Coleção pessoal de SabrinaNiehues

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Quando ela disse que estava bem, eu logo desconfiei. E no final, ela se entregou para mim, pois precisava de um apoio moral, mesmo cansada de pedir.

Ao final, nem mesmo me sentia infeliz, mas apenas apática. Nada parecia ter qualquer importância. E os anos foram passando.

Aquele tipo de amor
Transforma um homem num escravo
Aquele tipo de amor
Manda um homem direto para a sepultura.

Sim, é incrível
Estou fazendo uma oração
Para os corações desesperados esta noite.

Houve tempos em minha vida
Em que eu estava ficando louco
Tentando superar a dor
Quando eu perdi o meu controle
E atingi o chão
Sim, eu pensei que pudesse partir
Mas não pude sair pela porta
Eu estava tão doente e cansado
De viver uma mentira
Eu desejava que eu
Viesse a morrer.

Aquele último tiro são umas férias permanentes.

Aquele tipo de amor, era do tipo que mata.

Seu amor é um doce sofrimento.

- Então você estava sendo falsa esse tempo todo, sempre que sorria para tudo e para todos?
- Eu não estava sendo falsa. Não gosto disso. Eu apenas estava sendo educada e tendo senso de humor rindo com os outros quando na verdade eu estava chorando e morrendo por dentro.

Um senhor e seu filho

Eu preciso relatar uma cena que vi esta semana. Eu estava numa sala de espera, esperando para ser atendida pelo meu psiquiatra. Logo ao lado havia outra porta, onde uma psicóloga atendia um homem, na casa dos 30, talvez. Mesmo assim, ele já era calvo. Como o seu pai, sentado junto à mim na sala de espera, esperando pelo filho. Reparei, quando o homem saiu da sala e sentou-se junto ao pai na sala de espera, que sua mão tremia muito enquanto ele contava as notas de dinheiro. Fiquei um tanto assustada, mas claro que não deixei transparecer. Às vezes as pessoas parecem estranhas. Outras vezes, assustadoras. Acho que nesse caso foi as duas sugestões. Foi estranho pensar no que será que aquele homem disse àquela psicóloga. E foi assustador pensar no quanto ele sofre, e no quanto sofre mais ainda seu pai. E então, pensei que eu e ele estávamos praticamente no mesmo barco.

Eu quero é ver a paz nos outros, pois só assim é que conseguirei senti-la em mim também.

A tristeza, às vezes, parece vir de encontro à mim.

Sonhos que se sonham acordados

Eu estava numa cama de hospital, morrendo de câncer. Praticamente o mundo inteiro já tinha vindo chorar pra mim dizendo que me amavam, que eu ia fazer muita falta e blá, blá, blá. Então, nos últimos dias, pedi que apenas deixassem entrar meus parentes mais próximos e umas 4 amigas. Ah, e pedi para que deixassem entrar, caso viesse (o que eu tinha praticamente certeza de que não viria), meu amado professor. E eu ficava ali. Já estava aceitando a morte, afinal, ela foi tudo o que um dia eu pedi à Deus. Agora estou recebendo meu presente. Eu ficava ali no quarto, ouvindo o choro dos meus amigos e familiares. Não era nada agradável. Sinceramente, eu não via a hora de morrer e sair deste inferno. Mas, um belo e lindo dia, por um milagre da vida, ele apareceu. Meu professor. Estávamos à sós na sala. Ele se aproximou, perguntando:
- Como você está?
- Eu poderia ser grosseira e óbvia. Mas prefiro dizer que estou melhor agora.
Ele ficou um tanto sem jeito. Então fugi disso:
- Desculpe. Só ando um pouco impaciente.
- Imagino.
- Não esperava você aqui.
Ele deu o típico riso de canto, delirante, e disse:
- Pois é. Só vim porque me disseram que você havia pedido que eu viesse.
- Quem disse isso? É mentira, eu não disse à ninguém.
Rindo, ele disse:
- Tô brincando, ninguém me disse nada. Só imaginei que você iria gostar de me ver.
- Ah, nada convencido, hein?
- Um pouco. Olha o que eu trouxe pra você.
Ele tirou das costas uma única flor. Era uma rosa vermelha. Junto dela, tinha um pequeno papel dobrado. Ele me entregou e eu li o papel. Dizia o seguinte: ‘Eu adorava ver você me olhando. Saiba que ainda adoro e irei adorar todos os dias. E saiba também que espero ansioso por poder vê-lo de novo. Com amor, Gabriel.’
Olhei para ele com lágrimas nos olhos. Vi nele a mesma coisa. Agora eu sabia que poderia morrer em paz.

Um amor tão grande quanto o Titanic

Eu te amo como as pessoas amam o ar que respiram. Te amo, tão obviamente como o céu é azul e o sol é quente. Te amo tanto que nem consigo descrever, apenas fazer comparações. Mas saiba que vou te amar para sempre, como Jack amou Rose e como Rose amou Jack.

De que vale passar aqui na Terra se não fazemos nada, se somos fúteis? A futilidade não constrói. O que constrói são as coisas boas que nós produzimos.

Eu me lembro
Que enquanto cê jogava bola
Eu tava lendo
E enquanto cê tava na escola
Eu tava vendo
Da janela aqui de casa
Eu te olhava
Correndo pela quadra
Apreciava
Cada passo que cê dava
Emocionava
E teu cabelo ao vento
Eu adorava
De dentro do meu aposento
Acompanhava
Cada suspiro lento
Eu me amarrava
E se dependesse de mim
Ali mesmo eu ficava
Porque eu gosto assim
Você na minha aba
Daqui até o fim
E enquanto cê tava na academia
Eu ficava no meu quarto e dormia
E enquanto cê tava com ela
Eu não vivia
E quando eu te encarava
Cê nem me amava
E por dentro eu chorava
Esperando em vão
Um dia você sentir por mim
Amor n'alma e no coração.

Tudo começara como uma página de romance. Mas agora, terminado o encanto, as coisas se apresentavam como uma realidade sombria.

É tão ruim isso. Ela diz que mudou. E é verdade, eu já reparei isso. Mas… Eu devo confessar que ela mudou para melhor. Melhor para ela, melhor politicamente correta. Mas não melhor para mim. Agora todas elas tem alguém. Eu só tenho a solidão e memórias ruins. Tento afogá-las na bebida e mandá-las embora com a fumaça que venho soltando ultimamente. Eu me sinto tão só. Como se não tivesse nada nem ninguém. Me sinto insignificante. Eu só queria ter um motivo bem forte para continuar vivendo.

Eu vejo as pessoas apaixonadas e sendo felizes. E então olho para dentro de mim e sinto vontade e necessidade de ser feliz também.

- Aquilo era fumaça? Você estava fumando?
- Só estava soltando minhas memórias.