Coleção pessoal de SabrinaNiehues
Penso nos jovens sorrindo feito bobos... Por que eles riem, quando há tanto sofrimento nesse mundo? Por que não estão todos chorando, se descabelando e se desesperando? Eu faço isso, às vezes. Faço isso quando penso em mim e nos outros. Mas não sou igual aos outros. E não sei se eles são egoístas demais ou eu que sou louca. Não sei de nada. Ou melhor, nada é a única coisa que eu conheço bem.
Um dia tudo perdeu o sentido e desejei minha própria morte, mas nem de me matar eu era capaz. Tinha de sofrer e estar só.
Penso que somos todos pessoas cansadas da vida tentando consolar uns aos outros e ao mesmo tempo não querendo fazer isso por falta de força. Queremos ver os outros felizes e queremos ajudar nisso, mas não temos mais forças nem para nós mesmos.
Eu, que antes era alguém que acalentava sonhos de provar meu valor ao mundo, agora detestava a pessoa em que havia me transformado.
Praticamente havia se matado de outras formas. Bebia além da conta, fumava, não dormia direito e havia emagrecido.
O pirulito virou cigarro. O nescau virou vodca. A balinha de morango virou LSD. As bicicletas agora são motos. O esconde-esconde e o pega-pega já não são mais brincadeiras. O medo da velocidade agora é um prazer. A escuridão, antes assustadora, é agora confortante. A família, que no passado era acolhedora, agora é insuportável. Os amigos, anteriormente felizes, agora estão tentando o suicídio. A vida, antes bela, é agora um inferno.
Eu não poderia dizer que a culpa é toda dela. Jamais diria isso. Mas eu devo afirmar que ela teve uma grande contribuição para a minha depressão. Quando eu mais precisei dela, ela estava ali, mas para piorar ainda mais a minha situação. Quando precisei de suas palavras amigas, só recebi suas palavras inimigas. Quando precisei de seus abraços, ganhei seus tabefes. Quando precisei de uma mãe, eu recebi uma inimiga.
Eu tento fazer rimas, já não consigo mais. Eu tento reclamar da vida, e já não dá. Eu tento fazer o que já fiz, mas não consigo mais ser feliz.
