Coleção pessoal de TiagoScheimann
O universo jamais prometeu significado. Foi o homem quem transformou sua necessidade de sentido em uma exigência dirigida ao infinito.
A consciência é o único horizonte que se expande à medida que destrói as paisagens onde antes encontrávamos abrigo.
A maturidade começa quando deixamos de perguntar por que sofremos e passamos a perguntar por que imaginávamos estar isentos do sofrimento.
A condição humana talvez se resuma a isto: caminhar entre o desejo de compreender o infinito e a inevitável limitação de uma vida demasiadamente breve para alcançá-lo.
Escrever é aceitar que certas inquietações jamais encontrarão repouso e, ainda assim, oferecer-lhes um lugar digno para permanecer.
O peso da consciência não está naquilo que ela revela, mas na impossibilidade de voltar a ignorar o que foi revelado.
O homem passa a vida inteira tentando vencer o tempo, sem perceber que, a cada segundo, é o próprio tempo que lhe arranca pedaços. Até que um dia entende, tarde demais, que nunca esteve lutando contra o relógio, estava apenas sendo lentamente transformado em lembrança.
Vejo uma infância difícil, genitores que raramente o entendiam, provações que uma criança jamais deveria passar. Muitas vezes pareceu forte, mas, por dentro, tudo ao redor estava corroído, apodrecido pelo abandono.
Esse é o reflexo no espelho: a criança que aprendeu cedo demais a suportar aquilo que não compreendia, o homem que dela nasceu sem jamais se libertar inteiramente.
Há coisas que o tempo não cura; apenas ensina a carregar.
Talvez a forma mais insidiosa do sofrimento seja continuar acreditando na beleza, mesmo depois de testemunhar, repetidas vezes, a crueldade do mundo.
O pensamento se torna mais pesado quando percebe que o universo jamais sentiu a obrigação de fazer sentido para quem o observa.
A vida nos ensina, com delicada brutalidade, que toda permanência é apenas uma despedida cuja data ainda desconhecemos.
Nenhuma solidão é tão brutal quanto a de quem vê as próprias ilusões apodrecerem por dentro e, sem ter para onde fugir, é condenado a habitar o cadáver daquilo que um dia o manteve vivo.
A memória possui uma fidelidade seletiva: esquece os dias comuns e eterniza exatamente aqueles dos quais gostaríamos de escapar.
Quanto mais profundamente um homem contempla a realidade, menor se torna sua necessidade de convencer os outros sobre aquilo que viu.
O destino raramente nos destrói de uma só vez, prefere a crueldade discreta das pequenas perdas, aquelas que chegam sem ruído e, quando percebemos, já nos roubaram quase tudo.
A maturidade talvez seja apenas o instante em que compreendemos que nenhuma conquista consegue negociar com a transitoriedade.
Existem feridas cuja maior crueldade não é a dor que provocam, mas a lucidez que deixam como herança.
O tempo não caminha sobre nós como um rio. Ele nos esculpe como o mar corrói uma pedra: lentamente, sem piedade e sem testemunhas.
