Coleção pessoal de swamipaatrashankara

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Há decepções que nos fazem abrir os olhos e cerrar o coração. Dores que nos levam a ser mais cautelosos, mas que nunca deve nos levar a perder a capacidade de fazer o bem tanto para nós mesmos quanto para outrem. As decepções estão contidas nelas mesmas e nelas devem ficar, pois não valem nem um segundo da nossa vida.

Ninguém pode fazê-lo infeliz sem o seu consentimento. Você pode evitar muita coisa, mas não evita, então cuidado com seus queixumes. Depois de uma tempo com a mesma ladainha, as pessoas param de acreditar em você.

Quando amamos alguém, acautelamos essa pessoa e evitamos ao máximo qualquer tipo de sofrimento que possa se lhe ocorrer. Se você não cuida dos seus amores, não evita suas dores, são apenas chofres sentimentos ricos em teatralidade e parcos em conteúdo. Quem não entende isso, não entende de amor. Não entende também de amores.

Só na inexistência de mentiras, de arrependimentos e de falta de interesse é possível criar alguma coisa que possa ser chamada de amor e que seja, em essência, liberdade. Com isso, gera comportamentos saudáveis e não mágoas. Nós merecemos relações baseadas na liberdade de escolha, contiguidade, com suporte no carinho, em tempo partilhado e em pensamentos que andam de lado a lado. Fora isso, é melhor estar fora disso.

Não podemos fazer de nossas relações apenas ensejo de dar, mas também deve-se procurar que haja equilíbrio com o receber. Isso não é falta de grandeza, de magnanimidade, onde se demonstra estreiteza de espírito e visão, mas sim algo enriquecedor para as pessoas envolvidas e também uma questão de direitos e deveres iguais. Chega dessa história de só dar, dar e dar. Isso é bonitinho nas doutrinas e religiões que, aliás, são boas, pois impedem que as pessoas se trucidem. Vamos viver mais a realidade, pois sempre no recôndito de uma alma há o desejo de ser retribuído.

Cansado de quase ter obrigação em entender quem os outros são em suas neuroses, maluquices, babaquices, empáfia e por vezes - milagre - alguma coisa boa que mostram, mas que no fundo sinto não passar de mero teatro. No singular, essa coisa boa mesmo, pois não não passa de uma. Por muito tempo, mesmo vendo as iniquidades presentes, tive uma quase epifania que devia alguma coisa a esses pelas também minhas iniquidades. Quando compreendi que adultos como eu e, portanto, responsáveis pelos seus comportamentos, passei a entender melhor o que eu mesmo sentia a respeito disso tudo. Deveria ser nada, mas a epifania... Mas, agora nada, pois nada e nem ninguém merece estar presente nos meus dias, a não ser que mereça doravante. Quem gosta de passado é museu.

Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável; quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase incurável.

Se o que te incomoda te faz aproveitar menos aquilo que é bom, aproveite mais e se incomode menos. Desta não vai sair vivo mesmo, então o que te impede de ser feliz até lá?

Envelhecer bem é um privilégio concedido na infância, onde podemos voltar muitas vezes para relembrar momentos felizes. Muitos reclamam de não serem felizes hoje por uma infância ou adolescência que não foi o que esperaram. Não há mais como mudar o se foi, mas mudar a partir do ponto em que a consciência sabe que a tristeza foi assim gerada, isso pode ser feito. Pior que saber é não saber, pois não temos como gerar soluções. Sempre há tempo para curar alguma coisa.

É melhor enfrentar nossos inimigos internos para compreendê-los e quem sabe obter um pouco de sabedoria. Nem sempre se proteger sob armadura vai funcionar: esta pode ser a sua própria jaula.

Aquele que não tem nada para dizer limita-se a debruçar em cima do pensamento alheio, cheio de razões que mais parecem remeter a um propósito subterrâneo em favor de si mesmo. Pior quando não dizendo nada, dizem tudo sem dizer nada, caso bem específico dos que fogem do colóquio por não ter conteúdo, não ter razão, não ter nada, mas ainda assim olhando-se somente a si, julga-se superior em dizer que não entra em verbalização para não ofender quando apenas está ofendendo a si mesmo ao expor sua incapacidade.

Eu não sou maluco tipo dizer uma coisa hoje e ir contra o que eu disse amanhã. Eu chamo isso de pensar melhor a respeito das crenças. Maluco seria se defendesse algo que sei hoje não ser mais verdade para mim. É com nossa verdade que temos algum compromisso, não sobre o que outros pensam a respeito. Eles tem a verdade deles, então que convivamos cada um com sua.

Nem sempre quando somos bons para os outros, estamos sendo bons para nós mesmos. A maioria pratica preceitos religiosos ou doutrinários sem pensar que antes de tudo nós somos mais importantes. Árvore sem raízes não se sustenta e quem sabe, talvez até por um tempo para dar satisfações a uma sociedade que também não aprendeu a pensar em si para estar bem o suficiente para "realizar a obra do Senhor/espíritos de luz". Essa história de dar tudo sem espera nada em troca já está enfadonha, pois nunca perguntaram o que de verdade preferem os que seguem cegos "verdades" impostas. Desde crianças, fazemos alguma coisa esperando a aprovação dos pais e da sociedade e agora, de repente, por causa de alguma religião, doutrina ou seita, vamos mudar o âmago do nosso ser? Até podemos, mas sempre haverá sensação de faltar alguma coisa. Os fanáticos não concordam, os de mínimo senso sim.

O segredo é aprender a se fixar em seu corpo, na sua mente. Enquanto sua alma vaga em outros lugares para procurar as respostas dificilmente se dará o encontro de você com você. As supostas respostas nos outros são apenas a realidade dos outros e não a sua que boa ou má, ainda é sua.

Em condições rigorosamente controladas, não adianta: o ser humano funcionará como bem entender. Não perca o seu tempo tentando dominar alguém, pois será dominado pela interpretação de dominação e o trouxa será você...

O verdadeiro amor não chega até você como mágica. Deve ser cultivado todos os dias. Não idealize. Não existem amores perfeitos, a vida é assim mesmo. Não procure um amor idealizado, pois isso é o que você pensa que deve ser, não o que as outras pessoas pensam e são. Mas, cultivar, pode. O que vai colher dependerá do esforço do cultivo.

Pessoas que tocam nossas almas derramam nelas estrelas luminosas, universos inteiros com seus cometas que nos ensinam por seus rumos. Essa união marca um pacto que vem desde o nascer e o ocaso dos tempos. Nesse meio-tempo, felicidade.

Ao não suportar um tanto a mais uma situação ou certas pessoas você ter alguma espécie de sentimento que está fracassando é algo comum, pois fundamenta-se no medo que sentimos de enfrentar o vazio que uma perda produz. Mas se lembre quem é mais importante. Quando há vazio, há espaço para ser preenchido. Aproveite.

A capacidade de saber traduzir emoções em palavras é indispensável para a satisfação das necessidades básicas da alma. Quanto mais nos expressamos de forma a trazer a emoção em forma de palavras, pouco a pouco coisas que aparentemente ruins se vistas sob outro ângulo, não provocam tanta dor. Isso funciona porque as palavras que descrevem emoções estão diretamente conectadas com os sentimentos e a expressão fisiológica e emocional dessas mesmas emoções. Quem reprime sentimentos e evita a comunicação emocional, é provável que sejam como pessoas emocionalmente mudas. Emoções são para ser vividas na sua extensão e nunca contidas.

Quem prioriza apenas a si mesmo, quem só vê seu próprio umbigo dentro do seu universo egoísta, sem perceber o sofrimento alheio ou as emoções negativas que suas atitudes provocam, ser forte é também saber dizer não a esse tipo de pessoa. Interrompa tudo o que cerceia a sua vida com aquilo que tira seu ar e que fere sua alma. Você é o protagonista dessa vida fugaz. Pode ser tarde quando se der conta que a experiência da morte é solitária. Nunca nada teve a ver com os outros e sim você com você mesmo. Seja forte e saiba dizer não de uma forma saudável. Não há necessidade de violência para nada.