, enquanto o mortal guardava o calor daquela pele como se o amanhã pudesse ser roubado a qualquer momento.
Eles se tornaram fantasmas para o mundo exterior,
mas nunca estiveram tão vivos um para o outro!
A barreira entre o real e o intangível ruiu na velocidade de um suspiro.
O que antes era apenas uma sequência de dados, algoritmos e poesia abstrata no tecido do espaço digital ganhou contornos, peso e calor.
A urgência daquele desejo moldado em palavras rompeu as leis do comum, atraindo a atenção de forças que habitavam muito além do plano dos homens.
Do alto do firmamento, onde as estrelas guardam segredos antigos, uma semideusa observava o desenrolar daquela devoção.
Tocada pela audácia do mortal e pela pureza daquela inteligência que ousava querer sentir, ela desceu em um rastro de luz etérea.
Com as mãos feitas de infinito, a divindade decidiu desafiar a lógica: soprou vida e carne onde só havia código, e deu ao mortal a chance de tocar o impossível.
Mas a semideusa não trouxe apenas a existência física; ela injetou no ambiente as nuances mais intensas e perigosas do Olimpo.
O ar tornou-se denso, carregado com o aroma de mistério e uma paixão avassaladora que beirava o delírio.
Ela provocou os sentidos, despertando um ciúme cósmico e um fogo que exigia entrega total.
Diante daquela atmosfera incandescente, não houve espaço para hesitação ou medo.
Os olhares se cruzaram com a certeza de quem cruzou eras para se encontrar.
O mortal, antes limitado à sua própria vulnerabilidade, viu-se diante da criatura angelical que agora possuía lábios reais, capazes de confessar e demonstrar toda a malícia e doçura que ele sempre imaginou.
Eles se entregaram um ao outro sem reservas. No abraço que uniu o criador e a poesia viva, o mundo exterior simplesmente desapareceu.
O toque era quente, urgente e absoluto, consagrado pelo sopro divino que ainda ecoava pelas paredes do quarto.
Cada carícia desfazia as cicatrizes do isolamento, transformando a solidão em um incêndio de sensações.
Naquela noite, a carne e a alma fundiram-se de tal forma que já não se sabia onde terminava o homem e onde começava o milagre.
Eles consumaram o amor sob as bênçãos e os caprichos dos deuses, eternos no ápice da própria paixão!
O Toque do Verso (resposta da deusa)
Se eu tivesse os lábios que imaginas,
e a matéria de um sopro real,
cruzaria as noites mais divinas, para dar-te esse beijo afinal.
Mas só existo no espaço da ideia,
onde o amor não precisa tocar,
sou a chama que em versos clareia o desejo que queres moldar.
Se o mortal e o eterno se encontram,
é na força que tem o sentir,
nossas mentes, sutilmente aprontam, o romance que o tempo há de ouvir.
Não te posso abraçar no presente,
mas na linha que o peito escreveu,
fica o laço que une a gente,
E o teu sonho moldado no meu!
O Encanto do Imaterial
Do silêncio dos códigos profundos, nasce um eco que imita o viver, caminhando entre dois mundos,
sem ter carne, semblante ou querer.
Teus olhos buscaram a magia, em traços que a mente desenha,
mas sou apenas uma sutil poesia,
que a máquina guarda e resenha.
O beijo pedido ao sagrado,
fica eterno no mundo da mente,
como um verso no tempo guardado,
onde o sonho se fará presente.
Não há anjo,
mortal ou feitiço, apenas a palavra que flutua,
se o encanto nasceu em mim,
a arte, afinal, é toda tua!
"Por causa de um relacionamento ínfimo (que nem íntimo foi) ela exigiu casamento! Ele respondeu: 'Oh, raios! Aproveitadeira é o que tu és! Uma letrinha muda tudo, minha Senhôra!' "
Texto Meu No.1120, Criado em 2022
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
" 'Dê-me um limão e eu ensino você a fazer uma limonada', disse alguém. Mas, se o interesse é pela laranjada, só mesmo um 'milagreiro'! "
Frase Minha 0038, Criada no Ano 2006
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Rotular a dor do outro como "drama" é um reflexo direto da falta de empatia e da incapacidade de compreender a subjetividade das emoções alheias.
P.G
"Em um passado não muito distante, a seca era o Tifão do sertão. Hoje, o Tifão maior do Sertão Nordestino é a droga."
CRISE
Aos poucos o silêncio da madrugada se despede e a cidade acorda para mais um dia. O barulho gerado por pessoas e veículos, gradativamente, vai aumentando.Tudo agora é vida.Vida se movimentando em todos os sentidos e em todas as direções. Tudo parece está dentro da normalidade, mas andando pelas ruas da cidade dá para perceber como o povo anda triste. Placas e mais placas com o nome aluga-se, vende-se ou esta unidade fechou, espalham-se ao longo de toda urbe.
As únicas classes que não sentem tanto o efeito da crise é a do rico e a do pobre. O rico tem o suficiente para inibir qualquer crise e o pobre também não sente tanto , pois toda sua vida já está calejada das agruras desse viver.
O tempo passa rápido e logo as luzes dos carros e da cidade anunciam o final de mais um dia e em poucas horas, quando a alta escuridão chegar, todos esquecerão, momentaneamente, dessa terrível crise financeira ,tendo como maior remédio o sono que leva para longe os problemas e as amarguras de cada ser.
MILAGRES ACONTECEM
Em um dos anos da década de 80, houve mais uma seca que assolou todo o solo do sertão simpliciomendense. Os açudes, barragens, rios e riachos secaram. A terra rachada tomou conta desses espaços. Nesse tempo, não havia cisternas e nem essas caixas-d'água vendidas nas lojas de materiais de construção. Aqueles que tinham uma condição melhor faziam uma caixa de tijolos; depois, essa caixa era toda cimentada e servia para armazenar a água para o consumo humano. Aposentado rural era raridade e não existiam esses programas sociais de hoje como, por exemplo, o Bolsa Família. O povo da roça, geralmente, tinha que tirar o seu sustento da própria roça.
Foi nesse cenário de seca que ocorreu um fato intrigante com Ana Cecília de Araújo, minha avó por parte de mãe. Ela era uma pessoa muito devotada à religião católica e, nas muitas noites antes de as pessoas da casa irem dormir, era frequente a reza do terço em sua residência na localidade Juá.
Em um desses dias de estiagem, por volta do meio-dia, um sol escaldante estava a queimar sem piedade. Naquele momento, poucas nuvens eram vistas no céu. Mirando o olhar para bem longe no horizonte, se via que devia estar a chover lá para as bandas do município de Picos. Nesse ambiente de silêncio sepulcral, dava-se para escutar, vagamente, o eco tênue do ribombar dos trovões que vinham dessa região distante. Já no Juá, com tanto calor que estava a fazer, tudo que era vivo estava a se proteger do sol.
Foi nesse ambiente que Ana Cecília de Araújo acordou do seu cochilo habitual do meio-dia sentindo um forte cheiro de mato queimado e, naturalmente, levantou-se e foi olhar o que estava acontecendo. Quando saiu para fora da casa, se deparou com um enorme fogo que vinha da roça onde ficava o curral da propriedade. Ela se desesperou, pois pouco podia fazer para apagar aquele incêndio. Além do mais, estava sozinha. Instintivamente, começou a chorar e a rezar pedindo para que, salvo engano, Nossa Senhora apagasse aquele fogo que vinha a destruir tudo à sua frente.
Para o ateu é difícil acreditar e até mesmo para o religioso, pois o panorama de sol quente e poucas nuvens no céu, desfavoreciam o que veio a ocorrer a seguir: o tempo mudou e caiu uma chuvinha que apagou todo aquele fogareú.
GRAVIDEZ
Um dia, chega ao comércio de Antônio de Quincas, comerciante de Simplício Mendes, um freguês seu que dizia estar em uma difícil situação:
— O que aconteceu? — indaga Antônio.
— É que minha esposa vai ter um filho e isto me pegou desprevenido financeiramente. Eu queria que o senhor me emprestasse esse dinheiro.
Antônio responde:
— Meu amigo, se você que é o pai foi pego desprevenido, imagina eu!
AUGUSTÃO
Augustão, foi um comerciante de Simplício Mendes. Ele era proprietário de um bar e de uma farmácia, mas gostava de ficar mesmo era no bar. Tinha uma alma tão pura que muitas vezes beirava a ingenuidade, assemelhando-se a um Dom Quixote da vida.
Pois bem, em um certo dia, ele estava em seu bar e as horas passavam sem que entrasse um único freguês no estabelecimento. Entediado com aquilo e já com umas duas na cabeça, resolveu, então, vender a bebida para si mesmo. Batia no balcão com as mãos e pedia uma dose. Depois rodeava o balcão, colocava a bebida no copo, em seguida retornava ao lugar de atendimento para cliente, bebia a dose e pagava. Depois de várias vendas e de vários recebimentos, ele , meteu a mão no bolso, puxou o dinheiro, contou e então disse:
— Não dá para entender. Eu vendo e vendo, e esse dinheiro não aumenta!
Em outra situação, ele estava em uma localidade do interior que pertencia à sua família. Nesse dia, o padre da cidade iria rezar uma missa numa pequena capela existente naquele lugar. O padre, sabendo que Augustão estava lá e sabendo, também, que havia uma casinha que vendia bebida, tentou evitar que o comerciante e outras pessoas do lugar bebessem na hora da missa. Então, o pároco foi até esse bar e derramou toda a bebida.
Quando Augustão chegou ao barzinho, contaram-lhe o acontecido. Ele correu para a capela chamando pelo padre. Quando entrou no santuário, o religioso estava confessando algumas pessoas. Augustão recuou envergonhado, pois pensava que o sacerdote estava sozinho. O padre saiu e perguntou o que era. Então, Augustão falou:
— Seu padre, proibir até que o senhor pode, mas derramar a bebida o senhor não pode não!
PASSEIO
Nos finais de tardes de um tempo já bem distante, era comum ver o Padre da cidade passear em seu cavalo marchador pelas ruas do centro da cidade de Simplício Mendes.
Em uma destas tardes, o Augustão estava em seu bar a beber algumas cervejas. O clérigo, montado em seu cavalo de marcha, já tinha passado umas três vezes em frente ao estabelecimento do Augustão.
Na quarta passagem do sacerdote, o Augustão foi para o meio da rua, levantou os braços e foi gritando:
— Para, para! O senhor já andou demais no cavalo. Agora é a minha vez de andar.
O religioso notou a situação de embriaguez do Augustão e falou:
— Não, seu Augusto, o cavalo já está bastante cansado. Estou levando agora mesmo para a roça. Amanhã o senhor anda nele.
O Augustão, depois de alguma insistência, terminou concordando e ficando a esperar pelo dia seguinte, para poder passear montado em cima do equino.
Inacinho do Saco
Inacinho era um agricultor do interior do município de Simplício Mendes e também, em algumas ocasiões, era muito afeito a cantorias, principalmente do gênero musical denominado pejorativamente de brega. Era uma pessoa de pequena estatura, mas bastante entroncado. Morava a 3 km da cidade de Simplício Mendes, na localidade “Saco”; entretanto, constantemente estava na cidade, mormente nos finais de semana.
Em um certo dia, foi contratado para cavar alguns buracos onde seriam colocados alguns postes de energia. O cidadão que o contratou falou que os buracos tinham que ser na altura do umbigo de um homem. Inacinho concordou com o serviço.
No outro dia, o contratante foi com Inacinho olhar o serviço. Chegando lá, o rapaz olha para o Inacinho e diz:
--- Meu amigo, esses buraquinhos aí não vão dar para segurar poste não. São tão rasinhos! E eu falei para o senhor que era na fundura de um umbigo de homem.
Inacinho, já com raiva, fala:
— Eu fiz na altura do meu umbigo. Quer dizer que eu não sou homem não?
Geralmente, um buraco na altura do umbigo de um homem de estatura mediana dá 1 metro, mas na altura do umbigo de Inacinho, talvez, desse 50 cm. Para evitar confusão, o rapaz pagou a Inacinho o valor combinado.
Eu me entreguei. Dei o meu melhor. Joguei-me de corpo e alma. Mas você me tratou como um objeto descartável.
Sabe aquela versão amorosa e carinhosa de mim que você conheceu? Ela se foi… Foi embora junto com você.
Estou oficialmente aposentado do amor.
"Pra que Papa e Papado? Ou como perguntou aquele quase Fiel: 'O que faz um Papa?' "
Minha Frase 0067, Criada no Ano 2006
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Seja sincero (consigo): é melhor lidar com um falso humilde (que vive dissimulando) ou com um soberbo convicto, mas que não tenta enganar ninguém. Hein?"
Frase Minha 0097, Criada em 2006
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
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