Coleção pessoal de TiagoScheimann

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O silêncio nunca foi vazio, ele apenas aprendeu a esconder tudo aquilo que as palavras seriam pequenas demais para carregar.

Atravesso um campo de lama sob uma neblina espessa e uma chuva fina, fria e incessante. Pelo caminho, criaturas de asas, escamas e dentes enormes observam minha passagem. No entanto, nenhuma delas me causa medo. O verdadeiro horror não habita nesses monstros, mas na certeza de que, ao alcançar o fim do lamaçal, descubro que ele era apenas o início. E, condenado ao mesmo percurso, recomeço infinitamente uma jornada da qual jamais consigo partir.


- Tiago Scheimann

Amar é aceitar que a maior vulnerabilidade nunca nasce da fraqueza, mas da coragem de colocar nas mãos de alguém o poder de destruir aquilo que jamais poderia ser alcançado pela força.

A saudade é a única presença que a ausência jamais conseguiu destruir.

A maior crueldade da existência talvez não seja a morte, mas conceder ao homem a lucidez apenas quando já não existe ninguém capaz de receber o amor que ele finalmente aprendeu a oferecer.

Meu passado é pesado demais. Por isso, não permito que ninguém entre. Sei que dividir esse fardo seria condenar outra alma a carregar um peso insuportável, imensurável, impossível de compreender por inteiro. Nunca permitirei que alguém sofra o que carrego em silêncio, ainda que, para isso, eu precise assistir à felicidade partir mais uma vez. Há dores que preferem a solidão, porque amam o outro mais do que a própria possibilidade de serem salvas.


- Tiago Scheimann

O tempo possui uma crueldade silenciosa: transforma as maiores tempestades em lembranças, mas nunca devolve aquilo que elas levaram.

O destino raramente nos tira pessoas, ele leva embora as versões de nós que só existiam quando elas estavam por perto.

Há um momento em que o coração deixa de esperar milagres, ainda assim, continua batendo como quem se recusa a abandonar o impossível.

A dor mais difícil de suportar nunca foi aquela que nos destruiu, mas a que nos obrigou a continuar vivendo depois da destruição.

A vida possui um estranho talento para nos ensinar, tarde demais, o valor daquilo que só compreendemos quando já pertence ao irrecuperável.

O homem imagina possuir uma identidade, quando quase tudo o que chama de "eu" não passa da soma dos medos aos quais decidiu nunca desobedecer.

O tempo não cicatriza, ele apenas sofistica o abismo. Sua função não é curar a dor, mas domesticar o grito, transformando o sofrimento crônico na melodia de fundo que a nossa normalidade exige para continuar fingindo que avança.

O vazio não é o nada, é a arquitetura invisível de tudo o que nos falta. Uma presença que nos habita pelo avesso, ocupando espaço justamente por sua recusa em terminar de partir.

O vazio não é a ausência de tudo, é a presença esmagadora daquilo que já não pode voltar, mas também nunca consegue partir completamente.

O homem acredita que escolhe seus caminhos, até descobrir que passou a vida inteira obedecendo aos medos que jurava combater.

A consciência é o único lugar onde o passado continua acontecendo, o futuro já começou a doer e o presente nunca permanece tempo suficiente para existir

O homem passa metade da vida construindo máscaras e a outra metade tentando descobrir quem ficou escondido atrás delas.

Churchill sabia que algumas vitórias custam sangue. A vida ensina que certas sobrevivências custam versões inteiras de quem éramos.

A verdade raramente consola. Ela apenas remove as mentiras que nos impediam de enxergar o tamanho da nossa própria coragem.