Coleção pessoal de TiagoScheimann

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O valor de um homem jamais será medido pelo tamanho da sua voz, mas pela firmeza silenciosa com que sustenta aquilo em que acredita. Há pessoas que fazem barulho para serem vistas, e há outras que permanecem em pé mesmo no escuro, sustentadas apenas pela força do próprio caráter. E muitas vezes, é no silêncio dos íntegros que mora a presença mais poderosa de todas.


- Tiago Scheimann

A razão é uma lâmpada silenciosa acesa no fundo do peito. Quando o mundo se cobre de sombras, quando as vozes se confundem e a escuridão tenta convencer a alma a desistir, é ela quem permanece de pé, iluminando o caminho com firmeza serena. A razão não grita, não implora aceitação e nem se curva ao barulho da multidão. Ela apenas continua brilhando, pequena e imensa ao mesmo tempo, guiando aqueles que ainda têm coragem de pensar com a própria consciência.


- Tiago Scheimann

Pensar por conta própria é a forma mais alta de coragem. Porque há menos perigo em obedecer, do que em despertar.

A consciência é um tribunal silencioso. Ela não grita, mas pesa. Não aplaude vaidades, e não negocia com a mentira.

Reconstruí-me tantas vezes que já não reconheço minha forma original. Talvez isso não importe mais. O que ficou ainda respira, ainda insiste, ainda luta. E talvez isso seja o bastante para continuar.

Nem todo afastamento é escolha. Às vezes é sobrevivência. É o limite de quem suportou além da conta. É o instante em que permanecer custa mais do que partir. E partir, por mais doloroso que seja, torna-se necessário.

Há uma coragem silenciosa em continuar.
Principalmente quando ninguém está olhando. Quando não há reconhecimento, nem testemunhas, nem aplausos. Nessas horas, a luta se torna íntima, e ainda assim imensa.

Eu já fui mais leve. Antes de compreender o peso das coisas. Antes de sentir tão profundamente o mundo. Antes de perceber que crescer também é perder partes de si. E nem sempre o que se perde volta a nascer.

O tempo não cura tudo. Ele apenas nos ensina a conviver com o que sobrou. Aprendemos a reorganizar os cacos, a dar novos nomes às antigas dores, e a continuar, ainda que incompletos.

Existe uma versão minha que ainda acredita em recomeços. Mesmo depois de tantas despedidas. Mesmo quando tudo me sugere o contrário. É ela que impede meu coração de se fechar por inteiro. É ela que ainda me convence a tentar mais uma vez.

Ser forte nunca foi uma escolha. Foi a única alternativa que restou. Quando desmoronar não era permitido, fui obrigado a continuar. E seguir, sem forças, tornou-se a minha forma de existir.

Depoimento de um verdadeiro Sulista!




Há uma beleza no simples costume do campo, onde encilhar bem um cavalo e seguir ao trote parece ensinar que a vida exige firmeza, coragem e alma forte. Existe verdade no cheiro da costela de novilha pingando graxa no fogo grande de angico, no olhar do ginete preparando a tropilha e na lida bonita de quem honra o próprio ofício. O Sul velho carrega costumes que nunca se perdem: o chimarrão amargo bem cevado, o ponteio do pinho numa tarde de garoa e o homem campeiro que segue firme, mesmo quando a lida é bruta. Cada passo sobre o lombo de um cavalo conta a história de homens de alma rude, que aprenderam a pedir que Deus ajude sem abandonar a própria caminhada. E talvez seja exatamente isso que torna essa terra tão forte e verdadeira: a simplicidade de quem vive solto das patas, enfrentando o tempo com humildade, coragem e coração Sulista.


- Tiago Scheimann

Não temo mais a dor como antes. O que me assusta é o vazio que ela deixa. Esse lugar sem cor, sem eco, sem direção. Um espaço onde até a saudade parece distante. Como se eu tivesse me desligado de mim mesmo por um instante.

Há palavras que nunca saíram de mim. Não por falta de desejo, mas porque pressenti que o mundo não saberia recebê-las. Então elas ficaram aqui, acumulando peso e silêncio. E o que não se diz, com o tempo, também fere.

Carrego uma fé que já foi quebrada muitas vezes. Mas ela insiste em se refazer, sem espetáculo. Não porque tudo vá dar certo, mas porque me recuso a abandonar totalmente a possibilidade de sentido. Às vezes, isso já basta para seguir.

Aprendi a sobreviver em terrenos áridos, onde o afeto era escasso e o silêncio, regra. Hoje, mesmo diante do amor, a leveza ainda me causa estranhamento, como se meu corpo tivesse desaprendido o descanso.

Nem toda dor precisa ser resolvida de imediato. Algumas só precisam ser sentidas até o fundo. Como o inverno que parece interminável, mas que prepara a terra em silêncio para tudo aquilo que ainda pode nascer.

Existe uma distância entre quem eu sou e aquilo que o mundo espera que eu seja. E, nessa travessia, vou me perdendo em fragmentos. Há partes de mim que não retornam. O preço de caber é, muitas vezes, deixar pedaços no caminho.

Tornei-me especialista em esconder tempestades. Aprendi a transformar caos em silêncio e dor em um sorriso suficientemente discreto. Talvez por isso tantos me vejam inteiro. Mal sabem o quanto já naufragou por dentro aquilo que aparenta firmeza.

Às vezes, o que me sustenta não é esperança. É o hábito de continuar. É o corpo seguindo mesmo quando a alma hesita. É a persistência automática de quem caiu tantas vezes que aprendeu a levantar antes mesmo de acreditar.