Coleção pessoal de SabrinaNiehues

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Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas.

É muito mais fácil não saber das coisas de vez em quando.

E essa é minha rotina, nas férias. Ficar em casa lendo e acordando tarde, e fazendo almoço e lavando louça, e ouvindo meus pais discutirem. E o pior de tudo é que já não tenho mais com quem conversar. Penso que daqui à pouco ficarei sem voz, por falta de uso.

Beber até rinchar, aaah será triste o fim. Álcool destrói o fígado e o rim.

O meu mundo me ensinou a ser assim.

No meio da malandragem solto fumaça.

Muitas vezes minha mãe me chamou de capeta.

Esse mundo me ensinou a viver de um jeito que não dá pra mudar, eu queria poder viver bem, eu queria um dia ser alguém, infelizmente o que se quer não se tem, preto rico tem 1 entre 100!

A gente sempre vai sofrer e ser feliz e isso sempre se repete.

Tô aqui me arrastando pelo chão, sem conseguir me reerguer, mas ainda encontro forças para apoiar quem eu amo.

Eu não sei por que eu grito por socorro. Ninguém consegue mudar nada mesmo.

Já tem mais de dois dias que não falo mais com meu pai. E hoje ele foi dormir sem me desejar boa noite. E eu lhe compreendo, pai. Sei que é minha culpa tudo isso. Toda essa dor sentida. Mas, sabe, eu gostaria que você tivesse me dado a opção de me explicar... Gostaria que você me compreendesse também...

Dizem que quem tem medo da dor, não merece a alegria. Faz parte da vida sofrer. Opte pelo que lhe faz bem hoje. Amanhã não nos pertence. Amanhã pode não vir mais e você pode ficar sem opção.

Vocês estão vendo problemas antes da hora. Por enquanto está tudo bem... Depois, fica pra depois...

Sei que as coisas pioram antes de melhorar porque é o que diz meu psiquiatra, mas esta fase pior está grande demais para mim.

Tem alguma coisa errada comigo. E eu não sei o que é.

Sempre você

Era apenas mais uma manhã de inverno. Céu cinza, sem vida. Como minha'alma. Mas, no meio do céu cinza, apareceu um pequeno raio de sol. Ele. Minha luz. Mas já me acostumei a ver esse raio de sol e não poder senti-lo. Sentei-me numa bancada para ver o jogo de vôlei. Logo após, ele sentou-se ao meu lado. Ficamos em silêncio. Ele virou-se para mim e perguntou:
- Você acha que eu fico feio sem barba?
Achei uma pergunta curiosa. Mas respondi, muito sincera:
- Aos meus olhos, você fica bonito de qualquer modo.
Ele deu um sorriso de canto, disse obrigado e voltou sua atenção ao jogo. Continuei observando-o. Ele, novamente, virou-se para mim:
- Por que sempre me diz essas coisas?
- Porque é o que eu sinto.
- Ainda sente? Depois de todo esse tempo?
- Sim e sim.
Ele me olhou de um modo que parecia querer entrar em minha mente, descobrir a verdade através de meus olhos.
- O que você procura?
- A sinceridade - ele disse.
- Prazer, me chamo sinceridade.
Ele riu da piadinha. E eu me senti feliz e completa. Eu sabia que a razão de meu viver estava bem à minha frente. E ele ria como um garotinho ao ganhar um brinquedo. Eu via nele esse garotinho. Eu sabia que dentro dele habitava um garoto lindo, jovem e apaixonante. E eu sabia que eu era, muito além de apaixonada, encantada por ele.

Eu decidi ser uma pessoa melhor. Espero que minha vida também decida ser assim.

Em uma folha de papel amarelo com linhas verdes
ele escreveu um poema
E o intitulou "Chops"
porque era o nome de seu cão
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e uma estrela dourada
E sua mãe o abraçou à porta da cozinha
e leu o poema para as tias
Era o ano em que o padre Tracy
levava todas as crianças ao zoológico
E ele deixou que cantassem no ônibus
E sua irmãzinha tinha nascido
com unhas minúsculas e nenhum cabelo
E sua mãe e seu pai se beijavam tanto
E a garota da esquina mandou para ele
um cartão de Dia dos Namorados assinado com vários X
e ele teve de perguntar ao pai o que significava X
E seu pai deixou que ele dormisse na sua cama à noite
E era sempre lá que ele dormia
Em uma folha de papel com linhas azuis
ele escreveu um poema
E o intitulou "Outono"
porque era o nome da estação
E era o que estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e o pediu para escrever com mais clareza
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
por causa da pintura nova
E as crianças disseram a ele
que o padre Tracy fumava cigarros
E largava as guimbas no banco da igreja
E às vezes elas faziam buracos
Que era o ano de sua irmã usar óculos
com lentes grossas e armação preta
E a garota da esquina riu
quando ele pediu para ver Papai Noel
E os garotos perguntaram por que
a mãe e o pai se beijavam tanto
E seu pai não o cobria mais na cama à noite
E seu pai ficou furioso
quando ele chorou por isso.
Em um pedaço de papel de seu caderno
ele escreveu um poema
E o intitulou "Inocência: Uma Questão"
porque a questão era sobre uma garota
E isso estava em toda parte
E seu professor lhe deu um A
e um olhar muito estranho
E sua mãe não o abraçou à porta da cozinha
porque ele nunca o mostrou a ela
Foi o primeiro ano depois da morte do padre Tracy
E ele esqueceu como terminava
o Creio em Deus Pai
E ele pegou a irmã
se agarrando na varanda dos fundos
E sua mãe e seu pai nunca se beijavam
nem mesmo conversavam
E a garota da esquina
usava maquiagem demais
O que fez ele tossir quando a beijou
mas ele a beijou mesmo assim
porque era a coisa certa a fazer
E às três da manhã ele se aninhou na cama
seu pai roncava alto
É por isso que no verso de uma folha de papel pardo
ele tentou outro poema
E o intitulou "Absolutamente Nada"
Porque era o que estava em toda parte
E ele se deu um A
e um corte em cada maldito pulso
E se encostou na porta do banheiro
porque nessa hora ele não pensou
que poderia alcançar a cozinha.

Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.