Coleção pessoal de testeteste123
Eu sou, eu tenho, eu posso e eu vou. São os quatro princípios declaratórios de poder para alcançarmos nossas verdadeiras mudanças necessárias para a construção de um amanha diferente.
Lugar
Lindo Navegar
Navego nos mares agitados
Nas sensações de cada destino
No refazer rotas
Amplitude das aventuras
Para enfim chegar no lugar desejado.
Existem pessoas que são tão bonitas em seu universo interior, com muita empatia e generosidade no espirito e na alma, que as vezes penso, que elas se alimentam só de flores amarelas e borboletas coloridas.
Talvez
os únicos que realmente dominam todas as línguas sejam os mudos.
Não porque conheçam cada idioma, mas porque aprenderam aquilo que os falantes frequentemente esquecem: o silêncio também comunica — e, às vezes, comunica com uma precisão que nenhuma palavra alcança.
Há silêncios que acolhem, outros que denunciam.
Há os que pedem desculpas sem pronunciar uma só palavra, e há os que gritam uma revolta inteira sem emitir um único som.
Um olhar pode atravessar fronteiras que um discurso jamais conseguiria cruzar; um gesto pode ser traduzido em qualquer parte do mundo.
Talvez o problema de quem fala demais seja justamente acreditar que linguagem é apenas aquilo que sai da boca.
Confundimos eloquência com volume, inteligência com quantidade de argumentos e verdade com a capacidade de vencer uma discussão.
Os mudos, nesse sentido, talvez sejam os poliglotas mais completos: não precisam dominar palavras estrangeiras para serem compreendidos.
Conhecem a gramática universal do olhar, do gesto, da presença e até da ausência.
Sabem que existem coisas que, quando ditas, diminuem; e outras que, quando caladas, revelam.
No fim, talvez dominar todas as línguas seja descobrir que nenhuma é suficiente.
E que há momentos em que o silêncio não é falta de voz, mas o idioma mais difícil de aprender.
A saudade traz uma dor que aperta o peito, mas ela nasce de momentos felizes. As lembranças guardam o amor que ficou e mostram que a vida valeu a pena.
MORADAS FLUÍDICAS E MORADAS ETÉREAS: A ARQUITETURA INVISÍVEL DO MUNDO ESPIRITUAL.
Obs. " Sem pedantismo de nossa parte digo porém que: _ Consigo compreender com naturalidade de senso os prós e os contras, também ao estudar a codificação espírita é notório que Kardec não engessou a doutrina espírita. "
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Encontramos, na literatura espírita, determinadas expressões que parecem abrir diante da imaginação humana uma janela para regiões que os sentidos físicos não alcançam. “Moradas fluídicas” e “moradas etéreas” pertencem a esse vocabulário evocativo. Elas sugerem um universo espiritual que não deve ser concebido como um vazio abstrato, imóvel e desprovido de organização, mas como uma realidade dotada de movimento, gradações, relações, trabalho, beleza e formas de manifestação próprias.
Entretanto, para compreendê-las com verdadeira lucidez espírita, é indispensável distinguir aquilo que Allan Kardec efetivamente estabeleceu como princípio doutrinário daquilo que pertence ao desenvolvimento literário, filosófico e espiritualista posterior, particularmente em autores como Léon Denis.
A imagem apresentada abaixo corresponde a uma passagem de Après la mort, de Léon Denis, obra publicada em diferentes edições desde o final do século XIX. A própria Bibliothèque nationale de France registra a edição revista e consideravelmente ampliada de 1893, publicada pela Librairie des sciences psychologiques.
É nesse horizonte que a expressão moradas fluídicas adquire sua riqueza simbólica e doutrinária.
DEUS, ESPÍRITO, MATÉRIA E O FLUIDO UNIVERSAL.
A questão 27 de O Livro dos Espíritos oferece uma chave fundamental para essa compreensão. Kardec pergunta se haveria dois elementos gerais do Universo, matéria e Espírito. A resposta acrescenta Deus acima de tudo e introduz o fluido universal como elemento intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita.
Esse ponto é capital.
O Espiritismo não apresenta o Universo como uma oposição simplista entre aquilo que é físico e aquilo que seria absolutamente imaterial. Kardec admite diferentes estados da matéria. Na questão 22, por exemplo, é afirmado que a matéria pode apresentar-se em estados tão sutis que escapem inteiramente aos sentidos humanos e, ainda assim, continuar sendo matéria.
É justamente nessa gradação que a linguagem dos fluidos encontra seu significado.
Para Kardec, o fluido universal, também chamado fluido primitivo ou elementar, é apresentado como intermediário mediante o qual o Espírito pode atuar sobre a matéria. Suas combinações, sob a ação do princípio inteligente, participariam da produção de uma variedade imensa de fenômenos e estados da matéria.
Assim, quando Léon Denis descreve o Espírito como um ser fluídico que atua sobre os fluidos do espaço por meio da vontade, sua concepção encontra um ponto de contato evidente com a estrutura conceitual kardeciana. Não significa, porém, que toda descrição estética de Denis deva ser convertida automaticamente em definição doutrinária.
Essa distinção é essencial.
O QUE SÃO, ENTÃO, AS MORADAS FLUÍDICAS?
Na perspectiva apresentada por Léon Denis, as moradas fluídicas não devem ser imaginadas simplesmente como cópias transparentes das cidades terrestres.
São descritas como ambientes nos quais o Espírito, utilizando os elementos sutis disponíveis no mundo espiritual, pode imprimir formas, cores, harmonias e configurações correspondentes à sua capacidade de realização.
O trecho reproduzido na imagem fala de construções aéreas, cúpulas luminosas, grandes espaços de reunião, templos, paisagens e manifestações artísticas que ultrapassariam os padrões da experiência terrestre. A finalidade da descrição não é apenas arquitetônica.
Há nela uma concepção filosófica muito mais profunda:
a realidade espiritual seria capaz de expressar, em formas, a qualidade interior dos seres que a constituem.
A arquitetura deixa de ser apenas arquitetura.
A beleza torna-se linguagem.
A harmonia torna-se experiência.
A arte torna-se uma forma de oração.
E a vontade deixa de ser somente faculdade psicológica para assumir, dentro da cosmologia espiritualista de Denis, uma função organizadora sobre os elementos fluídicos.
É por isso que o texto afirma que, para a alma superior, a arte pode constituir uma homenagem ao Princípio eterno.
Não se trata apenas de contemplar beleza.
Trata-se de produzi-la como expressão da elevação interior.
A VONTADE COMO FORÇA MODELADORA.
Existe aqui uma questão psicológica extraordinariamente interessante.
Na experiência terrestre, nossa vontade encontra inúmeras resistências. Pensamos em construir e precisamos de pedra, madeira, metal, energia, instrumentos, trabalhadores, tempo e recursos. O pensamento, por si só, não ergue uma catedral.
Na concepção fluídica apresentada por Denis, a relação entre pensamento, vontade e forma seria consideravelmente mais direta.
O Espírito concebe.
A vontade organiza.
O fluido responde.
A forma manifesta-se.
Essa concepção não significa que qualquer Espírito possa simplesmente criar uma cidade paradisíaca conforme um capricho individual. A própria lógica espiritualista de Denis associa a capacidade de atuação sobre os fluidos ao grau de desenvolvimento do ser.
Quanto maior a depuração, maior seria a liberdade de utilização dos elementos sutis.
Quanto mais grosseiras as tendências, mais limitada a capacidade de ação.
Há, portanto, uma relação entre evolução moral e capacidade de realização espiritual.
Essa ideia também aparece em outros momentos de Après la mort, no qual Denis relaciona a sutileza do corpo fluídico à condição evolutiva do Espírito.
MORADA NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE “CASA”.
A palavra habitat, utilizada no texto de referência, merece atenção.
Habitat não precisa ser entendido exclusivamente como uma residência arquitetônica.
Em sentido mais amplo, é o meio no qual uma determinada existência encontra condições adequadas à sua manifestação.
Nesse sentido, falar em habitat espiritual pode ser intelectualmente fecundo.
Um Espírito não estaria apenas “em algum lugar”; estaria inserido em um meio compatível com sua condição espiritual.
É aqui que a doutrina kardeciana oferece uma perspectiva particularmente sóbria.
Em O Livro dos Espíritos, Kardec apresenta os chamados mundos transitórios, destinados temporariamente aos Espíritos errantes. A questão 234 fala desses mundos como estações ou pontos de repouso, enquanto a questão 235 informa que os Espíritos ali permanecem com finalidade de instrução e progresso.
Na questão 236, Kardec esclarece que sua condição é temporária e acrescenta algo de enorme interesse: embora possam ser estéreis segundo determinadas condições, esses mundos não estão privados de beleza, pois a natureza neles pode refletir as belezas da imensidade.
Portanto, o universo espiritual, na concepção espírita, não precisa ser pensado como uma abstração sem ambiente.
Existem condições de existência.
Existem gradações.
Existem mundos e regiões adequados aos Espíritos.
E existem diferentes estados de materialidade (222) L.E.
MORADAS FLUÍDICAS E MORADAS ETÉREAS: UMA DISTINÇÃO QUE EXIGE CAUTELA.
É necessário, entretanto, fazer uma correção de rigor doutrinário.
A distinção entre “moradas fluídicas” e “moradas etéreas”, tal como apresentada no texto-base, não constitui uma classificação sistemática estabelecida por Allan Kardec nesses termos.
São expressões que podem ser utilizadas para organizar didaticamente diferentes descrições espiritualistas, mas não convém apresentá-las como se Kardec tivesse elaborado uma taxonomia oficial segundo a qual existiriam, de um lado, “moradas fluídicas” e, de outro, “moradas etéreas”.
Isso seria ultrapassar o texto kardeciano.
O vocabulário de Kardec é mais nuançado.
Em A Gênese, capítulo XIV, especialmente nos itens 3 a 5, ele descreve os fluidos como estados diversos da matéria, entre a materialidade tangível e estados de extrema sutileza. No item 5, explica que os chamados “fluidos espirituais” não são espirituais em sentido absoluto, porque ainda pertencem ao domínio material em grau quintessenciado; somente a alma ou princípio inteligente seria propriamente espiritual.
Essa precisão impede uma confusão frequente:
etéreo não significa necessariamente imaterial.
Algo pode ser etéreo no sentido de extremamente sutil e, ainda assim, pertencer ao domínio da matéria em estado que os sentidos humanos não conseguem apreender.
É uma distinção pequena na aparência, mas gigantesca em suas consequências filosóficas.
O “ETÉREO” EM KARDEC.
A palavra “etéreo” aparece no vocabulário kardeciano para qualificar a natureza sutil do perispírito e dos estados espirituais.
Mas há uma referência fornecida no texto-base que precisa ser corrigida: o item 159 de O Livro dos Médiuns não trata de moradas etéreas. Ele pertence ao capítulo XIV, “Dos médiuns”, e define a mediunidade como a faculdade pela qual alguém sente, em determinado grau, a influência dos Espíritos.
Por isso, não é adequado utilizar o item 159 como fundamento direto para afirmar a existência de “planos etéreos” habitados por Espíritos puros.
O próprio O Livro dos Médiuns, em sua parte introdutória, oferece formulações mais pertinentes ao explicar o perispírito como envoltório semimaterial e ao mencionar sua natureza fluídica, etérea e vaporosa.
Essa é a maneira mais segura de tratar o assunto: não transformar uma palavra qualificativa em uma categoria cosmológica rígida que Kardec não estabeleceu.
O QUE PODEMOS CHAMAR DE MORADAS FLUÍDICAS?
Em linguagem interpretativa, podemos denominar de moradas fluídicas os ambientes do mundo espiritual descritos como constituídos por matéria sutil, sujeitos a condições diferentes das da matéria terrestre e nos quais os Espíritos podem desenvolver atividades, relações, aprendizado e experiências compatíveis com sua condição.
Nesse sentido, a expressão é perfeitamente inteligível dentro do vocabulário espírita.
Mas convém não afirmar que Kardec descreveu literalmente “cidades espirituais construídas pela mente” nos mesmos moldes encontrados em obras posteriores.
Essa imagem pertence sobretudo ao desenvolvimento posterior da literatura espírita e espiritualista.
É justamente nesse ponto que Léon Denis se torna importante.
Ele amplia literariamente a concepção do mundo espiritual, descrevendo ambientes de extraordinária beleza, reuniões de Espíritos, manifestações artísticas e construções realizadas mediante o emprego dos fluidos.
Sua obra possui enorme valor histórico dentro da tradição espírita, mas deve ser lida como desenvolvimento autoral posterior, não como se fosse uma continuação textual de O Livro dos Espíritos.
E AS “COLÔNIAS ESPIRITUAIS”?
Aqui também é necessária prudência.
A expressão “colônia espiritual” tornou-se extremamente conhecida no Espiritismo brasileiro, sobretudo pelas obras mediúnicas posteriores, como Nosso Lar.
Contudo, Nosso Lar não é obra de Allan Kardec.
Consequentemente, não devemos retroprojetar suas descrições diretamente sobre Kardec como se o codificador tivesse descrito aquelas cidades, hospitais, ministérios ou edificações específicas.
É possível estabelecer analogias conceituais, pois nas entrelinhas das suas obras o senso íntimo nos leva e apresenta, principalmente quando se considera a ideia kardeciana de mundos, regiões, ambientes espirituais, Espíritos errantes e diferentes condições de existência.
Mas analogia não é identidade.
Essa diferença preserva a seriedade do estudo e a Kardec também não foi apresentado e tão pouco o codificador conseguiu abranger tais descrições em sua época.
BELEZA COMO EXPRESSÃO DA ELEVAÇÃO.
Talvez esse seja o ponto mais fascinante do texto de Léon Denis.
A beleza não aparece simplesmente como ornamento.
Ela é consequência da elevação.
Os Espíritos superiores, segundo a visão apresentada, vivem em ambientes nos quais música, arte, arquitetura, luz, harmonia e convivência deixam de ser meros entretenimentos e passam a constituir expressões naturais da própria condição espiritual.
O que na Terra é fragmentário, no mundo espiritual seria integrado.
A arte seria oração.
A música seria harmonia.
A arquitetura seria pensamento materializado em substância sutil.
A convivência seria fraternidade sem competição.
E a beleza seria o reflexo exterior de uma transformação interior.
Existe aí uma profunda consequência psicológica.
Não somos apenas aquilo que possuímos; somos também aquilo que somos capazes de criar a partir de nós mesmos.
Se o pensamento participa da modelagem do ambiente espiritual, então a vida íntima deixa de ser um território sem consequências.
Pensamentos, sentimentos, desejos e intenções passam a adquirir significado moral.
O Espírito não carregaria apenas suas lembranças depois da morte.
Carregaria também a qualidade de sua própria estrutura interior.
A MORADA COMEÇA NO PRÓPRIO ESPÍRITO.
Eis talvez a conclusão mais lúcida.
Antes de imaginar cidades luminosas, templos magníficos ou regiões etéreas, o Espiritismo nos convida a olhar para aquilo que levaremos conosco.
A verdadeira questão não é apenas:
“Onde o Espírito viverá depois da morte?”
É também:
“Que Espírito estará vivendo depois da morte?”
A geografia espiritual é inseparável da geografia moral.
Léon Denis descreve ambientes grandiosos porque sua concepção do Universo está profundamente vinculada à lei de progresso. O Espírito modifica-se, depura-se, amplia suas faculdades e, consequentemente, relaciona-se com ambientes cada vez mais compatíveis com sua condição.
Kardec oferece o princípio geral; Denis desenvolve suas consequências filosóficas e literárias.
É nessa convergência, e também nessa distinção, que devemos estudar o tema.
MORADAS FLUÍDICAS, MORADAS ETÉREAS E O HABITAT ESPIRITUAL — EM SÍNTESE.
Moradas fluídicas, em sentido interpretativo, podem designar ambientes espirituais constituídos de matéria sutil, nos quais os Espíritos encontram condições de existência, trabalho, aprendizagem, convivência e manifestação.
Moradas etéreas podem ser empregadas como expressão descritiva para ambientes ainda mais sutis, luminosos e rarefeitos, associados a Espíritos mais depurados; porém, não devem ser apresentadas como uma categoria taxonômica formal estabelecida por Kardec.
Mundos transitórios, estes sim, são uma noção explicitamente apresentada por Kardec: mundos destinados temporariamente aos Espíritos errantes, servindo-lhes de estações e lugares de repouso e instrução.
Fluidos espirituais, na terminologia kardeciana, não são matéria no sentido vulgar, mas estados mais sutis da matéria; Kardec ressalta que a denominação “espiritual” é relativa, pois somente o princípio inteligente é propriamente espiritual.
E habitat espiritual é uma expressão útil para compreender que o Espírito não existe isoladamente: ele se encontra em condições ambientais, vibratórias e relacionais compatíveis com seu grau de desenvolvimento.
REFLEXÃO.
Há uma beleza silenciosa na imagem de Léon Denis.
O Espírito contempla o infinito e, utilizando os elementos sutis do Universo, cria formas que correspondem àquilo que traz dentro de si.
Essa imagem pode ser lida não apenas cosmologicamente, mas moralmente.
Porque talvez a maior “morada fluídica” que o Espírito construa não seja um templo, uma cidade ou um jardim.
Talvez seja a própria atmosfera que produz ao redor de si.
Pensamentos elevados tornam-se disposições elevadas.
Sentimentos depurados tornam-se relações mais nobres.
A vontade disciplinada transforma-se em força construtiva.
E a caridade, quando realmente incorporada à consciência, deixa de ser mero conceito e converte-se em maneira de existir.
É nesse ponto que o pensamento de Kardec e a sensibilidade filosófica de Léon Denis se encontram numa imagem poderosa: o Universo espiritual não é apenas um lugar para onde vamos; é também um reflexo daquilo que nos tornamos.
A morte, nessa perspectiva, não seria a entrada arbitrária em um paraíso ou em um abismo.
Seria a continuidade da existência sob condições diferentes.
E a morada que encontraremos terá íntima relação com a morada que edificamos dentro de nós.
REFERÊNCIAS:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, questões 22, 27, 234, 235 e 236.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, capítulo XIV, item 159; e considerações sobre o perispírito e seu caráter fluídico e etéreo.
KARDEC, Allan. A Gênese, capítulo XIV — “Os fluidos”, especialmente itens 3 a 5.
DENIS, Léon. Après la mort — Exposé de la philosophie des esprits, ses bases scientifiques et expérimentales, ses conséquences morales. Paris: Librairie des sciences psychologiques, edição de 1893. Obra catalogada pela Bibliothèque nationale de France.
#CEMS #GEEFF #Espiritismo #AllanKardec #LéonDenis #DoutrinaEspírita #MundoEspiritual #MoradasFluídicas #MoradasEtéreas #Fluidos #Perispírito #VidaEspiritual #MundosTransitórios #Espiritualidade #FilosofiaEspírita #EstudoEspírita
Algumas pessoas até adoecem devido os seus sentimentos, mas se esqueci que de tanto se expressar, causou erosão em outras pessoas que também tem sentimentos.
Seria um condor
para ser cortejada
pelo meu condor,
e viver no alto
da América Austral
a mais linda
história de amor.
No silêncio, a mente se enche de ecos, memórias e sentimentos. . .
. . no silêncio nunca houve tantas palavras . . .
Sua dor é a minha dor. Mesmo longe de você, eu sinto você. Não estou te vendo, mas há coisas que você está passando que eu sinto... porque o nosso laço não depende dos olhos para ver, ele já aprendeu a respirar no escuro do silêncio.
Deus não discute com a soberba.
Ele a humilha. Nabucodonosor comeu capimpara que o mundo aprendesse:Só Deus reina.
*Israel esperou 70 anos.*
*Lázaro, 4 dias.*
*José, 13 anos.*
*A mulher do fluxo, 12 anos.*
*Toda espera tem um tempo.*
*E todo tempo tem um Deus.*
*Descanse. Ele está agindo.*
DUAS Xícaras de café vazias
O café estava cheio, embora ninguém parecesse ter tempo para estar ali. Eu estava sentado numa mesa na calçada, debaixo da cobertura, diante de três xícaras. Duas vazias. Uma ainda pela metade, mas fria. Não sei por que não pedi outra. Talvez porque três cafés já fossem suficientes para aquela manhã. Talvez porque eu estivesse esperando alguma coisa. A essa altura da vida, a gente aprende que quase sempre está esperando alguma coisa sem saber exatamente o quê. Dentro do café, duas televisões estavam ligadas. O proprietário sabia o que estava fazendo. Não havia necessidade de som alto. Bastava a imagem. Um programa qualquer de revista, com pessoas sorrindo e especialistas ensinando como viver. Como comer. Como dormir. Como trabalhar. Como emagrecer. Como envelhecer sem parecer velho. Como ser feliz em cinco passos. Como descobrir seu propósito. Como se reinventar. Como abandonar aquilo que não serve mais. Eu olhava para aquilo e pensava que finalmente tínhamos conseguido transformar a existência humana em manual de instruções. “Seja você mesmo”, dizia uma legenda. Achei engraçado. Passamos a vida inteira sendo treinados para ser outra coisa e depois alguém aparece na televisão mandando a gente ser nós mesmos. Primeiro dizem que você precisa vencer. Depois dizem que precisa produzir. Depois que precisa cuidar da aparência. Depois que precisa viajar. Depois que precisa encontrar alguém. Depois que precisa se encontrar. Parece que até para estar perdido existe um procedimento correto. Na calçada, a vida continuava sem obedecer à televisão. Pessoas caminhavam para seus afazeres. Algumas depressa. Outras devagar. Um homem falava sozinho ao telefone. Uma mulher ria enquanto digitava alguma coisa. Um sujeito caminhava com a cara fechada, como se tivesse acabado de descobrir que segunda-feira não era um acidente. O trânsito avançava lentamente. Dentro dos carros havia pequenas peças da humanidade. Um motorista cantava. Outro parecia discutir com alguém. Uma mulher olhava fixamente para frente. Um homem ria. Um casal estava no mesmo carro, mas não parecia estar no mesmo lugar. Ela gesticulava. Ele respondia. Ambos olhavam para os lados, para a frente, para os semáforos, para os outros carros. Menos um para o outro. Talvez fosse amor moderno. Ou apenas dois desconhecidos pagando prestações juntos. Um carro passou com crianças no banco traseiro. Gritavam, riam, brigavam por alguma coisa que provavelmente seria esquecida antes do próximo semáforo. Olhei para elas e pensei que talvez aquela fosse a última fase realmente honesta da vida. Crianças ainda não aprenderam a fingir que estão bem. Se estão felizes, fazem barulho. Se estão irritadas, fazem mais barulho. Depois crescemos. Aprendemos a sorrir quando queremos mandar alguém para o inferno. Aprendemos a dizer “está tudo bem” quando nada está. Aprendemos a chamar de maturidade aquilo que muitas vezes é apenas desistência. A televisão continuava oferecendo respostas. Na tela, alguém falava sobre mudanças. “Você precisa se transformar.” Outra pessoa explicava que nunca é tarde para recomeçar. Eu olhei para as duas xícaras vazias. É fácil falar em recomeços quando não se precisa carregar aquilo que ficou para trás. As pessoas gostam da ideia de mudança porque ela parece limpa. Só esquecem que mudar também significa perder versões antigas de nós mesmos. Algumas foram embora porque morreram. Outras porque nunca existiram de verdade. Foram apenas personagens que aprendemos a representar para sermos aceitos. Talvez ser dono de si seja justamente parar de representar. Não significa descobrir uma grande verdade escondida dentro da alma. Isso parece coisa de programa de televisão. Talvez seja algo bem menos interessante. Saber do que você gosta. Saber do que não suporta mais. Admitir que algumas pessoas não fazem falta. Reconhecer que alguns sonhos eram apenas vaidade. Aceitar que você mudou sem precisar pedir desculpas. E principalmente entender que ninguém virá entregar o manual que esqueceram de colocar junto com você quando nasceu. A televisão continuava ligada. O trânsito continuava lento. O casal continuava discutindo sem se olhar. As crianças continuavam gritando no banco traseiro. As pessoas continuavam caminhando para algum lugar. Todos pareciam saber exatamente o que estavam fazendo. Talvez fosse apenas aparência. Talvez todos estivessem tão perdidos quanto eu. A diferença é que alguns aprenderam a disfarçar melhor. Peguei a xícara fria e tomei o último gole. Estava horrível. Não reclamei. Algumas coisas na vida ficam frias porque demoramos demais para decidir se ainda as queremos. Paguei a conta. Levantei. As televisões continuaram ensinando o mundo a viver. E o mundo continuou sem aprender. Fiquei alguns segundos parado na calçada, vendo aquela gente passar. Então percebi uma coisa desagradável. Talvez o problema nunca tenha sido não saber quem somos. Talvez seja saber e não gostar muito do que encontramos. É mais fácil deixar alguém dizer quem devemos ser. Dá menos trabalho. E enquanto pensamos nisso, o café esfria, o trânsito continua, os carros passam, as crianças crescem e a vida, indiferente, não espera ninguém terminar de se encontrar
Autopreservação
(Mauro 1Evaristo)
Não tem negociação
Se você não se dá devida atenção
Como pode pensar ou querer
Que outros se dediquem a você?
Autopreservação não é crime,
Mas se de si se exime
Como pode pensar e querer
Que outros lembrem de você?
É preciso um mínimo de atenção
Em pró sua própria condição
Direito básico de qualquer Ser
Pois, ao focar noutros sua atenção
Deixe de o melhor em perceber
Que existe poder infinito em você.
feradapoesia.blogspot.com
Se soubesse o quanto te amo, jamais duvidaria de mim. Este sentimento é algo surreal, que nada neste mundo consegue explicar. Respeito o seu momento e a sua vida longe; por isso, não procuro por receio da sua reação, embora a vontade persista. Prefiro que o meu silêncio proteja a sua paz do que o egoísmo force uma presença, pois amar assim é aceitar que meu coração bata no compasso da sua liberdade.
IPE AMARELO
Na calçada, manhã fresca.
O sol manhoso espreitava mais um dia de trabalho na prefeitura.
E os ipês amarelos, frondosos,
faziam fila na calçada, como quem aplaude a vida.
Então veio um "bom dia, moço!"
Pequeno, suave, sonoro, inteiro.
Da boca de uma menininha
que caminhava com a mãe na calçada.
E aquele bom dia
foi nota de canção em meus ouvidos.
Acorde que me encontrou,
afinou o peito e tocou minha alma.
Disse ao amigo do lado, Ivan:
"Ganhei não só o dia, amigo.
Acho que ganhei o ano todo."
Porque tem gentileza
que dura 365 dias.
