Criação e inspiração
Só você me deixa assim:
sem nenhum receio...
És a melhor parte de mim:
despida do medo.
Só você me deixa assim:
infinita e segura...
És a minha ventura, sim!
Enfim, a sonhada aventura.
Só você é capaz sem fim,
de amar-me aberta e franca,
No ponto exato e doce
de deixar-me a teu gosto
Para dizer ao mundo:
- Que sou tua humanidade,
a tua fuga e rendição;
Só assim voltou a bater
este meu pequeno coração.
De tudo que não se esquece,
nada teu se exclui;
Só me engrandece.
De tudo que nos aquece,
nada teu se evita;
Só me faz mais atrevida.
Se é para romper as fronteiras,
que seja atravessado
o oceano que nos [separa].
Se é para romper expectativas,
que sejam abandonadas
- as emergências;
Rumo as indicações do destino
que surpreende e sempre [prepara].
É melhor deixar assim
do jeito que está...,
Não tente entender,
e muito menos insistir;
Se lance apenas a sentir...,
estou pronta para reviver.
O amor é caminho a seguir
- e ao mesmo tempo -
Um doce mistério que não é,
e não nasceu para se desvendar;
E brotou para não se esquecer.
É melhor correr atrás
do caminho que conhece,
Não tenha receio:
- Sou aquela te faz feliz
Batimento cadenciado
que o teu coração sempre quis.
A paixão é estação a provar
- que além dos tempos -
É uma manifestação que é,
e está aí para comprovar:
- Que não acaba fácil...
E que o tempo não é capaz de cessar.
Fostes além do imaginário
oculto na noite escura,
Varri todas as brumas,
escrevi o nosso rimário
nas flutuantes espumas.
Persiste em mim pleno,
revelado e prateado;
Casto como a sonata
tocando-me nas cordas
d'alma livre e apaixonada.
Viestes além do meu querer
escrito nas estrelas,
Gentil como o luar
beijando-me à beira mar,
bem no meio do anoitecer.
Porque este versejar dança
nos braços da abolição,
Sorri para Castro Alves,
gaba-se de ser constelação
a ocupar inteiro o teu coração.
Trazes o signo da vida,
- o balanço do mar
Trazes o melhor de ti,
sabendo que estou aqui
Sempre a te esperar...
Onde você está? Não sei.
Talvez é preciso esperar?
Melhor se distanciar,
como quem procura conchas
Na beirinha do mar...
Trazes o soneto amante,
- a tatuagem indiscreta
Trazes a vontade secreta,
- envolvente e furtiva -
Determinada além do instante.
Não vou insistir,
Vou deixar fluir - seguir,
Escrever, dançar e pintar
- a nossa história -
Deixando ela livre para seguir.
Porque de mim tens o canto
E a pertença extrema,
De me amar em liberdade
- intensa -
Com toda a potência.
Além disso, tens a consciência:
De que toda a volúpia
E a sincera luxúria
São capazes de me mover
Além do anoitecer...
Chegou mansa a 'noitinha',
ela pronta a se assanhar:
Fez com que eu imaginasse
dormindo de ladinho
bem abraçada contigo.
Nós dois de 'conchinha',
como 'a onda no mar',
vestidos de estrelas e luar.
Noite toda mansinha
cheirosa nas nossas relvas...
Teu corpo é lugar de ficar,
mesmo estando de costas:
eu sei do que tu gostas!
Sinto teu peito a ribombar...
As flores sobre o asfalto,
- suspiram
As emoções ao alto,
- inspiram
Multicores descrevem:
os amores secretos,
e os desejos indiscretos.
Em versos sinceros,
- imensuráveis
Não menos belos,
Censuráveis por uns,
- admiráveis
Por alguns...,
Curvados as boas letras
Para que não te esqueças.
Porque me descortinas,
Danço no meio da neblina,
Faço propositalmente rimas,
Canto de menina,
Bordado de senhora,
Cuidado de poetisa,
Passo de dançarina,
Sono de musa repousado
Desdobrado sobre as colinas.
Oração da noite: O resgate da paz interior
Força Criadora e Protetora que rege a minha existência,
Chego ao final deste dia e me dou a permissão mais importante de todas: o direito de ser humana. Entrego as minhas fraquezas, os cansaços do corpo e tudo aquilo que saiu do meu controle, compreendendo que os caminhos tortuosos também carregam ensinamentos.
Como transmutadora da minha própria história, uso o silêncio desta noite para filtrar as energias que me atravessaram. Toda palavra pesada, desarmonia ou dor que acolhi nas últimas horas, eu agora converto em aprendizado e luz. Deixo ir o que não me pertence e limpo o meu campo espiritual de qualquer ruído externo.
Abençoo a minha trajetória e o meu lar. Que as minhas mãos e a minha mente descansem, para que eu possa recuperar o equilíbrio necessário para o amanhã. Que o meu sono seja um espaço de profunda cura, proteção e reorganização interna.
Desacelero o meu peito, conecto-me com a minha verdade mais autêntica e escolho repousar na mais perfeita paz.
Que assim seja! Amém! Aho! Axé! Namastê!"
As folhas que caíram da árvore,
Viraram anjos dançando ao vento,
Inspirando a consagração do soneto,
Que eu hei de ouvir através de você.
O vento canta doce no meu ouvido,
Sinal de que você não está comigo,
Mas resguardado de todo o perigo
Recordando do nosso precioso carinho.
Ninguém irá vilipendiar a imaculada poesia,
Porque sou filha da Terra e dos astros,
- sinestesia angelical
- Que chegou para dar tom outonal! -
As folhas que caíram da árvore,
Viraram sonetos desenhados,
Enfeitando o céu, e dando cores,
Aos meus olhos poéticos e apaixonados.
Uma cena que ninguém imagina,
Ela se passa amena, tranquila,
Poeticamente amanhecida,
No meio considerado como nada,
Mas todos querem estar lá,
Esbanjando celebração e vida,
Repletamente praiana,
Sobre a charmosa duna,
Que ninguém questiona ou duvida,
Tão tranquila cena,
O ninho das corujas, bem ali,
Um símbolo de glória e de sabedoria,
Morando muito bem na Praia de Salinas.
Em Balneário Barra do Sul,
Tudo se celebra:
o tempo, o mar e a vida,
Aqui tem mar azul,
E o céu de todo dia é motivo
Para escrever a nossa poesia.
Ali, logo ali, após as dunas,
Elegantemente esculpidas,
Por areias monazíticas,
Vejo o barquinho deslizando,
As gaivotas bailando,
Fazendo a festa da pescaria,
Logo, logo, chegará a Festa da Tainha,
- soberana
Ela que é a nossa rainha,
Festa do povo barrasulensse,
Que esbanja sorriso,
Poesia,
E intensa alegria.
Outonal presença que me inspira,
Brisa que cobiça com [requinte,
De tê-lo além de todo o limite,
As ânsias já foram [inflamadas,
Agora, elas são urgentes,
As nossas almas almejam
- insurgentes com o mundo -
O desejo de serem [libertadas.
Na verdade, és uma linda estação
- permanente -
Não me privo, e não me [sacio,
O teu cheiro provoca todo o cio;
Com o teu perfume escrevo,
Desenho, pinto e celebro,
Compônho o mais belo hino,
Celebrando os amantes, eu te [alucino.
Escrevo correndo todo o risco,
De ter cada texto [incompreendido],
O futuro é incerto,
O importante é plantar o amor,
Com firmeza, fé e ardor,
Corro o risco da transfiguração,
O amor não é metáfora,
O amor é concreto,
- mesmo que ninguém o enxergue
O amor existe, ele não tem limite;
É arco-íris, poesia e borboleta,
Não lê o exagero,
E o rejeita totalmente...,
Não mede o tamanho do [oceano],
O amor nunca vem acompanhado do engano.
As crianças brincando nas areias,
Na beirinha do mar,
Uma dádiva tão encantadora,
Não há como não admirar...
A vida, as marés e as suas fases,
Tão linda é a alegria,
- e o encanto
Que tu me trazes.
Essa crença enleva a minha fé,
E me dá força para amanhecer,
- resistir
E caminhar e me fortalecer.
Porque mesmo que atentem,
A Natureza mostra a sua força,
Assim aprendi a ser gente,
Com a força da Natureza,
Aprendi a ser valente.
Escrevo para no seu
coração criar raízes,
Com a fé de que um
dia seremos felizes,
Não ligue para o que
os outros dizem,
O importante é que os anjos
nos bendizem.
As palavras são
como os bosques,
Elas podem ser
noturnas ou diurnas,
Deixe que permaneça
só os toques,
E que definitivamente
não te percas.
Escrevo para não
ficar de ti isolada,
Porque devagar irei
te adentrando,
Como um carinhoso remanso,
Aos poucos você irá
se apaixonando...
E destes versos
que se encaixam,
Como o bosque
e o remanso,
Sei que cada um
deles te encantam,
Seremos elementos
que se completam.
Escrevo como quem planta girassóis,
Descansando ao som dos rouxinóis.
Imaginando a cena debaixo dos lençóis,
Porque busco estar contigo a sós.
Eu percebi que jamais irá me abandonar,
Li nos teus olhos a vontade de ficar,
E todo o amor que há de me dar,
Um dia a gente irá se entregar,
Sou a poesia que chegou para abalar.
Escrever versos mal comportados é arte,
Escrevo como quem a ideia persuade,
Para despertar a imaginação,
E despertar em ti a mais louca vontade...
Eu li nos teus olhos a verdade,
Tens loucura por mim,
E bem sabes que sou um caminho sem volta,
Uma verdadeira paixão sem cura.
Uma real presença para a eternidade.
O teu cuidar e a tua palavra dita:
"- Não irei te abandonar...".
Escrevo como quem premedita
As noites de amor que estão para chegar...
Percebo que não notas as minhas poesias,
É melhor que eu não escreva mais.
Talvez seja melhor assim...,
Para que um dia percebas
o quão tu gostas de mim...
Ninguém domina o amor,
Ninguém detém a primavera,
Basta que uma desabroche,
A florada desponta inteira;
Assim são a minhas letras,
Desabrocham como as cerejeiras.
Despreocupadas se voltarás para mim,
Até escrever que não vou mais escrever,
É um motivo para continuar escrevendo:
Cada letra é motivo para seguir rompendo,
E fazer eterna cada fase do sentimento...
Ninguém domina o esplendor,
Ninguém detém o meu interior,
Basta que me queiras...,
Viro um soneto com eiras e beiras;
Assim sou intimista e subversiva,
Não menos encantadora como a
Floração das cerejeiras - eu sou bem feminina.
O tempo cria a sua própria margem,
Ele constrói a sua própria ponte,
E concede ao amor a gentil passagem,
Colocando os destinos em ciranda,
E fazendo rimas com perfume de lavanda.
Na regente sinfonia, no ápice do amor,
E no pico da extâse - não me deixes,
Porque esse prazer não pode passar
- em branco -
[ele deve ser vivido nas fendas],
E saboreado nas [boas entrelinhas]...
Deixa-me escrever sobre nós em teu
Corpo, e não se pônha em fuga!...
Quero ser tocata na boa ré [maior],
E não me faço de rogada se como presa
Eu for executada em ré [menor]!...
O teu olhar rapino encontrou a vítima
perfeita [em pleno desamparo],
Talvez eu não alcance as vielas estreitas
Do teu coração [altar oculto],
Derramada diante dos teu olhos escuros,
Faço de tudo e desfaço-me de tudo,
Arrisco-me nesses versos vadios
Para um dia ser tua - e serva desse amor,
Despudorado que é o dono desses versos desnudos.
