Crepúsculo
Mesmo sem te conhecer, eu estava a tua procura, os anos foram se passando, entre uma decepção e outra, minhas expectativas foram diminuindo, aparentemente, nenhuma condição era favorável ou, talvez, falha da minha atenção, além de outros focos que não podia simplesmente ignorá-los, assim, fui seguindo minha vida, pessoas, lugares, lutas, ganhos, perdas e prendizados, fazendo o que podia e devia ser feito, até o dia que te conheci, linda com um ar de mistério, um olhar vívido, um sorriso discreto, senti logo uma forte sensação distinta de outras e, claro, fiquei muito receioso no começo, mas valeu à pena ter tomado a iniciativa de ir falar contigo,
percebi que também estavas receiosa,
felizmente, ali foi o início desta nossa história, fomos ficando cada vez mais próximos e os nossos encontros mais recorrentes, assim,
foi aumentando a nossa conexão,
e não falo da ilusão do "Amor a primeira vista", mas do Agir após a primeira percepção de química,
pois os nossos mundos diferentes
uniram-se e tornaram-se um novo mundo pra ambos
e semelhante a um Crepúsculo,
o nosso Amor é resplandecente
e muito deslumbrante.
Foram muitos anos pra te conhecer,
e hoje posso dizer que todos os segundos de esperaforam compensados,
portanto, sinto-me honrado por amar
a ti e por receber o teu amor,
então, que este laço possa ser renovado em cada amanhacer,
assim, peço ao Senhor,
és meu bem querer.
Registro do Pôr do Sol
Saco a câmera ao ver a luz se desfazendo em farelos no horizonte,
o poente repartido entre folhas e ondas.
Cada grão dourado adere à pele do vento,
como se o tempo, feito metal antigo,
cedesse, também, à força invisível da maresia.
O sol desce como quem desaprendeu o caminho,
tropeça nos galhos secos,
tateia as frestas com dedos queimados,
num gesto quase humano de hesitação.
Não há pressa — o mar perdoa seus atrasos.
O céu não é só azul:
é um tecido remendado com prismas de luz,
um bordado delicado, feito de calor e calma.
Distraído, vejo o dia escorrer pelos cantos da tarde,
sem saber se é crepúsculo ou despedida.
Tudo o que resta
é essa teimosia de, em registro, pôr o sol no bolso,
como se o infinito coubesse na palma da mão.
Perdi muitos crepúsculos digerindo as frases condescendentes de figuras odiosas que só queriam me envenenar com suas falsas solidariedades.
