Coleção pessoal de testeteste123
Houve um tempo em que ele acreditava que pisaria num foguete. Não porque gostasse de ciência. Porque toda criança precisa inventar um céu onde a vida pareça valer a pena. O foguete nunca foi um veículo. Era uma mentira bonita. Daquelas que se contam para não perceber cedo demais que o mundo costuma distribuir mais boletos do que milagres.
Depois vieram os quarenta.
A idade em que o espelho deixa de fazer gentilezas.
Ali ficou claro que nenhum foguete pisaria o quintal daquela casa. Restou o café frio, os bares de luz amarela, algumas mulheres que passaram como chuva de verão e amigos que aprenderam a sorrir para fotografias enquanto enterravam silenciosamente a própria fome de existir. Ele ainda procurava alguma coisa. Não sabia o nome. Chamava de sentido porque qualquer palavra menor pareceria covardia.
Agora vieram os sessenta e dois.
A essa altura, não dói apenas o corpo. Doem as expectativas que sobreviveram tempo demais.
Os dias se parecem com copos vazios esperando por uma bebida que nunca chega. Não é exatamente tristeza. É um cansaço antigo. Um animal velho dormindo no peito.
Às vezes, observa uma folha cair da árvore.
E sente um impulso ridículo de colocá-la de volta no galho.
Como quem pudesse devolver um casamento ao começo, uma amizade ao primeiro abraço, um pai à juventude, um amor ao instante em que ainda não conhecia a despedida.
Mas folhas não voltam.
Nem pessoas.
Nem o tempo.
Todo mundo merece um dia melhor, pensa ele. O problema é que ninguém ensina o caminho. Ensinam a produzir, competir, acumular, parecer feliz. Nunca a existir.
Durante muitos anos procurou sua rainha da beleza.
Não a mulher das revistas.
Essa morre quando a maquiagem encontra a primeira lágrima.
A rainha que procurava tinha outra anatomia. Beleza sentimental. Inteligência que abraça sem tocar. Capacidade de permanecer em silêncio sem transformar o silêncio em distância. Uma mulher cuja alma não estivesse à venda por curtidas, status ou conveniências.
Ainda procura.
Talvez ela também esteja perdida em algum balcão de bar, fingindo que o gelo do copo basta para resfriar a solidão.
Olha para antigos amigos.
Todos parecem brilhar.
Casas maiores.
Carros melhores.
Viagens.
Sorrisos impecáveis.
Mas ele já não acredita tanto na luz.
Aprendeu que existe um sol artificial iluminando a terra da normalização.
Lá, o verbo ser foi lentamente assassinado pelo verbo ter.
As pessoas compram identidades em prestações.
Vendem a própria autenticidade em troca de aprovação.
Sorriem como quem cumpre expediente.
Abraçam como quem assina um contrato.
A empatia virou artigo de luxo.
A delicadeza, uma excentricidade.
A verdade, inconveniente.
Talvez seja por isso que se sinta preso numa bolha.
De um lado, o mundo do faz de conta.
Do outro, um mundo real que quase ninguém parece querer habitar.
Nesse lugar antigo, os valores ainda tinham peso. A palavra ainda valia mais que uma assinatura. O afeto não precisava produzir conteúdo. A dor podia existir sem virar espetáculo.
Talvez o erro nunca tenha sido do mundo.
Talvez tenha sido nascer acreditando que honestidade seria suficiente.
Ainda assim, todas as manhãs ele acende um cigarro imaginário para conversar com as próprias ruínas. Serve um copo como quem brinda aos mortos, aos amores que não vieram, aos sonhos que explodiram antes da decolagem.
E continua vivo.
Não porque espere um foguete.
Nem porque a felicidade esteja logo ali na esquina.
Continua vivo porque existe uma estranha dignidade em permanecer inteiro quando tudo ao redor insiste em ensinar a arte de apodrecer por dentro.
Talvez seja isso envelhecer.
Descobrir que o mundo nunca prometeu salvação.
E, mesmo assim, recusar-se a chamar de vida essa enorme coleção de sorrisos emprestados
Nossa missão não é controlar a graça, mas proclamá-la. Não somos juízes dos corações; somos testemunhas de Cristo. Quem salva não é a Igreja, nem o pregador, mas o Senhor.
miriamleal
A Igreja não foi chamada para escolher quem merece ouvir sobre Cristo; foi chamada para anunciar Cristo a todos.
Quem responderá ao chamado e será transformado é obra da graça de Deus. miriamleal
Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.
(Marcos 16:15)
Jesus não disse: Preguem apenas aos que vocês acham dignos. Ele disse: a toda criatura.
miriamleal
O vício é a forma mais cruel que o capitalismo encontra para fazer seus adeptos perseguirem o status sem reclamar da fadiga.
Em A Inveja do meu Eu. A Pior Inveja é a que Sentimos de Nós Mesmos.
Na minha visão, longe das ilusões otimistas que preponderam: "A felicidade,
como ideal absoluto, não existe. Penso que existe um estado de aceitação —
como o meu agora. Este é o único momento de plenitude e segurança para mim,
ou para qualquer ser humano, sem exceção. Toda construção exige esforço; a
felicidade tem um custo. Logo, a plenitude não existe em estado bruto; o objetivo
é a tranquilidade. A tranquilidade — é para mim a mesma coisa — reside ou
surge naquele instante em que compreendemos que as coisas e as pessoas são
exatamente como são, e não temos por obrigação mudá-las."
Acho que todo pensamento transmite uma
espécie de canção, mas em poucos momentos ele se organiza como uma
orquestra interior em nós e desvenda uma melodia. Cada insight, cada epifania
nesses momentos, é como uma nota musical em busca de harmonia na sinfonia
do universo, que por instantes nos leva a uma sintonia com o todo. Livro A inveja do meu Eu (Juliano Assis)
Estar e não ser
A tristeza pode ser sonolência
A tristeza pode ser indisposição
A tristeza pode ser desistência
A tristeza pode ser situação
A tristeza dá vontade de chorar
A tristeza se revela no olhar
A tristeza as vezes quer ficar
É dever seu a tristeza espantar.
Ela deve ser apenas momentos
Não deve jamais te acompanhar
Não cative-a com seus lamentos
Mostre pra ela que vai se alegrar
Não deixe que ela faça morada
Busque o que te faz sorrir
Tenha fé, e siga sua a jornada
Mostre que quer ser feliz.
E lembre-se depois dessas poucas palavras: Estar triste é inevitável, ser triste é
inaceitável.
*Cavalo de Aço*
Eu sou um cavalo de aço
chamado liberdade.
Relincho contra o vento
e galopo na imensidade.
Minhas crinas são fumaça,
meus cascos batem no céu.
Voou acima das ondas
sem medo de cair no véu.
Lá de cima eu vejo o mar
morrer mansinho na areia,
deixar espuma na praia
como quem despede a cheia.
E eu sigo, livre e selvagem,
sem rédea, sem arreio, sem jaula...
Porque ser livre é isso:
ser aço que não se amarra.
(Saul Beleza)
Vencer é abraçar a mudança com coragem,
ser constante na busca por crescimento,
encontrar força em cada recomeço,
e seguir firme, mesmo quando o caminho é incerto.
A ilusão do Don Juan moderno: alugar um carro ou uma moto potente, ostentar em festas e acumular conquistas rápidas em uma única noite🤴🏼🏍️🚗
A VIDA NÃO OFERECE ENSAIOS PARA AS DECISÕES MAIS IMPORTANTES.
Há palavras que marcam, escolhas que mudam destinos e oportunidades que não voltam. Quem compreende isso aprende a valorizar cada instante antes que ele se torne apenas uma lembrança.
Disseram que o inferno ficava abaixo de nós. Que ironia filosófica: construímos o inferno sobre a Terra e continuamos caminhando sob o Sol, iluminados o bastante para enxergar a crueldade, mas covardes demais para interrompê-la. Chamamos isso de mundo porque “condenação coletiva” seria uma verdade excessivamente deselegante. Aqui, a luz não salva — apenas revela melhor as ruínas. O fogo não sobe do chão; nasce dos homens, atravessa suas instituições e recebe nomes respeitáveis como tradição, ordem e progresso. Talvez não estejamos no inferno; talvez o inferno seja exatamente a maneira como decidimos habitar o Sol. Então os homens vestidos de preto começaram a caminhar pelas ruas, avenidas e esquinas. Não como demônios, mas como testemunhas vestidas para o funeral da humanidade. O preto deixou de representar ausência de esperança e tornou-se o uniforme daqueles que se recusaram a pintar a realidade de branco. Eis a contradição mais verídica de todas: caminhamos em plena luz, mas foi preciso vestir a escuridão para finalmente enxergar. O inferno nunca precisou esconder-se — fomos nós que aprendemos a chamá-lo de vida.
— Dr. Jeff Marconis | Marconismo
Talvez não haja Dor que supere a de beijar a Testa Gelada do nosso Grande Amor num caixão.
Há despedidas que não encontram palavras suficientes.
O silêncio pesa muito mais do que qualquer discurso, e o coração tenta aceitar aquilo que a alma insiste em negar.
Nesse instante, compreendemos que o verdadeiro amor não se mede apenas pelos dias felizes, mas pela imensidão da saudade que fica quando a presença vira memória.
Quem ama de verdade, nunca está preparado para dizer adeus.
Restam as lembranças dos sorrisos compartilhados, das mãos entrelaçadas, dos sonhos construídos e da gratidão por cada momento (com)partilhado.
A morte pode até interromper uma história nesta terra, mas jamais poderá apagar um amor que marcou uma vida inteira.
Hoje, entre lágrimas, medos e saudade, só consigo dizer:
Vá em paz, amor da minha vida, Célia Maria!
E, mesmo com o coração dilacerado, elevo meus olhos aos céus e agradeço:
Gratidão, Pai Eterno, Pai Amado, por ter me emprestado a mulher da minha vida por mais de três décadas.
Que eu tenha forças e hombridade para honrar tudo o que vivemos, e para carregar comigo o legado de amor que ela deixou.
Talvez uma das maiores provas de que o amor existe seja exatamente a tamanha intensidade da dor da despedida.
E, talvez, não haja dor que supere a de beijar a testa gelada da pessoa mais amada da sua vida num caixão.
Vá em Paz, amor da minha vida!
