Crepúsculo
“Breve é a vida e raramente o tempo anuncia o seu crepúsculo. A verdadeira sabedoria humana não repousa nos triunfos acumulados ao longo da existência, mas na capacidade de reconhecer que há escolhas espirituais que pertencem ao instante presente. Existem portas que somente se abrem enquanto a alma ainda caminha sob a claridade do agora e adiá-las, muitas vezes, é permitir que a noite alcance o coração antes que ele tenha aprendido a encontrar a luz.”
A voz mineral do crepúsculo tinha o perfume geométrico da eternidade e o sabor translúcido da expectativa, que tinha a textura azul do silêncio no brilho aromático da memória a carregar a luz dos anos e o sabor oblíquo da saudade. O eco da floresta de distância cristalina dourava a retina na claridade áspera do destino, que tecia a melodia da solidão no toque alaranjado do esquecimento. O epitáfio sonoro das estrelas reluzia na voz líquida dos séculos com o resquício de ternura e o cheiro celeste da contemplação na paz do infinito. O murmúrio esmeralda das colinas reluzia a música translúcida da aurora que já previa o gosto do luar e a fragrância silenciosa da neve com a textura do afeto na sonoridade violeta do horizonte. A luz macia da lembrança tinha o sabor azul escuro das madrugadas. A voz cintilante das fontes celebrava o escarlate do desejo no aroma cristalino das ausências na veia líquida do amor e no prateado do vento, que trazia a doçura luminosa dos sonhos revestidos do eco aveludado do passado. A música da tarde se estendia no verde da chuva de outono na textura sonora do universo com o gosto da serenidade branca do inverno atemporal sobre o toque aveludado do tempo a se espraiar por um instante no aroma vermelho da melancolia, que entretanto fazia ouvir a voz transparente dos rios no sabor solar da alegria. A consistência líquida das estrelas corria sobre o murmúrio cintilante das árvores na canção cristalina da verdade. O perfume turquesa do silêncio tinha a claridade melódica da alma e a esmeralda da sonoridade prateada da chuva. O gosto macio da lua tinha a voz rubra do coração e a forma luminosa do afeto no perfume mineral da madrugada, descomprometida com qualquer sentido no tom lilás da saudade de claridade doce no mar, com ondas de constelações no ardor branco da paz interior. O pensamento tinha o sabor arqueológico da memória na voz cósmica do vazio na metafísica do tempo ontológico da existência e a melodia espectral da consciência levava consigo a claridade ancestral da alma, cujo gosto era o silêncio invisível do destino na luz argumentativa da razão. As mentes deliravam de fome do abstrato da liberdade e em transe ouviam a melodia da impermanência na luz sideral da esperança.
A melodia dourada do crepúsculo fez raiar o silêncio azul da madrugada, em que o canto prateado das estrelas fazia a voz violeta do horizonte. A música cristalina da chuva fazia o murmúrio esmeralda das florestas em campos elísios. No dia seguinte, a canção rubra do entardecer se elevava no eco luminoso das montanhas. Eu sentia em meu ser a sinfonia alaranjada do outono e meu silêncio era branco como a neve, quando se ouve a fala cintilante dos rios no já passado concerto acobreado da alvorada. E minha voz era o sussurro transparente do vento no brilho sonoro das constelações. Era a luz macia da esperança, que trazia consigo a claridade aveludada, em contraste com o brilho áspero da realidade, na escuridão sedosa da manhã. A sombra morna do verão em altas árvores preparava a noite de textura líquida a se espraiar na boca de um rio cristalino, com o toque luminoso da ternura. Dia e noite se fundiam e a aurora de seda fazia o frio do infinito na luz amarela. A transparência cálida do afeto me lembrava o brilho delicado das lembranças e uma nostalgia sorrateira abraçava minha alma. Era a sombra acetinada do tempo na claridade macia da paz. Eu pedia aos céus um sinal, e a suave escuridão era bordada de estrelas de perfume da primavera, no aroma azul da distância entre dois corações que se perderam na fragrância prateada da lua, no perfume rubro das paixões. Eu pensava em você no cheiro translúcido da chuva e você me respondia na essência da eternidade, e isso era saudade no aroma cintilante das memórias. O perfume azul das saudades que não nos poupavam, já que o perfume luminoso dos lírios era a fragrância solar de nossa comunhão nas mãos da liberdade. Essa era nossa verdade.
O crepúsculo bordava silêncios nas margens do tempo, enquanto a memória recolhia estrelas caídas nos jardins de orvalho. Eu observava a aurora em outro momento da eternidade e o destino escrevia hieróglifos invisíveis sobre a névoa dos séculos. Eu já não questionava, me deixava ir conforme as águas do rio e isso era um alívio de desapego. As montanhas guardavam o segredo ancestral das eras esquecidas, pois o vento transportava vestígios da lua derramada prata sobre os caminhos da ausência e tudo era silêncio que passava e esvanecia o aroma da lógica na inquietude das palavras, prisioneiras da sintaxe. A alma peregrinava por catedrais erguidas de luz e sombra no infinito a respirar entre as páginas de um livro não escrito. Era como ler o nada e o nada meditava. O silêncio possuía a solenidade dos templos. O horizonte vestia mantos de melancolia, mas a vida em si era alegre porque eu andava com a postura reta e a opressão se escondia para longe de mim. E no mais era uma grande calma nas festas juninas do mês. Ao findar o dia a noite florescia como uma rosa negra sobre o firmamento. E a alma de açucena contemplava a vida sem sobressalto. Era o momento de um novo ciclo e o espírito estava leve como estrelas que cintilam pensamentos divinos. A estação espalhava cartas douradas como um oceano recitando antigas profecias à praia adormecida. E lá estavam minhas pegadas de tantas estradas que meu ser já percorreu. A existência dançava nas horas do dia e era possível ouvir sua melodia em lírios brancos de uma canção tardia. O firmamento abria suas janelas para a vastidão do mundo e havia um sentimento profundo de orquídeas se espraiando pelo caminho florido. E não havia nada a faltar, só ao momento presente se entregar. A paz invadiu o meu coração e eu aprenciava a imensidão.
A lua derramava pérolas de silêncio sobre os jardins abandonados da memória. O crepúsculo bordava fios de cobre na veste fatigada do horizonte. As rosas aprendiam a morrer com a elegância das estrelas cadentes. A Via Láctea era um rio antigo escorrendo pelas veias da eternidade. O sol acendia incêndios de ouro no campo adormecido da manhã. As constelações floresciam como lírios luminosos no pomar do infinito. O tempo caminhava descalço sobre as pétalas frágeis dos instantes. A saudade possuía a cor violeta das últimas flores do verão. O vento carregava cartas invisíveis entre continentes de esquecimento. Os relógios mastigavam lentamente as migalhas douradas dos dias. A lua prata cantava sobre os ombros adormecidos da noite. As nuvens navegavam como cisnes errantes pelos mares profundos do firmamento. O amor distante era uma estrela cuja luz persistia mesmo após o desaparecimento do astro. O relógio da praça derramava minutos sobre as pedras antigas como folhas de outono levadas pelo vento. As constelações pareciam jardins suspensos florescendo nas varandas do infinito. O tempo possuía dedos pacientes que esculpiam ausências nas margens da memória. A saudade florescia entre ruínas douradas de verões esquecidos. As árvores erguiam orações verdes para as galáxias silenciosas. O sol escondia coroas de fogo entre os cabelos metálicos dos trigais. A lua era um espelho quebrado refletindo fragmentos dispersos da eternidade. As estrelas migravam lentamente pelo céu como pássaros de cristal atravessando oceanos invisíveis. O amor se afastou como um navio dissolvendo-se nas névoas dos séculos. O tempo derramava neve invisível sobre os jardins da juventude. Os relógios eram monges silenciosos celebrando a liturgia das despedidas. O vento recolhia pétalas dispersas dos calendários esquecidos. A aurora despertava sinos líquidos nos vales da esperança. As flores compreendiam aquilo que os homens raramente aceitam: toda beleza carrega em si a semente da partida. A Via Láctea brilhava como uma cor luminosa sobre a pele escura da noite. Enquanto os continentes dormiam sob mantos de sombra, as constelações velavam o repouso dos séculos. A distância estendia oceanos entre nossas mãos desencontradas. As rosas guardavam em suas pétalas o perfume de futuros que jamais floresceram. O céu escrevia poemas efêmeros com nuvens destinadas ao esquecimento. E eu permanecia imóvel sob o carvalho solitário, observando as estrelas nascerem uma a uma, como se cada luz distante fosse uma lembrança regressando dos confins da eternidade. O amor permanecia distante, mas sua luz continuava através da noite, como a luz antiga das estrelas. As flores caíam ao chão como cartas que a primavera já não podia responder. O tempo passava como um cervo branco atravessando a floresta da existência. As constelações observavam em silêncio os naufrágios do amor humano. A impermanência caminhava entre os jardinsvestida de outono na madrugada dos sonhos.
[O Crepúsculo do Criador ou
A Ascensão da Criatura]
É fácil dizer
que tudo foi criado
por um Deus,
que tudo é vontade dele.
Difícil é reconhecer,
que tudo se faz
e desfaz sem ele.
que o todo,
nada tem a ver
com sua imagem
e semelhança.
É uma possibilidade
apavorante,
uma constatação terrível
e assombrosa.
Mas nós estamos em busca
das respostas difíceis.
20/05/23
Michel F.M.
Em meio ao silêncio que envolve o crepúsculo, caminho em direção ao local onde repousa a essência daquela que tanto amei. Cada passo é carregado de memórias, um tributo aos momentos compartilhados que agora vivem apenas em meu coração. Eu irei até ela, mas ela não voltará para mim, e essa realidade pesa como um eco de saudade infinita.
Sinto o vento acariciar meu rosto, como se fossem as mãos dela tentando consolar minha dor, mas o frio vazio que me cerca é um lembrete implacável da ausência que jamais será preenchida. Mesmo assim, nos recantos da minha alma, mantenho viva a esperança de que, em algum lugar além das estrelas, nossos corações ainda dançam juntos, entrelaçados em um abraço eterno que desafia as fronteiras do tempo e do espaço.
É uma dor doce, uma lembrança agridoce do amor que transcendeu a vida, e enquanto as lágrimas silenciosas caem, sussurro ao vento: "Eu irei até você, meu amor, e um dia, além deste mundo, estaremos juntos novamente."
É primavera em toda esquina
A primavera coloriu os quadrantes,
Com um sinestésico crepúsculo carmim.
Tramas trazidas, trançadas por encanto,
espalhadas pelo vento, estrelas-de-anis.
Em todas as esquinas, poesias,
Celebramos um dezembro com flores,
serenos espaços, aumentam os laços
e encontros possíveis com todas as cores.
E, na emoção de todo dia
e na invenção de cada eu,
a melodia da primavera inspira
tudo aquilo que ainda não aconteceu.
No crepúsculo de sua beleza intensifico meus carinhos em versos verdadeiros que transpõe o ciclo da vida.
E na escuridão do meu mundo descubro a sinceridade de um coração profundo e harmonioso.
Transcendente á toda ilusão que me cerca em manifestação a falta de coragem e bom censo.
Sou real as minhas verdades que não se tornam invenções aos olhos alheio e minhas palavras têm profundidades em adentrar no mais fundo coração.
O crepúsculo do amanhecer atrai a atenção de quem nunca teve a oportunidade de presenciar a tal beleza natural;
E ensina a sabedoria a quem tem a pretensão de aprender;
No entanto, o crepúsculo é o sinal de que o amanhecer se inicia com a maravilha de Deus... Bom dia rainha!
O crepúsculo continuará a brilhar, ainda que a noite chegue, ainda que as estrelas cintilem, o sol continuará a clarear, ainda que em outro lugar.
No crepúsculo, o dia entrega seus segredos à noite, e é ali que a alma percebe o peso silencioso de tudo que nunca foi dito.
EduardoSantiago
"Vivenciamos o crepúsculo da crença cristã e a ascensão de uma seita obscura; afinal, a fé deixou de ser fonte de misericórdia para se tornar combustível para o ódio."
A CATEDRAL DAS AUSÊNCIAS.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
Nas naves do crepúsculo sombrio e profundo,
Velava meu espírito num claustro fecundo.
A saudade erguia seu véu de marfim,
Tecendo silêncios sem princípio ou fim.
Teu nome, relíquia de um tempo perfeito,
Habitava as criptas secretas do peito.
Qual lâmpada antiga de fulgor celeste,
Ardia nas brumas que o destino reveste.
A noite derramava seu manto de ametista,
Sobre a melancolia de minha alma mista.
E os astros, em coro de expressão sidérea,
Cantavam tua graça na amplidão etérea.
Percorri catacumbas de memória e paixão,
Buscando teus vestígios na desolação.
Mas somente encontrei, sob a sombra dispersa,
A liturgia muda de uma dor submersa.
Os lírios pendiam na neblina invernal,
Como páginas frágeis de um missal espectral.
E cada pétala morta que tombava ao chão,
Era um verso perdido da nossa afeição.
Contudo, entre ruínas de severa grandeza,
Floresceu uma estranha e magnífica beleza.
Pois o amor que atravessa a distância e o abandono,
Transforma o sofrimento em áureo trono.
Agora contemplo o horizonte distante,
Com olhar resignado e coração constante.
Porque certas partidas, embora fatais,
Convertem-se em jardins espirituais.
E se a eternidade ocultar teu semblante,
Guardarei tua essência em relicário vibrante.
Pois quem ama verdadeiramente, sem temor,
Faz da própria ausência uma forma de amor.
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" E no crepúsculo das ações humanas, é a gentileza que permanece como testemunho sereno de que a alma soube elevar-se acima da brutalidade do mundo."
Quando o Amor Carrega o Crepúsculo da Culpa.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
“Não há culpa em amar-te, mesmo quando esse amor me devora em mortes sucessivas. E, quando de ti necessito, aceito que venha envolto no presságio funesto que já habitava a primícia do próprio sentir.”
Nesta formulação, o amor surge como sacramento e sentença, um movimento que exime de culpa porque nasce inevitável, anterior à vontade. A “primícia funesta” torna-se o anúncio silencioso de que todo afeto profundo carrega sua sombra desde o primeiro gesto, e que ainda assim escolhemos permanecer.
Que o peso e a luz dessas palavras se tornem um caminho onde a dor e o desejo se reconciliam na busca pela imortalidade.
Quer saber!
Da janela, a vista do crepúsculo é insana,
A noite foi de sonhos aventureiros, agora os pensamentos são selvagens,
Uma queima de fogos refletem as margens do rio imaginário,
Alheio as ausências os olhos sabem brindar com os sentimentos levando os dramas na brincadeira,
Quer saber!
No fundo, no fundo o destino pode pegar leve se a saudade virar liquido de vez em quando, ou se na escala richter a magnitude do impacto de amor integral for 9,5.
Luto pelo amanhecer
No crepúsculo de minhas dores,
encaro os meus adversários.
Eles são um:
eu mesmo,
fragmentado
em inúmeras faces.
Cada uma
me põe à prova
diante de minhas escolhas.
Vejo a taça
verter seu conteúdo,
enquanto murmúrios
vestidos de certeza
ecoam verdades
que jamais foram absolutas.
Na contagem
de novos dias,
cada batalha
renasce com o sol.
Há lutas
que perco.
Há guerras
das quais saio
vitorioso
de mim mesmo.
Um guerreiro
não precisa
empunhar a espada
todos os dias.
Quando o brilho
do sol nascente
não alcança meus olhos,
resta-me enfrentar
o único inimigo
que verdadeiramente persiste:
a falta de clareza
que meu coração
teima em revelar.
0204 "Geralmente sempre tem algo ainda pior. Exemplo: 'Crepúsculo ao cair da tarde' é ainda pior do que 'chover no molhado'... Muito pior!"
0722 📜 "Não há rouxinol 'rouxinando' nem cachoeira 'cachoeirando' nem crepúsculo 'crepusculando' que supere a beleza da mulher. Não há nem haverá!"
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