Coleção pessoal de SabrinaNiehues

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É por isso que numa folha de papel pardo ele tentou outro poema. E o intitulou de "Absolutamente Nada". Porque era o que estava em toda parte.

Subi a colina onde costumava usar o trenó. Havia muitas crianças ali. Eu fiquei vendo elas voarem. Darem saltos e apostarem corridas. E pensei que todas aquelas crianças um dia iam crescer. E todas aquelas crianças um dia iam fazer as coisas que nós fazemos. E todos eles beijarão alguém um dia. Mas agora andar de trenó era o bastante. Acho que seria ótimo se bastasse um trenó, mas não é assim.

Então eu puxo assuntos que sei que eles vão gostar, mesmo sabendo que esses assuntos não vão me agradar.

Ela não me admira, não. Ela apenas se aproveita de minha única qualidade para se gabar aos alheios.

Queria que a morte me desejasse tanto quanto eu a desejo. Queria que ela viesse ao meu encontro, e não o contrário.

Ela disse que não suporta injustiça. Eu disse à ela que o mundo é um lugar injusto e que ela devia se acostumar com isso. Pensando bem, creio que fugi dos meus princípios. Pensando bem, não devemos deixar nosso espírito morrer. Devemos batalhar pelo bem. Justiça. Mas eu disse isso à ela apenas porque meu espírito de vida já morreu. Eu já não tenho mais forças para batalhar pelo bem alheio, mesmo que eu queira...

Adormecido

Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
Eu estou cansado e eu
Eu quero ir pra cama
Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
E então me deixe sozinho
Não tente me acordar de manhã
Pois eu terei ido
Não se sinta mal por mim
Eu quero que você saiba
No fundo da cela de meu coração
Eu ficarei feliz de ir
Cante pra eu dormir
Cante pra eu dormir
Eu não quero mais acordar sozinho
Cante pra mim
Cante pra mim
Eu não quero mais acordar
Não se sinta mal por mim
Eu quero que você saiba
No fundo da cela de meu coração
Eu ficarei feliz de ir
Há um outro mundo
Há um mundo melhor
Bem, deve haver
Bem, deve haver
Adeus.

Quem me vê rindo por aí, não imagina tudo o que sofri.

Essa é minha vida, que de solidão e livros é movida.

Acho que sou muito sentimental.

A dor poderia fazer sentido.

Só sei dançar com você

Você me chamou pra dançar aquele dia
Mas eu nunca sei rodar
Cada vez que eu girava parecia
Que a minha perna sucumbia de agonia
E cada passo que eu dava nessa dança
Ia perdendo a esperança
Você sacou a minha esquizofrenia
E maneirou na condução
Toda vez que eu errava cê dizia
Pra eu me soltar porque você me conduzia
Mesmo sem jeito eu fui topando essa parada
E no final achei tranquilo
Só sei dançar com você
Isso é o que o amor faz

O que vale nessa vida é ver como você aproveita.

O que vale nessa vida
Tem um pouco do seu jeito

Quando eu conto de um sujeito
Cê logo encolhe o peito
Supondo uma intenção
Acha que eu queria ter
Um homem de tevê
Que veste a perfeição
Se pedir eu ainda grito
Que até de olhos fechados
Eu... te acho mais bonito!

Eles disseram que me chamariam. Eu ainda espero vocês aqui, meus velhos amigos...

Não sei o que faço nesse mundo. Ele é tão entediante... Minha vida é. Meus amigos estão todos se afastando, mais uma vez... Quem eu amo não me ama, e muito provavelmente jamais há de amar. Minha família não se entende mais. Meus pais estão em conflito. Eu consigo ver a dor em todo canto. Eles estão infelizes. Eu também. A vida me é um saco pesado que eu arrasto pelo chão. Já não consigo carregá-lo. Acho que vou largá-lo...

A gente podia ser tão felizes juntos. Eu lhe amo tanto... Jamais alguém lhe amará tanto quanto eu. Por favor, acredite em mim. Nas minhas palavras, nos meus sentimentos e olhares. Você não consegue sentir a intensidade do meu sentimento? Eu poderia dar a minha vida por você. Esperar uma vida toda por você. Mas eu também posso ver-lhe feliz com outra e então matar-me.

Tenho a leve impressão de que aquele inferno vai recomeçar. Não sei se vou aguentar isso mais uma vez. Todos os elos estão se rompendo de novo. Preciso de elos para me manter presa nessa vida. Sem ninguém por perto, não dá. O elo da minha vida está prestes a se acabar.

Ontem eu caí na noite. Precisava sair dessa casa. A voz dela me matava. Saí andando pelos becos escuros. Andei sem rumo algum. Eu não tinha pra onde ir. Sentei-me numa beira de estrada. Chorei. Cortei meus pulsos com uma pedrinha pontuda. Levantei. Andei mais um pouco. Sentei na beira de uma ponte. Eu não me reconheço mais. Pensei em pedir ajuda. Pensei em desistir da ajuda que pago para ter. Eu não sei o que fazer, o que pensar, nem sei pra onde ir. Eu nem sei quem sou.