Hoje, a Sorte me abraçou tão... Alessandro Teodoro

Hoje, a Sorte me abraçou tão apertado que quase cansei! Gratidão por mais um dia vencido, meu Pai Amado!
E, por um instante, fiquei pensando que nem todo abraço que nos aperta vem para nos sufocar; alguns chegam para nos lembrar de que ainda estamos vivos, de que a vida, apesar dos tropeços, continua encontrando maneiras de nos surpreender.
Há dias em que a sorte não chega vestida de festa, trazendo flores ou anunciando grandes conquistas.
Às vezes, ela se disfarça de livramento, de porta que não se abriu, de caminho que mudou de direção ou de força que nasceu justamente quando acreditávamos não ter mais nenhuma.
Porque nem sempre ganhar é conquistar o que desejamos; muitas vezes, ganhar é sobreviver àquilo que jamais imaginamos enfrentar.
A vida tem dessas ironias bonitas: exige tanto de nós que, ao final do dia, até o cansaço se transforma em testemunha da nossa coragem.
Carregamos batalhas silenciosas, vencemos tempestades que ninguém viu e sorrimos enquanto a alma, discretamente, recolhe os pedaços que o mundo deixou pelo caminho.
E é nessa travessia que aprendemos uma das mais profundas lições da existência: a verdadeira riqueza não está em passar pela vida sem conhecer as dificuldades, mas em não permitir que elas nos roubem a capacidade de agradecer.
A sorte pode até nos abraçar um pouquinho mais apertado, mas é a fé que nos sustenta quando os braços já não têm forças.
É ela que nos ensina a confiar mesmo sem compreender, a esperar mesmo sem garantias e a continuar caminhando quando o horizonte parece ter esquecido de clarear.
Hoje, não peço uma vida sem lutas, porque compreendo que até as pedras do caminho podem nos ensinar a reconhecer o valor dos nossos próprios passos.
Peço apenas sabedoria para distinguir o que merece minha energia, serenidade para aceitar o que não posso mudar e humildade para reconhecer que nem todas as vitórias nasceram exclusivamente da minha força.
Algumas foram alcançadas pela persistência; outras, pela paciência.
E há aquelas em que só consigo enxergar a mão de Deus, agindo em silêncio, preparando saídas onde meus olhos só encontravam trincheiras.
Por isso, se hoje o corpo reclama, que a alma agradeça.
Se os pés estão cansados, que o coração se lembre de quantos caminhos já percorreu.
E se a vida ainda reserva desafios, que nunca me falte a coragem de enfrentá-los nem a sensibilidade de perceber as pequenas bênçãos escondidas entre uma dificuldade e outra.
Porque vencer um dia de cada vez não significa sair dele sem marcas, mas chegar ao seu fim com a fé ainda acesa, a esperança respirando e a gratidão fazendo morada no peito.
E assim sigo, sem a pretensão de compreender todos os mistérios da existência, mas com a certeza de que cada amanhecer é uma nova oportunidade de recomeçar, reparar os erros, fortalecer os afetos e fazer da própria caminhada algo que valha a pena.
Hoje, a Sorte me abraçou tão apertado que quase cansei…
Mas, quando olho para trás e percebo quantas vezes pensei que não conseguiria e, ainda assim, consegui, entendo que talvez a sorte tenha apenas sido o nome que dei às bênçãos que chegaram quando a minha força já não sabia como continuar.
Gratidão por mais um dia vencido, meu Pai Amado!
Que eu nunca me torne tão preocupado com as lutas de amanhã a ponto de esquecer a bênção de ter chegado até aqui hoje.
Que meu coração não perca a fé nos dias difíceis, nem a humildade nos dias de fartura.
E que, ao final de cada jornada, eu saiba reconhecer, para além de todas as conquistas e de todos os cansaços, a maior de todas as dádivas: a oportunidade de continuar vivendo, aprendendo, amando e agradecendo.
Porque, no fim das contas, a vida não precisa ser perfeita para ser preciosa, e o coração não precisa ter todas as respostas para encontrar motivos para agradecer.
Gratidão por mais um dia vencido, meu Pai Amado!
