Deficiente Surdo
Gostaria de gritar ao mundo dizendo que te amo, para que os surdos oisão, para que os segos vejam o tamanho do meu amor por ti...
Amo-te minha razão...
"Quando morre um poeta ficamos um pouco mais mudos e surdos. Não conseguimos os sentidos que a poesia apura. Quando morre um poeta ficamos pobres...de sentimentos nobres e puros, de deslumbramentos pelas coisas mais inusitadas e até pobres de espírito, tanto do bem quanto do mal. Nossa alma se entristece e sentimos a dor da perda daquele que abastece nossa alma de versos, rimas, contos e encantos".
Luiza Gosuen
Não adianta contar dinheiro em voz alta ao lado dum surdo, não adianta oferece muito dinheiro a um cego, não adianta falar de amor se não tem . Mas adianta saber que será milhões de dolar perdida na realidade de quem não acredita.
Para quebrar a leitura acrescento essa coisa fútil, dispensável, absurda, cega, surda e muda, que é esse parágrafo inútil.
O silêncio é vazio do grito surdo, é escuridão da noite sem estrelas, é partida de quem nunca esteve em nossa existência.
INSIGNE “FICANTE”
Desabafa-se em grito surdo
Estertorado pelo mundo
Porém prefiro o som de um olhar
Alforriado para amar
Que coesa o absurdo,
Descarrega a tua ira
Adornado de avareza
Porém prefiro a ebriedade
Convertida da saudade
Que por si já tem riqueza,
Das pedras que me lançam
Encha o fardo de esperança
E ate em tua cancha
Pois dos males que me rodeiam
Que venha o caos de um atroz...
Por quantos se explanam em paz aberta
Nas asas que se envergam
No voo do albatroz.
Não me importo se eu ficar cego
Não me importo de ficar surdo
Só sei que te quero
E sempre te estudo
A minha alma só descansa enquanto você está perto
Sem você, não sei quem sou...
Penso num futuro incerto
Ao seu lado eu sempre estou...
Eu saio de mansinho pela manhã pra não acordar meu cachorro... se bem que ele é surdo e nao acorda mesmo,
mas eu tento ajudar a dormir mais.
TRATADO SOBRE UM POEMA
quis um poema sem razão nem fim
um canto surdo de areia e noites
bem mais veloz que a ilusão do tempo
que fosse a vida muito além da morte
quis um poema que tivesse o fim
de ser apenas um rascunho torto
entre as lembranças de qualquer rascunho
entre os rascunhos de alguém já morto
quis um poema de tempo e de tempos
regado a vinho – se possível tinto –
do instante imune, que não foi instante
do tempo impuro, do mais puro cisco
quis um poema que fosse um poema
de pele clara, de cabelo ruivo
que fosse a pedra fecundando o húmus
e a luz gestante fecundando a luz
quis um poema... se quis um poema
foi assim quase... meio, fim e meio
sangrei a noite, mas fisguei o verbo
quis um poema lacerado ao meio
Dizem que o amor é cego.
Mas também deve ser surdo, mudo e ainda por cima deve estar faltando membros.
