Dedicatória para Mim
A CANÇÃO QUE NÃO É MINHA
Existe uma canção em mim,
Uma canção que não é minha.
Ela vaga imortal no meu inconsciente
E arrasta sensações de tempestade e calmaria.
Nas poucas vezes que estou lúcido,
Sou arrebatado de forma cálida.
Eu, que não sou um entusiasta do meu pessimismo provocado por ela, devo esclarecer: entenda, meu pessimismo é meu bom vivant; não é tristeza, desesperança ou solidão, é apenas solitude.
Entenda: meu pessimismo foi construído com bases fortes na canção entoada na alma.
O pessimismo é meu, e ele se agarra a mim como se eu fosse a última fronteira entre a esperança e o desânimo.
A canção continua tocando, cadenciada e ressoando no caminho da alma, um caminho tortuoso e sem fim!
Lembranças
Lembrei-me de você
Tão longe, longe de mim.
Eu faço barcos de papel
Que vão pelos mares a ti,
Como uma lembrança.
Lembre de nós, quando crianças,
Juntos a brincar, a sorrir.
O mundo era nosso:
Você a lua e eu o sol,
Com olhares inocentes.
Quem ouvir o nosso pranto
Vai entender que não queremos
Ouvir a palavra "adeus".
Se algum dia nos unirmos,
Falaremos a sós
Nossos segredos:
Essa nossa dor por não ter
A quem amamos.
Poesia
Escrever um poema é para mim usar a tinta vermelha saída do coração,
Gravando na alma cada palavra e sentimento, seja ele sonho, realidade ou ilusão,
Futuro ou passado. O principal de tudo é que este sentimento é puro,
É meu tão somente meu, mas que por palavras eu compartilho, exponho, divulgo.
Para que todos possam também sonhar, pensar, tentar, protestar, amar.
Poema é a alma falando, o coração pulsando, o nosso perfume exalando;
É antes de qualquer coisa um grito. Grito de emoção, paixão, do coração cantando.
É preciso sintonia, harmonia, loucura, devaneio, para falar sem rodeio.
Falar de amor e ódio, paz e guerra, alegria e tristeza para quem esta em nosso meio.
Tocar os corações, fazer viajar, levar a pensar, refletir e ousar a amar.
Poesia é ver a beleza da lua, sentir a brisa do mar, mesmo em noite escura.
Encontrar nas palavras acalento, aconchego e das feridas a cura.
Sentir as ondas do mar, pisar na areia fina e delicada.
Caminhar na mente, na imaginação, deixar a alma emocionada.
Poesia é demonstrar o amor, que em nosso íntimo está.
E agora, finalmente, eu permito que uma nova energia nasça em mim.
Uma energia de paz.
De coragem.
De amor-próprio.
De liberdade.
Porque depois de tanta dor, eu não quero apenas sobreviver.
Eu quero viver. E quero viver de uma forma completamente nova.
o gabrieu e o parice II
Existe alguém dentro de mim que não tem paciência.
Eu descobri isso tarde, depois de passar tempo demais tentando ser uma pessoa fácil de carregar. Ele apareceu quando eu já estava acostumado a me abandonar em pequenas doses, quando dizer não para mim mesmo tinha virado uma forma de educação e desistir dos meus sonhos parecia apenas uma consequência natural de crescer.
Ele odiou isso.
Odiou a minha prudência.
Odiou o jeito como eu transformava medo em maturidade e acomodação em paz.
Odiou principalmente quando eu dizia “um dia”.
Porque ele sabia.
Ele sabia de todas as coisas que eu já imaginei fazer, de todas as versões de mim que já existiram na minha cabeça antes que eu tivesse coragem de colocá-las no mundo. Sabia dos lugares onde eu queria chegar, das coisas que queria construir, da pessoa que eu dizia que seria quando tivesse tempo, dinheiro, coragem, oportunidade, certeza.
Ele escutou todas essas promessas.
E um dia perdeu a paciência.
Não veio me consolar.
Veio me buscar.
Disse que eu estava correndo na direção errada e que, se precisasse, me arrancaria dela à força. Não porque me odiasse, mas porque talvez fosse a única coisa dentro de mim que ainda me amasse o suficiente para não aceitar a minha própria desistência.
Eu tentei explicar.
Falei de responsabilidade.
De pessoas.
De consequências.
De tudo aquilo que existe do lado de fora de nós e que aprendemos a carregar como se fosse nossa obrigação.
Ele riu.
Não porque aquilo fosse engraçado.
Porque estava cansado.
“E você?”
Foi só isso.
E você?
Eu não tinha resposta.
Porque passei tanto tempo perguntando o que os outros precisavam que esqueci de perguntar o que eu queria.
Ele não esqueceu.
Ele queria tudo.
Queria as viagens que eu adiei.
Os projetos que eu deixei morrer antes de nascer.
As noites em que eu deveria ter saído.
As conversas que eu deveria ter tido.
As portas que eu não bati.
As cidades que eu só conheci pela tela.
Queria que eu fosse até o fim de cada coisa que um dia fez meus olhos brilharem.
Não importava se eu fracassasse.
Fracasso, para ele, ainda era movimento.
O que ele não aceitava era a covardia sofisticada de chamar desistência de escolha.
Então começou a destruir.
Não minha vida.
A vida antiga.
Aquela que tinha sido construída para me manter pequeno.
Quebrou os móveis imaginários daquele apartamento mental onde tudo estava sempre no lugar, mas nada realmente acontecia. Pegou as fotografias das versões antigas de mim e rasgou uma por uma. Incendiou as desculpas. Jogou no asfalto os planos que nunca saíam do papel.
Eu fiquei desesperado.
“Você está acabando com tudo.”
Ele respondeu:
“Não. Estou acabando com aquilo que acabou com você.”
E eu odiei ouvir aquilo porque alguma parte de mim sabia que era verdade.
Ele não tinha delicadeza.
Delicadeza demais tinha sido justamente o problema.
Ele era egoísta.
Completamente.
Se alguém precisasse ficar para trás para que eu pudesse avançar, ele não passaria a noite inteira se culpando.
Se uma porta exigisse que eu deixasse uma versão antiga de mim do lado de fora, ele fecharia.
Se uma vida inteira tivesse sido construída em cima da ideia de agradar todo mundo, ele preferiria colocar fogo na casa a continuar morando nela.
Ele não queria ser uma pessoa melhor.
Queria que eu fosse inteiro.
Essa era a diferença.
E talvez fosse por isso que eu tivesse tanto medo dele.
Porque ele não negociava com a parte de mim que queria continuar pequena.
Quando eu dizia “não consigo”, ele perguntava “ainda não ou nunca?”
Quando eu dizia “não é a hora”, ele perguntava “quando foi que você decidiu que teria outra?”
Quando eu dizia “e se der errado?”, ele respondia que pelo menos o erro teria o meu nome.
Ele tinha raiva.
Uma raiva quase sagrada.
Raiva de tudo que transforma pessoas em versões aceitáveis delas mesmas.
Raiva da cadeira confortável onde sonhos morrem lentamente.
Raiva das frases que começam com “se eu pudesse”.
Raiva de olhar para uma vida inteira pela frente e escolher viver como se já estivesse no fim.
Ele ardia.
Eu conseguia sentir.
Era como carregar uma pequena tempestade atrás das costelas.
E quanto mais eu tentava apagá-lo, mais fogo ele colocava nas coisas.
Só que, estranhamente, quanto mais ele queimava, mais frio ficava o mundo ao redor.
Eu corria dele.
Ele corria atrás de mim.
Eu procurava abrigo.
Ele derrubava o teto.
Eu queria voltar.
Ele apontava para frente.
E essa talvez seja a parte mais cruel:
eu quero ficar.
Quero ficar exatamente onde estou.
Quero preservar as pessoas, os lugares, os hábitos, as versões que conheço.
Quero acreditar que ainda posso ter tudo sem precisar perder nada.
Mas ele sabe que não.
Ele sabe que algumas versões de nós não cabem na próxima.
E quando chega a hora, ele não pede permissão.
Ele pega minha mão.
Eu puxo de volta.
Ele segura mais forte.
Eu digo que tenho medo.
Ele diz que também.
E continua andando.
Porque talvez coragem nunca tenha sido ausência de medo.
Talvez coragem seja ter alguém dentro de você que tenha medo também e, mesmo assim, continue arrastando você para frente.
Hoje eu ainda reluto.
Ainda tento negociar.
Ainda olho para trás.
Ainda sinto falta daquilo que ele destruiu.
Mas existe uma coisa que não consigo mais negar.
Aquele monstro nunca quis me machucar.
Ele queria me impedir de passar o resto da vida me machucando devagar.
Ele não apareceu para tomar minha vida.
Apareceu porque eu tinha deixado de tomá-la para mim.
E agora, quando sinto o fogo dele subindo, quando aquela voz começa a dizer que já chega, que não existe mais espaço para adiar, eu sei o que está acontecendo.
Ele está acordando.
E eu sei que vou correr.
Vou relutar.
Vou tentar convencê-lo a me deixar em paz.
Mas, no fundo, existe uma parte de mim que já sabe exatamente para onde estamos indo.
Para tudo aquilo que um dia eu imaginei.
Para tudo aquilo que ainda não existe.
Para a vida que eu continuei prometendo que começaria algum dia.
Ele não quer esperar.
Ele quer agora.
E talvez seja por isso que eu tenha tanto medo de olhar para ele.
Porque quando olho, não vejo um monstro.
Vejo a única versão de mim que nunca desistiu de nós dois.
Assuma o controle Parice, eu lhe permito, não existe mais nada pra mim aqui.
Faça de mim senhor, uma pessoa sábia para que eu saiba enfrentar qualquer situação, por mais difícil que ela seja. Amém!
BOM DIA PAZ SEJA COM TODOS
Tem dias em que parece que alguma coisa dentro de mim simplesmente se apagou. Eu continuo vivendo, conversando, sorrindo e fazendo aquilo que preciso fazer, mas existe uma parte de mim que permanece em silêncio, tentando entender por que tudo parece tão difícil.
É estranho sentir tanta coisa e, ao mesmo tempo, não conseguir identificar exatamente o que está acontecendo. Às vezes penso que estou bem, até perceber que estou apenas tentando me convencer disso. Outras vezes, sinto uma tristeza que não consigo explicar e uma vontade enorme de desaparecer por algumas horas, apenas para não precisar lidar comigo mesma.
Tenho guardado sentimentos demais. Coisas que nunca falei, dores que tentei esquecer e pensamentos que prefiro esconder. Talvez eu tenha me acostumado tanto a fingir que estou bem que já nem sei mais diferenciar quando realmente estou.
O pior acontece quando fico sozinha. Minha cabeça se torna um lugar difícil de permanecer. Pensamentos antigos retornam, inseguranças aparecem e tudo aquilo que durante o dia consigo ignorar parece ganhar voz.
Talvez muita gente tenha uma ideia prévia de mim.
Eu também sou assim.
Previamente olho para mim mesma,
para saber quem eu sou agora.
O tempo todo eu me acho uma casa
que precisa estar sendo reformada,
todo dia por dentro.
Um dia eu já fui um quarto sem luz, sem vento.
Hoje, eu já não sou assim!
Quem me conhece no passado
precisa saber mais de mim.
Nildinha Freitas
Às vezes dentro de mim
De um lado pra outro ando
E vai vê que é assim
Que encontro meu comando.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
13/08/2026
Decidindo não ser mais degrau a ninguém,
Decidindo não mim Importa mais, já vi, presenciei que não sou mais importante aliás nunca fui.
Não sei vocês, mas vejo tanta poesia na frase: "não espere de mim o que você não me dá".
Bem assim...., com jeito.
Chega de Margens
Ainda estou me acostumando com ela em pleno 62/63— esta versão de mim que parece uma evolução silenciosa, metade caos, metade clareza e, de alguma forma, ainda intencional. Ela é nova, mas também… não é. Mais como um despertar. A próxima fase do por vir. Eu não percebi que escolher ser imperfeito eventualmente se tornaria parte do por vir. E agora que ela está aqui, ela não anda na ponta dos pés. Ela (idade/mente) não pergunta se é demais. Ela simplesmente chega — crua, firme, despreocupada — como se estivesse esperando que eu parasse de me moldar em formas que deixavam todos os outros confortáveis. E quando ela avança, ela não apenas sobe ao palco — ela o preenche, como se finalmente se lembrasse de que nunca deveria ter vivido à margem da própria vida. Ela permanece ali com essa certeza silenciosa, daquela que não precisa provar nada, daquela que faz você perceber que ela nunca foi o problema — o espaço é que era pequeno demais e me fazia me preocupar, me sentir pressionado. E talvez seja essa a parte que ainda estou aprendendo: que tenho permissão para viver uma vida que me encaixe. Que não preciso me retrair para ser compreendido. Que posso querer mais espaço sem sentir que estou pedindo demais. Não se trata de me tornar alguém novo — trata-se de finalmente me permitir ser quem eu sempre tentei proteger. E é isso que estou aprendendo agora: tenho permissão para crescer (ainda da tempo) além dos limites de quem eu costumava ser. Não preciso me retrair para ser compreendido e nem preciso que alguém me compreenda se esse alguém pretende caber na mesmice do cotidiano orientado por “influencer´s. Posso querer uma vida que me encaixe sem me desculpar por isso. Não se trata de me tornar alguém novo — trata-se de finalmente me permitir ser eu mesmo. E quanto mais me permito crescer, mais percebo o quanto eu me reprimia sem nem notar. Quantas vezes tentei me tornar mais fácil de carregar, mais fácil de entender, mais fácil de amar. Mas não farei mais isso. Nesta idade, a idade do pôr do sol da vida, estou aprendendo a me aceitar como sou — não como um projeto, não como um problema, mas como uma pessoa que merece o espaço que preciso conquistar. Há uma estabilidade nisso. Uma espécie de confiança tranquila que eu não sabia que podia ter. E é nisso que me apego agora — na compreensão de que não preciso me diminuir para me manter amistoso. Posso crescer – ainda que nesta idade o corpo encolha e se curve - sem me perder. Posso ocupar espaço sem sentir que estou tirando algo de alguém. Esta versão de mim não é uma partida; é um retorno – talvez seja isso, quando envelhecemos, retornamos para quem fomos um dia, quando crianças puras. Uma expansão. Uma acomodação na vida que venho construindo silenciosamente. Pela primeira vez, parece menos que estou me desvencilhando de quem eu era e mais que finalmente estou me tornando quem sempre fui.
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