Coleção pessoal de linamarano
- Importa-te de abrir o portão?
- Por acaso sou porteiro?
- Sei lá, mas podias aceitar minha portabilidade.
- Não. Tu não te portaste bem!
- Ah, mas olha, tua foto ainda está no meu porta-retrato.
- É? Mas que importância tem?
- Sou portadora de boas notícias!
- O que andam dizendo de ti é que tens um grande portifólio!
- Falam isso porque não estão acostumados com mulher do meu porte!
- Tu pensas que engana aqui o portuga né!
- Escuta. És meu porto-seguro!
- Só se for um portátil! És tão inoportuna!
- Portanto...Vou voltar pra minha Portela(*).
(Que importa afinal!)
O poeta se exila no eco de suas próprias palavras, uma trilha enigmática dos seus anseios, na esperança de que algum louco o entenda, mas se não aparecer o louco, ele se regojiza do mesmo jeito.
Pela pala do palato,
no palanque da República de Palau,
dedico-me ao palangre das palavras
que saem peladas como na Palagosa,
meu palácio palatal!
(Par-liamo)
- É um simples "eu te amo",
que te digo meu bem!
Pois se te digo "eu te amo",
digo a outro também!
- Pois quando te disse "eu te amo"?
Foi ontem? Que desdém!
Pois se te digo "eu te amo",
não digo a mais ninguém!
- Tu superestimas o "eu te amo",
não vês que nenhum valor tem!
Até disseste pra Maricota
"te amo também"!
- Pois sei que te amo,
mesmo tendo te despachado meu bem!
Se digo que te amo, é porque te amo,
Amém!
- Te amo, te amo, te amo...
Dizes quando convém!
Será que tu GOSTAS de mim?
Gostar, vai muito mais além!
( te amo, te amo, te amo ...)
Como o anjo poderia saber
que ela havia vendido a alma ao Diabo,
se não lhe via os olhos?
Mas não deveria sentir,
com sua sensibilidade de anjo
que algo estava errado?
É que até os anjos,
tem os sentidos avariados,
quando estão apaixonados!
Que o anjo aprenda
a não se meter com feiticeira
por mais que seja faceira!
(Anjo encegueirado)
Passada a claustrofobia
da oclusão dos sentimentos idos,
enclausurou-se em seu aconchegante casulo.
De lá, via todos, a perfídia negra,
posando de inocente abelha,
conservada em sua própria saliva.
The Cool(Me)méia
- Casas comigo?
- Ah caso!
- Ao acaso?
- Eu disse CASO!
- Sou um caso? És mesmo um casanova!
- Não amor, olha... já comprei a casa nova!
- Que casarão! Parece frio!
- Não tem problema, te sirvo de casaco!
- Então marquemos o casamento!
- Agora não! Bora acasalar.
( aCASO)
Findar um amor particular,
É como um parto!
Parte-se e reparte-se.
Na hora da partida,
Partidos os corações,
Amores à parte.
No particípio passado,
Não há partido vitorioso.
Das eternas partituras,
Partilha-se ...saudade!
Mas sempre fica,
Uma última partícula!
(Partículas)
- Que houve?
- In love, estou in love!
- Envolve o quê menina?
- Envolve tudo! Você, eu, nós...
- Nós? Desata isso!
- Então resolve logo! Não me envolve!
- Tem cá um revolver. Serve?
- Só se for pra me revolver a alma!
- Calma!
- Calma como? Se estou in love! Tá dentro, ou tá fora?
- Ora...No centro!
- Ai, num aguento!
- É a prova dos nove?
- Não! É love!
- E o que você resolve?
- Nossa, você é dose!
(In and Out of Love)
Ouça um conselho
Minh'alma é um espelho
Onde eu posso sonhar
Cada palavra, um chamado,
Tudo bem calculado,
Pra lhe enredar...
Vem anjo vermelho!
Me põe de joelho,
Me faz delirar...
Cada dia passado
É tempo enterrado.
Agora!.. é tempo de amar ...
(Anjo Vermelho)
As palavras me tocam de um jeito... as imagens as vezes até esqueço, mas as palavras ecoam... como a letra de uma música antiga. O meu mundo é acústico. Não gosto do silêncio total. Tem que ter um som de mar, de brisa, de quero-quero, de respiração...Silêncio pra mim é morte!
Perguntaram a um famoso poeta se ele não seria antiético por publicar os poemas dedicados a todas as ex-namoradas num mesmo livro. Ao que ele respondeu: É o mesmo livro, não a mesma cama!
Um beijo, uma carícia,
Um olhar penetrante,
O amor é uma delícia,
Que dispensa adoçante!
Vem amor, me sacia,
Me liberta dessa agonia!
Um beijo, uma carícia,
Um olhar é suficiente,
Vem assim com malícia,
Deixa meu corpo dormente.
Vem amor, me pega, me ama,
Me leva pra sua cama!
Um beijo que enfeitiça,
Um olhar malandrinho,
A tudo você cobiça,
E pra tudo tem jeitinho.
Confesso, isso me atiça,
Mas faça tudo com carinho!
Mais um beijo, não censuro,
Seu olhar revelador,
Quero tudo, eu juro,
Vamos amar sem pudor.
E depois de bem saciado,
Dormiremos lado a lado,
Na nossa alcova de prazer.
Mas que seja um sono curto!
Logo me acorde, pra gemer.
(Luxúria)
Um agrado...
e o grilo grudou na grama!
Graciosamente, ela grampeou.
Gritavam graças, grotescos ...
Grogues, grunhiam gramáticos,
grafando grosso e grande grotão.
(Gradear)
