Dedicatórias para Educadora Infância
“A infância não fica para trás apenas porque o corpo cresceu; muitas vezes ela permanece esperando escuta dentro do adulto.”
Do livro O Grande Universo das Memórias, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
Casa Branca...
Hoje me deu saudade, então escrevi
De uma linda casa branca
Onde minha infância vivi
Era de uma família nobre
E eu um pobre guri
Com saudades e boas lembranças
Recordar eu resolvi
Naquela casa branca
Bem na beira da estrada
Me lembro quando piá
Eu pedi uma pousada
Eram pessoas ricas
E eu pobre não tinha nada
Mas fui bem acolhido
Acabei frequentando aquela morada
Então lembrei com gratidão e saudade
Da casa branca na beira da estrada.
Há Muita Dor, Mas Há Mais Amor
Sorrateiramente, memórias da infância me invadem e me fazem romper com o cotidiano.
Na lembrança, apresenta-se uma figura aterrorizante, um clichê de tirano.
Do meu quarto, sinto o odor do cachimbo, enquanto o desprezo em seus olhos exala ódio.
Mas ainda posso ouvir, da janela, apesar da tarde taciturna, as vozes das outras crianças brincando.
Do terceiro andar, fantasio-me brincando com elas no térreo, pois nem concebo a ideia de descer.
Por instinto, aguardo o déspota adormecer ou sair de casa, para que eu possa me divertir.
De repente, o interfone toca. Ele atende e, após alguns berros, sai depressa pelas escadas, entra no carro e me liberta.
Faço meus afazeres escolares; minhas irmãs dormem, minha mãe está no trabalho — e agora desobedecer é o mesmo que viver.
Viver é muito melhor que sonhar, e entrego-me de corpo e alma às brincadeiras, com minha pipa e meu pião.
Já estou sujo de terra como os amigos; ganhei pipas, perdi o pião, e acendi a chama do meu coração.
Minha alma é invadida pela alegria de ser criança — sinto que venci o mal.
Porém, subitamente, escuto a cavalaria do inferno através do escape velho e barulhento.
Corro mais rápido que no pega-pega, subo as escadas para que não perceba que estive brincando.
Entro direto no banheiro, tomo banho e começo a chorar, pois sei o que está por vir.
Você entra, espera que eu termine o banho e me surra com a mangueira que usou para lavar o automóvel.
E sofro mais uma das infinitas violências daquele a quem um dia chamei de pai.
Por esses episódios, passei a vida acreditando que não deveria ser pai, pois às vezes me via reagindo de forma igualmente inclemente.
Entre tantas escolhas, esse pensamento sempre permaneceu, por temer que um dia eu me tornasse como ele.
Arrependo-me profundamente, porque as decisões que tomei castigaram minha alma e me amaldiçoaram até recentemente.
Ainda que tardiamente, ser pai foi a melhor ventura que me aconteceu.
A importância de sê-lo é reconhecer a mudança e lançar esperança ao futuro.
Mas o mais especial para mim foi descobrir que, apesar de toda a dor que carrego, ainda sou capaz de dar e receber amor.
DRAL
Na infância, o Sul de Minas era meu destino de férias. Terra do meu pai, entre São Sebastião do Paraíso, Itaú, Pratápolis, Passos, Morro do Níquel e Fortaleza de Minas. O tempo passou, mas essas lembranças continuam morando no coração. ❤️🌿
Na infância, o Sul de Minas era meu destino de férias.
Terra do meu pai, de estradas tranquilas, os deliciosos pães de queijo assados e dias que pareciam não ter fim.
São Sebastião do Paraíso, Itaú, Pratápolis, Passos, Morro do Níquel, Fortaleza de Minas...
Hoje são lembranças guardadas com carinho,
porque a infância passa, mas os lugares onde fomos felizes continuam morando no coração.
Infância
Brincadeiras que alegraram a infância
que nunca se esquece e trazem boas lembranças.
O jeitinho especial de enrolar o fio no pião,
de desbicar a pipa no céu,
de dar um relo.
A alegria das meninas pulando amarelinha.
O futebol — esse fica até a vida adulta,
paixão nacional.
Ah, infância bonita
de uma alegria espontânea!
Das corridas, do esconde-esconde...
Saudade danada da minha infância.
É uma pena não poder voltar
ao meu tempo de criança
e brincar tudo outra vez.
Marcio Melo
Talvez a maior riqueza da infância estivesse justamente na sua ingenuidade: a capacidade de transformar coisas simples em acontecimentos memoráveis. Um campinho de terra, uma mexerica e uma tarde de domingo bastavam para preencher um dia inteiro. O mundo se transformou, como teria que ser, mas essa capacidade de encontrar valor no simples continua sendo uma das maiores formas de sabedoria.
PRIMEIRA INFÂNCIA: AURORA
Aurora que encantas, também emerge a escuridão,
Em meio a bênção da chuva,
A tempestiva tempestade
Um ninho e sete irmãos,
No cantar do galo
No apagar das luzes,
Na hora da divina misericórdia,
A última gota
No caiu no chão
Criança
Que na primeira infância,
Sorriu
Com os seios flácidos da mãe,
O cheiro do café
O povo de muita fé,
Roga Deus
A primavera,
Seus brotos PANCs
Que a fome atenua,
O pingo de gente
A sua primeira infância sobreviveu,
O fruto frutificou
Eis a metamorfose,
O pingo não é mais gota
Viva a transmutação,
Sem rima e sem métrica
Em seus versos transcreve
Um homem escritor,
Erudita pensador
O prosador poeta.
281225II
Lugar de infância é onde se cultiva a virtude, e não em meio ao brinde dos excessos e à apologia da ignorância.
O Filósofo e Prof. Clóvis de Barro certa vez disse e uma entrevista que na infância, a nossa auto confiança nasce de alguém que nos empresta de si, geralmente, o motivo é nos amar muito.
Lembrei da minha mãe ensinando eu a andar de bicicleta. Ela tirou as rodinhas, mandou eu subir, explicou como os freios funcionavam e disse que para manter o equilíbrio era só não parar de pedalar. Me deu um forte impulso, e enquanto eu pedalava desiquilibradamente, ela gritava: você consegue. Até hoje confio de que sou capaz de aprender qualquer coisa!
A vida mais curta que a gente tem é a infância, pois a gente não sabe o quanto ela é tão breve até virar uma lembrança.
Eu sempre fui um garoto inocente, perdi minha infância em um sentimento de amor e loucuras.
Perdi-me em olhos sedutores e boca carnuda me dominando e mastigando meus sentidos.
Era inquieto o silêncio e seu corpo me alucinava em um feixe de luz e murmurava em meu ouvido fazendo-me arrepiar todo o corpo.
Entregava-me a felicidade, pois você é minha alegria e não posso viver sem teus carinhos e tua presença.
Infância
as primeiras lembranças que tenho
é de arrancar os cílios um a um,
soprar e ditar um desejo…
Alguém tinha me dito que Deus atende
se fizer uma oração
e oferecer sacrifícios.
Era pequena demais pra entender
repetia o mesmo pedido,um eco
de socorro a solidão.
.
Pedir pra minha mãe voltar
e me buscar.
Vivia agarrada às grades do internato
com a esperança na mão.
Um dia,ela voltou com um senhor.
Eu já estava sem cílios e com uma sensação ruim
de abandono que nunca se curou.
Mas ele me adotou e chamou de filha.
"Eu percebi que a minha infância não foi a infância que eu queria, mas a infância que eu precisava, para aprender as lições da vida."
RETROSPECTATIVA (Escrito na pandemia, ainda atual)
Intolerância, distorção, infância...
Lançamento, cancelamento, entretenimento...
Opinião, censura, ignorância...
Globalização, privilégio, poder...
Cassação, corrupção, vacina...
Copiar, colar, saber...
Neutralidade, menino, menina...
Pólvora, gatilho, pavio...
Bombardeio, transmissão, sem fio...
Homo, hétero, gênio...
Inocente, culpado, refutado...
Esquerda, direita, centrado...
Protestando, em silêncio, errado!
Pensado, falado, calado...
Errado, errado, cancelado!
Cristiane de Assis
“Aqui o vento é mais frio.
O ar não traz cheiro.
Não recordo a infância há algum tempo.
O que antes era desespero por não estar aqui
agora é calmaria
sem memória.”
Crianças são especiais para quem ama a infância, pois proteger essa fase é a melhor missão que um adulto pode ter. Fica a dúvida: quem cuida de quem? O adulto cuida da criança ao dar atenção, limpar a roupa e defendê-la de quem é ruim. Mas a criança também cuida do adulto com um abraço sincero e com as palavras exatas que a gente precisava ouvir. É uma troca de ajuda e de amor. Diante de tanta pureza, é difícil entender por que existe quem queira fazer o mal contra elas, mas o futuro sempre cobra o preço de cada ato. Cuidar de uma criança é proteger o que há de melhor no mundo.
A infância é a melhor coisa para um adulto cuidar. Mas afinal, quem cuida de quem?
O adulto ajuda a criança limpando a roupa, dando atenção e defendendo do mal.
A criança ajuda o adulto com um abraço e com as palavras certas que a gente precisava ouvir. É um ciclo de amor e proteção. É impossível entender por que algumas pessoas escolhem o caminho do crime contra tanta inocência. Mas o futuro e a vida cobram o preço de cada ato.
Quem ama a infância sabe: proteger uma criança é salvar o próprio coração.
O sentimento de apego e de rejeição oriundos da primeira e segunda infância, tornam a vida de muitas pessoas insuportáveis na vida adulta. São raízes que devem ser arrancadas. Caso persista a dor do significante, todos os dias as ramificações deve ser cortadas na CEPA uma por uma até que se olhe no espelho e se possa dizer a si mesma: eu sou tudo aquilo que eu sempre quis ser.
Emília Bôto
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