Coleção pessoal de Madasivi

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⁠Depois que a chuva passou,
Levou com ela,
Os amores, os sonhos,
As dores e as doses,
Ficaram apenas os copos vazios,
Alguns com marcas de batom,
E a certeza de beijos alcoólicos,

⁠Cavalo primata que não cansa,
Criança na corcova descansa,
Galho seco que não despedaça,
Maritaca que na ponta canta,

⁠Mais que palavras,
Uma certeza,
Leva o dia e a noite adiante,
Hey Senhoras,
Eu vejo claramente,
Relutâncias,
Esperanças,
Substância,
Aquela que é essencial numa obra-prima,
Mães do mundo,
Ainda que um horror paire na realidade,
Dias exalam suas inefáveis delícias,Eu me arrisco,
Caso exista um ser sexuado que está acima de todas as coisas,
Só pode ser uma velha mulher

⁠Nem sei eu bem o que falar,
Se de tão perto, muito perto,
Você me faz calar,

⁠Nem sei eu bem o que escutar,
Se de longe ou de perto,
Você rabisca o meu sonhar,

⁠Nem sei eu bem o que enxergar,
Se de tão longe, muito longe,
Você rouba o meu olhar,

⁠Mas lástima mesmo é não amar,
A beleza feia de não saber fazer a coisa com tamanha lucidez é a graça da vida sem cartilha,

Lastimo não nascer com a lucidez que vou morrer,
Desfaço, morro, cada instante eu desapareço,

⁠Quem és tu?
Que bates diferentemente todos os dias,
Incurável,
Que nem o tempo abranda,
Interminável,
Que só o tempo suaviza?

⁠Quem és tu?
Que machucas com tanta crueldade,
Que corporalizas,
Que personificas,
E tomas forma própria e não pedes licença?

⁠Quem és tu?
Que vens lembrar,
Que aquilo,
Que alguém,
Que não está,
Mas ainda vive,
E mesmo de longe,
Pode chegar?

⁠Quem és tu?
Que insistes chegar,
Violentamente,
Brandamente,
Indomavelmente,
Constantemente?

⁠Noite que dorme, morre sem partir,
Depois de tudo, permaneço sitibundo,
Com vontade rasgante e iniludível,

⁠Momento de esquecer as perguntas,
E ficar só com um olhar a esmo para o vazio,
Que me pertence,

⁠Somente fica aqui um silêncio, importunando,
Tempo de respostas mudas,
Certeza só de ausência,

⁠Permaneço um hiato irrefragável,
Do meu peito que insiste ser caroável,

⁠Apenas sorrio amenidades,
Uma esperança ligeira marcada,
Nas linhas rijas,
Da minha melhor faceta,

⁠Sou uma diminuta pausa,
Um perdurável silêncio,

⁠Tempo iniludível,
Vai irrefreável,
Dentro dele,
Está eu,
No compasso sempiterno,
Mortiço e quase apagado,
Sou uma diminuta pausa,
Um perdurável silêncio,

⁠O que está,
É somente ausência,
De tudo,
Saudade,
O cantarolar pela casa,
Jamais,
E a gargalhada,
Nunca mais,