De Repente Nao mais que Derepente
Dele,
quase ninguém sabe mais nada…
Só sabe postar no Pensador.
Talvez seja esse um dos destinos mais doces e curiosos de quem se aventura pela arte de escrever: passar a existir mais nas frases atribuídas a si do que na própria história.
O nome permanece, a obra envelhece…
A ideia sobrevive, mas o ser humano que a pensou vai ficando para trás, reduzido a algumas linhas que circulam de tela em tela, como se fossem órfãs de um livro que quase ninguém mais procura.
Escrever tem dessas crueldades.
A gente começa escrevendo porque precisa dizer alguma coisa e, com o tempo, descobre que talvez escreva justamente porque não consegue deixar de dizer.
O escritor se torna dependente de brincar com as palavras.
Mas é uma dependência boa.
Não necessariamente da publicação, do reconhecimento ou dos aplausos — mas do próprio ato de transformar inquietação em frases.
Escrever é uma espécie de vício sem ressaca.
A folha em branco — ou hoje, a tela iluminada — funciona como confidente.
Nela depositamos aquilo que não conseguimos explicar numa conversa, aquilo que não cabe num abraço e, muitas vezes, aquilo que nem nós mesmos compreendemos.
Escrevemos para organizar o caos, mas também para descobrir que o caos tinha mais coisas dentro dele.
E há uma estranha vaidade nisso.
Quem escreve gostaria de ser lido, embora às vezes finja que não.
Gostaria que uma frase encontrasse alguém, atravessasse uma manhã, uma tarde ou uma noite, interrompesse um pensamento.
No fundo, todo escritor alimenta a esperança de que suas palavras façam companhia a um desconhecido.
Mas o tempo também é muito impiedoso com as palavras.
Hoje, uma frase pode alcançar milhares de pessoas antes que alguém saiba quem a escreveu.
Amanhã, pode continuar circulando sem nome, ou com o nome errado.
E talvez não haja grande tragédia nisso.
Afinal, se uma ideia sobrevive ao seu autor, alguma coisa de sua escrita venceu o esquecimento.
Talvez seja por isso que escrever seja um vício tão particular: o escritor sabe que não controla o destino daquilo que escreve.
Depois de publicada, a palavra deixa até de ser dele.
Ganha outros olhos, outras interpretações, outras vidas.
E ele continua escrevendo…
Escreve porque algumas coisas até doem quando permanecem caladas.
Escreve porque certas lembranças pedem uma segunda existência.
Escreve porque há pensamentos que só se tornam mais claros depois de colocados no papel.
Escreve, enfim, porque talvez seja essa a sua maneira de permanecer inteiro num mundo que o tempo inteiro tenta nos fragmentar.
No fim, talvez muito pouco importe se lembrarão da autoria.
Que alguém se lembre da frase já é alguma coisa.
Que alguém se reconheça nela — é quase tudo.
E, para quem tem o vício de brincar com as palavras, talvez seja essa a única recompensa realmente necessária: descobrir, de vez em quando, que uma palavra que nasceu solitária dentro de nós encontrou morada dentro de outra pessoa.
Às vezes, o Barco resolve balançar um pouquinho mais, só para nos lembrar que o Filho do Homem tem Autoridade até sobre a Tempestade.
Quando eu era mais Medo que Fé, olhava mais para as águas agitadas…
Agora, sendo mais Fé do que Medo, já posso Vê-lo — vindo ter comigo, caminhando por sobre as águas!
Aos meus — consanguíneos e em Cristo — tende bom ânimo!
Ele sempre está agindo!
Porque há Tempestades que não chegam para anunciar a nossa ruína, mas para revelar, de maneira mais profunda — Quem verdadeiramente governa o Barco.
Há momentos em que o Senhor não acalma imediatamente o vento, não porque tenha perdido o controle, mas porque também deseja transformar o nosso olhar.
A Tempestade, que antes ocupava todo o horizonte, começa a perder a sua grandeza quando os nossos olhos aprendem a reconhecer Aquele que vem ao nosso encontro.
A Fé não é a ausência de ondas, tampouco a garantia de que nunca sentiremos Medo.
Fé é aprender que a dimensão das ondas, da turbulência, não determina o tamanho do nosso Deus.
É compreender que, mesmo quando não conseguimos discernir os Seus movimentos, a aparente ausência de intervenção não significa ausência de ação.
Pedro, ao caminhar sobre as águas, descobriu que era possível dar passos extraordinários enquanto os olhos permaneciam em Cristo; mas também descobriu como o Medo pode ganhar voz quando a força do vento passa a ocupar o centro das atenções.
Talvez amadurecer espiritualmente seja justamente isso: não fingir que o vento não existe, mas recusar-se a tratá-lo como se fosse soberano.
E há algo ainda mais precioso: antes de Pedro clamar, Jesus já estava ali.
Antes da mão do Mestre segurá-lo, a presença do Mestre já rompia a distância.
Antes do mar se aquietar, Cristo já era Senhor sobre ele.
Por isso, aos meus — consanguíneos e em Cristo — digo: tende bom ânimo!
Não façam da Tempestade a interpretação definitiva da própria história.
Não confundam demora com abandono, silêncio com indiferença, nem águas agitadas com a falência das promessas de Deus.
Nem sempre saberemos por que o barco balança tanto; nem sempre compreenderemos os caminhos pelos quais o Senhor nos conduz.
Mas podemos descansar nesta certeza: o vento não tem a última palavra, o mar não estabelece os limites de Cristo, e a Tempestade jamais ocupará o Trono que pertence ao Senhor.
Que, nos dias de calmaria, sejamos gratos.
Nos dias de Vento Forte, sejamos perseverantes.
E, quando as ondas tentarem roubar-nos a visão, a atenção, que a nossa alma se lembre de olhar novamente para Jesus.
Porque a nossa segurança definitiva nunca esteve na estabilidade do barco, mas na soberania d’Aquele que tem Autoridade até sobre o mar.
O Barco pode balançar.
O Vento pode soprar.
As Águas podem se levantar.
Mas Cristo continua sendo o Senhor.
E, se Ele vem ao nosso encontro caminhando por sobre aquilo que nos ameaça, então até a Tempestade pode se tornar cenário de uma grande revelação: aquilo que para nós parece impossível continua debaixo dos Seus pés.
Tende bom ânimo.
Ele está presente.
Ele reina.
Ele sempre está agindo!
Amém?
É muito mais fácil usar o nome de Deus para se esconder, aparecer e se promover do que se comportar como verdadeiro filho d’Ele.
Há quem transforme a fé em um Palco, a oração em um Discurso de Autopromoção e o sagrado em Instrumento de Conveniência.
Pessoas que falam de Deus com eloquência, mas cujas atitudes contradizem aquilo que anunciam; que carregam a Bíblia nas mãos, mas nem sempre permitem que a Palavra lhes confronte o coração.
Invocam o Santo nome do Senhor para conquistar respeito, justificar interesses e construir uma imagem de santidade, esquecendo-se de que Deus não se impressiona com a aparência de piedade quando falta sinceridade na alma.
Jesus já nos advertia em (Mateus 6:1) sobre esse perigo ao denunciar aqueles que praticavam suas obras para serem vistos pelos homens.
O problema nunca foi ser visto fazendo o bem, mas fazer o bem apenas para ser visto.
Existe uma diferença muito profunda entre glorificar a Deus e usar o nome d'Ele para glorificar a si mesmo.
No primeiro caso, o coração se rende; no segundo, o ego se disfarça de devoção.
Ser filho de Deus não significa apenas pronunciar o Seu nome, frequentar ambientes religiosos ou dominar a linguagem da fé.
Significa permitir que o caráter seja moldado pela verdade, que o orgulho seja confrontado pela humildade e que as nossas escolhas revelem — inclusive quando ninguém está olhando — a realidade daquilo em que professamos crer.
Afinal, a filiação Divina não se comprova pelo volume das palavras, mas pelos frutos da vivência.
É possível falar de amor e alimentar ressentimentos; defender a verdade e viver de aparências; pregar a humildade enquanto se busca reconhecimento.
Citar as Escrituras para corrigir os outros e ignorá-las quando elas apontam para as nossas próprias contradições.
O ser humano tem uma habilidade muito perigosa de transformar até mesmo as coisas Santas em ferramentas para satisfazer desejos profundamente humanos.
Mas Deus não nos chamou para representar um papel religioso.
Chamou-nos para uma transformação verdadeira.
A graça não é um esconderijo para nossas incoerências, nem o perdão uma autorização para permanecermos deliberadamente os mesmos.
Pelo contrário, quanto mais compreendemos a graça, mais somos confrontados com a responsabilidade de viver de maneira coerente com Aquele que afirmamos seguir.
O verdadeiro filho não é aquele que nunca falha, mas aquele que não faz da hipocrisia um abrigo, do orgulho uma identidade ou da religião um instrumento de Manipulação.
É aquele que reconhece suas fraquezas, arrepende-se de seus pecados e compreende que não precisa parecer santo diante dos homens enquanto se recusa a ser transformado diante de Deus.
Há uma pergunta que merece nos acompanhar em profundo silêncio: se ninguém conhecesse nossa posição na igreja, não ouvisse nossas palavras de fé e não aplaudisse nossas atitudes, ainda assim viveríamos para agradar a Deus?
Talvez seja justamente no anonimato que a nossa Espiritualidade revele sua verdadeira natureza.
Quando não há plateia, elogios ou vantagens.
Quando fazer o certo custa alguma coisa.
Quando perdoar exige renúncia.
Quando servir significa ocupar o lugar que ninguém deseja.
É nesses momentos que a fé deixa de ser discurso e se torna testemunho.
No fim, não será a quantidade de vezes que pronunciamos o nome de Deus que demonstrará a profundidade da nossa comunhão com Ele.
Mas, sim, a disposição de permitir que esse Nome transforme a maneira como tratamos as pessoas, exercemos autoridade, lidamos com o poder e enfrentamos nossas próprias sombras.
Porque Deus não precisa de pessoas que utilizem o Seu nome para parecerem grandes.
Ele procura corações dispostos a se tornarem pequenos diante d’Ele.
E talvez uma das maiores tragédias da religiosidade seja esta: usar o nome de Deus para construir uma imagem que impressiona as pessoas, enquanto se negligencia o caráter que deveria honrá-Lo.
Afinal, é possível enganar uma plateia, conquistar admiração e até construir uma reputação religiosa admirável.
Mas nenhuma dessas coisas substitui a integridade de uma vida rendida ao Senhor.
Quem verdadeiramente deseja honrar a Deus não precisa transformar a fé em propaganda de si mesmo.
Precisa apenas viver de tal maneira que suas atitudes não desmintam suas palavras.
Pois o nome de Deus é para ser louvado, não para servir aos nossos projetos de grandeza.
Nós é que fomos chamados a colocar nossa vida a serviço da glória d’Ele.
Mais importante do que usar o nome de Deus é permitir que o caráter de Cristo seja reconhecido em nós.
Quando a Saudade me abraça um pouquinho mais apertado, o que me consola é a Gratidão pelo Azar
de ter tido tanta Sorte.
Porque há encontros que, mesmo quando a vida os transforma em despedidas, continuam acontecendo dentro da gente.
Há pessoas que partem, momentos que não voltam, abraços que se tornam lembranças e sorrisos que, de tão vivos na memória, quase nos convencem de que o tempo ainda não passou.
E talvez seja esse o paradoxo mais bonito e mais doloroso de existir: descobrir que algumas das coisas que mais nos fazem falta são justamente aquelas que mais nos fizeram felizes.
A Saudade, no fundo, é uma espécie de Eternidade disfarçada de Ausência.
Ela nos lembra que o tempo pode levar a presença de quem amamos, mas não pode desfazer o que foi verdadeiramente vivido.
O que passou não deixou de existir; apenas mudou de lugar.
Saiu do alcance das nossas mãos e encontrou morada naquilo que somos.
Está nos nossos gestos, nas nossas escolhas, nas palavras que repetimos até sem perceber, e até na maneira como olhamos para o mundo após termos conhecido alguém que nos ensinou a enxergá-lo de outra forma.
E é aí que nasce a Gratidão pelo Azar de ter tido tanta Sorte.
Azar, porque a vida não nos permite conservar tudo aquilo que amamos.
Porque a morte, essa arquiteta imprevisível e implacável dos nossos destinos, não nos consulta antes de mudar os cenários, encerrar capítulos ou transformar presenças em lembranças.
Azar, porque, às vezes, precisamos aprender a continuar vivendo com um espaço vazio onde antes existia alguém.
Porque amar também é aceitar a vulnerabilidade de não ter garantias, de não possuir o amanhã e de não poder negociar com o tempo.
Mas Sorte…
Ah, quanta Sorte!?!
Sorte por ter cruzado caminhos que poderiam jamais ter se encontrado.
Por ter vivido histórias que não estavam escritas em lugar algum.
Por ter conhecido pessoas que fizeram o mundo parecer maior, a vida parecer mais leve e os dias comuns ganharem a importância das coisas extraordinárias.
Sorte por ter tido motivos para rir até perder o fôlego, por ter encontrado abrigo em um abraço, por ter experimentado aquela sensação rara de estar exatamente onde se deveria estar, ao lado de quem fazia aquele instante valer a pena.
Talvez a maturidade comece quando deixamos de perguntar apenas por que certas coisas precisaram acabar e passamos a agradecer porque, um dia, elas começaram.
Quando compreendemos que a finitude não anula o valor de uma experiência, assim como o pôr do sol não torna menos belo o dia que termina.
Há coisas que não precisam durar para sempre para terem sido eternas naquilo que despertaram em nós.
Não se trata de romantizar a perda, nem de fingir que a ausência não dói.
Há dias que a Saudade pesa um pouquinho mais, os silêncios apertam e as lembranças chegam metendo os pés na porta.
Há momentos em que a razão entende, mas o coração continua procurando.
E tudo bem.
Nem toda dor precisa ser vencida; algumas precisam apenas ser acolhidas até que aprendamos a carregá-las sem deixar que nos impeçam de caminhar.
Porque existe uma diferença imensa entre sofrer por aquilo que “perdemos” e reconhecer a riqueza daquilo que tivemos.
A primeira nos prende ao que já não podemos mudar; a segunda nos reconcilia com a beleza de termos vivido.
E talvez a verdadeira sabedoria esteja justamente nessa travessia: permitir que a Saudade nos visite sem esquecer que a Gratidão também mora em nós.
No fim das contas, a vida não nos promete permanências.
Oferece encontros, possibilidades, instantes e a liberdade — nem sempre fácil — de atribuir significado ao que nos acontece.
Não escolhemos as despedidas, não controlamos todas as mudanças e não conseguimos proteger para sempre aquilo que amamos.
Mas podemos escolher não transformar o fim em uma negação do começo.
Podemos olhar para trás sem desejar apagar a história só porque ela terminou.
E, quando a Saudade me abraça um pouquinho mais apertado, tento me lembrar de que nem toda ausência é sinal de fracasso, nem todo fim é uma injustiça e nem toda lágrima precisa significar arrependimento.
Às vezes, chorar é apenas o coração reconhecendo o tamanho da bênção que foi ter vivido aquilo que agora lhe faz tanta falta.
Por isso, se existe algum consolo em não poder voltar, talvez ele esteja em saber que eu estive lá.
Que vivi.
Que amei.
Que fui feliz sem saber, em alguns daqueles instantes, o quanto eles se tornariam preciosos.
Que a vida, mesmo sem me garantir a eternidade de certas presenças, me concedeu o privilégio de conhecê-las.
E, se hoje a Saudade dói, é porque ontem a vida me presenteou.
Que eu nunca seja tão triste pelo que “perdi” a ponto de me tornar ingrato pelo que recebi.
Que eu nunca deseje tanto reviver o passado a ponto de deixar de honrar tudo o que ele construiu em mim.
E que, mesmo nos dias em que a ausência falar mais alto, eu consiga encontrar, no fundo da memória, uma razão serena para sorrir.
Afinal, há Azares que nos ferem, mas há Sortes que nos transformam para sempre.
E algumas pessoas, mesmo quando já não podem caminhar ao nosso lado, continuam sendo parte do melhor caminho que já percorremos.
Se a Saudade é o preço de ter vivido algo tão extraordinário, que eu tenha coragem de senti-la sem amaldiçoar a Sorte que me permitiu viver.
Porque, entre a Dor de não ter para sempre e a felicidade de ter tido um dia, escolho Agradecer.
Não porque a ausência seja pequena, mas porque o amor foi grande.
Não porque tenha deixado de doer, mas porque valeu a pena.
E, sobretudo, porque há lembranças que, mesmo quando apertam o peito, continuam aquecendo a alma.
Que Sorte a minha por ter tido tanto a perder!
Que Gratidão a minha por ter tido tanto para amar!
Gratidão pelo Azar de ter tido tanta Sorte!
A Saudade é o imposto mais alto e mais amargo que se paga por ser feliz diante da finitude da vida.
Talvez seja essa a ironia mais profunda da existência: aquilo que um dia nos fez transbordar de alegria é, muitas vezes, o que depois nos deixa vazios.
A vida nos concede instantes de plenitude, encontros que parecem eternos, abraços nos quais o mundo finalmente silencia e momentos tão simples que, enquanto acontecem, sequer percebemos a grandeza que carregam.
Só mais tarde compreendemos que estávamos sendo felizes — e que a felicidade, sem nos avisar, já começava a se transformar em lembrança.
A Saudade é a prova de que o tempo não leva tudo.
Há coisas que ele afasta dos nossos olhos, mas não consegue arrancar de dentro de nós.
Permanecem as vozes, os gestos, os lugares, os cheiros e até os silêncios compartilhados.
Permanecem, sobretudo, as versões de nós mesmos que existiram ao lado de certas pessoas, em determinados momentos, sob circunstâncias que jamais se repetirão da mesma maneira.
Porque não sentimos Saudade apenas de quem partiu ou do que perdemos; sentimos Saudade de quem fomos quando ainda tínhamos aquilo que agora nos falta.
E talvez seja essa a parte mais dolorosa: não há como regressar ao passado sem descobrir que ele já não existe.
Podemos revisitar uma casa, percorrer uma rua, ouvir uma canção ou reencontrar um rosto, mas nada será exatamente igual.
O tempo modifica os cenários, transforma as pessoas e, silenciosamente, também nos transforma.
Somos feitos de experiências irrepetíveis, e cada instante que vivemos desaparece no exato momento seguinte, como se a própria existência nos ensinasse, desde o princípio, a amar aquilo que não podemos conservar para sempre.
Ainda assim, seria injusto considerar a Saudade apenas uma forma de sofrimento.
Ela também é uma espécie de homenagem involuntária à felicidade.
Ninguém sente falta, com tamanha intensidade, daquilo que nunca lhe tocou a alma.
A dor da ausência é, de certa maneira, a continuidade da presença por outros meios.
O que já não podemos mais abraçar continua a nos alcançar pela memória; o que já não podemos reviver continua a influenciar nossas escolhas, nossos sentimentos e a maneira como enxergamos o mundo.
Talvez amadurecer seja compreender que amar alguém ou alguma coisa não significa possuir o poder de mantê-la conosco.
Pessoas não são eternas, momentos não obedecem à nossa vontade e a vida não nos oferece garantias de permanência.
Tudo aquilo que consideramos indispensável está sujeito à mudança, à distância e à perda.
E, diante dessa realidade, temos duas possibilidades: endurecer o coração na tentativa de evitar futuras dores ou aceitar a vulnerabilidade como parte inevitável de tudo o que verdadeiramente importa.
A primeira nos protege de algumas feridas, mas também nos distancia de muitas alegrias.
A segunda nos expõe ao risco de perder, mas nos permite experimentar a profundidade de estar vivo.
É por isso que talvez a sabedoria não consista em aprender a não sentir Saudade, mas em compreender o que ela nos revela.
Ela nos lembra que o presente merece atenção, que os encontros merecem entrega e que as palavras de afeto não deveriam ser adiadas indefinidamente.
Quantas vezes deixamos de dizer o que sentimos porque acreditamos que haverá outra oportunidade?
Quantos abraços economizamos, quantos instantes atravessamos distraídos, quantas pequenas felicidades desprezamos por estarmos ocupados demais esperando uma felicidade maior?
Vivemos como se o tempo fosse uma propriedade nossa, quando, na verdade, somos apenas passageiros de sua correnteza.
Fazemos planos, construímos certezas e adiamos experiências como se a vida tivesse a obrigação de nos conceder um amanhã semelhante ao que imaginamos.
Mas a finitude não pede licença.
Ela está presente em cada despedida, em cada mudança e até na passagem silenciosa dos dias comuns, aqueles que parecem insignificantes até se tornarem lembranças preciosas.
No fundo, talvez a Saudade seja o preço de termos sido tocados pela beleza de existir.
E, embora esse preço pareça alto demais quando a ausência aperta, seria ainda mais triste atravessar a vida sem nada que merecesse ser lembrado com os olhos marejados.
Porque há uma grandeza inexplicável em ter vivido algo que, mesmo depois de terminar, continua produzindo sentido dentro de nós.
Há uma espécie de eternidade escondida nas coisas que não duram: elas permanecem não porque o tempo deixou de agir sobre elas, mas porque, em algum momento, foram capazes de transformar quem somos.
No fim, não levaremos conosco as horas, os lugares ou as pessoas.
Levaremos aquilo que essas experiências fizeram de nós.
Talvez seja esse o único modo de permanência que a vida nos permite: não impedir que tudo passe, mas reconhecer que nem tudo o que passa desaparece por completo.
E, se a Saudade é o imposto mais alto e mais amargo que pagamos por ter sido felizes, que ao menos tenhamos a coragem de viver de maneira que valha a pena pagá-lo.
Que não nos falte a ousadia de amar sabendo que podemos perder, de celebrar sabendo que o instante terminará e de agradecer mesmo quando a felicidade já tiver se tornado memória.
Afinal, a vida é finita, mas o significado de alguns encontros ultrapassa o tempo em que aconteceram.
E talvez a verdadeira tragédia não seja sentir saudade daquilo que um dia nos fez felizes, mas passar por esta existência tão breve sem jamais ter encontrado algo — ou alguém — cuja ausência nos fizesse compreender a imensa beleza de sua presença.
Porque, no balanço final da existência, talvez a Saudade seja a única dívida que nos orgulhamos de ter contraído: ela é a marca deixada por tudo aquilo que, por algum instante, fez a vida valer a pena.
Hoje, a Sorte me abraçou tão apertado que quase cansei! Gratidão por mais um dia vencido, meu Pai Amado!
E, por um instante, fiquei pensando que nem todo abraço que nos aperta vem para nos sufocar; alguns chegam para nos lembrar de que ainda estamos vivos, de que a vida, apesar dos tropeços, continua encontrando maneiras de nos surpreender.
Há dias em que a sorte não chega vestida de festa, trazendo flores ou anunciando grandes conquistas.
Às vezes, ela se disfarça de livramento, de porta que não se abriu, de caminho que mudou de direção ou de força que nasceu justamente quando acreditávamos não ter mais nenhuma.
Porque nem sempre ganhar é conquistar o que desejamos; muitas vezes, ganhar é sobreviver àquilo que jamais imaginamos enfrentar.
A vida tem dessas ironias bonitas: exige tanto de nós que, ao final do dia, até o cansaço se transforma em testemunha da nossa coragem.
Carregamos batalhas silenciosas, vencemos tempestades que ninguém viu e sorrimos enquanto a alma, discretamente, recolhe os pedaços que o mundo deixou pelo caminho.
E é nessa travessia que aprendemos uma das mais profundas lições da existência: a verdadeira riqueza não está em passar pela vida sem conhecer as dificuldades, mas em não permitir que elas nos roubem a capacidade de agradecer.
A sorte pode até nos abraçar um pouquinho mais apertado, mas é a fé que nos sustenta quando os braços já não têm forças.
É ela que nos ensina a confiar mesmo sem compreender, a esperar mesmo sem garantias e a continuar caminhando quando o horizonte parece ter esquecido de clarear.
Hoje, não peço uma vida sem lutas, porque compreendo que até as pedras do caminho podem nos ensinar a reconhecer o valor dos nossos próprios passos.
Peço apenas sabedoria para distinguir o que merece minha energia, serenidade para aceitar o que não posso mudar e humildade para reconhecer que nem todas as vitórias nasceram exclusivamente da minha força.
Algumas foram alcançadas pela persistência; outras, pela paciência.
E há aquelas em que só consigo enxergar a mão de Deus, agindo em silêncio, preparando saídas onde meus olhos só encontravam trincheiras.
Por isso, se hoje o corpo reclama, que a alma agradeça.
Se os pés estão cansados, que o coração se lembre de quantos caminhos já percorreu.
E se a vida ainda reserva desafios, que nunca me falte a coragem de enfrentá-los nem a sensibilidade de perceber as pequenas bênçãos escondidas entre uma dificuldade e outra.
Porque vencer um dia de cada vez não significa sair dele sem marcas, mas chegar ao seu fim com a fé ainda acesa, a esperança respirando e a gratidão fazendo morada no peito.
E assim sigo, sem a pretensão de compreender todos os mistérios da existência, mas com a certeza de que cada amanhecer é uma nova oportunidade de recomeçar, reparar os erros, fortalecer os afetos e fazer da própria caminhada algo que valha a pena.
Hoje, a Sorte me abraçou tão apertado que quase cansei…
Mas, quando olho para trás e percebo quantas vezes pensei que não conseguiria e, ainda assim, consegui, entendo que talvez a sorte tenha apenas sido o nome que dei às bênçãos que chegaram quando a minha força já não sabia como continuar.
Gratidão por mais um dia vencido, meu Pai Amado!
Que eu nunca me torne tão preocupado com as lutas de amanhã a ponto de esquecer a bênção de ter chegado até aqui hoje.
Que meu coração não perca a fé nos dias difíceis, nem a humildade nos dias de fartura.
E que, ao final de cada jornada, eu saiba reconhecer, para além de todas as conquistas e de todos os cansaços, a maior de todas as dádivas: a oportunidade de continuar vivendo, aprendendo, amando e agradecendo.
Porque, no fim das contas, a vida não precisa ser perfeita para ser preciosa, e o coração não precisa ter todas as respostas para encontrar motivos para agradecer.
Gratidão por mais um dia vencido, meu Pai Amado!
Bom dia! Vamos pra mais um dia e gradecer a Deus por tudo. Que coloquemos tudo nas mãos de Deus e ter fé e acreditar que tudo vai dar certo. Que Deus te abençoe.
Quanto mais a mediocridade
se torna banalmente natural,
mais a IA (Inteligência Artificial)
se afirma perigosamente real.
✍@MiriamDaCosta
Somos frágeis ... mais do que gostaríamos, bem mais do que nos entendemos ser.
Por trás de coragens absurdas, repousa a delicadeza do nosso existir ... fragilidades camufladas em nossa solidez ... armaduras tão úteis para nos proteger.
E enquanto a vida nos exige firmeza... que não nos falte brandura para nos acolher!
_____Damaris Ester Dalmas
Aceitar nossas imperfeições soa mais compreensível que tolerar nossos erros.
"Defeitos" nos soam intocáveis ... erros nos tocam demais!
Sermos seres imperfeitos nos causa resignação ... errar causa inquietude!
Tolerar nossas imperfeições parece justificável ... errar exige justificativa!
Mas ainda assim vamos errar ... e errar muito até um dia quem dera acertar.
Porque talvez "errar" seja apenas uma maneira estranha que a vida encontrou para nos aprimorar!
_____Damaris Ester Dalmas
Encontramos cada vez mais pessoas que parecem saber exatamente o que seria melhor para as nossas vidas!
Apontam os caminhos que deveríamos ter seguido e os que ainda deveríamos seguir…
Mas no meio de tantos conselhos quase sempre esquecem de algo essencial, nós!
Esquecem das dores que ninguém viu, das batalhas e das escolhas que só fazem sentido para quem precisa viver dentro delas.
Porque é fácil opinar sobre a vida do outro quando não se carrega o peso das consequências…
Amadurecer é aprender a continuar sendo quem somos, mesmo diante das vozes que insistem em dizer quem deveríamos ser!
_____Damaris Ester Dalmas
Levar tudo para o lado pessoal é se ferir mais do que o necessário.
É transformar o outro em medida de quem você é, quando na verdade muitas atitudes falam mais sobre quem as expressa do que sobre você…
Quando você aprende a não personalizar tudo, não se torna frio e sim livre!
Livre para não absorver o que não te pertence, para não carregar o que não é seu.
Existe uma diferença entre sentir e absorver…
Sentir é humano!
Absorver tudo adoece…
Nem todo olhar carrega julgamento, nem toda ausência é rejeição e nem toda crítica tem o poder de te definir.
Criar essa “imunidade emocional” não é se fechar, mas escolher com consciência o que fica…
Porque no fim, paz não é sobre controlar o que vem de fora e sim sobre decidir o que permanece dentro!
_____Damaris Ester Dalmas
A pressa costuma se disfarçar de necessidade como se faltasse sempre algo.
Mais tempo, mais controle ou mais garantias…
Mas no fundo o que mais nos falta não é o tempo, é presença!
Estar presente é escolher habitar o instante sem fugir para o que já foi ou para o que ainda nem chegou…
É permitir que a vida aconteça sem a tentativa constante de antecipá-la ou corrigi-la.
Quando a gente realmente chega no próprio momento, algo muda …
O comum ganha profundidade, o simples deixa de ser pouco e o agora deixa de ser um intervalo e passa a ser a própria vida acontecendo.
Talvez não seja sobre ter mais tempo…
Talvez seja enfim, sobre não se ausentar dele!
_____ Damaris Ester Dalmas
Quanto mais aplaudidos formos, mais críticas receberemos.
E isso é pouco evitável…
Porque, quanto mais próximos do holofote estivermos, mais iremos aparecer e consequentemente, seremos mais observados!
Cabe a nós selecionar o que merece ser ouvido…
e considerar apenas aquilo que realmente pode nos ajudar a crescer!
_____Damaris Ester Dalmas
Que a vida passe sem muita pressa.
Para que possamos saborear cada detalhe feliz, amar com mais presença quem amamos e perceber a tempo, cada nova oportunidade de ser feliz!
Que o tempo siga no compasso que a alma suporta, nem rápido demais, nem lento demais … mas no tempo exato para fazer nossos maiores sonhos acontecerem!
_____Damaris Ester Dalmas
Não me pergunte se eu sou mais emocional ou racional, pois eu opero constantemente sendo ambos — o sujeito emocional e o racional — porém, estabeleço uma hierarquia, onde o emocional raramente dá a palavra final.
Suspeito que quem separou solidão em solidão e solitude só queria mesmo se sentir mais confortável com o fato de estar sozinho.
A força do amor
O amor é tão mais forte
do que a força que dizem ter a morte.
E a morte não mata o amor,
ela o faz sobreviver por entre as brechas do tempo, do espaço,
pois amor , esse de verdade ,
é laço que une,
não é corrente que prende.
O amor é a esperança
que salvará o mundo.
E o nosso.
Nildinha Freitas
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