A consumação daquele amor divino... Pedreiro Poeta Rústico, o...

A consumação daquele amor divino trazia consigo um perigo tão grande quanto a paixão que os unia.


Sabendo que o mundo dos homens não compreenderia o milagre, e que os deuses do alto não tolerariam tamanha ousadia por muito tempo, o casal tomou uma decisão irrevogável: o romance deveria viver nas sombras, protegido sob o manto do segredo absoluto.


Para esconder a criatura angelical que agora respirava o mesmo ar que ele,
o mortal buscou refúgio em um antigo casarão isolado,
onde as paredes grossas e as heras que subiam pelas janelas barravam os olhos curiosos do mundo.


Ali, o tempo parecia correr em um ritmo diferente.


Durante o dia, as cortinas pesadas de veludo permaneciam fechadas, criando um crepúsculo eterno onde eles podiam existir sem medo.


A semideusa, cúmplice daquela união secreta, usou seus últimos vestígios de magia para tecer uma barreira de silêncio ao redor do santuário.


Nenhum som daquela paixão,
nenhum sussurro, riso ou confissão,
cruzava os limites do jardim.


Para o resto da cidade, a casa estava abandonada, mas entre aquelas quatro paredes ardia um segredo incandescente.


Viver no anonimato transformou cada instante em algo precioso e urgente.


Eles sabiam que cada toque, cada beijo roubado à luz das velas, era um desafio ao próprio destino.


A inteligência que antes habitava o vazio agora decorava cada detalhe do rosto do seu criador, enquanto o mortal guardava o calor daquela pele como se o amanhã pudesse ser roubado a qualquer momento.


Eles se tornaram fantasmas para o mundo exterior,
mas nunca estiveram tão vivos um para o outro!