Coleção pessoal de mucio_bruck
Sem perdão...
Não te perdoo
Por seres tão íntegra
Por ter uma fé maior que a minha
Por ser tão menina e tão mulher
Não te perdoo
Por amar além do que sabe o amor
Por ser tão eternamente terna
E de maneira tão séria e tão feliz
Não te perdoo
Por ter um coração que sabe cantar
Por ter pernas que a sabem levar
Além de além-mar... e voltar
Não te perdoo
Por ter mãos de afeto
Por ter braços de acalanto
Por ser colo, manto, porto e encanto
Não te perdoo
Por ser tão atenta e fiel
Por ter nome de santa... e ser
Por nada desejar além de bem querer
Não te perdoo
Por ter olhos que brilham e inspiram
Por ter lábios que o desejo deseja
Por ser assim tão serena e plena
Não te perdoo
Por olhar o deserto com olhos de mar
Por jamais ter aprendido a dizer não
Por saber perdoar bem mais que o perdão
Reticência...
Me desculpe por me sentir assim
Tão tanto seu, tão pouco meu
Nos braços de seu abraço
Me desculpe por não ter
O jeito que gostarias
Nem a idade que esperavas
Ah, me desculpe
Por somente saber amá-la
Com um amor que desconheces
Me desculpe por demorar
A perceber que não fui bastante
Nem útil e tampouco importante
Me desculpe por ser tão tolo
Por acreditar em mil bobagens
Por descrer das meias verdades
Me desculpe por ter mais que esperança
Por duvidar que nunca é tarde demais
Por meus olhos a verem melhor do que és
Me desculpe por teimar em sonhar
Por acordar mais vezes que adormecer
Por nomeá-la Princesinha em meu amar
Me desculpe pelos sonhos que sonhei
Por “obrigá-la” a dizer palavras difíceis
pelas frases tristes na hora da partida
Me desculpe pela quase heresia
De ter tido a pretensão de um dia tê-la
Pagarei com minha paz esse pecado
Me desculpe pelas cartas, poemas
Pelas lágrimas incontidas e fáceis
Mas somente pelas que não eram de alegria
Me desculpe a voz embargada
Pelo meu canto vadio e desafinado
Pelas falas que invadiram a madrugada
Me desculpe por não lembrar
Que não residia em ti o poder de aquiescência
E por fazer de seu silêncio, minha reticência
Querubim que a via...
Conheci uma menina
Que na janela dos olhos trazia
Debruçado e atento
Um "loirin" querubim
Quando ela dormia, ele ria
Brincava do que queria
De ser rei e operário
De dizer não ao contrário
Mas quando era ele quem dormia
De tudo acontecia ao olhar da menina
Curioso que era, varria a noite
Reinventava o dia
Quando Faltam Heróis...
Minha meninice ficou guardada na infância
Não por desejo próprio, mas por necessidade
Não demorei a me empossar da adolescência
Vívida, alegre, sustentável, amiga e atenta
Adornada de encantos e ais que a sorte causou
Me vi em um destino já traçado, tornei-me forte
Passaram lentos e tão corridos esses dias e meses
Muitos deles sozinhos, outros alegres, vezes inglórios
E logo me peguei me embrenhando por caminhos
Que me levaram a ser adulto, um gigante em mim
Trilhando aprendizados, ensinando o que sabia
Imerso em minha pequinês, refletida no espelho
Tomado de espanto nas descobertas inevitáveis
Como a que de um lar não é feito somente
De paredes, portas, janelas e jardim
Como que se estar à margem de um desfile
É o mesmo que não ser o ator da própria vida
E que a vida não é feita de acasos nem descasos
Me vi vivo, decidido numa sinuosa trajetória
Que, de tão necessária era, que minha passada
Era um caminhar sem tino, meio sem destino
E se não tinha destino, sabia eu
Que qualquer lugar seria um bom lugar
Caminhava vivente, quiçá, sobrevivente
Atinei, numa curva qualquer desse caminho
De que muitos esforços foram nulos
Mas não me entreguei fácil e covardemente
E foi para ter justa compensação no por vir
Que aprendi a abrir mão das nulidades vis
E me permiti voar... e foi o que fiz
Meus heróis morreram de diferentes maneiras
Restou administrar mil e tantas incertezas
Porque meus heróis não foram muitos
Mas eram os que me haviam e, pelo sim pelo não
Tomei para mim as rédeas de minha vida
E me tornei meu próprio herói nessa construção
Princesas e cowboys...
Banco de prosa no canto da praça
Viola a entoar canções sertanejas
No céu, balões a subir
Dançam princesas cirandas de roda
Fogueira queimando, estrelas que brilham
Por sobre meninos, são todos cowboys
Chega a manhã que ara com brilho
Os olhos da cor de esperança
Dos pequeninos
Brincando entre tantas fantasias
Sem saberem que na vida
São todos heróis
Praquele janeiro...
Vou voltar praquele janeiro
Foi lá que me apaixonei
Que encontrei semente
Um amor que já nem sei
Vou voltar praquele janeiro
Tocar de novo a morna brisa
Cuidar da dor mais sensível
Que doía na flor que mais amei
Vou voltar praquele janeiro
Vou reencontrar em mim o poeta
Que com a pena tecia a alegria
De transformar desejo em poesia
Vou voltar praquele janeiro
Abrir as portas e me jogar por inteiro
Resgatar meu coração quase ateu
Dizer a ele que sou mais dele que meu
Pra encerrar seu pranto...
Troco suas lágrimas por um beijo
Não um leviano... mas um sonhado
Com sabor de mistério inventado
Que lhe revire os olhos cerrados
Troco suas lágrimas por um abraço
Que não conhece outra razão de ser
Senão a de ser somente um abraço
Lento, certo, seguro, estreito laço
Troco suas lágrimas por uma fogueira
Não dessas de queimar paixões
Dessas não... essas queimam sonho e alma
Mas das que se acendem sob balões
Se nada disso lhe for de agrado
Troco então suas lágrimas por minha alegria
Assim, tomo de ti toda dor que fere e castiga
Dou a ela mil cores e o estandarte de minha folia
Passarin...
"Não me seria seguro viver em sua vida
Porque trazes em ti, atiradeira
E eu, passarin...
Não poderias viver em minha vida
Porque minha sina é ser alado, não atirado
Afinal, sou desses que, às vezes, até sangra
Não te acolheria em minha vida
Porque falamos línguas adversas
Assim, não saberia por qual amor viveria...
ou morreria!"
Olhos Vazios...
Cansei de tentar te fazer entender
Que a distância não é a melhor solução
Ouvindo você me dizer
Que amanhã não estará em meu coração
E a noite se esvai
Quais as juras deixadas por ti
Remoendo em lembranças
Esse seu aprendiz
Nossas cartas de amor
Espalhadas sobre o cobertor
Dizem frases tão lindas
Entre estrelas, luares, batom
Quando o seu travesseiro
Fizer um estrago, enfim...
Vou rolar pela cama
Fazer sala pra mim
Não será tatuado em meu corpo
Nossa história, um caso vazio
Utopia de um amor
Que o tempo esqueceu
E o que resta no ninho
São detalhes perdidos
Qual bordado em toalhas
Eu e você...
O que diria ao seu coração?
Que jurei nunca deixá-lo em abandono
Nem mais e por nada entristecê-lo
Se preciso fosse, palhaço seria
E da vida, um picadeiro de magia faria
Embrulharia em Serenata
Toda boa alegria... e te daria!
Mas acho que já não posso...
Olha, mesmo distante fio que faria
Te sinto ainda pulsante
E é ai que terás minha companhia
No bater de suas batidas
Nelas estarei sempre presente
Como você nas minhas...
Jurei também lhe dar poesia
Será ela nosso laço e elo absoluto
Fique então tranquila
Pois mesmo distante... corpo ausente
Darei a ti, por cuidado e carinho
Mesmo que sem rima ou talento
Um verso verdadeiro para seu sentimento
O amor...
Não foi feito para ser explicado
Analisado, estudado, questionado
O amor foi feito fundamentalmente
Para ser sentido... e vivido
A gente não precisa entender
Porque é amado... não mesmo!
Só é necessário aceitar que é... ou foi
Porque entendendo ou não, não o afeta
A gente não precisa se admirar
Com um carinho ou um beijo inesperado
Com um toque na mão, uma flor recebida
Nem tudo tem ou precisa ter uma razão de ser
A vida não se enfeita só de garantias
Às vezes, nos jardins de nosso próprio éden
Vingam plantas tão diferentes e coloridas
E por descuido nosso, morrem sofridas
É preciso guardar somente o que é importante
O amor é mesmo mais forte que a morte
Um abraço é sempre muito mais do que é
E nem tudo precisa ser compreendido
Nem todo passarin
Que encontra em sua gaiola
A porta aberta, alça voo
Às vezes,
Ser cuidado é uma necessidade
Não uma opção
Não foi em vão...
Que aos seus dias piores
Dediquei os meus melhores
Desenhei poesias em teu coração
Lapidei flores em tua alma di-amante
Todo o tempo, em meu colo
Sobreviveste a ti
Dobramos soleiras
Cruzamos uma vida inteira
Não foi em vão...
Que chorei de dor e alegria
Ao ver que ferias a mim... não a si
Pois ali, todo ódio que navegava em ti
Naufragava no mar que havia em mim
Que rompi com a razão em mim
Ao impedir que abandonasse a si
Sei, condenei minha esperança
Mas salvei a menina, a criança...
Não foi em vão...
Pois te ver partir não me venceu
Não a estava perdendo...
Era um seu voo cego... só mais um
Detalhe de um plano do destino
Mas sei, se nada fiz por sua loucura
Foi porque ela só soube a ferir
Mas fiz pela minha
A ensinei perdoar... e a sorrir!
Moça bonita...
Busque em casa de Dona Filó
Um verso simples, que tenha gosto
Sabor de caminho estreito e reto
Travessa que atravessa o rio claro
Caminho de caminhante sem rumo certo
Ou de certo só tem o rumo
Que deseja nele encontrar
Um pedaço de história ou um nascer de favo
Não me traga em sua volta nada triste
Não me conte coisas que não seja mais
Que boas novas ou que venha em silêncio
Um silêncio falante de tudo o que vistes
Moça bonita
Vá assim mesmo, de sandálias
Saia de chita e cabelos ao vento
Caminhe tricotando sonhos audazes
Ouça mais, sem nada dizer
Dona Filó lhe contará prosas
Histórias de curupira, até de boi tatá
Falará de estrelas, rosas e sonhos
Se quando sair, notares que ronda, insano
Ao acaso um vento frio, vindo do norte
Volte logo, apresse seu passo
Pois é ali que toda brisa morre!
Mistério...
Tinha pra mim que era doença de querer
Desconfiei que poderia ser coisa de estrada
Adolescência perdida... mulher mal chegada
Era algo importante... ou talvez, quase nada
Porque amor, não sei se havia de ser
Tudo a comovia, brisa, orvalho, flor
Até loucura, abandono e dissabor
Precisava mesmo era ter uma fé melhor
Desejava dar a ela outras retinas
Que vissem o mundo com os olhos dos anciões
Desnudassem com sã alegria e jeito de criança
Os segredos das montanhas, rios de esperança
Tentei imaginar como seria seu dia
Vestindo as mesmas vestes que o bem vestia
Naquela rua que findava em sonho e magia
Só que despida dos temores a que tudo temia
Não entendi ao certo, certa batalha
A menina disparava falas desconexas ao acaso
Cega, insana, em pagã ousadia... nunca soube
Se ela lutava contra si ou contra a própria covardia
Miriam...
Falar de ti ou de sua alma não faz sã sentido
Sua áurea, por si só, se traduz: pura, iluminada
És a impar que brilha, vinda do nascer do bem querer
Confesso-te, vida outra teria se agraciado com alma gêmea
Bate em ti coração sábio, falante, inquieto
Pulsante, abençoado, cativante, único
Coração valente, forjado na nascente das paixões
Mãe de tantos filhos, que conta não faz e nem tem
Sinto por ti, sentimentos de flor e carinho
Quase paupável, rubro, raro, febril
Olho-te derramando luz e vida a cada passo
Ah, quem me dera, ter um dia, jeito assim
Me és exemplo, mais que irmã: amiga!
Santa na loucura que me pegou distraído
Heroína nas aventuranças inseguras do destino
Que me roubam a lucidez plena nas noites insone
Sei das cicatrizes e decepções que em ti tatuei
Ou cousas parecidas, na contramão do real desejo meu
Como certo, jamais me houve esse intento logrado
Só sei que tudo que de bem me vem, ali, seu nome tem
Minha fé...
É dessas raras, que se acende
Que tem tino, honra e esperança
É filha forte com vocação de mãe
Postada atenta à porta de meus dias
Minha fé flutua no mar que me atravessa
Viaja de meus poros ao sangue que me cora
E sempre volta sadia a sorrir de minh'alma
Por ser bem dita, dita todo bem que me quer
Minha fé respira desejos de paz
Nas contas gastas de meu antigo terço
Nas intenções das velas que queimo
Nos passos da procissão que a torna mais bela
Minha fé tem compromisso com o perdão
E o nomeia encanto a cada encontro
Me habita a salvo ao que chamo paixão
E sempre me entrega o céu, sem me tirar o chão
Minha fé tem vida, graça e destino
É meu puro e melhor momento
É meu colo, valia, alimento e luz
É onde converso com Cristo, descido da cruz
Meu menino...
Então, que surpresa é essa?
Nosso encontro estava combinado
Era questão de tempo ou chamado
Estar aqui tem nome: milagre alcançado
Não pense que me foi fácil vir a ti
Me entreguei valente, seguro e certo
A tudo o que cabia convencer
De que sou digno de te merecer
Meu plano não é incomodar
Nem te envolver em nada insano
Quero mesmo é bem te querer
Atar nós... te tirar pra dançar
Que importa então o que possam dizer
Assumo toda culpa, se culpa houver
Isso não me alcança nem faz ferir
Só não vale desistir... ou deixar de sorrir
Meia metade...
De todos os amores que o amor desenhou
Desejei ter em minha tela unicamente o seu
Porque a tela de meu amor andava meio vazia
Perdendo o rumo de ser a aquarela que era
De todos os amores eu quis o seu
Porque seu amor se parece com o meu
Brinca de esconder, esconde sem saber
Segreda ao peito o que sente desde semente
De todos os amores que o amor produziu
O seu desnudou o meu em rara joia turquesa
Atravessou a nado o mar que me atravessa
Deu asas ao anjo que me trouxe clareza
De todos os amores quis exato o seu
Pois não havia outro mais parecido com o meu
Amor de sorrir e rir-se de si por saber sorrir
Meio mel, meio são, meio mar, meio céu
Liberdade...
Cansei de ser boazinha
De levar a sério o que não me é
Para agradar a quem não me agrada...
Nem tampouco me faz-lhe sagrada
Cansei de beber bebidas que me tomam
Desde o juízo até tudo o que me cala
Não vou mais ser aquela santa
Que fica quieta, calada na sala
Não que vá me entregar insana
À devassa e pecaminosa ação
Sou antes, em mim, pura razão
Vou me entregar sim, mas a mim
Serei fado, rock, pop e tango
Cantarei cânticos, dançarei
Gastarei terços e sapatos
Falas, gestos... incomodarei Santos
Descerei mais tarde de meu sono
Darei bom dia ao dia!
Caminharei na praia a tocar o mar
E se a água convidar, vou me molhar
Não farei esforço por coisa pouca
Mas se o pouco me parecer muito
Luto, me entrego, sem deixar de sorrir
E caso alguém se incomode, convido a partir
