Às vezes, o Barco resolve balançar... Alessandro Teodoro

Às vezes, o Barco resolve balançar um pouquinho mais, só para nos lembrar que o Filho do Homem tem Autoridade até sobre a Tempestade.
Quando eu era mais Medo que Fé, olhava mais para as águas agitadas…
Agora, sendo mais Fé do que Medo, já posso Vê-lo — vindo ter comigo, caminhando por sobre as águas!
Aos meus — consanguíneos e em Cristo — tende bom ânimo!
Ele sempre está agindo!
Porque há Tempestades que não chegam para anunciar a nossa ruína, mas para revelar, de maneira mais profunda — Quem verdadeiramente governa o Barco.
Há momentos em que o Senhor não acalma imediatamente o vento, não porque tenha perdido o controle, mas porque também deseja transformar o nosso olhar.
A Tempestade, que antes ocupava todo o horizonte, começa a perder a sua grandeza quando os nossos olhos aprendem a reconhecer Aquele que vem ao nosso encontro.
A Fé não é a ausência de ondas, tampouco a garantia de que nunca sentiremos Medo.
Fé é aprender que a dimensão das ondas, da turbulência, não determina o tamanho do nosso Deus.
É compreender que, mesmo quando não conseguimos discernir os Seus movimentos, a aparente ausência de intervenção não significa ausência de ação.
Pedro, ao caminhar sobre as águas, descobriu que era possível dar passos extraordinários enquanto os olhos permaneciam em Cristo; mas também descobriu como o Medo pode ganhar voz quando a força do vento passa a ocupar o centro das atenções.
Talvez amadurecer espiritualmente seja justamente isso: não fingir que o vento não existe, mas recusar-se a tratá-lo como se fosse soberano.
E há algo ainda mais precioso: antes de Pedro clamar, Jesus já estava ali.
Antes da mão do Mestre segurá-lo, a presença do Mestre já rompia a distância.
Antes do mar se aquietar, Cristo já era Senhor sobre ele.
Por isso, aos meus — consanguíneos e em Cristo — digo: tende bom ânimo!
Não façam da Tempestade a interpretação definitiva da própria história.
Não confundam demora com abandono, silêncio com indiferença, nem águas agitadas com a falência das promessas de Deus.
Nem sempre saberemos por que o barco balança tanto; nem sempre compreenderemos os caminhos pelos quais o Senhor nos conduz.
Mas podemos descansar nesta certeza: o vento não tem a última palavra, o mar não estabelece os limites de Cristo, e a Tempestade jamais ocupará o Trono que pertence ao Senhor.
Que, nos dias de calmaria, sejamos gratos.
Nos dias de Vento Forte, sejamos perseverantes.
E, quando as ondas tentarem roubar-nos a visão, a atenção, que a nossa alma se lembre de olhar novamente para Jesus.
Porque a nossa segurança definitiva nunca esteve na estabilidade do barco, mas na soberania d’Aquele que tem Autoridade até sobre o mar.
O Barco pode balançar.
O Vento pode soprar.
As Águas podem se levantar.
Mas Cristo continua sendo o Senhor.
E, se Ele vem ao nosso encontro caminhando por sobre aquilo que nos ameaça, então até a Tempestade pode se tornar cenário de uma grande revelação: aquilo que para nós parece impossível continua debaixo dos Seus pés.
Tende bom ânimo.
Ele está presente.
Ele reina.
Ele sempre está agindo!
Amém?
