Coleção pessoal de TiagoScheimann

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Passei parte da vida recolhendo os pedaços que o abandono deixou pelo caminho. Hoje, transformo cada fragmento em palavra, cada cicatriz em reflexão e cada fragilidade em matéria para que a alma continue respirando.

Escrevo porque há dores que não sabem gritar, apenas se transformam em palavras. Sou feito desse homem que sofre, observa, reza, recorda e continua, convertendo abandono em linguagem e fragilidade em algo que o tempo não consegue destruir.

Algumas histórias não foram feitas para impressionar. Foram feitas para sobreviver.

O sofrimento foi um professor severo, mas eficiente.

A alma aprende a caminhar mesmo quando o destino desaparece da vista.

Nem toda esperança é luminosa, algumas são discretas como velas ao vento.

Existem noites que envelhecem uma pessoa em poucas horas.

Algumas pessoas encontram respostas, eu encontrei resistência.

Há um tipo de sabedoria que nasce apenas depois do sofrimento.

Existem feridas que se transformaram em janelas para a compaixão.

Algumas almas são feitas de cicatrizes organizadas.

A escuridão me ensinou a enxergar o que a luz escondia.

Existem batalhas que só Deus conhece por completo.

O tempo passa, mas certas dores aprendem a caminhar ao nosso lado.

Algumas memórias continuam florescendo mesmo em terras secas.

Há pessoas que sobrevivem sorrindo para não preocupar ninguém.

Existem dias em que a vitória é simplesmente não desistir.

O sofrimento não me tornou melhor, me tornou mais verdadeiro.

Algumas ausências continuam iluminando caminhos.

Nem mesmo a mais primorosa combinação de palavras, nem a narrativa mais vasta e engenhosamente tecida, alcançaria os recantos mais profundos da minha mente. Nela repousam mistérios sem nome, como antigas fábulas esquecidas pelo tempo, fragmentos de sonhos que vagam entre a luz e a penumbra, e segredos que se recusam a revelar sua verdadeira forma. As palavras tentam alcançá-los, mas retornam como viajantes perdidos, incapazes de decifrar por completo os enigmas que habitam esse território invisível.


- Tiago Scheimann