Coleção pessoal de swamipaatrashankara

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Dizem que perdoar é divino, mas como não sou deus algum não perdoo ninguém, nem adianta pedir. Desculpar é outra história. Se alguém pisa no meu pé sem querer e se desculpar, eu aceito. Se alguém pisa em cima de um sentimento meu, dificilmente será sem querer. Vou perdoar por quê? Para dar aval para fazer de novo e de novo? Prefiro pensar que esquecer é mais digno que perdoar, se isso não sai de verdade do coração. Ou pode-se esquecer a pessoa, tudo depende do que aconteceu. Sempre fomos instados a perdoar em função de religiões e crenças, só se esqueceram de dizer que somos humanos e que - mesmo assim e apesar disso - temos sentimentos. Não perdoo e nem quero que me perdoem, se eu pisar no pé de alguém sem querer. Se aceitar meus pedidos de desculpas, só isso está bom e é muito.

E não adianta pensar que vai ser diferente: as pessoas vão te usar por você ser do tipo bonzinho e vão te esquecer logo que conseguirem sugar até sua alma. Só não vão esquecer se você se revoltar - com razão - e falar o que pensa sobre elas. Vão sentir raiva no lugar do desprezo anterior. Não adianta, você sempre vai perder. Mude de vida, mude de ares e vai encontrar esse mesmo comportamento em qualquer lugar. Não me venha com essa que "atraímos pelo que somos". Conversa fiada. Se somos bons, como atraímos só percalços? Não seria atrair somente coisa boa? Espiritualmente talvez sim, mas isso não é regra sobre o ser humano, pessoas boas realmente existem, mas esqueceram de ensinar qual o comportamento diante delas à desumanidade. Um dia, quem sabe...

O calmo silêncio é melhor do que a fala insensata. No silêncio, as emoções crescem, se fortalecem e permanecem controladas. O poder do silêncio é grande, mas aquele que aprendeu a estar dentro do silêncio deve ser cuidadoso para que o seu mutismo da alma não prejudique a sua própria cortesia. Os outros não tem nada a ver com os silêncios, eles são só para os que conseguem chegar nesse ponto. Resumindo: você pode seguir a corrente que quiser, mas educação nunca fez mal a ninguém.

Diante de uma crise qualquer que seja, há pessoas que se desesperam e se revoltam. As que enxergam o mundo conforme o prisma de suas religiões costumam expressar submissão, dizendo: "Que seja feita a vontade divina". Pessoas amadurecidas pela sabedoria se perguntam: "Que andei fazendo de errado para isto acontecer?". E não param aí. Diante do sofrimento, também se perguntam: "E agora, que devo fazer para me corrigir e passar a fazer o melhor de mim mesmo?" Sempre há tempo de mudar o conformismo das religiões por uma vida mais plena, povoada pela vontade de ser uma pessoa melhor, avaliando cada passo dado e não arranjando uma desculpa divina para tudo.

Você tudo pode a partir do momento que se coloque em primeiro lugar. Se você sempre se colocar em último lugar, os outros farão as escolhas por você. Onde está o seu livre-arbítrio? Preso na mão alheia? Por isso se chama "livre", pois só pode ser seu. E porque não pode ser aprisionado. A não ser que você deixe e assim, as dores e o ranger de dentes aparecerão. Seja você mesma (o). Não se torne um espelho para os outros se refletirem. Não seja Lua, seja Sol, que tem Luz própria. Não seja iluminada (o) por ninguém. Ilumine a escuridão dos outros!

Acredita-se que o orgulho aparece quando se tem medo de sofrer ou de ser ferido em um sentimento. Acredita-se que só se pode conquistar o amor ao se apresentar para o próximo como alguém que conhece mais, que tem mais posses e que tem acesso aos segredos que estão velados às demais pessoas. Um desses segredos é ele próprio. O orgulho é, na verdade, vulnerável, sensível e tão facilmente ofendido em sua autoestima que acredita que só poderá sobreviver se erguer uma muralha de proteção da proximidade dos outros. Nossos medos precisam ser reconhecidos como algo a cumprir, e o medo de sofrer é apenas mais um e deriva de muitos outros medos, pois nos interessa mesmo não sofrer. Cada medo cumpre o objetivo em desenvolver o nosso projeto de vida, e esse projeto não é submetido à apreciação de ninguém, portanto, é de nossa responsabilidade. Ideal seria integrar esses medos e viver com mais espontaneidade e assim, olhando para dentro da sua alma, perguntar: “Do que tenho medo e por quê?” Já é um primeiro passo para a redenção pessoal.

Um homem comum prefere deixar às divindades toda sua vida e toma tudo por benção ou castigo; ele parece não existir, dado que é dirigido por forças invisíveis, mas visíveis na sua falta de vontade de viver um pouco por si mesmo. Um homem guerreiro, como disse Carlos Castaneda, toma tudo com um desafio. Não acredito em desafios a deuses, mas no próprio desafio entre ser um homem real ou uma marionete. Os deuses ajudam, mas não substituem.

Nada mais cruento e imbecil escutar alguma coisa tipo "eu sou assim mesmo" como desculpa para o que se é. Grande coisa você ser "assim mesmo", pois eu também sou "assim mesmo" e se ou seu "assim mesmo" vier ferir ou interferir no meu "assim mesmo", aí vai rolar porrada, pois você pode ser "assim mesmo" desde que seja dentro do limite do seu território, tá ligado, mano? Não somos animais pensantes? Somos e protegemos nosso território da mesma forma que os animais que não pensam e se guiam pelo instinto. Parte do meu "assim mesmo" dá dentada. Melhor pensar antes...

Antes de aceitar novas ideias, liberte-se das velhas. Ou faça uma salada entre elas. Apenas não deixe uma coisa atrapalhar a outra. Novidades nem sempre são boas e coisas antigas nem sempre devem ser descartadas. O caminho do meio, como diria Buddha.

O que vamos deixar para o mundo depende de nossos feitos e somente de nós, pois somos autores e sucessores de cada coisa feita ou pensada. Aprenda isso e pensará duas vezes antes de um legado ruim. A pecha não pode ser transferida.

Se existe receio, seja por qual motivo for, de ser rejeitado por outras pessoas, tente ocupar o seu lugar na vida, arrisque-se, tome decisões por si mesmo. Tente. Quem sabe consegue. Cada vez menos vai lhe incomodar a rejeição. Você é a única pessoa que você necessita para viver. Basta apenas mudar a maneira como enxerga as coisas: rejeitado ou não, você é único, ninguém pode viver sua vida. Quem vive preso a pessoas namora com cadeias.

Viver desconfiado com tudo é um grande passo para colocar realidade ruim em tudo quer ainda sequer existe.

Quem transmite a mensagem não importa e sim o teor dela e a partir disso pode se tornar importante.

O problema da sinceridade é achar que todo mundo é assim. Não falo daquela falta de educação travestida de sinceridade. Falta de educação não entra nesse quesito e qualquer um pode ter. Falo sobre sinceridade mesmo, onde encontrar falta de educação é mais fácil que sinceridade. Aos sinceros verdadeiros, classe em extinção, meus pêsames.

Amadurecer pode significar muitas coisas, mas uma delas significa entender que não existe amor maior do que o amor próprio, mas que indene do amor por nós mesmos, verificar nossos erros e encarar que a realidade é como é, muitas vezes bem mais deplorável do que gostaríamos.

Gosto muito da sua opinião, mas desde que ela seja exatamente igual a minha. Oi? Controlador? Tirano? Não. Viva a vida como achar que deve, apenas não ache que eu tenha que aceitar. Minha aceitação não lhe importa? Ótimo. Viva a sua vida sem imaginar que vou me importar com o que faz ou deixa de fazer. Presumo que acertamos condições: eu sou o que significo e você, o quer que signifique, é você.

Se você vive com medo de falar o que pensa, de incomodar ou de ser humilhado pelos seus pensamentos, então será exatamente que muitas das pessoas com quem você se relacionar vão tender a tratar você. Essa é uma espécie de mensagem subliminar que os outros recebem sem sequer perceber e é isso que elas terminam vendo nas suas atitudes. Você pode lidar bem com todos e ser carinhoso e gentil, mas ao não se tratar assim, não ser carinhoso e fiel a si mesma, aos seus sentimentos e desejos, ao que pensa e quer, então os outros não saberão como lhe tratar diferente disso. O choro não vai remediar isso, atitudes sim.

O norte mais preciso para conduzir você à felicidade que você tanto procura é sem dúvida o sofrimento. Quando algo dói, está doendo pra lhe mostrar que alguma coisa precisa mudar. Qualquer utilidade do sofrimento diferente disso, é pura perda de tempo e desrespeito consigo mesmo.

Diz o adágio popular que cada característica que enxergamos em cada um, as qualidades e os defeitos, tudo o que vemos, é sempre algo que de alguma forma já percebemos dentro de nós. Conversa. Qualidades e defeitos são intrínsecos a cada um. Nem sempre temos uma qualidade que enxergamos no outro e nem mesmo um defeito, pois cada ser humano é único nesse quesito. Vale mesmo é perceber as qualidades que temos e aprimorá-las e os defeitos, como muito carinho, tentar obscurecê-los. Os outros, bem, são os outros. Que vivam em paz ou guerra com suas qualidades e defeitos, que temos muito trabalho com nós mesmos para fazer comparações.

O problema com Deus é o ser humano achar que sabe mais sobre Ele do que Ele talvez nem tenha sonhado. Pobre Deus, à mercê de sofismas inimagináveis...