Coleção pessoal de testeteste123

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Não se reduza à insegurança nem recue pela falta de aplausos, amplie os seus pensamentos. Alguns só conseguem te admirar em silêncio secretamente. Você não precisa ser perfeita para servir de inspiração. Ensine os outros a tornarem-se seguros de si ao se inspirarem pela delicadeza com a qual você lida com as suas imperfeições!

(Aline M. Abdalah)

Bons relacionamentos fortalecem o ambiente de trabalho e promovem o desenvolvimento individual.

“A vida é a primeira e mais importante vitória — o sucesso começa em existir.”

Que as lembranças dos dias bons, sejam o impulso para buscarmos dias melhores. Que cada pessoa que cruzar nosso caminho neste dia, receba a luz das virtudes que há em nós.

🎖️Mérito conquistado
Valor multiplicado
🎖️🎖️

O CÉU E O INFERNO - ALLAN KARDEC.
Artigo de: Marcelo Caetano Monteiro.


O CÉU COMO ESTADO UNIVERSAL E PROGRESSIVO DA CONSCIÊNCIA.
O excerto do O Céu e o Inferno, no capítulo 3, número 18, oferece uma das mais penetrantes reformulações do conceito de Céu dentro da tradição espiritual. Aqui, não se trata de um lugar circunscrito, nem de uma região fixa do cosmos, mas de uma condição ontológica do Espírito, vinculada diretamente ao progresso moral e intelectual.
A afirmação inicial já rompe com séculos de imaginação teológica estática. O Céu não está localizado. Ele não ocupa um ponto no espaço. Ele é, antes, uma condição que se manifesta “em toda parte”, pois decorre do estado íntimo do ser. Tal concepção alinha-se com a noção de infinito, não como extensão material, mas como plenitude de possibilidades espirituais.
Sob essa ótica, os chamados “mundos adiantados” não são destinos arbitrários, mas etapas naturais de ascensão. A linguagem utilizada é profundamente simbólica. Virtudes funcionam como forças propulsoras que franqueiam o acesso a estados superiores, enquanto vícios operam como vetores de retenção, mantendo o Espírito em faixas inferiores de experiência.
Essa perspectiva dissolve três problemas clássicos das doutrinas tradicionais.
Primeiro, a limitação espacial do Céu. Ao rejeitar a ideia de um “lugar acima”, o texto elimina uma concepção cosmológica incompatível com o avanço da Astronomia. Não há “alto” ou “baixo” no universo. Essas são categorias relativas à percepção humana.
Segundo, a injustiça moral dos destinos eternos. A crítica à divisão entre eleitos e condenados evidencia um ponto crucial. Um sistema que estabelece felicidade perpétua para poucos e sofrimento eterno para muitos compromete a ideia de justiça divina. A razão ética rejeita essa desproporção.
Terceiro, o isolamento entre vivos e mortos. A imagem de uma barreira intransponível entre planos de existência é substituída pela continuidade da vida espiritual, princípio fundamental do Espiritismo.
O texto também introduz um critério epistemológico rigoroso para avaliar doutrinas espirituais. Três fundamentos são apresentados.
A razão. Nenhuma verdade autêntica pode contradizer o bom senso.
A revelação. Mas não uma revelação estática. Trata-se de um processo progressivo, adaptado às capacidades humanas.
A concordância com a ciência. Esse ponto é decisivo. O conhecimento espiritual não deve colidir com os avanços da Geologia, da Astronomia e da Psicologia, mas integrar-se a eles.
Essa tríade estabelece uma metodologia que evita tanto o dogmatismo quanto o materialismo reducionista.
A explicação sobre a revelação gradual é de notável profundidade pedagógica. A humanidade é comparada a uma infância espiritual. Não se ensina ao iniciante o que exige maturidade intelectual. Assim, as concepções antigas, ainda que limitadas, cumpriram função histórica legítima.
Antes do desenvolvimento científico, o pensamento humano necessitava de imagens concretas. O Céu como um lugar físico era uma tradução acessível à sensibilidade da época. Contudo, à medida que o conhecimento se expande, tais imagens tornam-se insuficientes.
O texto antecipa, com clareza, a incompatibilidade entre cosmovisões fixas e o dinamismo do progresso humano. A crítica final é incisiva. Aqueles que insistem em manter ideias ultrapassadas pretendem governar consciências adultas como se ainda fossem infantis.
Do ponto de vista filosófico, a implicação é inequívoca. O Céu não é prêmio externo. É conquista interna. Não é concessão arbitrária. É resultado de um processo de transformação do ser.
Do ponto de vista psicológico, a mensagem é igualmente poderosa. O estado de felicidade ou sofrimento não depende de localização, mas da estrutura íntima da consciência. O Espírito carrega consigo o seu próprio Céu ou o seu próprio inferno.
Do ponto de vista moral, emerge uma consequência lógica e inescapável. Cada ação, cada pensamento, cada escolha contribui para a construção desse estado. Não há favoritismo divino. Há lei.
Assim, a grandeza dessa concepção reside em sua coerência. Ela amplia o universo, dignifica a inteligência humana e restitui à justiça divina um caráter racional e profundamente ético.
E, ao final, permanece uma conclusão silenciosa, porém inexorável. O destino não está nos céus distantes, mas na intimidade invisível onde o Espírito, lentamente, aprende a elevar-se.

O recomeço exige um desapego cruel do que achávamos que éramos, uma poda radical que nos deixa expostos, mas permite que a seiva da vida percorra novos canais até então obstruídos. Somos equilibristas em um circo que arde, tentando manter a elegância enquanto as chamas lambem nossos calcanhares. A maturidade, afinal, não é o ato de curar todas as feridas, mas de suportar o peso das experiências com uma consciência que a juventude jamais alcançará.


- Tiago Scheimann

“A partir do momento em que a minha liberdade se transforma em instrumento para ferir o outro, a própria democracia começa a ceder. Onde termina a minha liberdade, começa a do outro.”

"Somos fáceis de manipular; fáceis de usar. Ou seja, somos tão acessíveis que não existe nenhuma gota de liberdade em nós".

"Se a vida é uma história, então só vivemos de memórias".

"O tempo voa, e nós estamos sem asas para seguir."

De Quatro

Demétrio Sena- Magé

As pessoas estão nas próprias casas;
ninguém deu aos estranhos o seu canto;
suas asas, seus sonhos, suas crenças
foram todos mantidos; respeitados...
E privadas ainda são privadas;
você entra sozinho; ninguém mais;
não existem ciladas nem demônios
vigiando quem faz o que lá dentro...
Nem chegou às escolas do país
a cartilha de gêneros impostos;
cada um é feliz à sua escolha...
Mas as velhas mentiras vêm de novo;
há um povo que não pensa por si;
está sempre de quatro (em quatro anos)...
... ... ...

Respeite autorias. É lei

“Você está vivendo… ou apenas passando pelo tempo?” — Os`Cálmi

MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL




Epílogo


Ponderei, afinal, que a vida é um cemitério; e nós vivemos num enterro.


O ser humano não busca perdão, busca afirmação.


Não deseja habitar o céu; ambiciona possuí-lo.


Enquanto monologava, percebi que o diabo habita a terra, e o interior dos próprios homens. Não há outra via de salvar a espécie senão extingui-la; enquanto formos incapazes de preservar a paz, a harmonia e a ordem, a nossa existência não passará de um erro de cálculo da natureza.


Cada ser é o monstro de si mesmo; ainda assim, todos se apressam a julgar os erros alheios, como se isso aliviasse o fato de que somos, todos, contagiosos: a maldade humana é uma patologia infecciosa, e nós a disseminamos pelo mundo.


Talvez seja egocentrismo de minha parte; talvez porque não conheça a intimidade da sociedade — o que, por si só, já seria uma desonra —; ou talvez porque já não consiga reconhecer a humanidade em nós. Sinto que a essência do ser humano reside na retórica, não na verdade; na força, não no diálogo; no caos, não na ordem.


Aliás, o verdadeiro assassino silencia; os peões fazem ruído.


E cada um de nós ou é o assassino por trás de tudo isto, ou é o peão: a ponte que permite a sua consumação. Ao fim, não passamos de mais uma lógica impura que a natureza não consegue corrigir.


Não encontrei com quem dialogar. Então, afastado da asfixia social, isolei-me — e passei a monologar.


E, no meio de todo esse tédio, algo me disse:


Vocês são a falha da criação. Não há perdão. Restará apenas a memória após a extinção.

MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL




Cap. IV: Como São Chamados: Monstro ou Deus?


Todo ser humano carrega um monstro dentro de si.


Um monstro invisível aos olhos alheios, mas dolorosamente perceptível às emoções de quem o abriga. Nenhum instrumento é capaz de detectá-lo. Ele habita os recantos mais obscuros da alma, nutrindo os desejos mais vis e orientando as ações mais destrutivas.


Chamam-no de “deus”, mas esse deus não cria mundos, não concede vida, não oferece consolo. Apenas consome. Apenas destrói. Reina soberano sobre o caos interior de cada indivíduo.


Esse monstro manifesta-se por meio de conflitos, ódios, exclusões, cobiças, luxúrias, ciúmes, invejas e desprezos.
Não pede licença. Impõe-se.


E, em troca, oferece algo: a promessa de auxiliar-nos na realização de nossas ambições desde que entreguemos a consciência em sacrifício.


A inveja, por exemplo, não se limita a corroer; ela propõe um pacto. Sugere o caminho mais curto para a ruína daquele que mais se destaca.


A “deusa inveja” apodera-se do coração humano e o converte em predador.
Nada permanece fora de alcance: matar, trair, manipular, sacrificar os próprios aliados; tudo em nome da autopreservação, tudo em nome de si mesmo.


O ser humano criou deuses, fetiches, sistemas de crença, na tentativa de dominar a si próprio — e fracassou.


Agora, essas entidades imaginárias conduzem a sua ruína.


Todos querem parecer heróis. Todos querem ser vistos.


Mas ninguém admite agir movido pela vaidade. O elogio é uma droga que inflama o ego; a vergonha, uma coleira que aprisiona a vontade. Ambos são grilhões.
No início, todos tentam resistir ao monstro que os habita. Logo, porém, percebem que esse monstro constitui a própria essência. E rendem-se. A emoção prevalece. A razão cede. Resta, então, a obstinação cega — destrutiva.


Não se deve mudar ninguém. Cada ser escolhe o que é: ou o que merece ser.


Assim, o monstro nasce da escolha livre daquilo que se decide ser.


O ser humano é um resíduo. Uma aberração ambulante. A sua existência é uma sentença: uma enfermidade. E, por isso, está condenado ao sofrimento. Nada o salvará: nenhum deus, nenhum amor, nenhuma sociedade.


O mesmo miserável que se viu ameaçado pelos seus semelhantes criou a polícia para se proteger. E a polícia — essa encarnação da lei — tornou-se, hoje, um dos seus mais cruéis inimigos. Finge proteger enquanto reprime. Finge servir enquanto saqueia.


O mesmo desgraçado elegeu um governo para guiá-lo e protegê-lo. E agora rasteja sob o peso daquilo que criou. O poder que ergueu o esmaga. O monstro que alimentou o devora.


E agora ele vive...


Reclamando;
Mendigando dignidade;
Carregando uma existência miserável, hostil e inútil.


O ser humano é incapaz de aprender com o próprio erro.


Repete, repete e repete — como um tolo fascinado pelo próprio fim, governado pelos monstros (ou deuses) que ele mesmo engendrou.

Éramos tão miseráveis ao ponto de Sua mão não conseguir tocar
Deus foi tão amoroso ao ponto de não se limitar em esperar nossa iniciativa em desejar n'Ele tocar.
Mas Ele desceu ao nível daqueles homens para as suas miseráveis vidas trocar.


Aí começou o romance.

MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL


Capítulo III: Perguntem à Sociedade


A sociedade grita; os facínoras respondem.


Por mais que o homem finja lutar pela paz, pela justiça, por uma ordem mundial: o caos persiste. Não é intermitente. É contínuo. Não se trata de um acidente: é o alimento da espécie.


O ser humano fortalece-se na destruição do outro.


Nutre-se do sofrimento alheio, expande-se na dor do semelhante e só se percebe vivo quando rebaixa outro ser humano.


As guerras são inevitáveis: civis, mundiais, familiares, mentais. Sempre haverá guerra.


A desigualdade não é uma falha do sistema: é o seu motor.


Não há projeto de sociedade justa, porque não há desejo genuíno de justiça, apenas ambição disfarçada.


O humanismo é uma bela mentira.
Uma ideia que pressupõe que o ser humano é capaz de humanidade. Não é.
Ele deseja poder. Fala de amor, mas anseia dominar. Prega igualdade, mas, em silêncio, aspira à superioridade. Reclama liberdade, mas apenas a sua. E a dos outros? O humanismo fracassou porque jamais teve fundamento real. Hoje, não passa de um ornamento filosófico destinado a encobrir o egoísmo coletivo.


Um governo busca subjugar outro.
Um “amigo” tenta controlar o outro.
Um marido trai. Uma esposa engana.
Uma criança assiste à morte de alguém amado e, desde cedo, aprende que o mundo é um matadouro de afetos.
Um motorista provoca um acidente. A polícia ignora.


Onde está o humanismo aqui? Onde reside o amor ao próximo?


A misantropia não é escolha. É consequência.


É a única resposta lúcida diante da decomposição social. É o reconhecimento de que a crueldade humana é natural, inevitável — funcional à própria engrenagem da civilização. E os deuses do nosso tempo — potências econômicas, impérios tecnológicos, elites globais já delineiam o futuro com frieza clínica: selecionarão os “tipos humanos” que lhes são úteis e eliminarão, sem hesitação, os excedentes, os descartáveis.


A matança será limpa. Administrativa. Legal.


A hipocrisia, outrora vício, tornou-se virtude social. Confunde-se, inclusive, com inteligência. O mundo não se importa com o que você é: apenas com o que possui, com o que produz, com o que pode oferecer.


O ser humano é, por natureza, invejoso, ciumento, malicioso.


Se necessário, sacrificará o vizinho, o colega, o irmão ou o amigo para preservar os seus. Mas “os seus” são sempre os mais fortes: os filhos dos chefes, os aliados dos líderes, os protegidos dos impérios.


E os outros?


Camponeses, serventes, pedreiros, pescadores; mártires anônimos.
Esquecidos. Sepultados com honras simbólicas e desprezo real. Seus filhos perpetuarão a condição de servidão no mesmo sistema que os consumiu.


Eis a sociedade. Eis a civilização.


Um vasto teatro imundo, onde o “social” não passa de máscara e o “humano”, de pretexto.


O verdadeiro homem nobre é aquele que renuncia.


Que se afasta dos vícios do convívio.
Que prefere a solidão à farsa da amizade.
A amizade, como toda relação humana, funda-se no interesse. É uma barganha travestida de afeto. Quem oferece amizade, em alguma medida, pretende adquirir algo.


E a confiança?


Nicolau Maquiavel já disse o suficiente:


“A confiança é a ponte mais curta para a traição.”


Ser social é ser predador;
Ser social é ser oportunista;
Ser social é ser imoral;
Por isso, sou misantropo.


Por isso, adoto o anti-humanismo. Eis a minha identidade. O meu estado natural.
A convivência humana é uma farsa sustentada por egos famintos: uma comédia grotesca de vaidades e disputas vazias.


A sociedade cultiva a mediocridade, pune o pensamento profundo e sufoca qualquer impulso de interioridade.


Se existe alguma forma de redenção — e disso duvido — ela reside no afastamento da massa, na solidão deliberada, na renúncia ao convívio.

MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL


Capítulo II — Fragmentos


Ou matas, ou acabas apunhalado.
Neste mundo condenado, para estabelecer vínculos, é preciso estar disposto a suportar o peso esmagador do ódio. O “amigo”, essa ficção social, figura entre os principais agentes do sofrimento. Em algum momento, inevitavelmente, desprezar-te-á quando a tua utilidade atingir o seu prazo de validade.


Não por maldade deliberada, mas porque a compreensão entre os homens é uma farsa, um pacto rompido antes mesmo de ser firmado. As pessoas não se interessam pelas razões que motivam as tuas ações.


Reagem apenas à superfície dos gestos.
Fingir, ocultar, proteger... tudo é interpretado como traição.


«No Hospital Dr. Bernardinho Camanga, na cidade do Dundo, província da Lunda-Norte, um homem ocultou a verdade de outro, acreditando que poupá-lo do desespero de uma doença terminal seria um ato de compaixão. Imaginou que poderia consolá-lo ou alimentá-lo com a esperança de uma possível recuperação, embora lhe restassem apenas três dias de vida. Quando a verdade emerge — como sempre emerge —, a amizade desfaz-se, contaminada pela mágoa e pela decepção.»


A intenção, ainda que nobre, é sempre relegada ao esquecimento. O que subsiste é a acusação, a ruptura, o silêncio.
O mundo fracassa porque não há compreensão; nem entre os homens, nem entre os animais, nem sequer entre as plantas, essas testemunhas silenciosas da degradação. Um único mal-entendido basta para romper um vínculo. Um lado afunda na depressão; o outro, na decepção.


Uma amizade de anos dissolve-se num instante. Ninguém deseja ouvir explicações. Exige-se transparência absoluta, e qualquer ambiguidade é punida com desprezo. Mesmo quando se mente para proteger, colhe-se ódio. A sinceridade não redime; a intenção não absolve. Por isso, quem aspira escapar dessa prisão miserável acaba por evitar a convivência.


O homem que vive só, fala só, caminha só: esse homem, ainda que dilacerado pela dor, é o único que já não pode ser ferido.
Não possui vínculos; logo, não pode ser traído.


Já não ama; portanto, já não é odiado. Não se relaciona; por isso, não se decepciona.


Erros? Só existem porque há outros para julgá-los.


Na solidão, o homem não erra: ele apenas é.


As pessoas assemelham-se às águas de um rio: fluem, passam, desaparecem. Tornam-se ausentes mesmo quando permanecem ao lado. Estão vivas, mas como mortas; incapazes de lembrar, ouvir ou socorrer. A sua ausência torna-se mais presente do que a própria presença. À distância, são moldadas pela vontade alheia, convertendo-se em marionetes nas mãos de quem melhor as manipula.


Pessoas são instrumentos. Nada mais.


A África, entre tantos exemplos históricos, é a ferida exposta dessa verdade:


Se não dominas, serás dominado.
Se não enganas, serás enganado.
Se não exploras, serás explorado.
Se não matares, morrerás.


Eis a lógica imunda do mundo: violência, domínio, ilusão.


O sofrimento é o indício mais honesto da existência.


Ele atesta a ausência de paz, de sentido, de finalidade. Não há serenidade na alma: se é que a alma existe.


O mundo é um palco desprovido de propósito. Um deserto de significados.
Tudo aquilo que chamamos de “sentido” não passa de uma construção desesperada; uma ficção que inventamos para suportar o fardo de existir. Criamos os problemas e, em seguida, simulamos as soluções.


Mas...


qual é o sentido de nascer para morrer?
Qual é o sentido de viver para sofrer?
Qual é o sentido de esquecer para depois lembrar, e lembrar para depois se arrepender?
Qual é o sentido?


Não há. Apenas fragmentos.

Nem toda batalha digna de nota faz barulho, as mais definitivas ocorrem no claustro do peito, em um silêncio absoluto onde o mundo não enxerga o esforço hercúleo de apenas manter-se de pé. Existe uma dignidade profunda naqueles que insistem sem garantias, que habitam mentes difíceis e ainda assim escolhem a permanência. Algumas vitórias são tão íntimas que não precisam do aplauso alheio para serem consideradas divinas.


- Tiago Scheimann

A vida no Sul é feita de horizontes que parecem não ter fim e de um silêncio que não é vazio — é carregado de memória, de ausência e de tudo aquilo que o vento insiste em contar para quem aprende a escutar. Aqui, o tempo não corre; ele se assenta. Ele respeita quem finca raiz e não se dobra à pressa de um mundo que esqueceu de sentir.


Entre o frio cortante das manhãs e o calor denso de um chimarrão amargo, existe um ritual que sustenta a alma: o sorgo que gira na roda, a caninha boa que aquece o peito e as lembranças de um povo que aprendeu a resistir antes mesmo de aprender a sonhar. Não é só costume — é sobrevivência transformada em tradição.


Há pegadas de marujo marcadas no chão, há couro curtido pelo sal do litoral e uma identidade moldada entre o campo bruto e a água inquieta. Aqui, a gente aprende cedo que viver é manter o equilíbrio mesmo quando tudo balança — seja no lombo de um cavalo ou no balanço incerto de uma canoa. Aprende-se a ler o céu como quem lê o destino e a entender o silêncio das marés como se fosse linguagem.


Foi assim, olhando o velho pai, que vieram os primeiros ensinamentos — não em palavras, mas em gestos. Nos tiros de laço lançados contra o vento, na paciência quase sagrada da tarrafa aberta na lagoa, na firmeza de quem nunca precisou dizer muito para ensinar tudo. É nesse chão que se aprende que herança não é o que se recebe, é o que se honra.


E quando o olhar encontra o reflexo de uma lagoa verde e azul, não é só paisagem — é espelho de uma identidade inteira. É memória viva, é música que atravessa gerações sem pedir licença, é sentimento que não cabe em explicação. Ali, naquele instante, tudo faz sentido sem precisar de tradução.


Viver no Sul não é apenas existir em um lugar — é carregar um estado de espírito que mistura dureza e sensibilidade, silêncio e profundidade. É entender que a vida não precisa ser alta para ser intensa, nem rápida para ser verdadeira.


É um jeito de viver que não se explica — se sente.
Se carrega no peito como marca definitiva.
E se honra, todos os dias, como quem sabe exatamente de onde veio e por que permanece.


- Tiago Scheimann