AUGUSTÃO Augustão, foi um comerciante... Claudio Roberio Moura Luz
AUGUSTÃO
Augustão, foi um comerciante de Simplício Mendes. Ele era proprietário de um bar e de uma farmácia, mas gostava de ficar mesmo era no bar. Tinha uma alma tão pura que muitas vezes beirava a ingenuidade, assemelhando-se a um Dom Quixote da vida.
Pois bem, em um certo dia, ele estava em seu bar e as horas passavam sem que entrasse um único freguês no estabelecimento. Entediado com aquilo e já com umas duas na cabeça, resolveu, então, vender a bebida para si mesmo. Batia no balcão com as mãos e pedia uma dose. Depois rodeava o balcão, colocava a bebida no copo, em seguida retornava ao lugar de atendimento para cliente, bebia a dose e pagava. Depois de várias vendas e de vários recebimentos, ele , meteu a mão no bolso, puxou o dinheiro, contou e então disse:
— Não dá para entender. Eu vendo e vendo, e esse dinheiro não aumenta!
Em outra situação, ele estava em uma localidade do interior que pertencia à sua família. Nesse dia, o padre da cidade iria rezar uma missa numa pequena capela existente naquele lugar. O padre, sabendo que Augustão estava lá e sabendo, também, que havia uma casinha que vendia bebida, tentou evitar que o comerciante e outras pessoas do lugar bebessem na hora da missa. Então, o pároco foi até esse bar e derramou toda a bebida.
Quando Augustão chegou ao barzinho, contaram-lhe o acontecido. Ele correu para a capela chamando pelo padre. Quando entrou no santuário, o religioso estava confessando algumas pessoas. Augustão recuou envergonhado, pois pensava que o sacerdote estava sozinho. O padre saiu e perguntou o que era. Então, Augustão falou:
— Seu padre, proibir até que o senhor pode, mas derramar a bebida o senhor não pode não!
