Coleção pessoal de LEandRO_ALissON
Um dos sinais mais visíveis da imaturidade presunçosa é exigir constância no julgamento que fazemos de pessoas, como se reconhecer mudanças, incoerências e ambiguidades fosse um pecado intelectual mortal.
A sorte dos psicopatas é que as pessoas normais em geral não acreditam que existam seres humanos tão maus.
Todos os vírus e bactérias, somados, não fazem tanto mal à humanidade quanto um único idiota embalado na ilusão de que tem as soluções para todos os problemas do mundo.
Os que gritam 'Um outro mundo é possível' deveriam ir para lá e nos deixar em paz neste aqui.
"Ser educado num lugar de estima; não ver nada baixo ou sórdido desde a infância; ser ensinado a respeitar-se a si próprio; ser habituado à inspeção crítica do olhar público; (…) ter tempo para ler, refletir, conversar; (…) ser ensinado a desprezar o perigo no cumprimento da honra e do dever; (…) possuir as virtudes da diligência, ordem, constância e regularidade, e ter cultivado uma atenção habitual à justiça comutativa."
“Quem diz formação diz esforço para adquirir ou comunicar uma forma. E forma tem, aqui, não o seu significado óbvio e corrente de feitio, figura, aparência externa das coisas, forma; mas o sentido mais profundo e filosófico de perfeição, atuação de uma potencialidade anterior. Formar-se é, no sentido amplo, adquirir novas qualidades, acordar perfeições que dormiam nas possibilidades da nossa natureza.
Nessa acepção formação é quase sinônimo de cultura, e a análise de uma destas noções esclarece a outra. A palavra cultura, aplicada ao homem, é metafórica e deriva da analogia com os campos, aos quais se aplicam primeiro e ainda se aplica em sentido próprio.
Cultivai – Agricultura. Tomai uma terra no seu estado nativo; cardos e espinhos, ervilhaca e tiririca; plantas úteis e ervas venenosas – tudo em desordem e confusão – é uma terra brava – selvagem. Passai-lhe o arado, arroteai-a, enriquecei-lhe com adubos apropriados a fecundidade natural e tereis jardins, pomares e plantações: é uma terra cultivada. Transportai a analogia para nossa vida superior.
Também aqui, no domínio do espírito – uma grande possibilidade da natureza, a psicologia humana com toda a riqueza de suas virtualidades latentes; a inteligência, o sentimento, a atividade. Também aqui deixai todas estas virtualidades em seu estado bruto, nativo, – tereis o homem selvagem – o bárbaro, o inculto. Aplicai-lhes o esforço, o trabalho que fecunda a natureza e desenvolveis as suas forças originais, tereis o homem culto ou cultivado.”
"O Comunismo foi fundado pelo demônio. Lúcifer é o seu chefe e a disseminação de sua doutrina é a guerra do diabo contra Deus. Conheço o comunismo e sei que é diabólico. É a continuação da guerra dos anjos maus contra o criador e seus filhos."
A função do governo não é resolver problemas. É renunciar aos meios de criá-los.
Nenhum governo jamais educou a população. Quando se mete na área, é só para reduzir a educação à propaganda.
As universidades surgiram como associações de estudantes, que livremente escolhiam e contratavam seus professores.
As grandes forças educadoras da humanidade são:
(a) as mães;
(b) as igrejas;
(c) os intelectuais criativos;
(d) a livre associação dos interessados em educar-se.
O resto é comedeira e manipulação.
O realismo objetivo em ciência política não consiste em abster-nos de juízos de valor -- o que é aliás impossível --, mas em impedir que os nossos temores, desejos e esperanças obscureçam a nossa visão da realidade.
Quem quer ser respeitado sem precisar respeitar nada é uma alma criminosa que tem de ser banida não só da vida pública, mas de todo convívio decente.
Liberal education é, para resumir, a educação da mente para os debates culturais e cívicos mediante a leitura meditada dos clássicos. Acabo de escrever esta palavra, 'clássicos', e já vejo que não sou compreendido. A falta de uma liberal education dá a esse termo a acepção estrita de obras literárias famosas e antigas, lidas por lazer ou obrigação escolar. Um clássico, no sentido de Adler, não é sempre uma obra de literatura: entre os clássicos há livros sobre eletricidade e fisiologia animal, os milagres de Cristo e a constituição romana: coisas que ninguém hoje leria por lazer e que geralmente são deixadas aos especialistas. Mas um clássico não é um livro para especialistas. É um livro que deu origem aos termos, conceitos e valores que usamos na vida diária e nos debates públicos. É um livro para o homem comum que pretenda ser o cidadão consciente de uma democracia. Clássicos são livros que criaram as noções de realidade e fantasia, senso comum e extravagância, razão e irrazão, liberdade e tirania, absoluto e relativo – as noções que usamos diariamente para expressar nossos pontos de vista. Só que, quando o fazemos sem uma educação liberal, limitamo-nos a repetir um script que não compreendemos. Nossas palavras não têm fundo, não refletem uma longa experiência humana nem um sólido senso de realidade, apenas a superfície verbal do momento, as ilusões de um vocabulário prêt-à-porter. A educação liberal consiste não somente em dar esses livros a ler, mas em ensinar a lê-los segundo uma técnica de compreensão e interpretação que começa com os eruditos greco-romanos e atravessa, como um fio condutor, toda a história da consciência ocidental.
Uma das muitas causas do seu desaparecimento [do leitor autêntico], no nosso país, é que a formação dos jovens leitores — e falo dos melhores — se faz sob uma influência predominantemente anglófona. Ninguém lê mais em francês, espanhol, italiano ou latim. Muito menos lê os clássicos portugueses. Como os princípios da estilística inglesa são intransponíveis para o português, esses leitores acabam perdendo o ouvido para o próprio idioma. Quando lêem, não captam as nuances de sentido nem a ordem musical. Quando escrevem, imitam trejeitos ingleses que não dão certo em português e terminam em pura macaquice. E não falo só de trejeitos lingüísticos, mas psicológicos — de certos cacoetes de percepção que são típicos da intelectualidade norte-americana.
Esquerda e direita não são discursos ideológicos estáveis, são símbolos de união grupal. Basta que duas pessoas se digam de direita ou de esquerda para que automaticamente essas facções passem a existir.
A justiça tem numa das mãos a balança em que pesa o direito, e na outra a espada de que se serve para o defender. A espada sem a balança é a força brutal, a balança sem a espada é a impotência do direito.
"Desejamos a união com o seu verdadeiro ser; desejamos uma vida em comum com ele, e a retribuição do nosso amor assume importância incomparável. Por um caráter essencialmente extático, que se designa por 'estar apaixonado', o amor conjugal difere de todas as outras categorias de amor. Estar apaixonado — este estar encantado, estar fascinado, estar capturado por algo maior que o que somos — é geralmente observado com um sorriso, e se considera uma excitação ou uma paixão louca, uma espécie de extravagância juvenil. Isso é um grandíssimo erro. Em verdade, o autêntico estar apaixonado é uma feliz e desperta condição da alma. Torna-nos mais atentos para o mundo inteiro dos valores; vive-se então em estado mais autêntico, como admiravelmente escreveu Platão, em Fedro. Por certo, como em toda a parte, há aqui a diferença entre um profundo, verdadeiro estar apaixonado, que constitui o ápice de um intenso amor conjugal, e uma paixão superficial, um falso estar apaixonado. Em toda a parte, essa diferença existe. Há um verdadeiro gênio artístico e um falso gênio; há um verdadeiro filósofo, como Platão, e um falso filósofo, como Sartre. Mas tal possibilidade de impostura não afeta o valor da arte ou da filosofia, nem o valor de estar apaixonado. "
